O presente blog se propõe a reflexão sobre os Direitos Humanos nas suas mais diversas manifestações e algumas amenidades.


quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

A Suprema Corte Argentina não acolhe conflito de competência suscitado pelo Prefeito de Buenos Aires e deixa permanecer duas decisões contraditórias

Continua a novela do casal gay argentino, Alex Freire e Maria José Di Bello.

Como se sabe, o casal pretendia se casar no dia primeiro de dezembro, e o Prefeito de Buenos Aires já havia se manifestado que não recorria da decisão da juíza local, que havia autorizado.


Entretanto, os nubentes e também o Prefeito de Buenos Aires, Mauricio Macri, foram surpreendidos com uma nova decisão, que não reformava a primeira, mas decidia de forma contrária, determinando a não realização do casamento, suspendendo-o.
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Em outras palavras, o Prefeito Macri se viu numa rede de "palco de aranha", de um lado, tinha uma decisão da juíza, Gabriela Seijas, de direito administrativo (local) que autorizava a celebração e, de outro, uma decisão que a proibia naquele momento, da Juíza Civil (nacional), Alsina Martha Gomez.

Sem saber o que fazer, o Prefeito fez aquilo que se faria também aqui no Brasil, suscitou um ‘conflito de competência’ junto a Corte Superior, a fim que esta decidisse e o informasse qual daquelas decisões era competente e, portanto, válida.

É que, normalmente, uma específica matéria jurídica é de competência de apenas um determinado tipo de juiz e não de dois ao mesmo tempo. O Prefeito queria saber quais daquelas duas juízas, que resolveram julgar a mesma questão, era a que realmente poderia ter julgado aquele assunto e qual daquelas decisões deveria cumprir.

Se a Suprema Corte entendesse que a Juíza Civil (que decidiu pela proibição) não tinha competência legal para julgar, aquela primeira decisão que autorizou o casamento, da Juíza de Direito Administrativo, seria válida. Se a decisão da Corte fosse em sentido contrário, também estaria tudo resolvido, a decisão local seria desconsiderada, respeitando-se a segunda decisão, porque a juíza que a proferiu, proibindo o casamento, possuia competência para tal decisão.

Então, neste capítulo, ingressou a Suprema Corte da Argentina, de quem todos esperavam, finalmente, tal definição, espancando a dúvida do Prefeito quanto a decisão deveria cumprir.
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Ontem, dia 15 de dezembro, o Presidente da Corte Suprema Argentina, Ricardo Lorenzetti (foto ao lado), se manifestou no sentido de dizer que NÃO ACABARIA COM O CONFLITO, justificando que o órgão em questão, não era apta a julgar conflito de competência e que, infelizmente, o advogado da cidade de Buenos Aires, Paulo Tonelli, havia ingressado com peça jurídica equivocada, que não poderia ser apreciada pela Corte.
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Lorenzetti acrescentou ainda o óbvio, que só apreciou o cabimento da peça do conflito de competência requerido pela Prefeitura e não a questão de fundo (direito ou não do casamento homossexual na Argentina), a qual somente seria possível julgar quando apreciasse outro recurso interposto junto aquela Corte pela Federação LGBT. Na verdade, a Suprema Corte Argentina possui duas, e não apenas uma, outras causas aguardando análise: A primeira se refere a María Rachid e Claudia Castro, dirigentes da Federação Argentina de Lesbiacas, Gays, Bissexuais e Transgeneros, (que não puderam se casar em fevereiro de 2007) e outra de Larrese Vannelli Alejandro e Ernesto, que em junho de 2007 tentaram se casar sem sucesso.
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Assim, saiu de cena a Suprema Corte Argentina no caso dos Argentinos Gays.
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Donde se conclui que, as duas decisões conflitantes CONTINUAM de pé, valendo, e o Prefeito continua sem saber qual delas seguir.Diante deste absurdo carnaval de erros, protagonizado pelo Judiciário Argentino e o Procurador da Cidade de Bueno Aires, o casal homossexual, Alex Freire e Maria José Di Bello, faz o papel do “João-Ninguém” e sofre pela decepção e a espera, por culpa única e exclusiva daqueles, enquanto o Prefeito de Buenos Aires representa o significativo papel de “João-Bobo”.

terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Maite Scheneider e o direito a uma identidade

