O presente blog se propõe a reflexão sobre os Direitos Humanos nas suas mais diversas manifestações e algumas amenidades.


sexta-feira, 19 de março de 2010

Video do Manisfesto em defesa ao Rio

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Ainda sobre cidadania! E não é só porque sou carioca. Se estivessem aniquilando o estado da Amazônia também seria motivo para protesto meu!
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No vídeo duas pessoas queridas para mim: Cristina Brasil e Carlos Tufvesson.
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O vídeo é da Cristina e o pego emprestado para o meu blog, rs.
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Apesar da música do Cazuza cantanto que "não me convidaram para essa festa pop", eu estava lá também - na chuva - mas não encontrei nenhum dos dois!
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Quem foi, tiraria de letra a prova desta noite do BBB10! Era muita chuva, corpo, pés molhados e muita determinação!
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Adorei ver tantos carros LGBTs, em especial o que estava imediatamente após o carro dos evangélicos.
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Gente, não vi o Magno Malta e nem o Crivella e NEM LEVEI OVO PODRE, mas li no jornal que eles estavam lá. Portanto, fui poupado e somente participei do lado bom da manifestação. Agora imaginem eles vendo aqueles trios com gays, lésbicas, travestis e go go boys na passeata que ELES estavam! Gostaria de ter visto a cara deles!
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Assistam o vídeo, ele dá uma parcial visão daquilo que foi o protesto em defesa do Rio.
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quarta-feira, 17 de março de 2010

.:: ASSINE PELO RIO ::.


Porque dizer "Eu sou Gay" pode ser tão difícil

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Estava lendo uma matéria americana que falava sobre o tema.

Três palavras, nada mais do que três letras - e ainda assim, para alguns de nós ainda é quase impossível dizer.
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Três pequenas palavras: Eu sou gay.
“Gay não é uma escolha,
gay não é pecado,
gay não é uma vergonha.
Gay simplesmente é.”

Leonard Pitts Jr.

A grande dificuldade de falar e assumir estas três palavras é simples. Os gays advém, a priori, de um lar heterossexual, vivem em ambientes que as normas de comportamento são heterossexuais, onde a aversão a homossexualidade sempre está presente, seja de forma velada ou explícita. Os gays são constantemente bombardeados com mensagens negativas sobre a sua orientação sexual. Portanto, toda composição sócio psicológica do gay já vem viciada com uma marca negativa, uma forte baixa estima em relação a sua orientação sexual e muito medo de não ser bem acolhido ou até agredido físico e moralmente.

Apenas “ser gay” já significa enfrentar, de algum modo, grande tempestades nesta vida, nem sempre agasalhado, protegido e sem garantia de sobrevivência.

No entanto, quando o sujeito se vê “confortável” para falar estas três palavrinhas, entra em contato com o sentimento de LIBERTAÇÃO, e só sabe a profundidade que isto significa, quem já vivenciou esta “passagem”.

O problema é encontrar o tal “conforto” para se assumir. Palavra subjetiva e, se nestas situações levada a extremo, quase utópica. É o mesmo que esperar um príncipe encantando, lindo, milionário e apaixonado, montado num cavalo branco vindo lhe buscar.
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Cada um tem que buscar o seu momento certo e se ele não existir, criá-lo.

terça-feira, 16 de março de 2010

Convocação para participar do movimento "Contra a covardia, em defesa do Rio"

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É extremamente grave a situação do estado do Rio de Janeiro caso seja efetivado o golpe do governo federal de retirar os royalties do petróleo do nosso estado com a cobiça despertada pelo "pré-sal", sob o argumento da criação de um "fundo soberano" para distribuição da riqueza entre todos os brasileiros, visando "pôr fim às desigualdades nacionais".
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O Governador Sergio Cabral fez as contas, apresentou-as publicamente e decreta a conseqüência : O Estado do Rio de Janeiro ACABA!

