O presente blog se propõe a reflexão sobre os Direitos Humanos nas suas mais diversas manifestações e algumas amenidades.


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Fala que Eu te Escuto – Famoso homossexual afirma em programa evangélico que gays são tristes e solitários


Li esta notíca, no mínimo, estranha.

Primeiro a transcrevo e em seguida faço meus comentários:


"Por Renato Cavallera, em 08 de fevereiro de 2010

O programa “Fala que Eu te Escuto”, ligado a Igreja Universal do Reino de Deus e exibido na TV Record, tratou nas últimas madrugadas sobre o tema “homossexualismo”.

Na última quarta-feira com a presença de Leão Lobo e Amin Kader, o bispo Clodomir Santos, apresentador do programa que é exibido nos finais de noite na Rede Record, atendia telespectadores que davam a sua opinião sobre qual é a maior discriminação sofrida pelos homossexuais: na família, no ambiente de trabalho ou na sociedade.

Entre uma opinião e outra, quando o bispo Clodomir pedia a opinião de Leão Lobo, o artista procurava sempre em defesa aos homossexuais transparecer uma certa segurança quanto a sua orientação sexual, porém o comediante Amin Kader não media palavras e soltava o verbo (muitas vezes quase partindo pra vulgaridade) e admitia que os homossexuais são todos “infelizes” e extremamente “vítimas de discriminação” aqui no Brasil. Amin também afirmou que a parada gay não serve para outra coisa a não ser diversão, que gay não deve adotar filhos e que todos são solitários.

Num dado momento do programa, o apresentador bispo Clodomir, perguntou aos dois convidados, se “um beijo entre homossexuais numa novela” poderia ajudar ou atrapalhar a causa homossexual. Para Leão Lobo, poderia sim ajudar, porque segundo ele a a sociedade seria “moldada” e consequentemente acabaria aceitando a ideia de que os homossexuais podem viver em pé de igualdade com os heterossexuais.

Já para Amin Kader, nem um pai de família estaria disposto a assistir um homem beijando outro homem diante de seus filhos, e o comediante voltou a frisar a “infelicidade” em que vivem os homossexuais. Amin Kader também gritou que se pudesse voltar ao mundo com uma nova vida, com toda a certeza não seria na condição de homossexual.

No final da programação, bispo Clodomir apresentou um texto do bispo Macedo (extraído de seu blog), onde o líder da IURD comenta sobre “o erro cometido por muitos cristãos em discriminar” os homossexuais.

Fonte: Vooz / Gospel+
Via: O Verbo"


Tal artigo me pareceu extremamente tendencioso ou, no mínimo, ingênuo.

Não é a primeira e nem será a última vez que homossexuais ligarão para programas envangélicos como estes para se manifestar, impulsionados por motivações diversas, sejam elas por "zombaria", "revolta", "defesa" e assim por diante.

No caso retratado, apesar de não ter assistido (evidente), Leão Lobo parece que desejou colocar em xeque as prováveis argumentações expostas no programa evangélico e o Amin Kader, por sua vez, expor sua possível revolta com o que teria assistido.

O artigo não faz qualquer referência ao eventual debate e nem o que foi exposto em tal programa, se cingi apenas a comentar que Leão Lobo "procurava sempre em defesa aos homossexuais transparecer uma certa segurança". Transparecer certa segurança?! Enfim, o autor do artigo sugere que Leão Lobo sequer possuía segurança na sua fala.

Já quanto ao Amin Kader tudo indica que a tal coluna pegou pesado, pesadíssimo, desafiando a inteligência e realidade dos fatos. Isto porque, deu a idéia de uma fera enjaulada e raivosa, desequilibrado, que falava impropérios porque simplesmente é infeliz por ser homossexual. Francamente, né?

Volto a insistir, embora não tenha assistido ao programa, tudo leva a crer que Amin Kader apontou o dedo para o bispo que apresentava o programa e (parece) que responsabilizou a discriminação dos evangélicos de tornarem a vida dos homossexuais um inferno. Daí colocar como título do artigo uma pretensa confissão de um homossexual famoso que estaria passando por sofrimento e agonia pelo fato de ser homossexual, isentando toda culpa da religião ali professada e qualquer relação com as idéias que são propostas pelo programa evangélico, parece realmente uma distorção lavada e de extrema-fé. Exceto se quem assistiu, ingenuamente, tenha apenas captado o que lhe interessava.


