O presente blog se propõe a reflexão sobre os Direitos Humanos nas suas mais diversas manifestações e algumas amenidades.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2010

Ulisses: pedófilo ou vítima da homofobia? Parte 2

O suposto caso de pedofilia envolvendo Ulisses, sua esposa, um jovem de 14 anos e sua mãe mexeu com o imaginário de muitos.

Para vários heterossexuais que possuem filhos adolescentes que, certamente, vivem acessando a internet, surgiu um sinal de alerta e a imediata identificação com a mãe do menor de 14 anos. Muito provavelmente, para este grupo, não há dúvidas da culpa do Ulisses.

Já aqueles que são homossexuais e, por cauda disto, possuem experiência na pele e alma de como é ser, descobrir e viver a homossexualidade no seio familiar, se identificaram com o menor de 14 anos e, se desconsiderado o eventual crime, até com o dito algoz.

Na minha visão pessoal a resposta a essas vivências decorre do fato dos pais, primeiro, se enxergarem em situação idêntica, com filhos adolescentes na internet e realmente temerem que aquele inexperiente ser a quem eles devem proteger sejam vítimas dessa espécie de crime hediondo. Mas também a necessidade de identificar um culpado para o ocorrido com sua prole, de maneira a aliviarem sua própria culpa, apesar de não terem sido necessariamente descuidados.

Evidente que a visão heteronormativa é a regra geral e a que comumente é reconhecida dentro da sociedade que vivemos.

Mas muitos homossexuais olham sob outra perspectiva, baseados nas suas experiências pessoais, envolvendo a relação que tiveram com suas famílias (aqui, identificando-se na relação do menor, dito abusado, com sua mãe) e com seus afetos amorosos proibidos (neste, reconhecendo-se na relação de sete meses do menor com o dito pedófilo Ulisses).

É que, se considerada que a orientação sexual do menor seja a homossexual, ao ouvir o relato dos fatos, os homossexuais enxergam suas próprias histórias de vida, sem a tragédia acometida ao menor e ao Ulisses.

A causa é comum. Uma premissa muito difundida no meio LGBT é que “toda mãe desconfia quando o filho é homossexual” e isto, a faz agir como uma farejadora de rastros, sempre atenta e pronta para afugentar tudo que confirme seus receios.

O que acontece com um adolescente homossexual é diferente dos demais. Se um adolescente hetero não sai do computador isso já atrai atenção dos pais, mas ainda é considerado de certa forma dentro do esperado. Mas se sobre ele já recai alguma suspeita de ser homossexual e entra na internet de forma escondida e tenta ocultar os seus acessos, em horários que não possa ser vigiado ou fechando portas, a mãe não tem dúvida que deve imediatamente intervir, questionando o menor, tentando surpreende-lo e, se não for satisfatório, finalmente, vasculhando seus acessos na internet.

Tanto o filho quanto a mãe possuem uma relação de cuidado e desconfiança, com várias mensagens realizadas por códigos que nunca chegam ser ditas de forma expressa, mas entendidas por ambos claramente.

Em nome do amor e da proteção, a primeira coisa que fazem é uma indescritível pressão psicológica, dando informações enfáticas do quanto elas repudiam a homossexualidade e cobram, de forma gentil, aquilo que esperam para o futuro de seus filhos, além das chantagens emocionais que fazem parte de quase toda relação, independente de ser a materna. A ameaça, em regra, é uma espada permanente apontada para o pescoço destes adolescentes, que apesar dos desejos homoeróticos, as vezes nem certeza possuem acerca da sua sexualidade.

Outras mensagens subliminares acompanham a vida do menor gay e são enfatizadas pelos pais, sejam elas relacionadas ao pecado, a culpa, ao errado, assim como vivenciadas na escola, com piadinhas, xingamentos e até agressões. O universo de um menor homossexual, definitivamente, não é um dos melhores. Tudo a sua volta conspira contra, mas nada o pressiona mais que a figura da mãe e pai, o medo de decepcioná-los, de ser responsável pelo sofrimento deles e a sensação de ser rejeitado. Sem contar que o menor é totalmente dependente financeiramente deles.