"É uma emenda alucinante. O Estado do Rio recebeu, em 2009, em royalties e participações especiais, mais de R$ 4 bilhões e pela nova lei passa a receber R$ 100 milhões. Isso acaba com o estado. No nosso caso, esses recursos vão todos para a previdência pública. Os 5% desses recursos são destinados ao Fundo Estadual de Conservação Ambiental (Fecam) e todos são aplicados no meio ambiente e no saneamento básico, o que vem salvando a Baía de Guanabara e as lagoas e rios do estado. A repercussão da aprovação dessa emenda é de fechar o estado. Esquece Olimpíadas, esquece Copa do Mundo, esquece tudo. Acabou o estado. Não estou de brincadeira, não. Cabo Frio, que recebe R$ 350 milhões/ano, passará a receber R$ 1 milhão, Macaé, onde todo o teatro de operações do petróleo, que recebe R$ 500 milhões, R$ 600 milhões/ano, terá apenas R$ 2 milhões. É uma brincadeira de mau gosto".


Cabral lembrou que o Estado do Rio já perdeu recursos que atualmente somariam R$ 10 bilhões por ano se, na votação da Constituição de 1988, o petróleo, ao lado da energia elétrica, não fossem os únicos produtos que não cobram ICMS na origem.

Depois da derrota do estado do RJ na quarta-feira passada, na Câmara dos Deputados, quando a chamada "emenda Ibsen" foi aprovada por 369 votos a favor e 72 contra, tudo ficou mais difícil.

É que agora só depende da apreciação e votação no Senado Federal. A situação no Senado é mais delicada do que na Câmara. Existem três representantes para cada ente da Federação. Na prática, portanto, existem apenas seis votos das bancadas capixaba e fluminense para mudar as regras de distribuição dos royalties, num universo de 81 senadores.

A lista de apoio pode subir para nove, se os senadores paulistas forem convencidos por seus colegas do Rio e do Espírito Santo a engordarem a frente. São Paulo ainda tem uma baixa produção de petróleo no mar, mas o início da produção dos campos do pré-sal na Bacia de Santos vai mudar essa realidade.

Após a forte repercussão, Ibsen Pinheiro, autor do infeliz projeto de lei, procurou Senadores sugerindo que seja retirada parte da fatia que cabe a União para que fosse repassado para os dois estados prejudicados, o que não encontra acolhida nem mesmo pelos políticos da base do governo.

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), foi designado para a ingrata tarefa de tentar encontrar uma solução, com intuito de reverter o quadro e evitar que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vete, às vésperas das eleições de outubro, um dispositivo que aumenta o volume de dinheiro para todos os Estados e municípios do País. Missão praticamente impossível, nas palavras dele: "só com um milagre"..

E IMPERIOSO que cidadãos fluminenses se mobilizem e volte a ser como pouco tempo atrás e até historicamente, uns dos mais politizados, e atuar tal como fez na convocação das diretas já, comparecendo a manifestação pública que irá ocorrer na próxima quarta-feira, dia 17/03, às 16 horas, na Candelária, no centro do Rio de Janeiro.

O Rio de Janeiro e todo resto do Brasil têm que lutar contra a irresponsabilidade deste projeto de lei que decretará a falência de nosso estado!



segunda-feira, 15 de março de 2010

Você sabe o que o Senado Federal disse para o STF sobre casais homossexuais?

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Não é à toa que não existe uma lei sequer aprovada pelo Congresso Nacional em favor da comunidade LGBT e que continuamos a depender do Poder Judiciário.

No entanto, é dever do Poder Judiciário quando instado a julgar um Ação Direta de Inconstitucionalidade de lei federal solicitar que o Congresso Nacional se manifesta sobre a questão em debate.

No caso, a atual Vice-Procuradora-República, Deborah Duprat (foto ao lado), em cumprimento a sua expressa promessa, realizada ao se manifestar na Ação (ADPF 132) proposta pelo Governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, ingressou com uma AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE onde igualmente à aquela ADPF, pretende que seja reconhecida a união estável para casais homossexuais pelo Supremo Tribunal Federal, desta vez com base na inconstitucionalidade da lei civil que limita a união para casal formado por - homem e mulher - e também para afastar o absurdo obstáculo criado pelo então Advogado Geral da União, Dias Toffoli, que defendia que o pedido do Governador não teria alcance nacional.