Fonte:

http://noticias.gospelmais.com.br/fala-que-eu-te-escuto-famoso-homossexual-afirma-em-programa-evangelico-que-gays-sao-tristes-e-solitarios.html

Carnaval Sem Homofobia - Disque Discriminação LGBT - 2a. Parte

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O estado do Rio de Janeiro

Cláudio Nascimento da Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos do Governo do Estado do Rio de Janeiro, em resposta as solicitações realizadas (conforme post anterior), esclareceu que considera muito relevante as questões levantadas e disse estar a disposição para marcar um encontro e explicar os avanços que já vem ocorrendo e os prazos que tiveram que ser reorganizados por causa da tramitação administrativa.

É um direito de todos cidadãos cobrar dos órgãos estatais os compromissos firmados. Nem sempre há sucesso na interpelação, mas neste caso, o diálogo e esclarecimentos foram propostos, o que sem dúvida é positivo e de interesse público.
(acrescento abaixo, em 12/02/10, com os telefones de plantão):
"A SuperDir terá um plantão 24 horas de recebimento de denúncias e orientação aos LGBT vítimas de homofobia no Rio de Janeiro, como segue abaixo:
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Sexta-feira (12/02)
tel. 8311-6534
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Sábado (13/02)
tel. 8311-6535
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Domingo (14/02)
tel. 8311-6536
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Segunda-feira (15/02)
tel. 8311-6537
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Terça-feira (16/02)
tel. 8311-6538"


O município do Rio de Janeiro

Já em relação ao Município foi esclarecido que qualquer denúncia relativa a prática de homofobia, prevista pela Lei mº 2475 de 12/09/1996, por agentes públicos municipais, estabelecimentos cormecias e industriais deve ser realizada junto a Ouvidoria da Prefeitura ou pelo telefone 3973-3800, de segunda à sexta-feira, das 09h30 às 17h, os quais estão aptos a fazer o encaminhamento ao Comitê de Garantia de Direitos competente para tomar as providências cabíveis à espécie.
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A importância da Denúncia
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O indivíduo LGBT, reclama com razão, sentir-se cidadão de quinta categoria em face do tratamento dispensado pelo Estado.
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Mas até onde não somos tratados da maneira que pedimos para ser?
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Se uma pessoa LGBT se comporta como cidadão de quinta categoria provavelmente será tratado como tal.
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A verdade é que, apesar das leis estaduais e municipais que protegem o cidadão lgbt da discriminação, é raro aquele que se predispõe a realizar uma denúncia. Reclama com todos, até com o sobrinho do filho do porteiro de seu prédio, mas é incapaz de realizar uma ocorrência policial, procurar autoridades públicas administrativas (estadual e municipal) ou mesmo a ajuda de uma ONG local.
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A ofensa a honra é crime e um direito da vítima que se sente ofendida fazer uma ocorrência na delegacia de polícia local.
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Um bar, um hotel, um restaurante lhe trata com manifesta discriminação pelo fato de ser homossexual é imprescindível que seja realizada a denúncia junto a Ouvidoria Municipal e Estadual. Existem sanções administrativas aplicáveis à espécie.
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Sem denúncia NINGUÉM pode fazer nada! Não adianta reclamar da vida ou ostentar o papel de vítima, sem reação.
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Não se sente seguro, possui algum receio, procure uma ONG local, certamente existirão pessoas habilitadas a lhe tirar todas as dúvidas e esclarecer os procedimentos a serem adotados, com todas as cautelas necessárias.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O "DISQUE DISCRIMINAÇÃO LGBT" DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO É UM MISTÉRIO OU PARA INGLÊS VER!

Hoje gostaria de indicar a leitura de um blog muito inteligente, chama-se "COMER DE MATULA - Cooperação e compromisso" no link http://comerdematula.blogspot.com/.

Quem mora no Rio de Janeiro não pode deixar de ler o seu último post, no qual Rita Colaço, autora do blog, indica todo o caminho das pedras para os cidadãos fluminenses em relação as proteções legais existentes para o cidadão LGBT, e o que fazer em caso de desrespeito.

