O presente blog se propõe a reflexão sobre os Direitos Humanos nas suas mais diversas manifestações e algumas amenidades.


sexta-feira, 16 de abril de 2010

Medíocres e Célebres, todos num mesmo espaço

A mediocridade num blog pode ser detectado em três situações: escrever para preencher seu próprio vazio, escrever e não ser lido, escrever para reproduzir o que já foi escrito. Vou tentar seguir a risca a minha mediocridade, trazendo algumas citações de pessoas nada medíocres:


Os homossexuais são uma raça maldita, perseguida como Israel. E finalmente, como Israel, sob o opróbio de um ódio imerecido por parte das massas, adquiriram características de massa, a fisionomia de uma nação...São em cada país uma colônia estrangeira
Marcel Proust


“Esse amor é a grande afeição de um homem mais velho por um homem mais jovem, como aquela que houve entre Davi e Jônatas, o amor que Platão tornou a base de sua filosofia, o amor que se pode achar nos sonetos de Miguel Ângelo e Shakespeare. Tal amor é tão mal compreendido neste século que se admite descrevê-lo como o ‘amor que não ousa dizer seu nome’.
Oscar Wilde (resposta ao promotor em seu julgamento, em 1895)


“Se Deus me quisesse de outra forma, Ele teria me feito de outra forma”
Johann Wolfgang von Goethe


“A Bíblia contém seis condenações aos homossexuais e 362 aos heterossexuais. Isso não quer dizer que Deus não ame os heterossexuais. É apenas que eles precisam de mais supervisão”
Lynn Lavner


"Sem pecado, nada de sexualidade, e sem sexualidade, nada de História."
Soren Kierkegaard



“Se Michelangelo fosse hétero, a Capela Sistina teria papel de parede”
Robin Tyler



"Triste época! É mais fácil desintegrar um átomo do que um preconceito."
Albert Einstein



"Prefiro ser um homem de paradoxos que um homem de preconceitos."
Jean Jacques Rouseau



"Aquilo que se faz por amor está sempre além do bem e do mal."
Friedrich Nietzsche



"Todo o homem luta com mais bravura pelos seus interesses do que pelos seus direitos."
Napoleão Bonaparte



"Meu lesbianismo é um ato de caridade cristã. Todas as mulheres lá fora, orando por um homem, e eu estou dando a minha parte."
Rita Mae Brown




"É "de esquerda" ser a favor do aborto e contra a pena de morte, enquanto direitistas defendem o direito do feto à vida, porque é sagrada, e o direito do Estado de matá-lo se ele der errado."
Luis Fernando Veríssimo



"O homem que não luta pelos seus direitos não merece viver "
Rui Barbosa



"Ele sempre me pareceu um pouco sem sentido a desaprovar a homossexualidade. É como desaprovação de chuva."
Francis Maude




"Padres gays também devem se casar. Contanto que se amem."
Ediel

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Chico Xavier, o "S" de simpatizante LGBT



Esse blog critica tanto as religiões, por conta de seus posicionamentos em relação a homossexualidade que, em tempos de sucesso de bilheteria do filme Chico Xavier, me sinto no dever de trazer aqui o pensa Francisco de Paula Cândido Xavier, vulgarmente conhecido como Chico Xavier, através de seu depoimento sobre homossexualidade num programa chamado Pinga Fogo, ocorrido há quase quarenta anos atrás.

Não sigo a doutrina espírita. A qual, aliás, até onde sei, também faz parte do coro daqueles que condenam a homossexuliade.

Mas encontrei esse vídeo do Chico Xavier, no YOUTUBE, gravado em 1971, e me surpreendi.

Para não existir dúvida que as palavras são deles, coloco aqui o vídeo do programa.





CHICO XAVIER : "Temos tido alguns entendimentos com espíritos amigos, notadamente com Emmanuel a esse respeito. O homossexualismo, tanto quanto a bissexualidade ou bissexualismo, como assexualidade, são condições da alma humana. Não devem ser interpretados como fenômenos espantosos, como fenômenos atacáveis pelo ridículo da humanidade. Tanto quanto acontece com a maioria que desfruta de uma sexualidade dita normal, aqueles que são portadores de sentimentos de homossexualidade ou bissexualidade são dignos do nosso maior respeito e acreditamos que o comportamento sexual da humanidade sofrerá, no futuro, revisões muito grandes, porque nós vamos catalogar do ponto de vista da Ciência todos aqueles que podem cooperar na procriação e todos aqueles que estão numa condição de esterilidade. A criatura humana não é só chamada à fecundidade física, mas também à fecundidade espiritual. Quando geramos filhos, através da sexualidade dita normal, somos chamados... também à fecundidade espiritual, transmitindo aos nossos filhos os valores do espírito de que sejamos portadores.

Não nos referimos aqui aos problemas do desequilíbrio, nem aos problemas da chamada viciação nas relações humanas. Estamos nos referindo a condições da personalidade humana reencarnada, muitas vezes portadora de conflitos que dizem respeito seja à sua condição de alma em prova ou à sua condição de criatura em tarefa específica. De modo que o assunto merecerá muito estudo. Nós temos um problema em matéria de sexo na humanidade que precisaríamos considerar com bastante segurança e respeito recíproco. Vamos dizer: se as potências do homem na visão, na audição, nos recursos imensos do cérebro, nos recursos gustativos, nas mãos, na tactividade com que as mãos executam trabalhos manuais, nos pés, se todas essas potências foram dadas ao homem para a educação, para o rendimento no bem, isto é, potências consagradas ao bem e à luz, em nome de Deus, seria o sexo em suas várias manifestações sentenciado às trevas?"

Interessante notar que há quarenta anos atrás, quando ainda os homossexuais não estavam organizados e não se censurava o ISMO do bissexualismo e homossexualismo (o qual confere uma conotação patológica, de doença), Chico Xavier já demonstrava na entrevista um certo incomodo com o termo, preferindo corrigir para bissexualidade e homossexualidade, fazendo uma confrontação manifestamente crítica com aquilo que ele mesmo chamou de sexualidade "dita" normal.
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Sua declaração é imperativa. Nem todos nascem para procriação e nem por isso são menos importantes. Ao final, menciona sobre as funções do corpo humano e sentencia que o que importa é o que cada um faz com o que possui, ainda que não seja o mesmo que o outro, portanto, aquilo que se é e não o que gostariam que fosse.

Como Chico Xavier se tratava de uma pessoa pública, com grande credibilidade e extrema espiritualidade, respeitada por muitos, mesmo que de religiões diversas e que está em grande evidência, decorrente do filme que traz no título seu nome, quis dividir com todos esse precioso achado.
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Chico Xavier nasceu em 02 de abril de 1910, portanto, de uma geração rígida em seus valores e costumes. O que só faz valorizar ainda mais seu depoimento. Se vivo estivesse, teria completado recentemente 100 anos de idade. Assim sendo, fica aqui minha homenagem.