E
Esta é Maite Schneider Caldas de Miranda (foto ao lado)
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Uma mulher com M maiúsculo, guerreira e vitoriosa, como tantas outras mulheres, não fosse um diferente fato: só obteve direito a um nome e identidade aos 37 anos de idade.
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Ainda que conheça sua história e já soubesse, através de uma lista de discussão sobre sua recente vitória, que adiante mencionarei, não achei ético divulgar aqui algo que havia sido informado num grupo fechado. Entretanto, ao final do capítulo de sábado da novela Viver a Vida, da Rede Globo, como ocorre todos os dias, surgiu um novo depoimento e ele era da Maite Scheneider.
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Fiquei bastante emocionado, pois desconhecia os detalhes da sua vida que ali foram expostos, em rede nacional, sem pudor, medo ou vergonha.
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O vídeo é rápido, objetivo e competente, bem no tipo de padrão "Globo" de ser:
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Maite viveu um processo transexualizador, durante sua infância, adolescência e parte da vida adulta. Nunca conseguiu um emprego com carteira de trabalho assinada e apresentar os documentos oficiais sempre causaram constrangimentos em sua vida, pois mostravam e identificavam uma pessoa que não era ela, assim ela mesma declarou.
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Não consigo imaginar, ser uma mulher, sentir como uma mulher e ter os documentos com o nome de Alexandre. Já se pira por este motivo, mas se agrava bastante quando além disto também tem que se enfrentar o 'lado de fora', ou seja, o olhar do outro frente a este fato. Se havia dor para ela esse confronto pessoal, imagino a lente de aumento sobre essa dor ao observar o olhar curioso do outro, muitas vezes cruel.
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Ora, depois da cirurgia adequando seu corpo a sua identidade de gênero, me parece óbvio que ela tentasse jogar no lixo todas as correlações daquela discrepância vivida, buscando um pouco da paz, que não teve. No entanto, a realidade é dura e muitas vezes perversa. Neste caso, a realidade da lei e burrocracia. Mesmo após a cirurgia, sua identificação se manteve destoante, impedindo a paz no confronto social, quando exigida. E é, por isto mesmo, ao constatar que após, de forma inédita, Maite consegue superar também este obstáculo, obtendo documento de identidade que corresponde ao seu corpo e suas emoções, que me pergunto como ela não correu para um cantinho, distante, em que ninguém lhe olhasse com qualquer tipo de olhar discriminador? Por qual motivo ela resolveu fazer caminho oposto?
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Ainda que Maite seja uma pessoa conhecida dentro do Movimento LGBT, poderia tranquilamente se reservar ao direito da privacidade, sem revelar detalhes da sua intimadade a estranhos, partilhando tais particularidades somente aos seus amigos pessoais e colegas militantes. Enfim, seguir sua vida em PAZ, algo que parece ser tão preciosa em situações tais. E poderia fazer orgulhosa consigo mesma, sem nada dever a ninguém! Mas não, num rasgo de generosidade, não surpreendente, Maite disse a que veio, foi a público e deu seu recado, justificando como se auto descreve em seu site:
"Sou Maite Schneider, atriz profissional, poetisa, escritora, depiladora, trabalho com TV e rádio, webdesign e lutadora por um mundo em que as pessoas possam ser elas mesmas, sem medo de arrancarem seus direitos e até perderem sua vida."
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Maite optou por LUTAR PUBLICAMENTE por DIREITOS HUMANOS, lembrando o significado, até então, de sua luta, o que faço reverberar:

O nome é a representação da pessoa humana.
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À vida segue-se o nome, identificador da pessoa, bem imediato que se lhe entrega. É o sinal caracterizador e indispensável a toda pessoa, determinante de sua personalidade pessoal e civil.
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É parte integrante da personalidade por ser o sinal exterior pelo qual se designa, se individualiza e se reconhece a pessoa no seio familiar e da sociedade. E, por isto, não é possível que uma pessoa exista sem esta designação pessoal. Deste modo, revela-se um dos requisitos básicos de nossa existência social.

Valendo-me das palavras de Edna Hogemann, "revela-se assim urgente e necessário a superação dos obstáculos consubstanciados pelo burocratismo e a falta de vontade política que impedem a eficácia plena da lei 6015, Lei dos Registros Públicos, tarefa sine qua non para a concretização do princípio da igualdade e o resgate da dignidade humana no Estado Democrático de Direito."

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

Direito à Saúde e Informação– Dores de Cabeça, tipo “Cefaléia em Salvas” e Enxaqueca

O direito à saúde e o direito à informação são inquestionavelmente fundamentais.

Descobri recentemente algo que passei trinta e cinco anos da minha vida sem saber e sem ser diagnosticado corretamente. Não foi por falta de possibilidade econômica ou de busca de informação. Na verdade, busquei e não encontrei e depois de algum tempo me acomodei com as informações obtidas até então, tentando entender meu corpo e me adaptando a situação. Só agora descobri o que tenho “Cefaléia em Salvas“ e que, embora não tenha cura, existe tratamento que pode ajudar. Então partilho aqui a experiência dos erros e enfim do acerto.