Apesar dos esforços empreendidos pela Rita, ela ainda não conseguiu desvendar um MISTÉRIO, o local onde consta NO SITE DO GOVERNO ESTADUAL o "disque homofobia" ou "disque discriminação LGBT" anunciada pelo Superintendente Cláudio Nascimento Silva* (antigo ativista do Grupo Arco Iris) em entrevistas na mídia desde o ano passado, o qual responde atualmente pela Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos.

Esta Superitendência é o órgão responsável pelas questões LGBTs na esfera estadual, a qual se encontra inserida na Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos - SEASDH que possui como Secretária de Estado a Benedita Souza da Silva Sampaio, conhecida pela população como Benedita da Silva**.

Rita encaminhou um e-mail pessoal para o Superintendente Cláudio Nascimento o qual a respondeu com a transcrição de uma página da estrutura daquela Secretaria, mas não com a indicação do tal DISQUE homofobia (assim denominado pela Secretária Benedita da Silva, quando anunciou em maio de 2008 sua criação para julho do mesmo ano) ou DISQUE cidadania LGBT (por ele próprio).

É notória a posição hiper favorável do nosso Governador Sérgio Cabral, no que toca as questões LGBTs. Nem sempre reconhecido como deveria e merece, conforme já reiterado aqui neste blog. Mas a Secretária Benedita da Silva, de outro partido e evangélica, não sabemos.

É fato incontroverso que a população LGBT não está habituada a realizar denúncias, o que é absolutamente lamentável, mas mesmo aqueles que desejam buscar seus direitos, certamente, terão muita dificuldade no Portal do Governo de encontrar ali algum amparo ou indicação. Na busca do portal se forem solicitadas as palavras "homofobia" ou "LGBT" a resposta será que inexiste qualquer ocorrência.

No entanto, fácil é encontrar o disque denúncia "intolerância religiosa" e "racismo", entre vários outras categorias de minorias.

Também enviei correspondência eletrônica para o Superintendente Cláudio Nascimento solicitando o telefone em questão e ainda não obtive qualquer resposta.

Neste caso, tenho consciência que não devo e nem posso ir reclamar ao Bispo. Imagina se fosse uma situação de emergência!
* (Foto de Claudio Nascimento:
** (Foto: José Meirelles Passos/Agência O Globo)



segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A INTERFERENCIA DA WEB NO JORNALISMO E, CONSEQUENTEMENTE,, NA SOCIEDADE

Apesar de ser autor deste blog, me questiono sobre a importância do jornalismo e as conseqüências que podem ocorrer em razão desta atual disseminação de blogs.

Não sou tão altruísta. Não quero deixar de ser lido e nem visitado, mas tenho alguns receios.

A informação é a principal base da formação de uma pessoa. Através dela se faz a conscientização daquilo que ocorre a nossa volta e, muitas vezes, conduz as transformações sociais que se fazem necessárias.

A informação é algo de extremo valor e deve ser cada vez mais valorizada. Por isso o questionamento.

A empresa jornalística traz notícias e, em regra, os blogs trabalham nas notícias por ela dadas. Até aí, tudo bem, se preservada a fidedignada da informação e as opiniões (e palpites) forem bem delineadas com intuito de se distinguir uma da outra.

Sob esta perspectiva, os blogs e twitter da vida podem até contribuir com a informação, mas tenho receio que estas novas atividades "modernas" estejam interferindo na comunicação em massa, papel principal do jornal.

Se a população se habituar a leitura instantânea, resumida, e comentários de blogs, os quais se dão de forma tão espaça e diluída, como ficará aquele papel tão importante de impulsionar a sociedade para transformações necessárias?

A informação concentrada em alguns veículos jornalísticos viabiliza a distribuição em massa, mas como fica essa massa com a informação distorcida, incompleta e cheia de opiniões, lida apenas por alguns num dos inúmeros e inimagináveis de sites, blogs e etc existentes?

Hoje com twitter é fácil saber o que está ocorrendo agora no Haiti, mas nada se compara a informação advinda de um profissional que se preparou para exercer tal atividade, com a tentativa de passar só a informação e ser imparcial, publicando-a após sua efetiva confirmação.

Parece balela, e pode até ser, mas nossa cultura está se transformando, mesmo aqui no Brasil. Hoje é fato que mesmo numa das formas mais mastigada de “informação” - programas de televisão - as audiências só fazem cair abruptamente. Talvez a substituição se dê através do jornalismo na web, quem sabe... mas até onde os blogs e adjacentes invadiram esse espaço?

