O presente blog se propõe a reflexão sobre os Direitos Humanos nas suas mais diversas manifestações e algumas amenidades.


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sábado, 24 de abril de 2010

Universitários da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, impunementes, reproduzem a homofobia que homossexuais sofrem em nossa sociedade




Os jornalistas, Juliana Cardilli e Kleber Tomaz, do G1 SP (site do Globo.com), publicaram ontem matéria denunciando que o Jornal de alunos de farmácia da USP pede para jogar fezes em gays e, em troca, periódico dá convite para festa. Óbvio que os autores não foram localizados.

Texto extraído de "O Parasita" de abril e maio deste ano:


"Lançe-merdas e Brega será na Faixa - Ultimamente nossa gloriosa faculdade vem sendo palco de cenas totalmente inadmissíveis. Ano passado, tivemos o famoso episódio em que 2 viadinhos trocaram beijos em uma festa no porão de med. Como se já não bastasse, um deles trajava uma camiseta da Atlética. Porra, manchar o nome de uma instituição da nossa faculdade em teritório dos medicus não pode ser tolerado. Na última festa dos bixos, os mesmos viadinhos citados acima, aprontaram uma pior ainda. Os seres se trancaram em uma cabine do banheiro, enquanto se ouviam dizeres do tipo "Aí, tira a mão daí." Se as coisas continuarem assim, nossa faculdade vai virar uma ECA. Para retornar a ordem na nossa querida Farmácia, O Parasita lança um desafio, jogue merda em um viado, que você receberá, totalmente grátis, um convite de luxo para a Festa Brega 2010. Contamos com a colaboração de todos. Joãozinho Zé-Ruela"



Vocês tem noção do isto representa?
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CONVOCAR TODOS A JOGAREM MERDA NOS VIADOS SOB PROMESSA DE PAGA COM INGRESSOS PARA FESTA?
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Isto é resultado de algo que sempre existiu, o preconceito, associado a promoção nacional da homofobia, recentíssima, veiculado no Big Brother Brasil 10, através do premiado Marcelo Dourado, defendido pela "Máfia Dourada" e por pessoas como Glória Perez, Bial e tantas outras celebridades.
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Quais destas "celebridades" virá falar do DIREITO A DIGNIDADE dos homossexuais?

O Projeto de Lei da Câmara 122/2006 que criminaliza a homofobia continua sendo ATACADO pelos Senadores evangélicos Marcelo Crivella e Magno Malta, os quais encabeçam no Senado Federal artimanhas regimentais para IMPEDIR a votação do aludido projeto.

Se a proposta do tal jornal da USP fosse para jogar merda em cada EVANGÉLICO?

"A mais alta Corte brasileira, o Supremo Tribunal Federal, já decidiu que a discriminação religiosa é uma espécie de prática de racismo. Isto significa que o crime de discriminação religiosa é inafiançável (o acusado não pode pagar fiança para responder em liberdade) e imprescritível (o acusado pode ser punido a qualquer tempo). A pena para o crime de discriminação religiosa pode chegar a 5 anos de reclusão." 1

Se a proposta fosse para jogar merda em NEGROS?

Na forma da Lei nº 9.459, de 13 de maio de 1997, igualmente poderá o preconceituoso uma pena que pode chegar a três ou cinco anos de reclusão.

O mesmo ocorre com alguém que faça algo parecido contra os judeus.

Para o CONGRESSO NACIONAL, em especial, o Senado Federal, encabeçado pelos Senadores Evangélicos, a música do Chico Buarque de Holanda tá valendo para HOMOSSEXUAIS:
Joga merda na Geni
Joga bosta na Geni
Ela é feita pra apanhar
Ela é boa de cuspir
Maldita Geni!
Constrangedoramente, a representante do Poder Judiciário que veio se manifestar foi a Defensoria Pública, e esclareceu que providências estavam sendo tomadas junto a polícia, pois o autor de tal ato poderia responder com MULTA. Ah, se fossem religiosos, negros ou qualquer outro cidadão que não fosse de 'quinta', como os homossexuais, a resposta seria PRISÃO.
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A Delegada de Polícia, Margarette, informou que abrirá inquérito por incitação a crime, mas aduziu: “não vou investigar se eles cometeram homofobia porque homofobia não é crime".
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A Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT) fez Nota de Repúdio ao incentivo à homofobia na USP, que em parte se reproduz:
"...
O episódio serve de exemplo para demonstrar que a falta de uma lei federal que criminalize a homofobia gera a violência vivenciada diariamente pela comunidade LGBT. Em vez de terem seus direitos protegidos, as pessoas LGBT são vítimas da impunidade. Basta considerar o que teriam sido as consequências se o objeto da matéria do “Parasita” tivessem sido os negros, por exemplo. Neste caso, as disposições punitivas da lei já estariam sendo cumpridas.

