
Numa sociedade culturalmente cristã e machista, homossexuais sofrem toda sorte de perseguição e humilhações. Com algumas exceções, são tratados como indivíduos de quinta categoria. Sob este enfoque, mais uma vez, torna-se imprescindível que homossexuais se amparem em modelos homossexuais consagrados e vitoriosos que viabilizem trabalhar positivamente uma auto-estima tão destruída.
Não é à toa que, vira e mexe, alguma celebridade, idolatrada por muitos, com fama e reputação, é retirada a fórcipes do armário. Não concordo, considero uma agressão à sua intimidade, mas acredito perceber as razões que a levam ocorrer.
Quando se faz uma Parada Gay, não se está apenas se reivindicando direitos legais. Os LGBTs estão se expondo, pleiteando o reconhecimento de sua existência, com a principal finalidade de obter o devido respeito (no amplo sentido) que merecem.Todo o Movimento LGBT, assim como a maioria LGBT, diz lutar pelos princípios basilares constante da constituição federal brasileira, ou seja, o direito a igualdade e à dignidade da pessoa humana.
Se é imprescindível o orgulho gay, por outro lado, ele apenas confirma um padrão do desigual. Dizer-se gay é manifestar uma distância e diferença de quem não o é, pior, qualificando o indivíduo restritivamente pela sua sexualidade.
É estranho, pois quando se conhece uma pessoa dentro dos padrões
Nada de seu todo escapa à sexualidade. Maria passa a ser julgada, valorizada, aceita ou rechaçada a partir de sua prática sexual. Em outras palavras, Maria passa a ser apenas a sua orientação sexual.
Já se formos analisar José, heterossexual. Não constataremos a recíproca como verdadeira. José é apenas José, será julgado, valorizado, aceito ou rechaçado pelo que é como indivíduo, e não apenas pela sua atuação sexual na cama.
Se os heterossexuais agem dessa forma, os homossexuais não estão fazendo diferente deles. De uma forma geral, compactuam com esse comportamento, até mesmo quando se diferenciam do outro se apresentando como homossexual ou afirmando seu orgulho gay (repetindo o modelo de comportamento daqueles que preferem reduzi-los a mera atividade sexual). O homossexual vira um personagem de si mesmo.
Onde está a luta pela igualdade nesta manifesta distinção?
Somos seres humanos, com sexualidade pulsante e não uma Sexualidade Pulsante num eventual corpo.
Como cidadãos devemos lutar pelo direito à igualdade e não diferenças.
Quando se briga pelo direito ao casamento e união estável, por exemplo, a bandeira levantada não deveria ser a inclusão dos homossexuais na norma legal que a especifica, mas sim a retirada de qualquer denominação que os excluam, portanto, palavras como a previsão da união entre “homem e mulher”, exclusivamente. Aliás,
como bem pretendeu o Governador Sérgio Cabral, na época Senador, quando propôs a emenda a Constituição Federal para retirada dos termos homem e mulher na previsão da união estável. Essa lógica adotada por ele reflete a qualidade de indivíduo que ele tem sido desde então, na sua atuação política frente aos direitos LGBTs. Não distingui, iguala.Cumpre fazer a ressalva, para não ser apontado como ingênuo, que a luta por questões de direito não previstas e, em alguns casos, bastantes específicas, portanto, necessárias, não representa contradição a defesa que faço.
Essa questão, aparentemente simplória, possui muitos aspectos a serem estudados, pois não envolve apenas o aspecto legal de um direito a ser normatizado, mas também relevantes feições sociológicas e psicossociais.
PS: O termo “homossexualismo” foi proposto, em 1869, pelo o médico húngaro Benkert, a fim de transferir do domínio jurídico para o médico esta manifestação da sexualidade. Antes do século XVIII, a palavra “homossexual” era utilizada nas certidões de nascimento de gêmeos. Quando eram do mesmo sexo, eram registrados como “homossexuais”. A “homossexualidade”, como doença, só foi excluída do DSM (Manual de Diagnóstico e Estatística da Associação Psiquiátrica Americana) em 1973, após acalorados debates. Há quem argumente, entretanto, que tal decisão foi puramente política. Devido ao radical ismo presente em homossexualismo que remete à doença, optou-se pelo uso da palavra homossexualidade.





