Cefaléia em Salvas“ é uma dor pulsátil, violenta, unilateral que se manifesta num dos olhos, na órbita ou no fundo do olho. Na região comprometida ocorre queda da pálpebra, congestão ocular, obstrução nasal, coriza e o olho fica vermelho e lacrimejante. A enxaqueca surge aleatoriamente. É uma crise que vem e passa, embora possa reaparecer noutro momento. Na cefaléia em salvas não é assim. As crises vêm agrupadas e são diárias (de uma a oito por dia) durante um período que vai de dez dias a três meses. Esse agrupamento de crises desaparece de repente e pode demorar bastante para manifestar-se de novo o que acontece de uma hora para outra e sempre com as mesmas características de concentração.

A dor não é comum. É extremamente intensa, como se uma faca passasse pelos olhos e o pico dessa intensidade da dor ocorre com muita rapidez, em cinco minutos, não dando tempo dos analgésicos fazerem efeito, sendo praticamente inevitável deixar de passar pela insuportável dor. A crise pode durar de quinze minutos até três horas. Hoje, existe a possibilidade de tratá-la, as pessoas portadoras da cefaléia em salvas possuem em casa uma injeção para se aplicarem (subcutânea) ou oxigênio para utilizarem no momento da crise.

Os neurologistas afirmam que a cefaléia em salvas é a causadora da pior dor que existe na cabeça. Médicos afirmam que ela pode ser a dor mais intensa conhecido pela ciência médica.

Nos Estados Unidos, questionário aplicado em pacientes que tinham tido cefaléia em salvas, cólica de rins e cólica de vesícula, revelou que a cefaléia em salvas era considerada, por unanimidade, a pior das três dores o que justifica ser também chamada de cefaléia suicida. Ela também já foi descrita por pacientes do sexo feminino como sendo mais grave do que a dor do parto.
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Dr. Peter Goadsby, professor de Neurologia Clínica da Universidade College de Londres, um dos principais investigadores desta condição comentou:
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"Dor de cabeça em salvas é provavelmente a pior dor da experiência humana. Eu sei que é uma observação bastante forte para fazer, mas se você perguntar a um paciente de cefaléia em salvas se elas tiveram uma experiência pior, elas universalmente diram que não têm. Mulheres com cefaléia em salvas irão lhe dizer que um ataque é pior do que o parto. Então você pode imaginar que essas pessoas dão à luz sem anestesia, uma ou duas vezes por dia, durante seis, oito ou dez semanas de cada vez, depois de uma pausa. É simplesmente horrível.”

Meu médico neurologista sugeriu que assistisse no Youtube uma demonstração da crise da cefaléia em salvas, gravada por uma paciente que queria descrever com fidedignidade ao seu médico o que passava. Esse vídeo também traz todas as características e explicações da danada. A imagem fala por si só, apesar da composição meio a moda brasileira, um tanto melodramática, mas vale a pena assistir:



Desde 11 anos de idade tenho dores de cabeça que se diferenciavam da dita “dor de cabeça normal”. Como a família possui histórico de enxaquecosos, diagnóstico foi sempre fácil e rápido: enxaqueca.

E, na realidade, os sintomas sempre foram compatíveis, a dor era muito intensa na região dos olhos, irradiando para cabeça, ossos, dentes, ouvidos. Através da fotofobia, pelo total desconforto com a luz, a dor avisava que chegaria com tudo que tinha direito, inclusive náuseas. Sempre de um mesmo lado. Comer chocolates, bebidas alcoólicas fermentadas era dar o gatilho para dor começar no período de crises. Evidente, em suma, enxaqueca!

Primeiro tratamento da avó foi a aplicação de batatas na área. Óbvio, de nada serviram.

Analgésicos, mais analgésicos e sempre novos analgésicos e a dor passava algum tempo depois. Mas como o momento da dor era insuportável e, por uma determinada fase se repetia diariamente, a busca de um médico era inevitável. E assim começou a peregrinação de mais de trinta anos, todos diagnosticavam enxaqueca, passavam analgésicos, solicitavam uma série de exames, radiografias e encaminhavam para algum outro tipo de especialista. Foram vários: Clínico Geral, Dentista, Otorrinolaringologista, Ortopedista, Oftalmologista, Neurologista, Psiquiatra, Psicólogo, Homeopatia, Clinica da Dor, Florais de Bach, Terapias holísticas, Massagem, Acupuntura, Jin Shin Jyutsu e etc. Bastava surgir algo ou alguém com um título novo e eu estava lá, fazendo uma nova tentativa de reduzir as dores da dita enxaqueca.

