O presente blog se propõe a reflexão sobre os Direitos Humanos nas suas mais diversas manifestações e algumas amenidades.


domingo, 16 de maio de 2010

Dia Nacional de Combate à Homofobia


"A essência dos Direitos Humanos é o direito a ter direitos"
Hannah Arendt


Hoje estive presente ao Ato de Manifestação do Grupo Arco-Íris em Ipanema contra a homofobia.
/
O número de efetivo participantes não era abundante, pelo contrário, não passava de 80 ou 100 pessoas, mas praticamente se bastava. Bastante efusivos, barulhentos (apitos) e divertidos.

A maior participação era do Núcleo Jovem Arco-Íris, que acorrentados, com cara pintadas e apitos, faziam maior rebuliço na Av. Vieira Souto, entre os bumbos repercutidos de um imenso tambor que guerreiramente era tocado por uma bastante jovem lésbica, de pouco mais de metro e meio, de aparência frágil e delicada, mas que descalça, batia aquilo parecendo que tava com o diabo no corpo (no bom sentido). Uma moça que, animadamente, andava de perna de pau parecia o abre-alas que conduzia a todos, e eram dos jovens gays também que vinham os gritos de ordem. Em frente a praia da Farme de Amoedo pararam e se dirigiram para a galera praiana que, no máximo, olhava curiosa, entretanto, sem aderir./

Os jovens gays eram fashions, alguns usavam shortinhos curtinhos, minissaia e outros bermudões, num traje típico para quem está numa orla carioca. Todos tinham o charme próprio que só a juventude possui.

Não havia quem passasse que, pelo menos, não parasse um minutinho. Mas o mais importante, para TODOS transeuntes os jovens entregavam um impresso, espécie de carta a população, no qual se apresentavam e explicavam o significado daquele ato na praia.

Uma extensa carta, bem redigida, esclarecia que o mundo inteiro celebra no dia 17 de maio a retirada da homossexualidade da Classificação Internacional de Doenças pela OMS e que o Grupo aproveitada a solenidade do Dia Mundial de Combate à Homofobia para conscientizar a população.

Nestas espécies de manifestação o que este Grupo específico me chama atenção são os detalhes de sua organização e a maneira de tentar uma comunicação com o povo. Isto não chega a ser uma novidade, este mérito não é restrito na atual presidência da lésbica Gilza Rodrigues, já era assim no tempo em que o Cláudio Nascimento era militante e presidia a referida ONG.

Após os protestos marcados pelas palavras da Presidente do Grupo Arco-Iris, Gilza Rodrigues, foi a vez do superitendente Claudio Nascimento (SUPERDIR do Governo do RJ) se pronunciar, prometendo, mais uma vez, o cumprimento das velhas promessas já feitas e não realizadas pela Benedita da Silva, quando ainda exercia o papel de Secretária de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEASDH). Nascimento, garantiu um grande investimento do Governo do Estado, inclusive os Centros de Referências, e que tudo sairia do papel até o dia 28 de junho.
/
Lealdade deveria ser o nome do nosso ex-ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, que mais uma vez deu mostras de sua fidelidade aos ideais anti-discriminatórios, prestigiando o evento e a confiança depositada por todos aqueles jovens. Minc, ressaltou a importância para o país que no regime democrático que seja assolada a discriminação, não só contra lésbicas, gays, bissexuais e transgêneros, mas qualquer um a quem seja dirigido o preconceito. E, evidente, fez referência as igrejas que ainda se debruçam para impedir que isto ocorra, com a ressalva daquelas duas que estavam presentes ao ato.

Verdade, além dos jovens do Grupo Arco-Íris, o segundo maior segmento me pareceu ser dos integrantes da Igreja Cristã Contemporânea. André Sena também se manifestou na qualidade de membro representante da Igreja, sendo bastante aplaudido ao final.

Fiz as fotos, de forma rudimentar, através do aparelho celular. Não havia levado a câmera. Mas ainda assim, uma foto em especial gostei muito: o cartaz de LUTO PELA HOMOFOBIA, apontando os números de homicídios ocorridos no ano de 2009 e os que foram contabilizados até a presente data.
/
As mãos em oração de uma lésbica negra, em frente ao cartaz de luto, como se representassem as orações e expectativas de tantos corações LGBT de um dia pararem de contar seus mortos.


Fotos: Carlos Alexandre/Direitos Fundamentais LGBT

Grupo Arco-Íris organiza Ato pelo Dia Mundial de Combate à Homofobia - 16 de maio (domingo) - Ipanema/RJ


Hoje apenas divulgando:

"O Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT fará um ato no dia 16 de maio, às 14h, pelo Dia Mundial de Combate à Homofobia, com concentração na Avenida Vieira Souto com Vinicius de Moraes, em Ipanema. Será uma grande marcha para lembrar os 20 milhões de brasileiras e brasileiros assumidamente lésbicas, gays, bissexuais, travestis ou transexuais - LGBT – que têm direitos humanos, civis, econômicos, sociais e políticos violados.