A ABGLT espera que parlamentares federais comprometidos/as com a paz, com a democracia, com o respeito à diversidade humana e à dignidade das pessoas, façam a sua parte, aprovando o Projeto de Lei da Câmara (PLC) nº 122/2006 que, entre outras formas de discriminação, pune a discriminação por orientação sexual e identidade de gênero.

Estes são motivos pelos quais a ABGLT está promovendo a 1ª Marcha Nacional contra a Homofobia, que terá sua concentração a partir das 9 horas do dia 19 de maio de 2010, na Esplanada dos Ministérios em Brasília - DF, com a presença de militantes LGBT e aliados/as vindos/as em caravana de todas as 27 unidades de federação.

..."
Se o cidadão LGBT não se conscientizar e tomar uma atitude, NADA MODIFICARÁ. Atitude gente!

Quem puder que compareça a Marcha, para quem não for possível, faça uma ligação GRATUITA para o Senado Federal - 0800 612211 - pedindo para que seja aprovada o PLC 122/2006 que criminaliza a homofobia, se preferir não ligar, entre no site do Senado Federal e deixe lá sua opinião ou reclame seus direitos http://www.senado.gov.br/sf/senado/centralderelacionamento/sepop/?page=alo_sugestoes&area=alosenado .

Não fique indiferente a tais omissões do Governo e nem aceite passivamente tais agressões aos LGBTs. Você é um cidadão, ainda que o governo o trate como de quinta categoria.
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A criminalização da homofobia é o ÚNICO REMÉDIO que serveria para estes universitários do curso de FARMÁCIA!

sexta-feira, 23 de abril de 2010

'Dia D' da Igreja Universal que causou o absoluto caos no RJ foi, na realidade, Comício Evangélico de Marcelo Crivella para futura eleições do Senado

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Marcelo Crivella foi o principal responsável pelo caos que simplesmente paralisou a cidade do Rio de Janeiro, a partir da Enseada do Botafogo, no feriado do dia 21 de abril.

Crivella rezou e, pasmem, cantou três músicas para a multidão de evangélicos que para lá foram conduzidos por milhares de ônibus contratados pela Igreja Universal, vindo do interior do Estado. Infelizmente, orações e musiquinhas não foram ouvidos apenas por quem deseja, que digam os moradores do bairro.

Se pensar que ouvidos e a paz dos moradores foram estuprados, imaginem se dar conta de uma invasão territorial de milhares de ônibus com uma multidão de obreiros evangélicos?

E que, além das calçadas, com aquela procissão de 4.000 ônibus PARADOS, impediam a liberdade de ir e vir dos cariocas, garantido pela Constituição Federal.

Li no 'O Globo' um comentário perfeito: "O evento era da igreja, mas a visão era do inferno!"

O Prefeito pediu perdão a população. Como cidadão respondo: Não perdoo não, Prefeito! Fui obrigado a abandonar meu carro na rua Oswaldo Cruz, andar até o metro do Flamengo, descer em Copacabana, pegar um táxi para Gávea, chegando finalmente em casa. Perdi compromissos sociais e ainda fui obrigado a voltar ao local do "crime" para resgatar meu carro abandonado, ao lado do lixo e cheiro da urina evangélica.

Mas justiça seja feita, o PRINCIPAL responsável, não foi o Prefeito, que atendeu as pressões que vieram de Brasília, permitindo o grotesco e desorganizado evento. O CULPADO MOR FOI MARCELO CRIVELLA!