Sempre ouvi outras pessoas que tinham enxaqueca e, instintivamente, tentava comparar a intensidade das dores, e evidente o meu sentimento dizia que a MINHA dor era muitíssimo pior, e me desculpava porque todos os nossos problemas tendem a ser considerados por nós mesmos como mais sérios ou importantes. No íntimo, questionava se esta comparação não seria um tipo de miséria humana, onde deseja um troféu, ainda que fosse pela pior dor, em seguida concluía que deveria ser um fraco e também menos resistente a dor, então me resignava.

Semana passada, ao visitar minha mãe que acabara de fazer uma cirurgia para retirada de um cisto no ovário, me dirigindo ao seu quarto vejo no elevador do Hospital Barra Dor um aviso acerca de uma palestra de dois médicos especialistas em dores de cabeça e enxaqueca. Infelizmente se tratava de um evento que já havia ocorrido dois dias anteriores, somente não haviam ainda retirado a divulgação. Solicitei a uma tia que se informasse sobre os nomes dos médicos e, como estava começando com a crise, resolvi fazer a busca dos nomes na internet chegando finalmente na Clínica da Dor de Cabeça e Enxaqueca, onde após reconhecer que possuía quase a integralidade dos sintomas previstos, recebi do médico o diagnóstico correto e a medicação certa para o tratamento.

A diferença é grande. Muito grande. Saber que existe um remédio injetável ou a possibilidade da inalação de oxigênio puro para o momento da crise, faz toda diferença. Além disto, com a prescrição de remédios específicos, a crise tende a diminuir muito a intensidade da dor e os números de dias da dita crise.

Existe uma página na internet que explica as inúmeras espécies de dores de cabeça e enxaquecas existentes, quem sofre deste mal ou conhece quem sofre, vale a pena dar uma olhada: http://www.dordecabeca.com.br/

No Orkut descobri uma comunidade da "Cefaléia em Salvas" e fiquei surpreso com os depoimentos e trocas de informações. Não era o único e todos procuram se ajudar. Há solidariedade.

A idéia aqui não é falar de sofrimento, dor, mas de informação, tratamento e saúde, especialmente, que a salvação ou tratamento pode estar bem perto de você, apenas ainda não descobriu, apesar de já ter procurado.
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Insista!

quinta-feira, 10 de dezembro de 2009

Erro Nosso: Prefeito Mauricio Macri não voltou atrás na anuência ao primeiro casamento gay da America Latina

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Entendi somente agora o que ocorreu com os dois argentinos que iriam se casar no dia primeiro de dezembro em Buenos Aires e que foram surpreendidos com a desautorização que impediu que o mesmo fosse realizado.

A juíza local, Gabriela Seijas, havia autorizado a celebração do casamento dos dois homens. O Prefeito de Buenos Aires, Macri, garantiu que não recorreria da decisão. Entretanto, de repente, o casamento foi suspenso. A suspensão não foi originada pela juiza que autorizou. o casamento, nem pelo Prefeito que poderia questionar a decisão ou pelos nubentes, reais interessados. A suspensão ocorreu por ordem de uma juiza federal, Marta Gomes Alcino, a pedido de dois estranhos quaisquer.

Portanto, no post do dia primeiro houve um equívoco da minha parte quando afirmei que o Prefeito amarelou.

O Prefeito não teve culpa. Estava diante de uma decisão local que autorizava e de uma decisão federal que suspendia a celebração. Logo, duas decisões contraditórias que aparentemente criou um conflito de competência, afinal a competência das julgadoras são distintas, e a apreciação do recurso realizado para a juiza federal foi realizado por dois elementos que jamais fizeram parte do processo (dois estranhos).

Enfim, o Prefeito que possuía legitimidade para recorrer - através de sua Procuradoria - não o fez, mas duas pessoas que não eram partes do processo e a priori não poderiam recorrer o fizeram, pior, foi acolhido pela juiza federal.

Diante do conflito que se instalou sobre a competência da causa e das decisões conflitantes, a Prefeitura de Buenos Aires apelou à Suprema Corte para saber qual decisão judicial deveria seguir: aquela que autorizava ou a posterior que suspendeu. Agora a palavra está com a Suprema Corte Argentina.

O Prefeito de Buenos Aires, Macri, ao contrário do que havia comentado, não amarelou jamais. Tanto que o seu Subprocurador se desligou do gabinete do Prefeito porque não se conformou com a decisão do Prefeito de deixar de recorrer daquela primeira decisão, deixando que o casamento ocorresse.

É esperar para ver o resultado dessa celeuma e torcer para que Freyre e Di Bello finalmente possam se casar.


quarta-feira, 9 de dezembro de 2009

"Eu estou construindo o meu céu"


Hoje é dia da N. S. da Conceição e fiquei sensibilizado com a cerimônia que assisti na Paróquia Nossa Senhora da Conceição da Gávea.