A Ação Direita de Insconstitucionalidade, conhecida pela abreviatura de ADIN tomou o número 4277, tendo sido nomeada como Relatora para tal julgamento no Supremo Tribunal Federal a Ministra Ellen Grace Northfleet (foto a direita). Como já exposto, um dos procedimentos legais previstos para ações como esta e que a Relatora do processo determine a intimação do Senado Federal para que se manifeste acerca do pedido formulado pela Procuradoria Geral da República, na hipótese, a declaração da inconstitucionalidade do disposto no art. 1723 do Código Civil (que limita o direito a união estável apenas para casal formado por homem e mulher), reconhecendo o direito dos casais LGBTs a união estável homossexual, como entidade familiar..
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Como se manifestou o Presidente do Senado Federal acerca desta questão para o Supremo Tribunal Federal?
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Transcreverei algumas estrofes, as quais acredito que sejam suficientes para entender o posicionamento adotado:
"10. ... o art. 1723 do Código Civil dispôs como entidade familiar a união estável entre o homem e a mulher... Ainda que uma união homoafetiva se configure na convivência pública, contínua e duradoura, com a intenção de constituir “família”, TAL CONJUNÇÃO NÃO É CARACTERIZADA COMO ENTIDADE FAMILIAR POR NOSSO ORDENAMENTO JURÍDICO... "
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15. ... a união homoafetiva sequer encontra-se prevista no nosso ordenamento como situação jurídica a ser amparada, mas – E NESTE PONTO ACERTAM OS TRIBUNAIScomo SOCIEDADE DE FATO.

16. Em conclusão, não há inconstitucionalidade no art. 1723 do Código Civil ao estabelecer como ENTIDADE FAMILIAR a união estável entre HOMEM E MULHER, conceito recolhido do 3º do art. 223 da própria Constituição... , devendo a união homoafetiva, enquanto não dispuser o legislador a fixá-la como entidade própria, DISTINTA DA FAMILIAR, ainda que o objeto de igual proteção do Estado, continuar recebendo tratamento analógico aplicável a cada caso concreto"... (no caso, a dita sociedade de fato – esclarecimento nosso).

* além do último esclarecimento, os grifos também são nossos.
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Essas informações foram elaboradas pela Advocacia do Senado, ratificadas e enviadas pelo Senador José Sarney, na qualidade de Presidente do Congresso Nacional, para a ADIN 4277 junto ao Supremo Tribunal Federal.

O Presidente do Senado Federal, em outras palavras, se manifestou para que a ADIN proposta pela Procuradoria Geral da República não fosse acolhida, afirmando que casal homossexual não possui direito ao reconhecimento de união estável, porque esta deve favorecer apenas casais formados por homem e mulher. Acrescenta ainda, em sua manifestação que casais homossexuais não formam uma família, o que é exclusivo para heterossexuais, esclarecendo que os LGBTs já possuem seus direitos protegidos pelo reconhecimento jurisprudencial da "Sociedade de Fato".

Este é o nosso Senado!

E é assim que o Congresso Nacional trata e considera os LGBTs.

Salve o Governador Sérgio Cabral e a Vice-Procuradora-Geral Deborah Duprat!

Só nos resta depositar nossa fé e esperança de resgate à dignidade junto ao Poder Judiciário!



sábado, 13 de março de 2010

I Marcha Nacional contra a Homofobia ocorrerá em 19.05.10, em Brasília. Programe-se!

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A ABGLT - ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE LÉSBICAS, GAYS, BISSEXUAIS, TRAVESTIS E TRANSEXUAIS tomou uma iniciativa extremamente louvável. Criará uma manifestação em Brasília destinada a atrair a atenção das autoridades acerca das reivindicações dos LGBTs. Se trata de uma MARCHA, com LGBTs de todo território nacional, com cunho político e de demonstração do exercício da cidadania.