Está aí. Agora fiquei curioso de assistir o filme.

quarta-feira, 14 de abril de 2010

Vaticano desiste de apontar o dedo para os homossexuais, em relação a pedofilia.


No site do Uol traz hoje matéria da Cidade do Vaticano, pela EFE, repetindo o mesmo procedimento ocorrido em anterior declaração que comparava as críticas a igreja (pela pedofilia) a perseguição aos judeus. Em menos de um mês, novamente, o Vaticano desqualifica outra declaração, agora do Cardeal Tarcisio Bertone, que dolosamente relacionou a pedofilia a homossexualidade.

O estrago já foi feito pelo Cardeal Tarcisio Bertone. A repercussão que teve sua irresponsável declaração já alcançou estratosferas, alimentando a discriminação e o preconceito aos homossexuais, mais uma vez.

De qualquer forma, não esperava que a conduta do Vaticano em relação aos judeus se repetiria para os homossexuais. Afinal, a perseguição da Igreja aos homossexuais persiste até hoje e ela não esconde isto de ninguém. Entretanto, o fato do Vaticano contestar a imbecil declaração de Bertone, não retira mais esta ofensa sofrida por toda a comunidade LGBT.

Abaixo transcrevo inteiro teor contido no site do uol:

Vaticano contesta declarações de Bertone sobre homossexualidade

O Vaticano contestou hoje as polêmicas declarações do cardeal Tarcisio Bertone no Chile, nas quais relacionou a pedofilia a homossexualidade, e afirmou que não considera de sua competência fazer afirmações de caráter psicológico ou médico sobre estes assuntos.

O cardeal Bertone, secretário de Estado vaticano, descartou uma relação entre a pedofilia e o celibato sacerdotal e afirmou que os casos são relacionados à homossexualidade.

Em comunicado divulgado nesta quarta-feira, o porta-voz da Santa Sé, Federico Lombardi, disse que as declarações de Bertone se referiam ao problema dos abusos por parte dos sacerdotes na Igreja "e não à população em geral".

"As autoridades eclesiásticas não consideram de sua competência fazer afirmações gerais de caráter psicológico ou médico, para as quais se remetem naturalmente os estudos de especialistas e às pesquisas dirigem", afirmou Lombardi.

Com essas palavras, segundo os analistas, a Santa Sé "se distância" da afirmação por seu "número dois".

Lombardi acrescentou que os únicos dados que dispõem as autoridades eclesiásticas sobre o tema dos abusos sexuais de menores por parte de sacerdotes são os facilitados recentemente pelo "promotor" da Congregação para a Doutrina da Fé, encarregada destes casos, Charles Scicluna.

As declarações de Bertone geraram uma forte polêmica e colocaram em pé-de-guerra as ONGs de defesa dos homossexuais, entre estas a italiano Arcigay, que denunciou "o cinismo, a falta de escrúpulos e a crueldade" da hierarquia do Vaticano ao vincular a homossexualidade à pedofilia, quando escondeu delitos sexuais perpetrados por parte de religiosos sobre menores.


fonte:

Serial killer evangélico e homofóbico finalmente foi preso

Pedreiro friamente confessa assassinatos
12/04/2010
Correio Braziliense
Antônio Cunha

Assassino de jovens desaparecidos confessa crime sem demonstrar emoção ou arrependimento

Admar de Jesus Santos não tem amigos. Costumava sair nos fins de semana apenas para assistir a cultos na Igreja Universal do Reino de Deus. Além de solitário, os vizinhos consideram o pedreiro de 40 anos um sujeito discreto. Poucos sabem do seu passado, tão sombrio quanto o presente. A mulher teria se matado com veneno. Os filhos do casal acabaram criados pelo avô paterno. Além de perder a mãe de forma trágica, as crianças viram o pai ser preso. A Justiça de Brasília o condenou a 14 anos de prisão, em 2005, por abusos sexuais contra dois meninos, de 8 e 11 anos. No entanto, em 23 de dezembro último, o pedófilo deixou a penitenciária da Papuda pela porta da frente. Sete dias depois, voltou a agir como criminoso. E não parou mais, até ser detido novamente pela polícia e confessar a morte dos seis adolescentes de Luziânia (GO) dados como desaparecidos.

Desde a sua segunda prisão, no último sábado, Admar disse pouco. Mas o suficiente para os investigadores o apresentarem ontem como o assassino em série que atormentou Luziânia por 101 dias e seis corpos serem encontrados enterrados num terreno ermo da área rural do município a 70km de Brasília. Sem demonstrar arrependimento ou remorso pelas execuções que admitiu tercometido a sangue frio, ele levou os policiais aos locais onde enterrou suas vítimas mais recentes. Apontou uma a uma as covas rasas. Algumas, cavadas com as próprias mãos, segundo os policiais. Os cadávares estavam em avançado estado de decomposição. Os investigadores, porém, dizem não ter dúvidas de serem os restos mortais dos meninos de 13 a 19 anos, sumidos entre 30 de dezembro e 29 de janeiro.

Nascido em uma família pobre de nove irmãos, baiano de Serra Dourada, cidade de 18 mil habitantes onde o seu pai e os filhos residem, Admar chegou a Luziânia há 16 anos. Só deixou o município goiano de 210 mil moradores no período em que esteve preso por abusar de duas crianças no Distrito Federal. Nesse caso, ofereceu dinheiro para um menino ajudá-lo a descarregar um caminhão. Com uma faca no pescoço, o garoto acabou forçado a manter relações sexuais com ele. "O menino escapou dizendo que traria um coleguinha, mas chamou a polícia. Quando os policiais chegaram ao local, ele (Admar) já estava abusando de outro garoto. Isso prova que ele tem alto poder deconvencimento", contou o delegado Wesley Almeida, da Polícia Federal, que também investiga o mistério de Luziânia.


Psicopata

Antes de ser liberado da Papuda, Admar passou por avaliação de sanidade. Para um médico do sistema carcerário de Brasília, ele tem o perfil violento de um psicopata e deveria ter acompanhamento psiquiátrico, o que não ocorria. Dizendo ter o laudo sobre o pedreiro, o delegado-geral da Polícia Civil de Goiás, Aredes Pires, não entende como ele voltou às ruas. "Seis vidas se perderam, há um sofrimento enorme das famílias e, talvez, isso poderia ter sido evitado", ressalta.

O responsável pelos inquéritos, delegado Juracy José Pereira, não tem dúvidas de que se trata de um serial killer, pelo jeito metódico com que Admar agia e a motivação do crime. O perfil das vítimas é o mesmo. Meninos adolescentes - o único maior de idade tinha rosto de menino. Segundo Juracy Pereira, a pouca idade facilitaria o aliciamento. A abordagem era feita sempre à luz do dia, sem violência, com motivação sexual e desfecho já premeditado: a morte da vítima para eliminar provas contra ele.