Escolhi ir aquela igreja despretensiosamente apenas porque era do lado de casa e sendo a igreja de N. Senhora da Conceição me pareceu coerente ir na Igreja que leva o seu nome, além de ser padroeira do bairro. Linda missa, coral deslumbrante e ainda o padre contou a história daquela igreja que ficou pronta em 1852, tempos depois sofreu um sério incêndio, salvando-se apenas a imagem de N.S.Conceição. Aquela imagem, aquela igreja, aquele ritual e cânticos, ganharam um sentido especial me deixando leve, com um sentimento de encontro, conforto e felicidade. Me emocionei diversas vezes.


Quem me conhece sabe, sou católico apostólico romano, quer queiram ou não alguns amigos e clérigos. Discordo frontalmente de algumas posições adotadas pela cúria e, na qualidade de militante de direitos fundamentais e advogado, não pensaria duas vezes de pessoalmente brigar judicialmente com a igreja.


Considero que a Igreja se assemelha muito ao Estado, cheio de dogmas, leis e principalmente de políticas próprias. Aqueles que estão no poder da Igreja tentam calar ou se sobrepor àqueles que não concordam com algumas de suas posições internas. E elas mudam dentro da Igreja, a história revela isto e exemplos não faltam. Frequento a Igreja Nossa Senhora da Paz, em Ipanema, e também o Mosteiro das Clarissas na Gávea e NUNCA ouvi o padre Jorjão ou Omar, tampouco o padre alemão do Mosteiro, mencionarem ou se posicionarem negativamente sobre a homossexualidade. Se falassem, me sentiria aviltado e não seria possível manter minha permanência no local, procuraria outra igreja ou missa celebrada por outro padre. Mas, honestamente, isto nunca ocorreu.


Por incrível que pareça foi assistindo as missas no Convento de Santo Antonio que aprendi que o sentimento de culpa não pertence a Deus e que Ele não deseja que ninguém o tenha. Deus quer e espera que sejamos felizes. Foi lá, no Convento de Santo Antonio, do Largo da Carioca, que isto ocorreu e não no consultório da minha terapeuta.


Também através da mesma igreja que me deparei com alguns dos meus próprios preconceitos. Tenho meus pés atrás com o popular padre Marcelo, e quando surgiu um novo padre popular, Fábio de Melo, que cantava, era bonito e também aparecia na televisão, meu sentimento foi de rejeição e desprezo. E com este sentimento, aliado a total desconfiança, assisti a sua entrevista para Marilia Gabriela e Jô Soares. Que surpresa! Que agradável surpresa! Um padre da Igreja Católica Apostólica Romana com o qual me identifiquei substancialmente.


Quando levanto a voz e aponto meu dedo para a Igreja Católica ou a Universal Reino de Deus, não estou questionando a fé, o amor a Deus, mas alguns de seus dogmas, seus preconceitos asquerosos, a falta de amor ao próximo e o descumprimento a regra maior que nos foi dada. Para Deus todos somos iguais. Para o Papa Bento XVI, alguns arcebispos e a maioria dos evangélicos, essa lição parece que ainda não foi compreendida, pior, julgam os semelhantes sem pudor. Problema deles, desde que não aponte o dedo para nós.


Porque falo sobre algo pessoal? Apenas para esclarecer que reconheço fundamentalmente o direito do indíviduo a seguir sua fé, a ter sua religião, ou não. Mas isto jamais significará que esse direito se sobrepõe ao direito da dignidade da pessoa humana, da igualdade e do respeito. E tais direitos não necessariamente são conflituosos. Reconhecer direitos fundamentais dos LGBTs jamais significou desmerecer ou desrespeitar o direito a fé de quem quer que seja. Assistir os senadores evangélicos que tiveram acesso a todas as informações afirmarem o oposto é ultrajante e duplamente desrespeitoso. Ninguém quer "arrancar" páginas da bíblia ou prender padres e pastores por professarem seus dogmas em suas igrejas. Óbvio que igreja não é local de militancia política ou lgbt, assim como não é o Senado o púlpito da Igreja, para que senadores justifiquem a discriminação de lgbts para NEGAR DIREITOS FUNDAMENTAIS que o Estado confere, em tese, a todos os cidadãos. O Estado é Laico e isto os políticos fundamentalistas religiosos não podem se opor.
Em termo popular, "cada um no seu quadrado".
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Vou postar abaixo uma PARTE da mencionada entrevista do padre Fábio de Melo para Marília Gabriela, de onde, aliás, extrai o título deste texto. Mas sugiro que assistam integralmente a entrevista no youtube:
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segunda-feira, 7 de dezembro de 2009

O que você sabe sobre o Senador do RJ, Marcelo Crivella e sua família?