Nesse “universo” paralelo que vive um homossexual, também é público é notório para ele que ser o foco da especial atenção da família, especialmente sua mãe, para quem sempre há um comentário caso ele apareça ou esteja mais próximo de algum amigo especial. É fato, a mãe sempre olhará com desconfiança a amizade e, via de regra, não gostará do amigo. E se tal amigo for homossexual, não será diferente com sua mãe, a qual também não gostará do outro.

Neste diapasão, quando é descoberta alguma relação homossexual do filho, não há dúvida, a culpa para mãe é sempre do outro que desencaminhou seu filho.

Interessante relato dos pais ao descobrirem que seu filho era gay, no site http://www.gph.org.br/Dep_detPais7.asp :


“Quando soubemos da orientação sexual do nosso filho, eu e a minha companheira, tivemos a sensação que não teríamos forças suficientes para suportar tamanha
dor. Foi como se me arrancassem o coração pela boca, o cérebro explodisse, e
tudo sem nenhuma anestesia, a seco. Para mim, foi um período de trevas,
desespero, muito, muito, muito choro, sem nenhuma luz no fim do túnel. Queria
achar alguma justificativa, culpados, aonde eu errei, culpei esta vida e até
Deus por permitir que esta desgraça atingisse a minha família. Por que conosco,
que sempre fomos pessoas boas, honestas, que só praticamos o bem?... Desprezei a
todos, principalmente o meu filho,... “



Essa culpa, inicialmente apontada para o outro, é a tábua de salvação que quase toda mãe se apega, para não só convencer ao filho do quanto errado ele está e que ainda pode “mudar” como também para ela própria, já que desta forma a sua própria culpa internalizada é transferida para terceiro.

Esse terceiro, bem tem a cara do Ulisses. Ulisses da vida viram o diabo encarnado.

Na história em debate, Ulisses e o menor de 14 anos, soma-se ainda a vivência dos homossexuais que com a mesma idade do menor, na maioria das vezes, já possuía plena consciência da sua sexualidade, sendo tais relações secretas, cheias de culpa, sob o olhar suspeito de suas mães, como um fato normal e conhecido.

Quando não jogam a responsabilidade em terceiro, a sexualidade dos adolescentes homossexuais não é respeitada, e os pais que descobrem preferem imaginar que se trata de uma fase do processo de desenvolvimento, e de forma invasiva, utilizam métodos violentos para mudar a orientação sexual indesejada.

É comum também adolescentes homossexuais suportarem esse tipo de violência moral em suas casas, com medo de serem espancadas ou desprezadas pelos seus familiares, de quem dependem economicamente, restando absolutamente vulneráveis aos mesmos, e, com freqüência, se sentem coagidas a abdicarem de relacionamentos afetivos com o outro homossexual.

Na verdade, esse tipo de relação dentro do âmbito familiar, sob manto do amor e sagrado, apenas reflete aquilo que se constata nas demais relações pessoais. As ocorrências de violência mãe-filho sempre têm o sentido de dominação: é o exercício do poder, utilizado como ferramenta de ensino, punição e controle. O medo e pavor, inclusive na esfera familiar, são sentimentos bem conhecidos pelos jovens homossexuais.

Infelizmente, tenho exemplos reais nas correspondências que recebo na coluna da Revista G Magazine, onde hoje já adultos, relatam fatos extremamente dolorosos vividos quando jovens, questionando até como deserdarem seus pais. Isso é extremamente triste.

Por isso, elucubrando sobre o hipotético, dependendo do caráter do menor e especialmente da personalidade dos pais, num contexto tão complexo como este, alguém questionaria se um jovem de 14 ou 15 anos poderia preferir se isentar, deixando se convencer que a culpa foi do outro, confirmando a versão de sua sofrida mãe? Eu não culparia tal jovem, vítima maior de tudo e todos, já que involuntariamente pode ter sido colocado dentro do olho de um furacão, sem volta, num mar de emoções tão temidas e jamais experimentadas.

Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.

terça-feira, 19 de janeiro de 2010

Ulisses: pedófilo ou vítima da homofobia?

Um adolescente de 14 anos e um homem casado de 26 anos que mantinham contato pelo computador, depois de um encontro marcado, chegaram as vias de fato. Pela reportagem que assisti, o adolescente foi na casa do homem casado, quando manteve relações sexuais com o Ulisses e depois continuou mantendo contato pela internet.

Ulisses Leite Novais Basílio, de 26 anos, foi preso na manhã desta terça-feira por policiais da Delegacia de Proteção a Criança e Adolescente (DPCA). Ele é acusado estupro de vulnerável, por manter relações sexuais com um menor de 14 anos.

Ulisses foi crucificado, exposto publicamente como pedófilo, em rede nacional, antes de qualquer julgamento. Se for, nada a declarar. No entanto, essa história é no mínimo estranha. Estupro sugere uma violência e ato sexual que não foi desejado, e quando ocorre, normalmente a vítima jamais mantém contato com o agressor. Qualquer pessoa que navegue na internet ou utilize o MSN não está obrigado a conversar com quem não deseja. Basta bloquear ou ignorar. Isto é elementar e básico.

A mãe “desconfiou” do filho e a partir de então ela e a família armaram uma cilada para o adulto, após um mês da ajuda da polícia. As conversas foram direcionadas pela mãe, substituindo o filho no computador e gravadas com auxílio do tio do rapaz.

Não me cabe defender pedófilos e nem pretendo. Na verdade abomino. Agora será que o adulto de 26 anos é um pedófilo ou simplesmente o adolescente e ele criaram uma relação e depois a família do menor descobriu e resolveu atuar de forma a transformar o fato em crime?

Na realidade, o Estatuto da criança e adolescente garante ao menor de 14 anos o direito de exercer a sua sexualidade. Portanto, o fato dele ter vida ativa sexual não seria a causa.

A questão está em saber se o adulto se valeu da sua perrogativa de homem experiente para induzir ou forçar o menor a pratica sexual - que não desejava -.

Se o julgador, em cumprimento ao que foi disposto pelo legislador, entende que o menor de 14 anos pode ser ativo sexualmente, não pode desconsiderar que seus pais podem não concordarem com essa prática, especialmente se deparados com uma possível orientação homossexual do menor. Tal equação, menor, adulto, sexo, internet, pais, polícia pode muito bem resultar num cenário perfeito para responsabilizar alguém pelo evento, encenando um crime que foi totalmente programado, de um lado, à título da homofobia existente, de outro, valendo-se do receio que o menor possa ter diante da autoridade paterna e do medo de decepcioná-los, além, evidentemente, da própria irresponsabilidade do maior. Será que os pais reagiriam da mesma forma se o envolvimento do adolescente fosse com uma mulher de 26 anos? Talvez até se orgulhassem.

Reitero, não sei se é o caso. Pode ser que o menor tenha sido abusado sexualmente pelo maior, embora estranhe o fato de depois do dito abuso ambos continuarem se correspondendo pela internet. Acho que a questão deve ser muito bem verificada pelas autoridades competentes. Apenas suspeito que as provas “provocadas” e advindas pela família do menor (absolutamente envolvida emocionalmente), sejam imparciais. E aí, se o Ulisses for inocente, ele, sua esposa e família como ficam depois de toda a exposição pública?
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Evidente que, na dúvida, entre os interesses de um menor e um maior, daquele deva prevalecer, no entanto, que seja permeado com clareza e justiça. .
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foto: Divulgação DPCA

Declaração Homofobica da CNBB sobre o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH – 3)


A CNBB reafirmou na última sexta-feira, 15, sua posição contrária à descriminalização do aborto, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e o direito de adoção de crianças por casais homoafetivos. Rejeita, também, a criação de “mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União”, pois considera que tal medida intolerante pretende ignorar nossas raízes históricas.
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Dom Geraldo Lyrio Rocha, Arcebispo de Mariana e Presidente da CNBB (foto acima), Dom Luiz Soares Vieira, Arcebispo de Manaus eVice-Presidente da CNBB, e, Dom Dimas Lara Barbosa, Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro e Secretário-Geral da CNBB assinaram o manifesto.