Muita informação junta (web) e quase nenhuma consubstanciada seria o caos social, especialmente para a busca do exercício de direitos.

Talvez esteja sendo exagerado e dramático, afinal eu mesmo leio jornal.


imagem extraída do site redesolvaybrasil.ning.com

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Senado Federal deixa General discriminar acintosamente homossexuais, mas cria embaraços para aprovação do PLC 122


No Senado Federal um general, Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, indicado para cadeira no Superior Tribunal Militar referiu-se aos gays como “indivíduos desse tipo”, discriminou acintosamente os homossexuais brasileiros afirmando que as forças armadas não devem aceitar a presença de gays, sugerindo que procurem outras atividades.

As declarações foram dadas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, após o General Raymundo ser questionado sobre o tema pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

Pelo que entendi a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado APROVOU POR UNANIMIDADE a nomeação do General para o STM, mas agora depende da aprovação do Plenário do Senado. Em razão disto, o Senador Eduardo Suplicy (que estava presente no momentto da declaração e nada falou), posteriormente, solicitou que o general desse esclarecimento sobre a questão, justificando que a discriminação não é cabível diante do que consta a Constituição Federal, a qual o General estaria obrigado a obedecer na atividade a ser exercida no STM.
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O Senador Romeu Tuma defendeu o General, dizendo que que ele não pode ser retaliado por ter manifestado uma opinião sincera. Será que nós também podemos expressar nossa opinião sincera sobre os Senadores e o General sem que sejamos incriminados por crime de injúria?

O que dizer de tudo isto?

Talvez duas coisas:

1 – Ainda hoje possuímos o artigo 225 do Código Penal Militar que afirma ser crime a prática homossexual em locais sujeito a administração militar. O homossexual é taxativamente previsto e discriminado por tal código;

2 – O projeto de lei da Câmara 122 que se encontra no Senado Federal e pretende criminalizar a homofobia está no limbo. O Senado não tem o menor interesse que o projeto seja aprovado e as razões ouvidas são que os homossexuais não precisariam desta “especial” proteção.

Ora, se dentro do Senado Federal um general DISCRIMINA ACINTOSAMENTE os homossexuais perante vários Senadores daquela Comissão, e estes aprovam sua nomeação, o que dizer???

Talvez que convidem o General para se juntar ao Silas Malafaia que foi chamado para audiência pública do PLC 122 em solicitação dos Senadores Magno Malta e Marcelo Crivella.

Ao se calarem os senadores anuíram com a discriminação, então como esperar que estes mesmos senadores da república que aprovaram o general na sabatina cumpram o papel de legislar para que se faça cumprir a Constituição Federal que garante o direito à igualdade, isonomia e da dignidade da pessoa humana?

Os senadores da comissão não só deixaram de agir como se esperava como ainda aprovaram o general.

Agora será a vez do plenário. É importantíssimo acompanhar o desenrolar desta história para verificar a atitude dos Senadores da República diante da manifesta discriminação.

E não é só no Senado que devemos estar atentos. Ontem saiu um artigo do Reinaldo Azevedo analisando o caso do militar homossexual, defendendo, em síntese apertada, que “o sujeito não deve dizer. Mas ninguém tem o direito de perguntar. É tão difícil assim considerar a sexualidade uma questão privada?”

Não, não é, responderia eu ao Reinaldo Azevedo. Mas ninguém também está obrigado a aceitar um tratamento diferenciado ou fazer da sua orientação sexual um segredo, pelo contrário, são direitos. Afinal, um militar heterossexual não está obrigado a não declarar sua orientação sexual e nem de deixar de comentar sobre suas pulsões sexuais. As questões das garantias constitucionais de direito à igualdade e a dignidade deveriam anteceder a lógica utilizada pelo Reinaldo Azevedo, antes da pergunta por ele formulada.
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A triste declaração fere a Constituição ao ofender o princípio da isonomia, que pressupõe tratamento com igualdade e liberdade na escolha da orientação sexual.

Aliás, foi essa a lógica do Reinaldo Azevedo foi a mesma utilizada nas respostas dos dois militares aspirantes ao Superior Tribunal Militar.

Em qualquer atividade, seja qual for, pública ou privada, militar ou civil, o que se espera é que o desempenho seja aquele proposto, com a competência e eficácia confiada.