Crivella sabia perfeitamente o que ele e seu tio Edir Macedo estavam fazendo. Tinham plena consciência do ABSURDO NÚMEROS DE ÔNIBUS que eles PAGARAM para trazer os seus evangélicos para a Enseada de Botafogo.

Foi tudo ARMADO. Tratou-se apenas da primeira CAMPANHA do Senador Marcelo Crivella para as próximas eleições que teremos para o Senado Federal.

Crivella quis mostrar sua força para o Presidente Lula, a candidata Dilma e para o Governador Sergio Cabral. E conseguiu!

Tanto Lula quanto Sérgio Cabral, em eleições anteriores, já se venderam politicamente para Marcelo Crivella. Lula já deu mais apoio a Crivella que ao candidato de seu partido e Sérgio Cabral fez acordo com Crivella retirando a proposta de emenda constituicional que era contra os princípios religiosos do Senador.

Aliás, Lula a cada dia me assusta mais! O que pensar de um presidente brasileiro que intensifica o namoro com o Presidente do Irã, Ahmadinejad! Lula pretende ir de novo ao Irã em maio!

Se o homem é amigo do Ahmadinejad, quem pode se surpreender de sua grande amizade ao Marcelo Crivella?

Não é à toa que na coluna de Alcemo Gois de hoje, o jornalista dá uma cutucada nos seus leitores, ao se referir ao evento da Igreja Universal Reino de Deus em Botafogo: "O potencial eleitoral destes fiéis explica porque Lula tenta ajudar na reeleição de Marcelo Crivella, sobreinho de Macedo. No evento que parou o Rio, o senador participou das orações e cantou três músicas."

I-NA-CEI-TÁ-VEL !!!

Nós, cidadãos brasileiros, temos que erguer nossas vozes e protestar com veemencia contra essa onda do Governo ceder concessão de radiodifusão as instituições religiosas. Além de explorar o veículo para o "proselitismo religioso", há o risco de a emissora virar fonte de receita monetária e ser usada com fins político-partidários. Quem dúvida que isso é o que acontece e foi exatamente o que ocorreu recentemente na Enseada de Botafogo?

Essa mistura religião e política é MEDONHA!:

O Estado é laico, mas o que começamos assistir nas campanhas eleitorais é "Vote em Pastor tal”, “Missionário tal”. Afinal, estamos votando em políticos ou missionários religiosos?

“Diz-nos que sempre que misturamos religião com política, as coisas da vida não correm muito bem. Para ilustrar esta idéia basta que recordemos a chamada «Santa Inquisição», misto de política e religião. E o que aconteceu com esta mistura imprudente? Perseguições político-religiosas, deportações, assassinatos. Este é o corolário inevitável da não separação da vida religiosa da vida política.”

Se analizarmos a História veremos que nuca deu bons resultados. Exemplos mais recentes o Talibã e as eleiçoes fraudadas no Irã. "A César o que é de César, a Deus o que é de Deus".

Marcelo Crivella fez o que fez com a cidade do Rio de Janeiro, e a única referência que li a seu respeito foi na coluna de Ancelmo Gois. ACORDA POVO FLUMINENSE!
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Marcelo Crivella fez deliberadamente isto com a cidade do Rio de Janeiro. Um candidato que não respeita o cidadão, já diz a que veio! O estrago pode ser muito maior!
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foto: Leonardo M. da Cruz

sexta-feira, 18 de dezembro de 2009

Na farra de concessões públicas, POLITICOS e RELIGIOSOS obtiveram direitos a Radiodifusão pelo Governo, que continuam sendo renovados


Observando no site TRANSPARÊNCIA BRASIL as informações contidas sobre os Senadores Marcelo Crivella e Magno Malta notei que existe algo além de serem senadores, evangélicos e contra o reconhecimento a qualquer direito para homossexuais.
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Ambos possuem concessões de rádios...

Achei no mínimo curiosa essa coincidência. Políticos, Religiosos e que obtiveram concessões públicas do Governo.

Na velha e segura busca do Google, que diferente do povo brasileiro, nada esquece, fui atrás dos devidos esclarecimentos e eis que encontro uma reportagem da Folha de São Paulo de três anos atrás denunciando a distribuição de emissoras e rádios a políticos, entre eles, um de nossos senadores em questão, Magno Malta.