As investigações revelaram ainda que, com exceção de uma das abordagens, as demais obedeceram a uma sequência lógica dos dias da semana. "Os desaparecimentos ocorreram, respectivamente, na quarta, segunda, domingo, quarta, segunda, sexta e domingo", pontuou o delegado. "Para mim, esses fatos caracterizam ação de um assassino em série."

Agentes também desconfiam que Admar teve ajuda de outras pessoas nos crimes de Luziânia. Ele nega. A Justiça do estado vizinho do DF mandou prender o acusado por ao menos cinco dias. O tempo pode ser renovado quantas vezes o juiz achar necessário para os investigadores levantarem provas.

No primeiro depoimento informal, na manhã de sábado, Admar não deu muitos detalhes, mas disse ter oferecido R$ 200 a cada um dos seis jovens, em troca de relações sexuais. Alegou ter matado todos a paulada para não ser denunciado, como ocorreu há cinco anos, em Brasília. "Quatro dos seis jovens tinham relacionamento homossexual e em função disso prendemos dois pedófilos que, em princípio, acreditávamos ter envolvimento com os desaparecimentos. Eles continuam presos por crimes cometidos em Niquelândia, mas não são os responsáveis pelos sumiços de Luziânia", afirmou Aredes Pires.


Acima da média

A polícia goiana relutou para abrir investigação sobre os sumiços em série de garotos em Luziânia. A delegacia da cidade só começou a dar atenção ao caso após pressões geradas por uma série de reportagens do Correio - o primeiro a denunciar os desaparecimentos, ainda em 16 de janeiro - e o quinto desaparecimento, ocorrido em 20 de janeiro. Insatisfeitas, as mães dos meninos procuraram o Ministério da Justiça, que em 9 de fevereiro mandou a Polícia Federal dar apoio à Polícia Civil de Goiás. Para o delegado Wesley Almeida, da Divisão de Combate ao Crime Organizado da PF, o pedreiro tem "alto poder de persuasão e provavelmente inteligência acima da média".

Admar passou a madrugada de sábado para domingo preso na delegacia de Luziânia. Revoltada, a população ameaçava invadir o prédio e linchar oacusado. Por questões de segurança, os agentes levaram o assassino confesso dos seis adolescentes de Luziânia para Goiânia. Ele deixou o município do Entorno do DF por volta das 10h30, logo depois de ter apontado os locais onde enterrou os corpos. No início da noite, seguiu para o um presídio de Aparecida de Goiânia, nos arredores da capital do estado. Enquanto isso, em Luziânia, policiais militares tentavam conter a raiva de moradores de Luziânia, que cercavam a casa onde o pedreiro morava com a irmã, o cunhado e dois sobrinhos.


Palavra de especialista

"A primeira coisa é saber que o tipo de crime não diz quem é a pessoa. É preciso fazer a análise da personalidade do sujeito quando ele entra no sistema judiciário para saber se ele é um psicopata. Essas pessoas têm um defeito grave de caráter, são incapazes de considerar o outro. Para ter uma ideia, o psicopata tem uma chance de mais de 70% de reincidir em crimes graves e violentos. O psicopata não tem respeito pelo sentimento do outro, não tem sensibilidade quanto à dor do outro, não se arrepende, não tem remorso nem vergonha do que fez. É extremamente individualista, com necessidades sexuais intensas, normalmente agressivo e vive para sanar seus prazeres. Na vida dos psicopatas, não há constância nas relações. Eles não têm amigos e, normalmente, foram crianças e adolescentes com desvio de conduta grave. Contudo, são muito sedutores, capazes de fazer você pensar que conheceu a melhor pessoa do mundo. A característica de um serial killer não é como ele mata, mas sim quem ele mata."
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NOVAS NOTÍCIAS: 18/04/2010
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Enforcado com Lençol
Pedreiro acusado de matar seis jovens em Luziânia é encontrado morto dentro de cela
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Publicada em 18/04/2010 às 14h54m CBN Goiânia, O Globo


GOIÂNIA - O pedreiro Adimar Jesus da Silva, assassino confesso de seis jovens de Luziânia, município do entorno de Brasília, foi encontrado morto dentro da cela no começo da tarde deste domingo.
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Segundos agentes da Delegacia Estadual de Repressão a Narcóticos, Adimar Jesus da Silva foi encontrado enforcado com pedaços de lençol. Como ele estava preso isolado em uma cela que precisou ser desocupada, a polícia acredita que ele tenha se matado. Equipes do Instituto Medico Legal foram enviadas para o local.
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O pedreiro havia sido preso há 8 dias, quase três meses depois do último assassinato. Os garotos sumiram entre 30 de dezembro e janeiro passado.
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A pergunta que não quer se calar: Psicopata, a priori, não sente culpa. E este se matou?!

terça-feira, 13 de abril de 2010

Vaticano para negar a pedofilia, primeiro tentou usar os judeus e agora investe contra os homossexuais

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O Secretário de Estado do Vaticano, cardeal Tarcisio Bertone, na tentativa débil, grosseira e absurda de afastar da imagem da igreja e de seu clero da responsabilidade nos abusos sexuais praticados contra crianças violentadas, afirmou no dia 12/04 que é o "homossexualismo", e não o celibato, que deve ser relacionado à pedofilia.

Para justificar, o Cardeal Tarcisio Bertone afirmou existir uma polêmica da ciência especializada sobre o tema, onde alguns teriam declarado inexistir uma relação da pedofilia e o celibato e, outros, entretanto, reconheceram uma ligação da homossexualidade a pedofilia.

Òbvio, a cabecinha doentia do Cardeal sugere que celibatários são os padres fieis que seguem os dogmas da casta igreja católica, já aqueles que praticam aberrações contra crianças inocentes são, na realidade, homossexuais odiosos que utilizam batinas. Enfim, a igreja é pura, e a culpa, dos pederastas asquerosos que atuam contra a natureza humana e celestial.

Podre! Nojento! Criminoso!

Esse tipo de defesa à imagem da igreja foi recentemente utilizada no Vaticano pelo Raniero Cantalamessa, que leu na frente do Papa uma carta onde são comparados os «ataques» contra a Igreja, a propósito dos casos de pedofilia, com os «aspectos mais vergonhosos do anti-semitismo», Evidente que, embora a prática seja a mesma, alterando apenas a pontaria para os homossexuais, a reação não se dará a mesma altura e nem o Vaticano retirará o que disse, como fez com os judeus.

Primeiro judeus, agora homossexuais. Quando será que o Vaticano, finalmente, irá parar de dar desculpas infames e passará para auto-crítica?

No meu post anterior, mesmo antes desta ofensiva declaração do Cardeal Tarcisio Bertone, já havia apontado minhas considerações sobre a motivação de tantos crimes sexuais da batina contra crianças inocentes:

A perseguição a homossexualidade e o celibato sacerdotal têm tudo a ver com o assunto. O celibato já deveria ter sido abominado a muito tempo. Diante de todos os escândalos sexuais dentro da igreja, praticados a séculos, e constantemente tornados públicos, deveriam ter provocado na igreja católica uma reflexão, transformando aquilo que é uma obrigação em faculdade. Certamente a maioria destes CRIMES BARBAROS inexistiria. Portanto, sem isentar o padre pedófilo, a igreja possui seu quinhão de responsabilidade.