Já está definido a data. Será em 19 de maio de 2010 (quarta-feira), dia que, em regra, imagina-se que estejam presentes os políticos no Congresso Nacional.


Toda a programação ainda será detalhada pela entidade e, certamente, publicarei neste blog.


A ABGLT já apresentou o Manifesto que dá o significado da I Marcha Nacional contra a Homofobia, o qual ora reproduzo:



"Manifesto

I Marcha Nacional contra a Homofobia - 1º Grito Nacional pela Cidadania LGBT e Contra a Homofobia A Direção da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais -ABGLT, reunida em 02 de março de 2010, resolveu convocar todas as pessoas ativistas de suas 237 organizações afiliadas, assim como organizações e pessoas aliadas, para a I Marcha Nacional contra a Homofobia, vinda de todas as 27 unidades da federação, tendo como destino a cidade de Brasília. No dia 19 de maio de 2010, será realizado o 1º Grito Nacional pela Cidadania LGBT e Contra a Homofobia, com concentração às 9 Horas, no gramado da Esplanada dos Ministérios, em frente à Catedral metropolitana de Brasília.

Em 17 de maio é comemorado em todo o mundo o Dia Mundial contra a Homofobia (ódio, agressão, violência contra Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – LGBT). A data é uma vitória do Movimento que conseguiu retirar a homossexualidade da classificação internacional de doenças da Organização Mundial de Saúde, em 17 de maio de 1990.

No Brasil, todos os dias, 20 milhões de brasileiras e brasileiros assumidamente lésbicas, gays, bissexuais, travestis ou transexuais -LGBT têm violados os seus direitos humanos, civis , econômicos, sociais e políticos. “Religiosos” fundamentalistas, utilizam-se dos Meios de Comunicação públicos, das Câmaras Municipais, Assembleias Legislativas, Câmara Federal e Senado para pregar o ódio aos cidadãos e cidadãs LGBT e impedir que o artigo 5º da Constituição federal (“todos são iguais perante a lei") seja estendido aos milhões de LGBT do Brasil. Sem nenhum respeito ao Estado Laico, os fundamentalistas religiosos utilizam-se de recursos e espaços públicos (escolas, unidades de saúde, secretarias de governo, praças e avenidas públicas, auditórios do legislativo, executivo e judiciário) para humilhar, atacar, e pregar todo seu ódio contra cidadãos e cidadãs LGBT.


O resultado desse ataque dos Fundamentalistas religiosos tem sido:


• O assassinato de um LGBT a cada dois dias no Brasil (dados do Grupo Gay da Bahia - GGB) por conta de sua orientação sexual (Bi ou Homossexual) ou identidade de gênero (Travestis ou Transexuais);


• O Congresso Nacional não aprova nenhuma lei que garanta a igualdade de direitos entre cidadãos(ãs) Heterossexuais e Homossexuais no Brasil;


• O Supremo Tribunal Federal não julga as Arguições de Descumprimento de Preceitos Fundamentais e Ações Diretas de Inconstitucionalidade que favoreçam a igualdade de direitos de pessoas LGBT no Brasil;


• O Executivo Federal não implementa na sua totalidade o Plano Nacional de Promoção da Cidadania e Direitos Humanos de LGBT;


• Centenas de adolescentes e jovens LGBT são expulsos diariamente de suas casas;


• Milhares de LGBT são demitidos ou perseguidos no trabalho por discriminação sexual;"

fonte: Logotipo e Manifesto em http://www.abglt.org.br

sexta-feira, 12 de março de 2010

A peça 'Tango, Bolero e Chá chá chá' traz de volta a estória da transexual Lana Lee

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.Edwin Luisi montado de Lana Lee

O premiadíssimo ator Edwin Luisi comemora no Rio de Janeiro seus 40 anos de carreira com a remontagem da peça que foi sucesso absoluto, “Tango, Bolero e Chá chá chá” no Teatro Clara Nunes, no shopping da Gávea.
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Edwin Luisi é o ator número um do teatro brasileiro. Já foi agraciado com os mais importantes prêmios teatrais do País: Molièrie (duas vezes), Mambembe (duas vezes), APCA (duas vezes), Procópio Ferreira, Governador do Estado do Rio de Janeiro, Quality Brasil (duas vezes), Shell (três vezes) e APTR.