Fazendo a leitura constatei mais, que a Folha de São Paulo também denuncia que foi dada concessão de FM ao senador Magno Malta em nome de fundação inativa!

E evidente, como uma coisa leva a outra, na mesma matéria de 2006, ainda há outra denúncia, que além dos Políticos, as Igrejas e fundações ligadas a denominações religiosas são umas das grandes favorecidas no rateio de tais concessões, em função do forte lobby que têm no Congresso, especialmente as evangélicas.

Por fim, no mesmo jornal, após desvendar como funciona tais esquemas e mencionar sobre as brechas que dispensam licitações (qualquer coisa "educativa"), questiona o que todos desejamos também saber: e aí, como fica? Quem fiscaliza? Quem pode tomar uma atitude? Sobre esta questão é revelado que a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) apenas faz fiscalização técnica. “Verifica se as emissoras estão na faixa de freqüência destinada e se estão transmitindo a ‘Voz do Brasil’ e a propaganda eleitoral gratuita", cabendo ao Ministério Público fiscalizar e tomar as devidas providências judiciais.

Então brasileiros arregacem as mangas, se mobilizem e cobrem do Ministério Público Federal uma posição acerca daquelas denúncias formuladas pelo jornal Folha de São Paulo no ano de 2006, pois sobre isto NADA ACHEI até o momento. Se nada foi feito, alguma providência ainda deve ser tomada. Não é difícil e não causa qualquer ônus, basta perder dois minutos, entrar na página http://pfdc.pgr.mpf.gov.br/contact-info e fazer sua denúncia e reclamações. Segundo o próprio Ministério Público Federal tal espaço foi criado especialmente para você entrar em contato eles.

Abaixo transcrição sobre “A Farra das Concessões” publicado pelo Observatório da Imprensa, constante no site:
http://observatorio.ultimosegundo.ig.com.br/artigos.asp?cod=385IPB006

A FARRA DAS CONCESSÕES
Folha denuncia distribuição de emissoras a políticos
em 19/6/2006
Por Elvira Lobato, copyright Folha de S. Paulo (18/06/06), título principal “Governo Lula distribui TVs e rádios educativas a políticos

"O governo Lula reproduziu uma prática dos que o antecederam e distribuiu pelo menos sete concessões de TV e 27 rádios educativas a fundações ligadas a políticos. Também foi generoso com igrejas: destinou pelo menos uma emissora de TV e dez rádios educativas a fundações ligadas a organizações religiosas. Esse fenômeno confirma a afirmação de funcionários graduados do Ministério das Comunicações de que, no Brasil, a radiodifusão ‘ou é altar ou é palanque’. Entre políticos contemplados estão os senadores Magno Malta (PL-ES) e Leonel Pavan (PSDB-SC). A lista inclui ainda os deputados federais João Caldas (PL-AL), Wladimir Costa (PMDB-PA) e Silas Câmara (PTB-AM), além de deputados estaduais, ex-deputados, prefeitos e ex-prefeitos.

Em três anos e meio de governo, Lula aprovou 110 emissoras educativas, sendo 29 televisões e 81 rádios. Levando em conta somente as concessões a políticos, significa que ao menos uma em cada três rádios foi parar, diretamente ou indiretamente, nas mãos deles. Fernando Henrique Cardoso autorizou 239 rádios FM e 118 TVs educativas em oito anos.

No final de seu segundo mandato, a Folha, em levantamento semelhante, comprovou que pelo menos 13 fundações ligadas a deputados federais receberam TVs, desmentindo a promessa que ele havia feito de que colocaria um ponto final no uso político das concessões de radiodifusão. FHC acabou com a distribuição gratuita de concessões para rádios e TVs comerciais -passaram a ser vendidas em licitações públicas-, mas as educativas continuam sendo distribuídas gratuitamente a escolhidos pelo Executivo. Antes de FHC, os políticos recebiam emissoras comerciais.