Surpreendente como a CNBB tergiversa. A razão utilizada para ir contra a proibição de se ostentar símbolos religiosos em locais públicos é DA MAIOR CARA DE PAU! Segundo a CNBB trata-se de uma "INTOLERÂNCIA" e acusa o programa de "IGNORAR" nossas raízes históricas!!! Mas no mesmo parágrafo, é a própria CNBB que é INTOLERANTE com os homossexuais, negando direitos fundamentais garantidos pela Constituição Federal e é ela também que quer que a sociedade IGNORE a existência dos homossexuais, como parte integrante da mesma.

Nem as criancinhas a CNBB perdoa e tenta impedir que casais homossexuais a adotem. Talvez prefira que elas fiquem abandonadas, sem lar e sem família. Incrível a lógica!

Pai, perdoa-lhes, eles não sabem o que fazem!

sábado, 16 de janeiro de 2010

SOS HAITI

















Estou arrasado com cada notícias que chega sobre o HAITI nos jornais. A miséria e desgraça no HAITI são DEVASTADORES E INOMINÁVEIS. As imagens acima falam por si só.
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É impossível não se sensibilizar pelo povo do Haiti.
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Aquele monte de cadáveres empilhados, o desespero por água e comida, falta de médicos, hospitais e medicação, tudo cercado por destruição. Não rara vezes virei o rosto para não ver a cena mostrada na tv. Vai além dos limites de qualquer ser humano. Mas não há como fechar os olhos para a realidade. Ela está lá e clama pela reação de cada um de nós. Alguma coisa precisa ser feita.
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Cada um faz o que pode e dá o que é possível. Mas não feche o seu coração para aqueles que não possuem absolutamente nada neste momento. Se cada um se isentar de ajudar o próximo com a desculpa que outros farão, muitos que precisam não serão ajudados. Então, confie e faça sua parte.
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Sei que aqui no Brasil, depois de escândalos com bandidos que colocam dinheiro na cueca, meia, paletó e de outros que desviam dinheiro e ajudas enviadas para socorrer outras desgraças não nos faz acreditar que seja possível ajudar. Eu mesmo tenho receio, por isso procurei na internet algo parecido com confiável. Fiz a busca do site da cruz vermelha internacional, nacional e acabei me deparando com a CNBB (Conferência Nacional de Bispos Brasileiros).
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Bem, se hoje mesmo teria mil razões para falar da podridão da CNBB pelas absurdas declarações homofóbicas nas suas criticas ao programa nacional de direito humanos, superarei minha raiva e me aliarei ao CNBB pelo Haiti. Sei que a igreja católica faz parte do universo do Haiti e, apesar do histórico da igreja, acredito piamente que o dinheiro solicitado para o SOS HAITI será realmente encaminhado para o povo que necessita. O problema da Igreja Católica são seus dogmas hipócritas e contraditórios com seus atos, mas acredito piamente na mesma quando diz respeito a fazer essa espécie de organização para caridade.

Por isso transcrevo o que consta no site do CNBB
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"O resultado da campanha brasileira SOS HAITI se integra a campanha mundial promovida pela Caritas Internacionalis em resposta ao chamado do papa Bento XVI para a solidariedade da Igreja ao povo haitiano.

As doações em dinheiro podem ser depositadas nas contas bancárias abertas exclusivamente para a campanha e serão destinadas às ações de socorro imediato, reconstrução e recuperação das condições de vida do povo haitiano.