A tarefa sempre tem que ser cumprida exatamente como se espera. Não importa a orientação sexual. No entanto, sem puxar a sardinha para o lado dos LGBTs, na realidade, por força da discriminação existente, cheio de humilhações, piadas e tantos outros obstáculos sociais sofridos, sempre cheio de preconceitos, para conquistar o respeito nas atividades comuns aos heterossexuais, muitos deles se vêem obrigados a superar a qualidade dos heterossexuais. Isto provavelmente não seria diferente no exército que possui suas próprias regras disciplinares e punições, portanto, são balelas os argumentos daqueles que desejam manter a discriminação, sob justificativa que homossexuais não podem ter o direito a igualdade de tratamento, precisando esconder sua orientação sexual.

A verdade é que este fato deveria chamar atenção não só do Movimento LGBT, mas também dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, pois princípios constitucionais estão em jogo. Que sejam cumpridos ou que se rasgue a constituição!

Foto: Agência Senado

Fonte de dados:

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O DISCURSO MUDA, MAS A FEIURA É A MESMA


O Magno Malta (PR-ES) que é senador do estado do Espírito Santo até janeiro de 2011, fez mais um pronunciamento medonho nesta última quinta-feira. O discurso muda, mas a feiúra é a mesma.

Não é fácil ser homossexual no Brasil. Tem que se lutar contra discursos dos padres com formação em teologia e filosofia, mas também contra pronunciamentos de pessoas como o Senador Magno Malta. Haja versatilidade.

Não por coincidência, todos interferindo na vida civil embasados integralmente na religião. Que Deus e a Constituição nos acudam!

A última do lúcido Senador Magno Malta é que o presidente da república teria enaltecido no Programa Nacional de Direitos Humanos a “excrescência” do projeto de lei 122 (que pretende criminalizar a homofobia), o qual, segundo ainda ele, cria “um império homossexual no Brasil”.

O modesto e consciente Senador já garantiu que vai dar um fim a isto e que da sua comissão não passa! Isto sim é PODER!

Mas para os poderosos barrar na comissão é pouco. Senador Magno Malta prometeu fazer mais: - estou trabalhando uma grande reação a esse decreto, uma frente contra esse decreto. Vamos chamar essa frente, principalmente onde confesso a minha fé.

Após mil e umas Audiências Públicas, o cauteloso Senador afirma que não houve debate público para o projeto e agora nos premiará com debate acerca de DIREITOS homossexuais convidando o Pastor Silas Malafaia, assim como integrantes da religião islâmica, além de judeus, evangélicos e católicos.

Cheguei ficar arrepiado, pois sinto que agora a discussão do projeto LEGAL vai ser bem mais elevada!!! Quem mais poderia discutir sobre HOMOFOBIA e DIREITOS HOMOSSEXUAIS senão os convidados do Magno Malta?!

O mais interessante de todo seu pronunciamento foi descobrir que o Senador da República Magno Malta nem mesmo conhece a Constituição Federal:

- Não tinha prestado atenção, Senador Mozarildo, mas o art. 266 da Constituição, §3º, diz que união estável é entre homem e mulher.

Agora sim, diante dessa descoberta, o Senador não terá dúvida de chamar o projeto de lei de inconstitucional, pois conforme suas próprias palavras:

- Agora vamos fazer uma lei que vai ficar maior do que a Constituição? Ou a nossa Carta Maior é a Constituição? (grifos nossos).
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Gente, avise ao Senador que a carta maior é a mesma coisa que constituição! Perguntou se ela é ela? isso mesmo? O homem entrou em crise e já nem sabe o que é o quê.
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Povo do Estado do Espírito Santo somos solidários a vocês, pois temos também no Rio de Janeiro o Marcelo Crivella.
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foto do site do Senado de autoria de Geraldo Magela
Fonte do discurso:

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2010

O PECADO DOS BISPOS

Um manifesto foi postado no site da Arquidiocese do Rio com pronunciamento acerca do III Programa Nacional de Direitos Humanos, com um longo abaixo-assinado de bispos e arcebispos.

Transcreverei uma pequena parte, porque "o todo" é enfadonho e repetitivo:


“A CNBB reafirma sua posição muitas vezes manifestada em defesa da vida e da família e contrária à discriminalização do aborto, ao casamento entre pessoas do mesmo sexo e o direito de adoção de crianças por casais homo-afetivos.
Rejeita, também, a criação de mecanismos para impedir a ostentação de símbolos religiosos em estabelecimentos públicos da União, pois considera que tal medida intolerante, pretende ignorar nossas raízes históricas”.