No governo do general João Baptista Figueiredo (1978 a 1985), foram distribuídas 634 concessões, entre rádios e televisões, mas não se sabe quantas foram para políticos. No governo Sarney (1985-90), houve recorde de 958 concessões de rádio e TV distribuídas. Muitos políticos construíram patrimônios de radiodifusão naquele período em nome de ‘laranjas’.

Fachadas

A Folha pesquisou em cartórios e promotorias de Justiça a origem de cerca de metade das fundações atendidas no governo Lula. O número de emissoras dadas a políticos pode ser maior porque parte das fundações existe apenas no papel.

A Fundação Dona Dadá, presidida pela mulher de Magno Malta, por exemplo, tem como endereço o escritório do senador, em Vila Velha. A rádio foi aprovada pelo ministro Hélio Costa em abril. A Fundação Rodesindo Pavan, que recebeu uma rádio em Balneário Camboriú (SC), em 2004, é presidida pela mulher do senador Leonel Pavan, segundo a documentação existente no Senado. Malta e Pavan não comentaram o assunto.

A identificação dos políticos é difícil porque eles não aparecem diretamente como responsáveis pelas fundações, mas se fazem representar por parentes, assessores e cabos eleitorais.

O deputado federal João Caldas (PL-AL) é um desses casos. Ele criou a Fundação Quilombo, em Alagoas, e recebeu licença para uma rádio FM educativa em Maceió, em dezembro do ano passado. No governo FHC, a fundação recebeu uma TV educativa em Maceió e cinco emissoras de rádio no interior do Estado.

Oficialmente, as rádios não pertencem a João Caldas, mas à Fundação Quilombo. No site do ministério, consta o nome de uma ex-assessora dele, Maria Betania Botelho Alves, como presidente. Caldas diz que não tem rádios e que a ex-assessora já deixou a entidade. No entanto, empresários alagoanos afirmam que ele é dono da rede de rádios educativas Farol Sat. Funcionários da Farol Sat, em Maceió, também o apontam como proprietário.

Caldas admite que é um dos instituidores da fundação. Ele disse à Folha que o envolvimento de políticos com a radiodifusão acontece em todo o país. ‘Não acredito que isso mude. As pessoas mais influentes são as que têm meios de comunicação, como ACM na Bahia, Orestes Quércia em São Paulo e a família Sarney no Maranhão. Comunicação dá voto.’

Ministros
Os três ministros que chefiaram a pasta das Comunicações no governo Lula -Miro Teixeira (PDT), Eunício de Oliveira (PMDB) e Hélio Costa (PMDB)- aprovaram quantidades parecidas de rádios. Foram 23 autorizadas por Teixeira, 25 por Costa e 31 por Oliveira. Os três sustentam que não sabiam do elo das fundações com políticos, mas, curiosamente, todos reclamam da pressão constante dos parlamentares reivindicando novas outorgas.

As concessões de TV são dadas por decreto do presidente, enquanto as de rádio são aprovadas pelo ministro, por portaria. As concessões de TV são por 15 anos, renováveis, e as de rádio, por 10 anos, também renováveis.

[Colaboraram Paulo Peixoto , da Agência Folha em Belo Horizonte, Kamila Fernandes , da Agência Folha em Fortaleza, e Lilian Christofoletti , da Reportagem Local]"

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Ministro dá concessão de FM a senador do PL em nome de fundação inativa [copyright Folha de S. Paulo, 18/06/06)]

"No dia 12 de abril foi publicada uma nota na imprensa dando conta de que o ministro Hélio Costa estaria em rota de colisão com seu secretário de comunicação eletrônica, Joanilson Barbosa Ferreira, que estaria atendendo a pedidos de alguns políticos, e de outros não, sem informar ao ministro.

Um dos contrariados, segundo a nota, seria o senador Magno Malta (PL-ES), da base governista.

Oito dias depois, foi publicada no ‘Diário Oficial’ da União a portaria de Hélio Costa outorgando uma rádio FM educativa em Vila Velha, na Grande Vitória, em nome da Fundação Educativa e Cultural Dona Dadá. O nome da entidade é uma homenagem à mãe do político. Ela tem como endereço o escritório de Magno Malta, em Vila Velha, sua base eleitoral.
O ministro Hélio Costa disse que de Magno Malta estava no ministério havia mais de um ano e que o senador exerce um trabalho social em Vila Velha, que poderá se beneficiar da emissora. O mesmo argumento foi dado pela assessoria do senador.