“Tanto mais urgente se apresenta agora o desafio da solidariedade, para um país que já vivia em condições de extrema precariedade. O apelo precisa ser respondido, sobretudo pelo Brasil, em vista de duas vinculações especiais que neste episódio ligam nosso país com o Haiti, primeiro é a presença do contingente do Exército brasileiro, segundo é o falecimento da doutora Zilda Arns”, foi o que expressou, em artigo enviado a CNBB, dom Demétrio Valentine, bispo de Jales (SP), a respeito da urgência em ajudar o povo haitiano.

As contas para depósito são: Banco Bradesco, Agência: 0606 Conta Corrente: 70.000-2; Caixa Econômica Federal OP: 003, Agência: 1041 Conta Corrente: 1132-1; ou Banco do Brasil, Agência: 3475-4 Conta Corrente: 23.969-0

Mais informações acesse o site da Cáritas Brasileira, www.caritas.org.br ou ligue (61) 3214-5400.

Solidariedade em BH

A arquidiocese de Belo Horizonte, à frente o arcebispo Metropolitano, dom Walmor Oliveira de Azevedo, sensibilizada com o sofrimento do povo do Haiti, concentra esforços e investimentos em uma campanha de solidariedade que será realizada por suas instituições: Vicariato de Ação Social e Política (que tem entre as suas atividades sociais a Pastoral da Criança e da Pessoa Idosa) e as paróquias.

A campanha é uma iniciativa que será realizada ao longo de todo este ano. Todos podem contribuir com qualquer quantia financeira.

Banco do Brasil Agência: 3494-0 Conta Corrente: 24847-9

Em nome do Vicariato Episcopal para a Ação Social e Política

Outras informações pela Assessoria de Comunicação e Marketing da Arquidiocese de Belo Horizonte: (31) 3269-3138 / 3109 / 3189, pelo site www.arquidiocesebh.org.br e pelo Vicariato para Ação Social e Política: (31) 3422-7033 / 6122 / 4430 e 3428 8046"


* imagens do site http://blogs.tampabay.com/

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

O PROGRAMA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS QUE NÃO É PROGRAMA, SEGUNDO O LULA, E OS LGBTS QUE PODEM SER EXCLUÍDOS DO TORNAR PÚBLICO


O programa que não é programa.

A aprovação que deixa de ser aprovado para virar um "tornar público".

O que sempre não passou da intenção de ser apenas picadeiro de circo, criou dimensões e se transformou num verdadeiro palco do Cirque du Soleil .

Apenas quando chegou no oitavo ano de seu governo, Lula apresentou o Programa Nacional de Direitos Humanos.

Pura encenação para inglês e o seu cabo eleitoral verem. Pior que quase sempre cola.

No ano de ELEIÇÕES o Presidente baixa um decreto com o programa nacional de direitos humanos criando uma comissão (que ninguém ainda sabe quem ocupará) que deverá elaborar um projeto de lei até abril deste mesmo ano, o qual, evidentemente, deverá ainda passar pela apreciação da Presidência da República antes de ser encaminhado ao Congresso Nacional, como projeto de lei.

Se criado até abril, ninguém garante que a Presidência da República enviará até o mês seguinte ao Congresso. Portanto, não se sabe quando tal projeto de lei chegará ao Legislativo. Mais grave, Lula faz esse espetáculo tendo plena consciência que estamos no ano eleitoral e que, portanto, seria quase impossível que o projeto de lei, caso seja enviado até o meio do ano, possa ser aprovado pelo Congresso, com sua base de políticos governamental.

Logo, o que o Lula faz é pura encenação. Quando as eleições chegarem, vai dizer que tentou, mas não conseguiu, por culpa do Legislativo, falta de tempo e etc.

Essa era logicamente sua intenção inicial, um tipo de propaganda de resgate à posição de partido de esquerda. Mas a coisa toda tomou dimensão e saiu do controle. O que era nada (repleto de promessas) se tornou um nada com consequências. Por cautela e medo das consequências políticas, todos entraram na brincadeira. Finja que quer que eu também finjo que acredito e reajo. Não há inocentes no enredo. Militares reagiram, igreja e evangélicos ergueram suas vozes, ruralistas levantam o braço e a imprensa se une a todos.