Tais escândalos sexuais mais explicam que justificam a perseguição a homossexualidade pela igreja. Parece que a igreja imagina que resolve o SEU problema interno, apontando o dedo da culpa para fora. Antes de olhar o rabo alheio, deveria ver e cuidar do seu próprio.
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Não só os católicos, mas também os LGBTs ficam escandalizados quando um padre homossexual é flagrado em atos sexuais com um homem adulto. Não pelo fato do padre ser homossexual, mas pelo o homossexual ser padre da igreja católica!

Quanto ao padre ser pedófilo, sequer procuro resposta na sua orientação sexual. Se resposta há para esta aberração está em outro local: a repressão da igreja em relação a sexualidade dos padres e a facilidade destes reprimidos padres manipularem inocentes crianças seriam as melhores indicações. Toda essa repressão e impulsos sexuais destes padres vão para algum lugar. A igreja tem que fazer seu dever de casa!"

Alguns sacerdotes sofrem uma imensa repressão sexual, aliada a um patente desequilíbrio entre o instrumental psicológico de autocontrole e a intensidade do impulso. No final, ocorrem as aberrações contra crianças que temos notícias.

"A moralidade rígida surge, através do olhar psicanalítico, como fonte de sofrimento psíquico. A repressão dos desejos inconscientes, e sua impossibilidade de simbolização acabam por destruir a ética social pela transgressão abrupta e traumática de seus valores pelo sujeito reprimido. Ao sujeito que escapa desta situação, cabe uma resignação neurótica, ou seja, o adoecimento. “Em suma, sem a repressão a sexualidade, não há sociedade e nem ética, mas a excessiva repressão da sexualidade destruirá, primeiro, a ética e, depois, a sociedade ( CHAUÍ, 2001, P.356)”

Enquanto a Igreja Católica continuar apontando seu dedo sujo para os judeus ou homossexuais, para afastar sua própria culpa, não terá seguradora criada pela mesma que pague as indenizações por abusos sexuais.

De acordo com o Jornal The Irish Times, que cita fonte da Companhia Churchu General “Seguradora criada pela Igreja Católica”, toda vítima de um caso comprovado de abusos sexuais receberá da Igreja Católica uma quantia máxima de 253.900 Euros, que inclui também as despesas legais, no entanto a porta voz da Conferência Episcopal Islandesa, Martin Clarke, reconhece que o fundo não será suficiente para enfrentar futuras ações, sendo um desafio encontrar maneira de financia–lá de acordo com Clarke.

Quer compactuar com atos de pedofilia? Assuma! Mas não culpe os homossexuais pelos seus atos omissos e gestão.
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Não é a homossexualidade que possui relação com a pedofilia. O que assistimos na Igreja Católica e outras religiões comprovam isto. Além da própria igreja católica que fecha os olhos e finge não ver os abusos, temos outras religiões tão absurdas quanto, mas menos hipócritas. O Hamas foi o patrocinador de um casamento em massa para 450 casais. A maioria dos noivos estava na casa dos 25 aos 30 anos; a maioria das noivas tinham menos de dez anos. Grandes dignatários muçulmanos, incluindo Mahmud Zahar, um líder do Hamas foram pessoalmente cumprimentar os casais que fizeram parte desta cerimônia tão cuidadosamente planejada."

A razão da igreja de perseguir e culpar os homossexuais se dá justamente para não olhar para seus falidos dogmas do celibato. Impossível não saber disto. A Igreja quer perpetuar sua dominação, mesmo junto ao seu clero. Dominar o espaço mais íntimo da pessoa pressupõe dominá-lo por inteiro. Disto a Igreja não abre mão, a começar pelos seus padres.
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Celibato, a quem interessa?
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A bem da verdade, risco de se propagar a pedofilia existiria se homossexuais emocionalmente frágeis adotassem os dogmas impostos pela igreja católica, que parece ser uma fábrica de pedófilos em sua própria instituição. Felizmente, sem celibato e culpa, homossexuais vivenciam uma sexualidade sadia. O mesmo não podemos dizer de seus padres...
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foto: AFP

segunda-feira, 12 de abril de 2010

O Fim da "Coluna GLS" da Revista da Folha, do jornal Folha de S. Paulo

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Rita Colaço e Ricardo Aguieiras fizeram muito mais que comentários ao Breve Histórico da Imprensa Homossexual Brasileira. Deram depoimentos que merecem atenção.

Rita resgata a importância de Leila Míccolis, a primeira pessoa a fazer um levantamento da imprensa homossexual.

Por sua vez, Ricardo Aguieiras, traz a lembrança não só as revistas que tiveram um papel muito importante na cultura LGBT (algumas desprezadas por puro preconceito, já que possuiam também caráter pornográfico), como nos remete a uma questão que hoje, particularmente, pulsa forte: a "Coluna GLS" da Revista da Folha, do jornal Folha de S. Paulo encerrou suas atividades, sem uma explicação convincente.

Absolutamente correto e pontual Ricardo Aguieiras. É fundamental que exista acesso de massa as questões LGBTs e que estas não se restrinjam as revistas, sites e blogs exclusivamente direcionadas ao público LGBTs.

É imprescindível que jornais de grande circulação como a Folha de São Paulo, O Globo, Correio Braziliense, O Dia, e tantos outros existentes tragam em seu bojo conteúdo das problemáticas LGBTs, pois só assim o cidadão heterossexual ou LGBT terá ciência daquilo que ocorre e poderá aderir, ou não, a questão que é, antes de tudo, de direitos humanos.

Por estes motivos, para que não passe batido e tenha a importância que merecem, passo a transcrever aqui, na íntegra, os mencionados comentários dos dois colegas ativistas do MGLBT:


Rita Colaço - Blog Comer de Matula e Memória MHB


"A primeira pessoa a fazer um levantamento da imprensa homossexual foi Leila Míccolis - um artigo no Lampião e, anos depois, um Catálogo da Imprensa Independente. Porém, em razão muito provavelmente ao preconceito da academia por trabalhos realizados fora de seus muros, sempre ignorado - o que inclusive possibilita sejam clonados."

Ricardo Aguieira - Blog Dividindo a Tubaina


"Por incrível que pareça, sinto saudades da "Rose" e da "Alone Gay", que eram vendidas plastificadas e meio escondidas, ainda no resto de ditadura em que vivíamos. Sabe por que sinto saudade delas? por que ninguém se preocupou com o resgate das mesmas, como teve o Lampião; denotando moralismo, já que eram, também, pornográficas. Talvez por eu ter vivido tanto o Lampião, pela militância no Somos, que sinto mais saudades dessas que vieram depois e tentaram sobreviver com os leitores morrendo aos montes, de aids.