Mesmo inativa, a fundação foi declarada de utilidade pública pelos vereadores de Vila Velha, por lei municipal aprovada em 2001. Na documentação existente na Câmara consta como presidente da fundação a mulher do senador, Kátia Santos Malta.

O ministro disse que as concessões de rádio e TV têm de ser confirmadas também pelo Congresso, depois de aprovadas pelo Executivo.

‘A portaria significa que considero o pedido aceitável, mas cabe ao Congresso avaliar o caso. Não é uma decisão só do ministro’, disse o ministro Hélio Costa."

***
Educativa não pode ter publicidade [copyright Folha de S. Paulo, 18/06/06)]
"Criadas legalmente em 1967, as emissoras educativas se multiplicaram depois que as concessões de rádios e televisões comerciais deixaram de ser gratuitas e passaram a ser vendidas em licitações públicas, em 1997. Então, o número de TVs educativas geradoras autorizadas pelo Executivo passou de 20 para 167, e o de rádios saltou de 47 para 367.
O advogado Luiz Carlos Ferraz, diretor da consultoria Sulrádio, destaca como diferença das emissoras educativas para as comerciais o fato de continuarem sendo distribuídas gratuitamente, e de serem proibidas de veicular publicidade. A legislação autoriza verba de patrocínio, o que suscita críticas de redes comerciais, que as acusam de concorrer no mercado publicitário."

***

Até entidades com endereço fictício são beneficiadas [copyright Folha de S. Paulo, 18/06/06)]

"Segundo a lei, as fundações devem ter patrimônio suficiente para garantir a sobrevivência financeira das emissoras, mas não é o que se vê. Mesmo com endereços fictícios, passam pelo crivo do governo.

É o caso da Fundação João Sotero, comandada por José Clênio Soares de Lima, ex-presidente do PSDB em Caruaru (PE). A entidade já possuía uma rádio educativa em Recife e ganhou outra em Belo Jardim, no mesmo Estado. O endereço da fundação que aparece no Ministério das Comunicações é uma caixa postal.

O promotor de Justiça responsável pela fiscalização das fundações em Recife, Ulisses Araújo de Sá, diz que a João Sotero não está registrada no Ministério Público da capital e que, em razão disso, não poderia ter recebido concessão de um serviço público na cidade.

A rádio foi transferida para a fundação Vicente Campelo, em Recife, que repassou uma TV educativa, recebida no governo FHC, a uma terceira fundação, criada pelo empresário João Florentino. Há políticos em duas pontas desta operação, já que a Vicente Campelo é dirigida por Edson Queiroz, irmão do deputado federal Armando Queiroz Monteiro (PTB-PE).

Sede em terreno

Vinculada ao deputado federal Wladimir Costa (PMDB-PA), a Fundação Barcarena de Comunicação e Assistência Social não possui telefone, tem como sede declarada o nome de uma rua, sem número, e recebeu duas rádios educativas: uma em Tucuruí e outra em Barcarena, ambas no Pará.

A sede da fundação Educacional e Cultural Nativa, presidida pelo ex-deputado estadual maranhense Raimundo Nonato Vieira, é um terreno baldio em Araguantins, em Tocantins. Mesmo assim, ganhou uma rádio em Parauapebas (PA)."
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Ministros negam motivação política para concessões [copyright Folha de S. Paulo, 18/06/06)]

"O ministro das Comunicações, Hélio Costa, e seus antecessores no governo Lula, os deputados federais Miro Teixeira (PDT-RJ) e Eunício Oliveira (PMDB-CE), dizem que não usaram critério político para aprovar as outorgas de rádio e televisão educativas.

Os três afirmaram ter priorizado as entidades ligadas a universidades. Costa e Oliveira citaram como iniciativas deles a concessão de canais de TV para Assembléias Legislativas.
Oliveira, que chefiou as Comunicações de janeiro de 2004 a julho de 2005, afirma que represou muitos pedidos de emissoras educativas feitos por políticos. ‘A pressão é muito grande, sobretudo de parlamentares ligados a igrejas evangélicas’, disse.