Circo armado. Lula mete os pés pelas mãos, compara seu programa ao de Fernando Henrique. Aquele outro programa embuste e volta atrás.

No site do JN da TV GLOBO traz hoje a infeliz solução dada pelo Presidente Lula ao PNDH - Programa Nacional de Direitos Humanos: "A resposta de Lula às outras polêmicas deverá ser uma retificação do decreto: onde está escrito ‘fica aprovado o Programa de Direitos Humanos’ virá ‘torno público o Programa de Direitos Humanos’. Com isso, o presidente quer encerrar a crise, esclarecendo que não se trata de programa de governo, apenas o resultado do debate com representantes da sociedade, a ser trabalhado por várias comissões.

Portanto, aquelas diretrizes não serão mais reconhecidas como "programa de governo", mas processo de consulta à sociedade civil e, se eximindo de toda e qualquer responsabilidade, ao final do mesmo, o Presidente ao invés de declarar APROVADO aquilo que seria um programa, dirá apenas que o torna público.

Outras notícias pipocam, e o que era para ser apenas um grande fingimento acaba revelando a verdadeira face de alguns.

A lógica adotada pelo Lula, na qual apenas estaria refletindo uma consulta popular serve para os outros, mas não para os LGBTs. A consulta aos LGBTs não existe. Talvez nem existam LGBTs.

É que nesse MAR do NADA, contendo apenas promessas que provavelmente jamais se cumpririam, os LGBTs foram também alvos, gerando socos vindos da igreja que, perto do final do segundo tempo, serviu para revelar a verdadeira face de grandes nomes do cenário político do governo.

Basta lermos que "O ministro dos direitos humanos, Paulo Vannuchi, declarou ao jornal "O Estado de São Paulo" que "até pode abrir mão de temas como a união civil gay, o aborto e outros". Na mesma linha de não apoiar o casamento gay seguiu o deputado Cândido Vaccarezza (PT- SP) e a senadora Ideli Salvati (PT-SC).na Folha de São Paulo ".
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Surpresa!


O espetaculozinho criado era do Governo, mas de repente, nós LGBTs nos descobrimos num verdadeiro picadeiro de circo, onde não somos a platéia, mas os palhaços de quem todos riem.

sábado, 9 de janeiro de 2010

Yes, nós temos vergonha!

Enquanto rimos de anedotas com portugueses, o motivo de piada somos nós

Em Portugal foi aprovado o projeto de lei do governo socialista que confere aos LGBTs o direito ao casamento, descartando o direito a adoção.

Esse projeto agora vai para aprovação do conservador Presidente Português que precisa promulgá-la em quarenta dias, caso ele vete, o parlamento pode derrubar a oposição.

Segundo noticiado no G1 do site Globo: “A proposta do governo foi aprovada com os votos favoráveis do Partido Socialista (PS), que governa em minoria com 97 das 230 cadeiras da Assembleia; o Partido Comunista de Portugal (PCP), com 13 assentos; o Bloco de Esquerda, com 16, e os Verdes, com dois.”

Num rápido contraste podemos fazer um paralelo com o Brasil que Governo com maioria. Isto prova aquilo que já cansamos de falar, se o Governo brasileiro quisesse já teria feito algo efetivo pelos LGBTs no Brasil. Não faz porque não quer e não tem vontade política.

E nós ainda fazemos piadas com os portugueses!

foto: G1 Notícias



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Igreja Católica faz coro com com os militares e também critica plano de direitos humanos, mas por outras razões, entre elas, por favorecer união homossexual e adoção



O 3º Programa Nacional dos Direitos Humanos desagradou militares e tem provocado também reações de descontentamento e críticas ao governo do presidente Lula em setores da Igreja Católica. Bispos, padres e católicos reagem a artigos do documento tornado público no mês passado, entre eles, "a união civil entre pessoas do mesmo sexo" e "o direito de adoção por casais homoafetivos". Disseram eles: "Vemos nessas iniciativas uma atitude arbitrária e antidemocrática do governo Lula", afirma dom José Simão, bispo de Assis (São Paulo).