E penso que também a Sui Generis merecia ter suas edições digitalizadas, todos os números, lá o Trevisan teve um espaço bárbaro, muitas vezes 4 páginas para ele falar tudo, sempre tão divinamente. Nunca mais, nem mesmo nos melhores dias da G Magazine, ele teve tanto espaço... Aliás, a G está numa crise ferrenha e pode fechar definitivamente, também encerrando algo que ainda não percebo bem o que é...

Sei que é muito difícil a gente ter a dimensão do momento atual, presente, em que vivemos, mas hoje, 11 de Abril de 2010 encerrou-se mais um marco de nossa imprensa e isso merece uma discussão maior, por que o motivo não foi explicado: a "Coluna GLS" da Revista da Folha, do jornal Folha de S. Paulo. Eu gostaria muito de saber o por que. Hoje teve a despedida final de Vange Leonel e Vitor Angelo, que se revesavam quinzenalmente... As explicações que eles deram não me convenceram em nada e são meia que superficiais e absurdas. Argumentam que "como tudo cresceu esse diluiu, não há mais a necessidade de uma coluna específica para a homossexualidade". Só falaram isso e eu não sei se isso é uma verdade universal, paramim, essa coluna por onde passaram tanta gente, do André Fischer ao fútil Duílio Ferronato, Vitor Angelo que fazia um bom trabalho e ótimos questionamentos e tudo o que a Vange escreveu, importante demais. Briguei com todos... risos.... mas não perdi uma única que fosse... Na verdade, não explicam o por que do fim.

Me dói muito quando as coisas acabam assim, roubando nossos referenciais, foram mais de l0 anos de uma coluna que já tinha virado uma "amiga" e que fazia pensar..."

A despedida da coluna GLS na Revista da Folha de São Paulo:
"Hasta la vista
por Vange Leonel


Não gosto de despedidas. Ainda que me alivie pensar que os ciclos se fecham, e realmente desejo e espero que seja assim, despedidas formais me deixam constrangida. Adoraria escrever um texto de encerramento como se fosse uma simples coluna de meio de temporada. Mas é impossível: tenho que fechar o ciclo.

Comecei a assinar a parte feminina da coluna GLS, na Revista, há nove anos. Desde o início, me empenhei em construir pontes entre héteros e homossexuais, tentando apontar para o que nos é comum. Nunca acreditei que gays e lésbicas fossem excepcionais ou merecessem direitos especiais. Neste espaço pedi apenas o justo: os mesmos direitos já assegurados aos heterossexuais. Mas não foi só sobre direitos devidos que tratei.

Houve tempo e pretexto para os mais variados assuntos: de macacas bonobos a video games, darwinismo e feminismo, tolices e tragédias.

Foi uma delícia escrever nesta seção plural e pioneira. Raros são os jornais com uma coluna de opinião focada na homossexualidade. De minha parte, degustei e abusei: nunca antes neste país a palavra lésbica foi escrita e reescrita por uma lésbica tantas e repetidas vezes.

No fundo, torço para que não precisemos mais de guetos ou espaços exclusivos e excludentes. Percebo o assunto migrar com naturalidade para outras áreas do jornal. Migrarei também para onde haja um novo começo."

Discordo de Vange Leonel que dá a entender, em seu último parágrafo que a coluna era um espaço exclusivo e excludente. Não era. Estava a vista de todos, para todos, sem ser exclusivo ou excluindo ninguém. Uma perda inaceitável esse assassinato da coluna!

sexta-feira, 9 de abril de 2010

O bom acaso: BREVE HISTÓRICO DA IMPRENSA HOMOSSEXUAL NO BRASIL

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Depois de perder um post grande, cheio de detalhes, com inúmeras referências e transcrições sobre um tresloucado Deputado Federal que apresentou projeto de lei que pretende proibir a adoção por casais homossexuais resolvi, por total falta de paciência e falta de estomago, desisti do texto e resolvi trazer algum outro tema, que fosse igualmente interessante, mas já pronto e realizado por outra pessoa! rs

Estava lendo o extinto e famoso jornal "O LAMPIÃO" e, nele, uma matéria que mencionava uma situação absurda passada pelo jornalista Celso Cúri, autor da 'Coluna do Meio', na década de setenta, do Jornal Ultima Hora. Celso Cúri foi demitido do jornal e processado Superitendente da Policia Federal do Departamento de São Paulo pela justiça paulista por "ofender a moral e os bons costumes", isto porque ousou destinar sua coluna a homossexualidade!!!

Prepara-se para ler a razão do processo! Os absurdos são tão assustadores! Imagina que o promotor público designado para o processo desginado para o processo comunicou ao Juiz de Direito da 14a. Vara Criminal que o jornalista ofendeu, "de modo contínuo, no período compreendido entre 5 de fevereiro e 18 de maio de 1976, a moral pública e os bons costumes" na coluna do Meio, "cujo o nome não deixa dúvidas quanto ao assunto tratado, o homossexualismo que é claramente exataldo, defendendo-se abertamente as uniões anormais entre seres do mesmo sexo, chegando inclusive a promovê-las através da seção Correio Elegante."

Diante disto, que oportunamente voltarei a escrever, fui em busca da história do jornalismo homossexual no Brasil e encontrei na Biblioteca On-line de Ciências da Comunicação um excelente artigo que nos fornece um breve histórico sobre essa questão.

Segue abaixo o texto, que reproduzo ipsis litteris, deleite-se:



Marcus Antônio Assis Lima

1. A imprensa alternativa


No Brasil dos anos 1960 e 1970, movimentos de contracultura começam a corroer os alicerces do comportamento social, abrindo espaço para uma rebeldia nos costumes. Com a ditadura militar, houve uma miscigenação entre esses movimentos e os ideais político-democráticos e populares. Nesse contexto, surge uma imprensa alternativa [1] , que tinha como fundamento comum a oposição intransigente ao regime militar. Nos primeiros quinze anos de ditadura, entre 1964 e 1980, nasceram e morreram cerca de 150 periódicos, que circulavam na periferia do subsistema editorial. Alijados da verba publicitária, apelavam para posições políticas radicais, à época.


Havia, essencialmente, duas classes de jornais alternativos. Alguns eram predominantemente políticos, baseados, grosso modo, nos ideais de valorização do nacional e do popular dos anos 50 e no marxismo vulgarizado nos meios estudantis dos anos 60. Esses periódicos eram, no geral, pedagógicos e dogmáticos.