De acordo com Oliveira, um único deputado federal tem 40 pedidos de concessão no ministério e o total de pedidos é cerca de 1.200.

Teixeira, que assumiu o cargo em janeiro de 2003 e foi sucedido por Oliveira, disse que não sofreu constrangimento de políticos.’A pressão para liberação de pedidos de radiodifusão é democrática. O que constrange é o carteiraço, mas assombração sabe para quem aparece’, afirmou, sugerindo que os políticos só pressionariam ministros suscetíveis.

Teixeira disse que buscou ter atuação transparente e que foi o primeiro a colocar na internet o cadastro oficial de sócios das emissoras. ‘A identificação pública dos donos de rádio e de televisão era um tabu, até então’, declarou.

O atual ministro, no cargo desde julho do ano passado, diz que tem exigido que as concessões sejam dadas a fundações vinculadas a universidades.

Cita que encaminhou para aprovação da Casa Civil pedidos de concessões de TV educativa para as universidades de Ouro Preto (MG), São Carlos (SP) e Goiânia (GO). Ele diz que o presidente Lula quer que apenas universidades públicas sejam contempladas.

‘Sou tido como ministro que não libera rádios e TVs educativas. O que chega ao ministério é analisado tecnicamente. Não existe análise política.’

Costa e Teixeira avaliam que a chegada da TV digital pode eliminar as pressões de políticos por emissoras educativas, pois haverá liberação de grande parte do espectro de freqüência. ‘Com a TV digital, tudo isso vai perder importância. Haverá muitos canais disponíveis. Cada cidade poderá ter um canal de educação, um do executivo e um canal para o legislativo’, disse o atual ministro.

Teixeira diz que a implantação da TV e do rádio digitais implicará na aprovação de nova lei de comunicação de massa, que rediscutirá o uso das freqüências de radiodifusão.

Ele considera que é preciso criar um mecanismo que torne o processo de escolha dos radiodifusores educativos competitivo, como ocorreu com as concessões de rádio e de televisão comerciais. A partir de 1997, elas passaram a ser vendidas em licitações públicas, com critério de técnica e preço para a escolha dos vencedores.

Fiscalização

Em relação ao fato de fundações com existência apenas no papel receberem concessões de emissoras educativas, Oliveira diz que compete ao Ministério Público, e não ao Ministério das Comunicações, fiscalizar as entidades. Segundo ele, os projetos chegam com documentação regular.

Costa disse que a programação das emissoras educativas só é fiscalizada se houver denúncia. Segundo ele, o ministério é responsável pela fiscalização do conteúdo, mas foi desestruturado no governo anterior e hoje tem 220 funcionários.

A Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) faz fiscalização técnica. Verifica se as emissoras estão na faixa de freqüência destinada e se estão transmitindo a ‘Voz do Brasil’ e a propaganda eleitoral gratuita."

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Minas Gerais recebe oito emissoras de TV na gestão do mineiro Hélio Costa [copyright Folha de S. Paulo, 18/06/06)]

Político mineiro, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, autorizou oito concessões de TVs educativas em seu Estado desde que assumiu o cargo, em 8 de julho de 2005. Repete, embora em menor escala, o comportamento de outro mineiro, Pimenta da Veiga (PSDB), que ocupou a pasta no governo FHC e distribuiu TVs a aliados políticos em MG.

Como senador, Costa atuou para agilizar a aprovação de, pelo menos, três processos que ele mesmo concretizou no executivo. Suas intervenções estão registradas no protocolo do Ministério das Comunicações. Ele enviou ofícios em favor de fundações em Patrocínio, Passos e Curvelo (todas em MG). Também autorizou concessões de TV nas cidades mineiras de Mateus Leme, Poços de Caldas, São Sebastião do Paraíso, Caxambu e São Lourenço.

A TV de Patrocínio foi dada à Fundação Cultural e Educativa Jorge Elias, ligada ao prefeito Júlio Elias (PP), aliado do ministro. Costa não negou os laços políticos, mas afirmou que atendeu à fundação porque ela atua há mais de 15 anos como retransmissora, o que lhe daria direito de se tornar geradora.