É incrível ver o que o “quase nada” resulta em mobilização.


Esse programa contém meras PROMESSAS de iniciativa governamentais, promessas para os LGBTs como tantas outras já existiram e não foram cumpridas. Para essas conhecidas PROMESSAS POLITICAS, unida a dezenas de outras, às vésperas das eleições, com cunho absolutamente eleitoreiro, há toda essa reação da Igreja. Mas parece encenação do governo, igreja e movimentos sociais ligados ao partido governamental. Fingem que estão fazendo alguma coisa e a igreja marca sua reação, como se para ambos, algo efetivo estivesse sendo garantido aos lgbts.


Lembra José Casado, do o Jornal O Globo que “pelo calendário constitucional, restam 11 meses de mandato ao presidente. Mas para cumprir apenas o que está previsto nesse decreto seria preciso, no mínimo, um novo mandato.”

Fernando Henrique às vésperas de sair do Governo fez o mesmo, entrou Lula que poderia ter cumprido o programa para LBGTs realizado pelo FHC, não fez, mas repetiu o ato de seu antecessor. Deixa um programa. De programas, boas palavras e intenções, tapinha nas costas e fotos o LGBTs estão cheios. Lula teve dois mandados e nada fez até agora. Quanta diferença para o governo português!


Não me causa espanto, afinal, assisti outro dia no canal Brasil o filme do Moreira Salles que acompanhou o Lula até a eleição que o tornou presidente do país. Nele, Lula se gaba de ter conseguido a aliança com a Igreja Católica, imprescindível a sua vitória, segundo ele. Diante da importância que manifestou naquele filme está explicado porque NADA FEZ de efetivo até hoje e só ao apagar das luzes do seu segundo mandato, concede PROMESSAS PÓLÍTICAS que sabe não haver tempo suficiente para cumprir.

* foto extraída do site www.assisnoticias.com.br





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Panorama da situação das uniões homoafetivas pelo mundo
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A ABGLT encaminhou para as listas de discussões um panorama das uniões LGBTs pelo mundo.
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Evidente que esta relação é parcial, pois existem ações isoladas, como o casamento realizado na Argentina e o projeto de lei aprovado em Portugal, ainda dependente de sanção. Enfim, a vergonha nacional é maior que a lista abaixo.

CASAMENTO CIVIL LEGALIZADO
Holanda – 2001
Bélgica – 2003
Massachusetts –EUA – 2004
Canadá – 2005
Espanha – 2005
África do Sul – 2006
Connecticut – EUA – 2008
Noruega – 2009
Iowa – EUA – 2009
Suécia – 2009
Vermont – EUA – 2009
Maine – EUA – 2009
New Hampshire – EUA - 2010




RECONHECIMENTO DO CASAMENTO CIVIL REALIZADO EM OUTROS LOCAIS
Israel – 2006
Antilhas Holandesas – 2007
New York – EUA – 2008
District of Columbia – EUA – 2009


UNIÕES CIVIS OU PARCERIAS REGISTRADAS
Dinamarca – 1989
Noruega – 1993
ACT – Austrália – 1994
Groenlândia – 1996
Islândia – 1996
Hawaii – EUA – 1997
Holanda – 1998
França – 1999
California – EUA – 1999
Vermont – EUA – 2000
Alemanha – 2001
Buenos Aires – Argentina – 2002
Finlândia - 2002
District of Columbia – EUA – 2002
Río Negro – Argentina – 2003
Luxemburgo – 2004
Reino Unido – 2004
Maine – EUA – 2004
Tasmania – Austrália – 2004
Nova Zelândia – 2004
Andorra – 2005
New Jersey – EUA – 2006
Cidade do México – 2006
Eslovênia – 2006
República Tcheca – 2006
Suíça – 2007
Villa Carlos Paz – Argentina – 2007
Coahuilla – México – 2007
Washington – EUA – 2007
New Hampshire – EUA – 2008
Uruguai - 2008
Oregon – EUA – 2008
Victoria – Austrália -2008
New Caledonia – França – 2009
Wallis e Futuna – França – 2009
Hungria – 2009
Wisconsin – EUA – 2009
Río Cuarto – Argentina - 2009