Hoje em dia existe um site de imprescindível leitura: TRANSPARÊNCIA BRASIL. Anote e coloque entre os seus preferidos: http://www.transparencia.org.br/index.html


Nossos políticos do Congresso Nacional são protagonistas de tantas notícias, algumas próprias de páginas policiais, que é praticamente impossível lembrar do histórico de cada um deles.


As notícias não cessam nos jornais, revistas, rádios e tv.

Mas se dermos uma rápida passada pelo site da TRANSPARENCIA BRASIL constataremos algumas das principais informações: Principais notícias nos jornais; uso de verbas indenizatórias (acumulado); Bens declarados à Justiça Eleitoral, Soma das receitas e despesas declaradas nas campanhas eleitorais, e etc.


Como ontem mencionei a posição do Senador Marcelo Crivella que prega os ensinamentos de sua bíblia no Senado Federal, ensinando que é abominável a homossexualidade, o prestigiarei como exemplo do que consta no site Transparência Brasil e também na Wikipédia.


Apesar de ser informação requentada, não custa lembrar que o Senador Crivella Crivella é sobrinho de Bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus, sua ligação com o tio, o bispo Edir Macedo, fez com que tentassem fracassada sociedade comercial, antes de ser convidado, em 1977, para trabalhar na recém-criada Igreja Universal. Logo tornou-se pastor e bispo, tendo trabalhado dez anos difundindo a Igreja Universal no continente africano

Das notícias em jornais, a Transparência Brasil traz as seguintes referências do Senador Crivella:
"Sócio de empresa em paraíso fiscal investigada por evasão de divisas provenientes da Igreja Universal (Revista IstoÉ, 21.mai.2005).
Por meio de ato secreto teria tentado nomear Renato Lobão, suposto parente do então senador Edson Lobão. Em contribuição este teria nomeado Deborah Cristine, filha de Crivela, para o seu gabinete. A assessoria do senado afirma que a posse de ambos não ocorreu (Folha de S. Paulo, 16.jun.2009).
Teria sido beneficiado por atos secretos editados pelo Senado entre 1995 e 2009 (O Estado de S. Paulo, 23.jun.2009). "

Já na Wikipédia, por sua vez, a lista de controvérsias envolvendo seu nome é bem mais longa:


"A ligação íntima entre Marcelo Crivella e a Igreja Universal do Reino de Deus é alvo freqüente de críticas. A Igreja é acusada de fazer propaganda eleitoral pelo senador, o que é um crime eleitoral. Em sua estratégia, Crivella busca a independência política em relação à Igreja, para atingir eleitores que não os fiéis.
Marcelo Crivella foi investigado pelo Grupo Especial de Repressão ao Crime Organizado, sob suspeita de ter enviado dinheiro ilegalmente a paraísos fiscais por meio das empresas Unimetro e Cremo, ligadas à Igreja Universal e Rede Record. Foi investigado também em processo contra as empresas Investholding e Cableinvest, por supostos crimes contra o sistema financeiro - o caso foi arquivado por falta de provas pelo STF em 2006.
Crivella é suspeito de agir como laranja da Igreja Universal, registrando em seu nome bens de propriedade da Igreja. Ele deixou de declarar à Justiça Eleitoral e à Receita a posse de duas emissoras de televisão, retransmissoras da TV Record, que é ligada à Igreja.
Em ação da Polícia Federal de 2007, Crivella teve seu nome associado a um desembargador envolvido com venda de sentenças e com a máfia dos bingos.
Em 2008, teve o nome envolvido no episódio em que militares comandados por um tenente capturaram três moradores do Morro da Providência para serem torturados e mortos por uma facção de traficantes rivais. Crivella foi o senador que patrocinou a ida do Exército ao morro, para supervisionar obras do Projeto Cimento Social, de urbanização da favela, tendo submetido o projeto à análise do presidente Lula - que o aprovou. O assassinato dos jovens gerou grande polêmica quanto à legalidade da presença das tropas no morro, o que criou um impasse. Posteriormente, a Justiça Eleitoral julgou que o Projeto Cimento Social tinha conteúdo eleitoreiro, beneficiando Crivella irregularmente, e embargou as obras. Por conseqüência, o exército retirou do morro o seu efetivo.
Emergiu também, em 2009, uma tentativa de praticar nepotismo cruzado envolvendo a filha de Crivella, Deborah Christine, e Renato Lobão, filho do senador Edison Lobão, através de atos secretos do Senado brasileiro. Tal manobra foi negada por Crivella."