A primeira montagem ocorreu em 2001 e também deu ao ator os possíveis prêmios de teatro pela sua impecável interpretação da transexual Lana Lee.

A peça conta a história de Daniel, um engenheiro que abandona, sem maiores explicações. sua esposa e filho e recomeça uma nova vida em Paris, transformando-se, após uma intervenção cirúrgica para mudança de sexo, numa grande artista e passa a se chamar Lana Lee. Dez anos depois retorna ao Brasil com seu companheiro para reencontrar a antiga esposa e seu filho, Denis.

Este é o mote da peça. O reencontro daquele pai de família com sua esposa e filho, os quais nada sabiam acerca de sua nova identidade.

A história parece boa? Sim, mas é mais que isto. Quem for assistir se surpreenderá com o tratamento dado a ela. Quem espera um história carregada, cheio de drama e sofrimento descubrirá um texto descontraído, leve e altamente cômico. É uma comédia como raras, onde o riso não sai amarelo e nem mecanicamente apenas porque pagou a entrada.

O trio das personagens femininas arrasam e roubam literalmente a cena. Edwin Luisi está irreconhecível como Lana Lee e sua atuação na dose certa, sempre impecável, sem excessos ou caricaturas, apesar de fazer uma diva transexual hilariante. Marcia Cabrita como Genevra, emprega da família, rouba todas as cenas na qual aparece e é simplesmente impossível não gargalhar com suas intervenções pontuais. Maria Clara Gueiros interpeta Clarice, a esposa abandonada e também se destaca pela sua espontaneidade e graça natural.

Para quem já assistiu verá uma peça nova. É admirável como o decorrer dos anos, sem perder a atualidade, faz enxergar a peça sobre outra ótica, assim como as alterações do elenco originário. Neste aspecto, cumpre registrar especialmente a mudança de contexto da personagem Clarice (esposa) antes vivido pela atriz Maria Helena Dias e na montagem atual pela Maria Clara Gueiros. Maria Helena Dias emprestava a personagem um tom mais dramático, com o peso da mulher abondonada que se choca com a nova realidade, o que não é revivido na interpretação da Maria Clara Gueiros, que segue uma trilha toda mais cômica para a mesma personagem. Parece duas personagens absolutamente diferentes, com a mesma história. O figurino da peça também modificou, sem dúvida mais bonito, mas as cenas engraçadíssimas que a personagem do Edwin fazia com a roupa não possuem mais aquele antigo efeito. Por outro lado, as ontológicas cenas dos espirros arlégicos e caminhadas desbaratadas estão ainda melhores.

Mas, o que realmente me chama especialmente atenção é que se trata de uma comédia rasgada, com tema sério e muito delicado, tendo como questão central a transexualidade, sem que busque ou caia na apelação fácil do deboche barato envolvendo a sexualidade, algo tão comum quando se retratam homossexuais, travestis e transexuais. A peça, apesar de engraçadissíma, é absolutamente respeitosa!

Isto prova que não é necessário perder o respeito para não se perder a piada.

Tango, Bolero e Chá Chá Chá merece ser visto e sugiro que assistam. Digo isto com isenção, já que para mim é particularmente difícil gostar de comédias. Sempre saio com a sensação que todos acharam graça, menos eu, ou pior, se ri apenas porque as pessoas ao lado riem. Mas não é o caso desta, finalmente compartilhei da alegria dos demais. Vale a pena e é um excelente programa!
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