Uma outra classe de jornais foi criada por jornalistas que rejeitavam a primazia do discurso ideológico-militar. Estavam mais voltados, segundo Kucinski, à crítica dos costumes e à ruptura cultural, “tinham suas raízes nos movimentos de contracultura norte-americanos e, através deles, no orientalismo, no anarquismo e no existencialismo de Jean-Paul Sartre.” (KUCINSKI, 1991:xiv-xv) Investiam principalmente contra o autoritarismo na esfera dos costumes e no alegado moralismo da classe média. Introduziram no Brasil temáticas da contracultura:


“A imprensa alternativa/nanica ou de underground esteve à margem do processo editorial do mercado (...) essa imprensa, literatura banida, perseguida, acuada, coincidiu com os anos do grande florescimento do milagre econômico brasileiro. E o lugar da literatura no meio dessa sociedade da iniqüidade está perfeitamente traduzido nessa imprensa que lutou sem fazer parte do mercado e do processo econômico. Ela nasceu dentro de uma sociedade que se industrializou rapidamente e é um reflexo do desprezo profundo que o sistema tem pela inteligência e pela cultura.” (FERNANDES, 1987:9)


Dentro desse contexto, é que localizamos o surgimento daquele que pode ser considerado o primeiro veículo de comunicação de massa voltada diretamente para a discussão franca e aberta dos direitos das minorias (negros, índios, mulheres) e, principalmente, da homossexualidade, no Brasil: Lampião da Esquina, com edição mensal e tiragem de 20 mil exemplares. Foi diante do constrangimento e preconceito latente que um grupo de jornalistas viu, em fins da década de 1970, a oportunidade certa para fazer valer seus ideais democráticos. Foi um período em que a discussão a respeito da sexualidade tomou de assalto o panorama cultural e político, com os novos ventos da redemocratização e o fim da censura prévia. A era das rupturas influenciava o nascimento de uma imprensa altamente especializada, segmentada e de caráter militante, representada pelo jornal Lampião.


Antes, em 1961, surge o que talvez possa ser considerado o primeiro jornal homossexual do Brasil: Snob, criação de Agildo Guimarães. Mimeografado e distribuído entre amigos, era mais um colunismo social que um veículo de discussão de idéias. Entre os anos 60 e início dos 70, circularam no Rio de Janeiro mais de quinze títulos: Snob, de Gilka Dantas, Le Femme, Subúrbio à noite, Gente Gay, Aliança de Ativistas Homossexuais, Eros, La Saison, O Centauro, O Vic, O Grupo, Darling, Gay Press Magazine, 20 de Abril, O Centro e O Galo. Em Niterói, surgem Os Felinos, Opinião, O Mito e Le Sophistique [2] .


Fora do Rio de Janeiro, a imprensa homossexual se mostrou mais vigorosa em Salvador. Lá, o mais ativo jornalista homossexual foi Waldeilton di Paula, que edita, entre outros: Fatos e Fofocas (1963), de exemplar único que circulava de mão em mão até voltar ao ponto de origem, quinzenal e que durou até 1967; Zéfiro (1967), datilografado; Baby (1968), também datilografado, com 50 exemplares reproduzidos por cópias xerox; Little Darling (1970), que saía com tiragem de cem exemplares, diferenciava-se dos demais por apresentar, além das fofocas da comunidade homossexual baiana, crítica de cinema e teatro e acontecimentos homossexuais fora da Bahia, sendo que, em 1978, passa a se chamar Ello. Nesse mesmo período, outro jornalista, Frederico Jorge Dantas, tentava impor um novo conceito à imprensa homossexual, até então limitada a um pastiche do colunismo social: ele edita e distribui informalmente os cadernos Eros, com 150 exemplares, e Entender. Sobre estes dois últimos, diz José Alcides Ferreira:


“Entender se crucificou entre tantos ‘roteiros’ e mau-caratismo, (...) os travestis invadiram todas as páginas e sujaram a barra (...) Eros animou um pouco pela diferença sobre os demais, mas foi obrigado a deixar de existir pela falta de entendimento com os ditos ‘representantes’ do colunismo homossexual do Rio de Janeiro.” (cf. LAMPIÃO, 1978, 2:14, grifos do autor)


Entre 1962 e 1964 houve, inclusive, o funcionamento de uma Associação Brasileira de Imprensa Gay, dirigida por Agildo Guimarães e Anuar Farah, no Rio de Janeiro, que foi fechada pelo regime militar.


Em 1976 começa a sair diariamente no jornal Última Hora, de São Paulo, uma coluna de cunho informativo, social e burlesco, fora da imprensa alternativa: é a Coluna do Meio, do então jornalista Celso Curi. Nessa coluna, Curi brincava com personagens de criação própria, contava piada, noticiava acontecimentos sociais e publicava um “Correio Elegante”. Uma particularidade a tornava um fato inusitado na imprensa brasileira: era dirigida aos homossexuais. De 30 a 40 cartas chegavam à redação, de todas as partes do país. Algumas para o “Correio Elegante”, outras de solidariedade. Leitores enviavam opiniões gerais, às vezes agradeciam o espaço conquistado. Outras cartas traziam admoestações ou partiam para a agressão direta. A “Coluna do Meio” acabou recuando no progresso alcançado, tendo em vista a pressão de grupos econômicos, leitores e, ainda, um processo penal que o jornalista teve de enfrentar por atentado ao pudor. Durou até novembro do ano seguinte, quando foi extinta pela própria direção do jornal.


Na imprensa alternativa, Beijo (1977) foi o primeiro a discutir a sexualidade como seu principal tema. O jornal lançou o primeiro grande ataque contra o preconceito com que a homossexualidade era tratada, principalmente na mídia. Em resposta à concepção de homossexualidade de O Pasquim, trouxe em um editorial:


“A imprensa ‘progressista’ não costuma incluir a sexualidade na sua lista dos dez mais (...). No seu número 436, o Pasquim resolveu falar do homossexualismo. Posição liberal: falar de ‘temas proibidos’. O Pasquim dá um destaque especial à imprensa gay. Falando dela, o jornal reafirma que não é ela (...) simulando liberar, quando a imprensa progressista tratava da homossexualidade era apenas para lhe indicar rapidamente o seu lugar no meio social.” (BEIJO, 1977:editorial)


A temática do prazer privilegiada nas páginas de O Beijo, que antecipou a iniciativa de Fernando Gabeira, não foi bem recebida pelos outros alternativos; saíram apenas seis edições.