A Família Crivella

Crivella não esconde o que acha sobre a homossexualidade, o que eu não sabia e que descobri em busca na internet é que sua esposa, Sylvia Jane Hodge Crivella, segue a linha de pensamento da psicóloga Rozangela Justino. Segundo consta na pagina do Giba Um (http://www.gibaum.com.br/) a esposa do Crivella acredita em conversão de gays: “Não conheço um homossexual feliz. Mas, conheço um homossexual convertido que se casou e é feliz com sua esposa”. Ela também defende a virgindade: É o melhor presente que a mulher pode dar ao homem. E acha que 10% da renda de cada um oferecidos à Universal é “uma poupança religiosa”.


Sylvia Crivella tem uma página na internet com sua biografia, fotos, tudo que sai sobre ela na mídia e os projetos realizados (http://sylviacrivella.wordpress.com/familia/)


Através de sua página podemos conhecer a família do Senador e Evangélico Crivella. Não pensem que as imagens se confundem com aquelas da missão na Africa, pois quando diz respeito a eles a coisa é de outro nível. A partir das fotos extraídas da página da esposa do Crivella com seus filhos, fui atrás de informações no google sobre eles. Postar fotos da família e não dizer nada sobre os mesmos faria que me sentisse fazendo fuxicos do lar, o que realmente não interessa. Vamos falar do que for público, mas muitas vezes não prestamos atenção.

Lembram dos chamados "atos secretos" - que detonaram o último de uma série de escândalos no Senado - permitiram a nomeação ou a criação de cargos nos gabinetes de pelo menos quatro presidentes da Casa? Na página do G1 informa que a filha mais velha do Senador Marcelo Crivella, "Deborah Christine Crivella Lopes, aparece em ato secreto de nomeação para o gabinete do então senador Edison Lobão (MA), em outubro de 2003. A assessoria do senador Marcelo Crivella informou que a filha do senador, embora nomeada, não chegou a assumir o cargo". Sabe-se lá o que aconteceu...

O filho do Senador com o mesmo nome, Marcelo Hodge Crivella, chamado de Marcelinho por sua mãe, a exemplo de sua irmã mais velha, não estuda nas escolas públicas brasileiras que a maioria dos simples evangélicos frequentam ou tentam frequentar. Marcelo que conta hoje com a idade de 24 anos, é psicologo, mora e estuda há anos nos EUA., possui formação "BA: PSICOLOGIA CRISTÃ (Universidade Biola - Califórnia)", cursando "MA: Business e Enterprise (Oxford Brookes University - Oxford) e seu objetivo, segundo consta no site http://marcelocrivella.wordpress.com/about/ é "promover saúde mental no Rio de Janeiro".

A caçula da família Crivella é a Rachel, que hoje possui 21 anos de idade. No youtube tem um vídeo que diz ser de sua autoria bem mimoso.


Ao contrário do Senador Crivella que me parece não ter muito respeito pelas famílias homossexuais, entendo que a sua família merece todo respeito, ainda que discorde frontalmente das posituras adotadas pela esposa Sylvia e morra de medo que seu filho seja um psicólogo cristão a moda Rozangela Justino, que deseje converter a orientação sexual dos outros. Com as ressalvas realizadas, inclusive no que diz respeito aos status social, diria até que na foto sua família parece com a minha, se isto não o ofendesse.
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Quero mais que todos sejam realmente felizes. Mas diante dos fatos e suas explícitas posições, de preferência, eles de um lado e nós de outro, bem distantes.

Nunca é demais lembrar que seu mandato de Senador vai até 2011, antes tentou a Prefeitura e o Governo Estadual, FRACASSOU em ambos. Hoje o homem tem fortes alianças, até com Lula e o Governador Sérgio Cabral, mas assim como Crivella, acredito em DEUS e se Ele quiser, e rogo por isto, Crivella amargará novas derrotas, porque no final, SEMPRE O BEM VENCE O MAL, e, no meu ponto de visto, considero do MAL alguém que se utiliza de seu poder político e influência pessoal para divulgar que a homossexualidade é uma abominação com intuito de impedir o reconhecimento a um direito. Creio que não só todos os homossexuais se sintam extremamente ofendidos, como também todas as pessoas do bem, que lutam - DE VERDADE - pela dignidade humana, respeito e amor ao próximo.
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Fonte: A pedido do Sr. Lemuel Gonçalves, por correspondência, reiteramos que as fotos do Senador Crivella e família foram extraídas dos sites já devidamente informados no texto: http://sylviacrivella.wordpress.com/familia/ para onde se indica a verificação das eventuais autorias.

sábado, 5 de dezembro de 2009

Afirmar que a homossexualidade é abominável NO SENADO FEDERAL, deveria ser considerado um ato criminoso


O Senador Crivella considera que a homossexualidade não é só pecado, é mais que isso, uma ABOMINAÇÃO!