O ministro disse que os outros dois casos que defendeu como senador referem-se também a repetidoras de canais educativos que estão no ar há muitos anos. Ele afirma que não houve privilégio político.

Há, porém, dezenas de retransmissoras de TVs educativas em situação semelhante e não são atendidas. A aprovação demora, em média, dez anos.

A Fundação Jorge Elias e o prefeito de Patrocínio, Júlio Elias, estão sob investigação do Ministério Público. Em 2005, a Câmara Municipal aprovou projeto de lei proposto pelo prefeito para repassar R$ 180 mil à fundação, da qual foi presidente. Com a reação do promotor, o prefeito, que diz não ter cometido improbidade, recuou. O repasse foi cancelado.

A concessão de Curvelo foi para a Fundação Nelson Rocha. Costa, que nega o critério político, disse que não conhecia os responsáveis pela entidade e que buscou referências com o deputado federal Virgílio Guimarães, natural da cidade.

No caso da fundação Vivaldo Piotto, de Passos, o ministro disse conhecer os responsáveis.

Costa defende publicamente que concessões de TVs educativas só sejam dadas a fundações ligadas a universidades. Os casos não se enquadram no perfil.

Questionado, negou haver incoerência. ‘Se dei parecer favorável como senador, como poderia, como ministro, dizer que estava errado?’"

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Igrejas são favorecidas em rateio de rádios e TVs [copyright Folha de S. Paulo, 18/06/06)]

"O governo Lula destinou pelo menos uma televisão e dez de rádios educativas a fundações ligadas a denominações religiosas. As igrejas têm forte lobby no Congresso -as evangélicas, com número crescente de fiéis, representam 15,5% da população em 2000, segundo o IBGE.

A Fundação Sara Nossa Terra, presidida pelo bispo Robson Rodovalho, obteve do governo concessões para uma emissora de TV em Mateus Leme (MG) e uma rádio em Itaguaí (RJ).

Além disso, o Ministério das Comunicações aprovou uma rádio na cidade de Juquitiba (SP), em nome da Fundação Ecológica Natureza e Vida. Registrada em um cartório carioca, a entidade tem como endereço uma igreja da Sara Nossa Terra, na Barra da Tijuca (na zona oeste do Rio).

Padres e bispos da Igreja Católica estão na direção de fundações contempladas com ao menos quatro rádios: duas em Minas Gerais e duas no Piauí.

A exemplo do que ocorre com os políticos, é difícil identificar as igrejas por trás de fundações beneficiadas com concessões de radiodifusão.

A Igreja Renascer e a Assembléia de Deus também obtiveram autorizações para rádios. No caso da Renascer, para Goiânia. No caso da Assembléia de Deus, para Joinville (SC).

Jesus Sat

Um exemplo da dificuldade para se identificar as igrejas contempladas com concessões está na Fundação Cultural Educativa Costa Dourada.

Em junho de 2004, o ex-ministro Eunício Oliveira autorizou que ela recebesse uma rádio FM em Belém. Em novembro do ano passado, o ministro Hélio Costa autorizou uma rádio em Rio Branco (AC) para a mesma fundação.

Uma pesquisa feita em cartório feita pela reportagem da Folha localizou o registro da fundação, no Rio de Janeiro. Criada em 1990, a entidade passou a ser vinculada, a partir de 2001, à Igreja Assembléia de Deus de Belém, dirigida pelo pastor Samuel Câmara -que é irmão do deputado federal Silas Câmara (PTB-AM).

Essa igreja tem investido muito em radiodifusão, tendo criado a Rede Boas Novas. Ela possui uma TV geradora em Belém, e sua programação é transmitida por satélite -o Jesus Sat- para vários Estados."
Tal matéria publicada pela Folha de São Paulo e acrescida pelo Observatório da Imprensa não deveriam ser esquecidas, e ca.be a nós cidadãos COBRAR ao Ministério Público uma posição.
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Afinal, o que foi feito de todas estas denúncias???
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Fontes:
1. Folha de S. Paulo (18/06/06), título principal “Governo Lula distribui TVs e rádios educativas a políticos” e,
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