Para Bernardo Kucinski, “na origem de cada projeto alternativo havia, invariavelmente, um episódio de fechamento de espaços na grande imprensa.” (KUCINSKI, 1991:xvi) Esse parece ter sido um dos motivos que levaram à criação do primeiro alternativo voltado para os homossexuais, Lampião (inicialmente chamado Lampião da Esquina, tendo abreviado para Lampião já no segundo número). Editado por nomes como Aguinaldo Silva, Clóvis Marques, Darcy Penteado, Jean-Claude Bernadet, João Silvério Trevisan, Peter Fry, entre outros, o jornal trazia, em seu primeiro editorial, a justificativa para sua publicação:


“A idéia de publicar um jornal que, dentro da chamada imprensa alternativa, desse ênfase aos assuntos que esta considera ‘não-prioritários’ (...), mas um jornal homossexual, para quê? (...) nossa resposta é a seguinte: é preciso dizer não ao gueto e, em conseqüência, sair dele (...) e uma minoria, é elementar nos dias de hoje, precisa de voz (...) Para isso, estaremos mensalmente nas bancas do país, falando da atualidade e procurando esclarecer sobre a experiência homossexual em todos os campos da sociedade e da criatividade humana.” (LAMPIÃO, 1978:2)


Lampião começou “elegante e terminou pornográfico” (KUCINSKI, 1991:84). Sua circulação coincidiu com a explosão pornográfica no país, em decorrência da distensão política, do fim da censura formal e por uma demanda reprimida por pornografia. Foi também uma época em que a homossexualidade começou a ser “assumida e aceita no Rio de Janeiro como em nenhum outro lugar do mundo.” (idem, 1991:83) Circularam 31 números, até junho de 1981. Assim como os jornais femininos que surgiram na época, seus jornalistas foram se constituindo num grupo ativista específico.


O jornal, em tamanho tablóide, era impresso em preto e branco. Trazia reportagens com personalidades não necessariamente homossexuais, contos, críticas literárias, de teatro, cinema etc. Grande destaque era dado às cartas dos leitores, que se tornavam legítimos espaços de visibilidade para a comunidade. Pequenas notas contra os atos preconceituosos da sociedade eram constantes. Assim como ataques diretos a homófobos ou quem agisse de modo politicamente incorreto (embora não se usasse tal terminologia à época) em relação aos homossexuais. Já nos números finais, o jornal começou a publicar fotos eróticas, o que antes evitava. Com essa transferência do enfoque, Lampião perdeu a credibilidade, já que pornografia a indústria cultural produzia melhor e mais barato. Embora tenha durado pouco, o jornal marcou a imprensa brasileira pelo seu vanguardismo nas posições defendidas.


A partir daí, a imprensa homossexual brasileira foi tomada pelo pornográfico. Dezenas de publicações surgiram explorando o nu masculino. Primeiramente, disfarçadas em revistas como Naturismo, que pregava a vida saudável e o fisiculturismo; aprimorou-se, depois, em publicações específicas, especialmente em São Paulo. Surgiram as revistas Gato, Alone Gay, Young Pornogay, entre outros títulos. Mesmo revistas não-gays, como Rose, chegaram a publicar, na seção de cartas, uma coluna dedicada aos anúncios homossexuais, reeditando o Correio Elegante, de Celso Curi. Embora impregnados de pornografia, alguns desses periódicos traziam artigos que buscavam discutir questões ligadas à homossexualidade.


Na década de 1990, a publicidade, principalmente a norte americana, começa a utilizar uma “estética gay” em alguns de seus produtos. Aqui, há dois aspectos a serem analisados. O primeiro é quando as grandes companhias vão atrás de um “mercado” gay e o outro é quando implementam temas ou representações gays na publicidade. Dependendo de como são definidas as representações do gay na publicidade, por exemplo, se olharmos para o travestismo como uma representação gay ou como uma referência do “ser gay” veremos que o uso dessa estética começou há muito tempo. No entanto, se olharmos de uma forma mais específica e explícita, como a representação de casais e situações inconfundivelmente gays, essa apropriação pela publicidade é mais recente.


A primeira real representação de um casal gay, na rede televisiva norte-americana, foi feita em um comercial da loja de móveis Ikea, em 1984. A campanha esteve no ar em não mais que três ou quatro canais, e apenas depois das 22 horas, mas causou uma sensação generalizada, porque ninguém, até então, havia sido tão ousado e objetivo quanto ao tema. Virou notícia em todo o mundo. (REVISTA DA CRIAÇÃO, 1998:27) Na mídia impressa, algumas divulgações importantes aconteceram mais ou menos na mesma época, como um catálogo da Banana Republic com uma foto sensual de dois homens, criado por Sam Shahid e fotografado por Bruce Weber. Essa dupla já havia feito trabalhos para a Calvin Klein e introduziu, nos Estados Unidos, a aceitabilidade do corpo masculino na publicidade. (REVISTA DA CRIAÇÃO, 1998:28) Contudo, o mercado gay vem sendo identificado há 15 ou 20 anos. Algumas grandes empresas já haviam começado a veicular anúncios na mídia gay, principalmente na área de entretenimento, cinema, música e bebidas, até que, com a explosão da Aids, resolveram retroceder com medo das reações homofóbicas que surgiram nos primeiros anos. Essa retração durou da metade da década de 80 até a metade da década atual. Através de pesquisas, a publicidade constatou que o público gay ganha mais dinheiro que a média do grande mercado, que tinha mais escolaridade e que consumia mais. Esse foi um passo fundamental para atrair a atenção do mercado publicitário.


Até aqui temos feito referência a anúncios convencionais na mídia gay e a etapa seguinte da apropriação de uma estética gay foi o surgimento de anúncios com temática gay. A partir do momento que começa a haver uma competição considerável entre as categorias de empresas anunciantes, foi preciso que elas buscassem diferenciar-se entre si, o que as teria levado a procurar “falar” de uma forma mais direta com o público leitor das revistas gays. Os fabricantes de cerveja foram os primeiros a veicular anúncios especialmente criados para a mídia gay. Miller, Budweiser e Coors fizeram um esforço para se aproximar do gay, adotando a linguagem desse público. (REVISTA DA CRIAÇÃO, 1998:30-31) No Brasil, a publicidade voltada para o público homossexual caminha bem mais devagar e, ao folhearmos as publicações gays editadas no país, veremos que apenas anunciantes como gravadoras e distribuidoras de cinema anunciam nessa mídia específica. Não podemos, entretanto, nos esquecer dos anúncios vindos das atividades mercantis propriamente gays. Parece-nos que a questão econômica é um fator primordial para conferir maior visibilidade à comunidade gay. Uma expressão é cunhada pelos publicitários norte-americanos para definir essa “nova” parcela de consumidores: dink (double income, not kids), ou seja, os casais gays possuem duas fontes de renda, e nenhuma criança. Assim, um novo mercado econômico [3] , voltado para essa comunidade, se desenvolve rapidamente. Segundo pesquisas (REVISTA DA CRIAÇÃO,1998:34), esse pink market possui um alto poder aquisitivo, maior, inclusive, que o dos heterossexuais nas mesmas circunstâncias [4] .

3. A imprensa gay


Com a explosão da Aids, que propiciou a abertura da mídia para a discussão da sexualidade [5] , de modo geral, e especificamente da homossexualidade, surgiram publicações com o intuito inicial de alertar a comunidade e discutir as implicações da síndrome na vida social. Surgem, assim, os boletins de grupos ligados diretamente à Aids, como o Boletim Abia, da Associação Brasileira Interdisciplinar da Aids; o Boletim Pela Vidda, publicação do Grupo Pela Vidda, entre outros, chegando ao Voz Posithiva, editado pela organização não-governamental “Gestos”, voltado exclusivamente para os infectados pelo vírus. Outra publicação, Saber Viver, surgida em 1999, também se destina às pessoas que vivem com o vírus HIV. Fora esses surgem também jornais/revistas de cunho mais cultural e de lazer como o Ent& (1994), distribuído apenas por assinaturas; o Grito de Alerta (1994), de Niterói, e o Nós por Exemplo (1992), editado pelo “Grupo Noss”. Este, inclusive, traz como encarte o caderno Agaivê Hoje, específico sobre temas relacionados à Aids.