Evidente que uma instituição como a Igreja Católica para fazer críticas tão severas ao programa do CNDH leu o seu conteúdo.

A pergunta que não quer se calar: ONDE OS BISPOS E ARCEBISPOS LERAM NO DECRETO COM O PROGRAMA NACIONAL DE DIREITOS HUMANOS A DEFESA AO "CASAMENTO" ENTRE PESSOAS DO MESMO SEXO?

Não que o Movimento LGBT não deseje conquistar o reconhecimento civil ao casamento, ao qual faz jus, por direito, consoante princípios basilares na Constituição Federal. Mas onde foi que pessoas tão eruditas, com conhecimento profundo de filosofia e do direito canônico, que professam o compromisso pela verdade, honestidade e sinceridade LERAM a defesa do decreto em questão ao "CASAMENTO" de homossexuais?

Para uma pessoa desatenta isto passaria impune. Mas não é a hipótese.

O primeiro esclarecimento que se faz é que há uma diferença absurda entre os institutos do "casamento" e "união estável", lá no decreto mencionada como união civil. O casamento confere infinitamente mais direitos ao casal que a união estável.

No decreto repudiado pela CNBB e endossada pela manifestação da Arquidiocese do Rio de Janeiro, infelizmente, não se cogita casamento, apenas um direito menor, a união estável.

O segundo aspecto que se faz importante ressaltar é a MALDADE INESCRUPULOSA engendrada pelos BISPOS e ARCEBISPOS, uma vez que leigos não conseguem delimitar a abrangência e distinções variáveis da terminologia CASAMENTO.

A palavra "casamento" induz pelo próprio nome e costumes a idéia de um noivo no altar da igreja aguardando a noiva de véu e grinalda para a celebração do dito casamento. Por isso, a palavra "casamento" passou a ser entendida no sentido de como se religioso fosse. O mesmo que se dá com o termo "vamos tomar uma brahma" ao invés de "cerveja".

No entanto, "casamento" também é a celebração que se pode fazer apenas no cartório de registro civil, INDEPENDENTE da atuação de qualquer religião ou ser realizada dentro de uma igreja.

Todos sabem que o casamento pode ser somente cível, mas nem todos lembram disto, especialmente quando observam que quem reclama é a Igreja Católica! Fica parecendo mais que os designados por eles como antinaturais desejam afrontá-los na igreja, obrigando aos padres a realizar um "casamento" entre pessoas do mesmo sexo.

Não é a primeira vez que os preconceituosos fundamentalistas se valem desse ardil, indo a público com essas distorções, para comover a população e induzí-los a erro, colocando-se no papel de vítima e os homossexuais como algozes.

Quem é o verdadeiro algoz nesta história??? Ou será que alguém acha que os cultos e estudiosos bispos e arcebispos não sabem a crucial diferença existente entre tais terminologias?

Não senhores bispos e arcebispos, mais uma vez vocês devem se dirigir aos confessionários para pedir perdão a Deus, antes de celebrar a Eucaristia, por mais ESTE PECADO!

E não se trata de um pecado qualquer, é um pecado reincidente, já praticado pela Igreja Católica que teve que pedir perdão não só a Deus, mas também aos que sofreram o holocausto.

E cumpre reiterar que o Decreto do PNDH, assinado pelo Lula, se refere apenas a dar "apoio" a união civil das pessoas do mesmo sexo, o que já é uma bobagem porque se trata de um mero programa cheio de promessas com fins eleitoreiros (como ocorreu com FHC no final de mandado e nada aconteceu depois), o qual precisaria passar ainda este ano pelo Congresso Nacional para que se efetivasse em seu governo. Justo mesmo seria que o Decreto dissesse que deveria ser implementada na legislação nacional a garantia ao exercício do CASAMENTO pelos casais homossexuais.

Minha sugestão ao Lula é que não vá reclamar ao Bispo! Pelo contrário, faça jus a reclamação e altere o Decreto para substituir a palavra "união" por "casamento". Nós agradeceríamos penhorosamente aos Bispos e Arcebispos, homens de boa-fé, pela devida correção.


* foto extraída do site http://www.arquidiocese.org.br
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