UNIÕES DE FATO OU COABITAÇÃO NÃO REGISTRADA
Israel – 1994
Hungria – 1996
Portugal – 2001
Croácia – 2003
Áustria - 2003
Colômbia - 2009

segunda-feira, 4 de janeiro de 2010

Esperança, Mantra de 2010

Hoje o tema é ainda ano novo, versão pessoal. Por isso resolvi colocar a minha foto, tipo, "entrando" em 2010. É que ainda não sai do espírito "ano novo" cheio de esperança de um mundo onde a discriminação seja substituída pela integração, respeito, união e amor ao próximo.
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Não é à toa. Estou embevecido por algumas mensagens recebidas que fazem confiar que coisas boas podem acontecer.
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Observar este mundo racionalmente, muitas vezes faz doer. Prefiro me entregar as emoções. Então vou abrir meus chacras, imaginar que estou cercado por uma grande luz azul, rever as mensagens e relaxar, para que a fé integre a minha visão de vida.
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Já havia recebido antes esse vídeo com a música "Imagine" em linguagem de sinais da Série de TV Alegria. Talvez você também conheça, mas coisas boas podem ser repetidas:
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É fácil entender a minha perspectiva. Fala da inclusão. Da integração necessária das diferenças, sem preconceitos, movida pelo amor ao próximo.
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Às vezes, um abraço é tudo que precisamos. Free Hugs é uma história real de Juan Mann, um homem que a única missão era de chegar e abraçar um estranho para iluminar suas vidas. Deu frutos a inúmeros vídeos, inclusive, brasileiros. Recebi um que uma senhora idosa é cercada por jovens e cai no choro emocionada, ma-ra-vi-lho-so! Mas aqui foi prestigiar o original, para que continue realizando o desejo construído pelo autor:
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É tão pouco o que todos precisamos. Sermos vistos e reconhecidos como pessoas dignas e respeitáveis. Um abraço pode significar tudo isto!
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Outro vídeo que ganhei em 2009 e gostei bastante foi o produzido por Matt Harding, no período de 14 meses, passando por 42 países, inclusive, Brasil. É grandioso, mas também singelo:
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Recebi ainda uma mensagem de uma grande amiga que admiro muito e que pelo conteúdo do texto só faz cada vez aumentar essa admiração, Márcia Italo., É a partilha com os amigos das coisas simples a serem exaltadas. Praticamente a receita para felicidade:
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DESEJO A TODOS VOCÊS......
Cheiro de jardim
Domingo sem chuva
Segunda sem mau humor
Filme do Carlitos
Chope com amigos
Crônica de Rubem Braga
Viver sem inimigos
Filme antigo na TV
Ter alguém especial
Música de Tom com letra de Chico
Ouvir uma palavra amável
Ter uma surpresa agradável
Ver a Banda passar
Noite de lua cheia
Rever uma velha amizade
Ter fé em Deus
Não ter que ouvir a palavra não
Nem nunca, nem jamais e adeus.
Rir como criança
Ouvir canto de passarinho.
Sarar de resfriado
Formar parcerias ideais
Tomar banho de cachoeira
Pegar um bronzeado legal
Aprender um nova canção
Esperar alguém na estação
Queijo com goiabada - pudim de leite e rabanada
Ver o pôr-do-Sol
Motivos para celebrar
Recordar um amor antigo
Ter um ombro sempre amigo
Bater palmas de alegria
Uma tarde de bobeira
Sentar numa velha poltrona
Ouvir a chuva no telhado
Taça de champagne
Bolero de Ravel
Camarão, Chocolate e coca cola
Não receber corrente
Muito trabalho pela frente
Poder matar as saudades
E força para seguir adiante
MINHA AMIZADE E GRATIDÃO ETERNA PRESENÇA DE CADA UM DE VOCÊS EM MINHA VIDA."
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