..."Nós temos uma Constituição que dá direito a qualquer brasileiro de expressar a sua fé. A liberdade de pensamento. E a fé cristã, na bíblia, está escrito o seguinte: “Homossexualismo é pecado”. Mais que isso, está escrito que é abominação. Eu pergunto aos senhores: isso é discriminação?"...

Segundo Crivella, a Constituição Federal lhe garante o direito de exercer sua fé e de convencer e ensinar a todos, com base nela, que a homossexualidade é uma "abominação". Tal palavra, pelos esclarecimentos do Houaiss significa dizer "merece ser abominado; detestável", ou ainda no mesmo dicionário, "repelir com horror, com asco; aborrecer, detestar, odiar"

Apesar do Crivella dizer que a homossexualidade é abominável (detestável), insiste na pergunta "Eu pergunto aos senhores: isso é discriminação?"

Se ele acha detestável a homossexualidade e que deve convencer a todos o quanto a mesma é abominável. creio que ele próprio já respondeu sua pergunta. Sim, o Senador DISCRIMINA os homossexuais. Mas ele não pensa assim e tem até uma lógica.

É simples, para ele como está escrito na bíblia e a Constituição Federal lhe garante o direito de expressar sua fé, não há NADA DE ERRADO achar abominável a homossexualidade. Portanto, a lógica é mais ou menos assim, a homossexualidade é abominável, ponto. Se é abominável, então porque estou errado em dizer que é? A única coisa que deseja é convencer a todos aquilo´que, de fato, a homossexualidade é, abominável. É como se alguém estivesse tentando ensinar a todos que a pedofilia é abominável, o cancer é abominável, o assassino é abominável, o terremoto é abominável, enfim, qualquer coisa que deva ser detestado, odiado, asqueroso e assim por diante. Se tais exemplos são repulsivos mesmo, então qual o problema em apenas dar nomes aos bois? a homossexualidade é abominável e ponto final, e para o Crivella, dizer isto evidente que NÃO É DISCRIMINAR...

Ele não se socorre somente na biblia não, o Senador é um homem da lei, então se baseia também na Lei Maior, lembrando que a Constituição não só lhe garante o direito de professar sua fé como também, evidente, lhe concede o direito a livre manifestação de pensamento. Portanto, para ele, não há o que se discutir, ele está certo perante a bíblia e a Constituição. Ele faz parte do lado do bem, se lado ruim existir é desses homossexuais que absurdamente querem impedi-lo de achar a homossexualidade abominável. Por esses argumentos, ele tem todo direito de odiar a homossexualidade e de ensinar e se manifestar sobre essa coisa abominável, detestavel, odiosa, horrorosa, ora bolas.

Essa debate rola mo SENADO FEDERAL, entre Senadores, e pior, com apoio de muitos. Você consegue acreditar nisto???? Incrível!!!!

A título de exemplo, se uma pessoa qualquer levantasse a bandeira que a religião evangélica ou muçulmana é ABOMINÁVEL, ou que a raça NEGRA é abominável ou que a VELHICE é abominável ou que mulher na política é abominável, e assim fizesse em praças públicas, no Senado Federal, nas cadeias de tv e rádios, certamente o discurso do Senador Crivella da liberdade de pensamento não existiria. E a razão é óbvia. Pois todos somos iguais e a Constituição Federal, apesar de conferir o direito a liberdade de pensamento, não contempla a liberdade da discriminação e do preconceito. Nem adiantaria o Senador Crivella trazer passagem da bíblia que fosse favorável a escravidão ou a inferioridade da mulher. Esses pensamentos livres e bíblicos não conseguiriam colocar abaixo a Constituição.

Então porque com os homossexuais é diferente? O que torna possível Crivella tratar e se referir a homossexualidade como ABOMINAVEL - ATENTE-SE - no SENADO FEDERAL, portanto, fora de seu templo religioso e da pregação de sua fé?

Falar que a homossexualidade é abominável NO SENADO FEDERAL, deveria ser considerado um ato criminoso (caso não houvesse imunidade política), ou pelo menos ser motivo de escárnio!

Mas o Senador Crivella provavelmente se considera até um político permissivo e generoso, afinal, ele afirma que as pessoas possuem até direito de assumir a sua sexualidade (!), mas se essa sexualidade mencionada envolver a homossexualidade, evidente, deve ser ensinado que é abominável!

E ainda tem eleitores do Rio de Janeiro que votam neste senhor!!!

Imagem extraída do google.




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