No boom mercadológico em que se transformou a cultura gay, no final do século XX, o surgimento de uma revista, no mercado editorial brasileiro, em janeiro de 1995, veio mostrar que era possível a edição, com sucesso, de uma publicação de público restrito e temas específicos: a revista Sui Generis, que colocava mensalmente nas bancas de todo o país 30 mil exemplares. Em entrevista à Sui Generis, Aguinaldo Silva, um dos fundadores de Lampião, admite que aquele “era um jornal alternativo, Sui Generis, por exemplo, não é uma revista alternativa. Hoje em dia pode-se chamar isso de imprensa.” (SG, 1997:19).


Como aconteceu no final dos anos 1970, “quando a imprensa alternativa sofreu outra derrota, (...) os grandes jornais resolveram fazer profissionalmente o que era feito de maneira amadora” (FERNANDES, 1987:11). A grande imprensa descobrira o filão. Alguns jornais começam, então, a produzir ao menos uma página semanal dedicada ao público GLS [6] . É o caso da Folha de S. Paulo, que possuía uma coluna estritamente gay, depois foi ampliada para a página Noite Ilustrada, sob responsabilidade da jornalista Érica Palomino. Em Minas Gerais, o jornal O Tempo publica, aos sábados, a página Magazine GLS.


A experiência da revista Sui Generis deu certo e rendeu frutos. Hoje, pode-se encontrar vários títulos específicos para o público GLS nas bancas (de revistas pornográficas e títulos voltados para drags e lésbicas). Uma publicação, dentre essas, tem feito bastante sucesso, inclusive com o público feminino: a G Magazine (1998), que se utiliza de artistas, jogadores de futebol e modelos famosos em ensaios fotográficos de nu masculino. Fez tanto sucesso que várias outras revistas explorando o nu masculino surgiram, tanto publicações gays como aquelas que se intitulam “femininas” , como Gold (1999), voltada para o público gay e Íntima (1999), para mulheres e sem nu frontal. A própria Sui Generis, detectando a segmentação cada vez maior do mercado, lançou a revista Homens (1998), com a qual poderia atingir esse público ao publicar nus, anúncios de garotos de programa e criar uma seção de cartas para trocas sentimentais, assuntos não abordados na Sui Generis por questão de linha editorial.


A revista Sui Generis encerrou suas atividades em março de 2000 porque, segundo entrevista de Feitosa, ele estava cansado de “renegociar as dívidas todos os meses. Essa tinha virado minha principal preocupação. O jornalismo estava ficando em segundo plano.” (VEJA, 19/04/2000:102) Nessa entrevista, o editor cria uma expectativa sobre a possibilidade de continuação de Sui Generis, agora como revista on-line, na rede mundial de computadores, que não acarretaria em custos maiores com impressão e distribuição da revista. A outra revista do grupo, Homens, de nu masculino, continua saindo mensalmente. Se logo depois do lançamento de Sui Generis as outras publicações que apareceram eram vistas como concorrentes imediatas – e a revista seria o “modelo” a ser alcançado –, com seu fim o público homossexual brasileiro viu-se novamente quando da época do fechamento de Lampião: apenas revistas dedicadas ao nu masculino dominam o mercado editorial gay atualmente.


Mesmo assim, a grande imprensa e mesmo uma editora voltada para o segmento de livros (Edições GLS) dão continuidade ao projeto de “sair do gueto” proposta ainda em tempos do jornal militante Lampião. Para os usuários dos serviços da Internet, entretanto, páginas voltadas para o público homossexual surgem a cada dia como, por exemplo, os sites encontrados nos seguintes endereços eletrônicos: http://www.supersite.com.br;/, http://www.zeekclip.com.br;/ http://www.glsite.com.br;/ http://www.mixbrasil.com.br/, entre vários outros.


4. BIBLIOGRAFIA


BEIJO (1977), Rio de Janeiro: Editora Boca, nº. 2, Dez.
CASTELO BRANCO, Adriana & CERQUEIRA, Sofia (1995). “O Toque de Midas é cor-de-rosa” . In: Jornal do Brasil (Revista de Domingo), ano 20, nº 1016, 22 de outubro, pp. 30-38.
DAHIR, Mubarak (2000). It pays to love womem. The Advocate, 4 de julho.
ENT& (1994). Rio de Janeiro: Editora Tribo, nº. 5, pp.13-15.
FERNANDES, Millôr (1987). “Imprensa Alternativa & Literatura - os Anos de Resistência”. Centro de Imprensa Alternativa e Cultura Popular, Rio de Janeiro: RioArte.
KUCINSKI, Bernardo (1991). Jornalistas e revolucionários da imprensa brasileira. São Paulo: Escrita Editorial.
LAMPIÃO (1978), Rio de Janeiro: Editora Codecri, ano 0, nº. 0.
REVISTA DE CRIAÇÃO (Meio&Mensagem) (1998), São Paulo, ano 4, nº. 44.
SUI GENERIS (1995-1998), Rio de Janeiro: Editora Tribo, nº.1-41.
VEJA, 19 de abril de 2000.


[1] A expressão “imprensa alternativa” teria sido cunhada por Alberto Dines, conforme citado em KUCINSKI, 1991. O termo “alternativa” contém quatro dos significados que podem explicar esse tipo de imprensa: “o de algo que não está ligado a políticas dominantes; o de uma opção entre duas coisas reciprocamente excludentes; o de única saída, para uma situação difícil e, finalmente, o do desejo das gerações dos anos 60 e 70 de protagonizar as transformações sociais que pregavam.” (KUCINSKI, 1991:XIII)
[2] Esse levantamento e os dados que seguem foram feitos nos 31 números que circularam de Lampião.
[3] Sobre os negócios voltados para o público gay, ver, por exemplo, CASTELO BRANCO & CERQUEIRA, 1995:30-38.
[4] Em oposição a esse “mito da superioridade”, DAHIR (2000) afirma que estudos recentes “mostram que as lésbicas ganham mais que as mulheres heterossexuais enquanto os homens heterossexuais têm melhores salários que seus colegas gays.”
[5] Para uma discussão acerca das relações entre a Aids e a mídia pode-se consultar, entre outros, FAUSTO NETO, 1999 e CARVALHO, 2000.
[6] A sigla GLS (gays, lésbicas e simpatizantes), cunhada pelo jornalista André Fischer, entrou no jargão jornalístico e caiu no gosto popular, talvez por ser mais abrangente que a denominação gay.

Fonte:
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