Durante o ato, serão distribuídos cartões do projeto do Núcleo Jovem do Grupo Arco-Íris “Lei de Bolso” (com leis municipais e estaduais para LGBT). Haverá ainda apresentação do Grupo Teatral Diversidade (En)Cena, do Centro de Teatro do Oprimido, marcha solene, batucada da bateria de percussão da Marcha das Mulheres e outras manifestações artísticas. O ato reunirá diversas organizações LGBT do Estado e entidades de direitos humanos unidos na reivindicação para a urgente aprovação do PLC 122/06, que criminaliza a homofobia no Brasil. O evento tem apoio do Governo do Estado, pela Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos da Secretaria de Assistência Social e Direitos Humanos.

“Segundo pesquisa recente do Grupo Gay da Bahia (GGB), a cada dois dias um LGBT é morto no Brasil. Este ato será uma grande prévia da Marcha Nacional LGBT de Brasília, que ocorrerá no próximo dia 19 de maio e terá presença de diferentes atores do movimento LGBT de todo país para reivindicar, entre outros assuntos pertinentes à cidadania LGBT, a aprovação do PLC 122, lei que criminaliza a homofobia, e a lei de união civil”, realça a Presidente do Grupo, Gilza Rodrigues.

“Este momento é muito importante para que todos nós estejamos firmes no enfrentamento à homofobia. Muitos LGBT estão sofrendo neste momento discriminação em alguma parte do mundo. Esta luta mundial é sinal de que o nosso amor já ousa dizer seu nome e exigem legislações que tornem crime a prática de discriminação e violência contra LGBT. Por esta razão, o Governo do Rio de Janeiro elaborou o programa Rio Sem Homofobia reúne uma série de serviços na área governamental em prol do combate à violência e discriminação contra Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais, além de promover a cidadania dessa população no Estado do Rio de Janeiro”, explica o Superintendente de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos do RJ, Cláudio Nascimento.

Dia Mundial de Combate à Homofobia

Em 17 de maio é comemorado o Dia Mundial de Combate à Homofobia (ódio, agressão, violência contra Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais – LGBT). A data é uma vitória do Movimento LGBT que conseguiu retirar a homossexualidade da classificação internacional de doenças da Organização Mundial de Saúde (OMS), em 17 de maio de 1990.

Venha, traga seus amigos. Vamos dar um basta à homofobia no Brasil!
/
Informações para a imprensa:
Target Assessoria de Comunicação - Márcia Vilella Marcela Prior - 21 2234 9621 8158 9715 8158 9692 8871 7372"

sexta-feira, 14 de maio de 2010

A justiça para vítimas homossexuais se transforma em justiça para 'vítimas' de homossexuais. Um peso e duas medidas!

/

Garoto de Programa que confessadamente assassinou a tesourada um cabeleireiro gay e tentou esconder o cadáver na mala do carro foi sentenciado a uma condenação abaixo da pena mínima, em 5 anos de reclusão e já iniciando em regime semiaberto, ou seja, livre na parte da manhã e tarde e somente dorme na prisão, por enquanto...

Lhe soa estranha esta decisão do júri popular?

O garoto de programa, Olívio Lordelo, de 19 anos, que tirou a vida de um homossexual, a base da tesourada no pulmão e na artéria aorta, e tentou ocultar o cadáver na mala do carro foi condenado a 5 anos de reclusão com regime semiaberto, portanto, só vai dormir no xadrez, e como se sabe, nem cinco anos serão, pois mesmo antes da liberdade provisória há também a progressão do regime de semiaberto para o aberto, ou seja, livre mesmo...

Dois daqueles garotos arruaceiros e burgueses, que possuíam menos idade que o assassino confesso em questão, que agrediram e humilharam a empregada doméstica Sirley, na Barra da Tijuca, ferindo-a no braço, tiveram penas que variaram entre 7 anos e quatro meses e 6 anos e oito meses, ambos em regime fechado, ou seja, foram direto para o presídio. A empregada doméstica não foi hospitalizada, internada e nem teve ceifada sua vida.

Cinco anos, em regime semiaberto, para um assassino confesso e mais de sete anos, em regime fechado, para uma agressão física?! Por quê?

Um detalhe. Mesmo essas penas para os agressores da empregada doméstica Sirley foram impugnadas e o Ministério Público ainda recorreu para aumentá-las para 15 anos.

O valor da vida de uma vítima homossexual possui menos importância e valor que a injusta lesão corporal sofrida por uma mulher?

Utilizo este paradigma, não para desqualificar a gravidade do fato sofrido pela mulher agredida, mas para comparar os valores utilizados pela justiça e pelo corpo do júri, quando a vítima da grave discriminação se trata de um homossexual.

Também não faço apologia à pena severa, até porque a cadeia pública é aquilo que conhecemos. Não ressocializa, pós-gradua o criminoso na marginalização, aumentando sua periculosidade.

O conteúdo das provas técnicas deste assassinato não foi revelado, portanto, não cabe aqui questioná-lo.

Mas alguns fatos foram amplamente divulgados, entre eles, a sentença de pronúncia e o julgamento do júri popular, em que o próprio assassino confessou as tesouradas no pulmão e na artéria aorta, além que, como comumente ocorre em situação tais, não houve qualquer testemunha que presenciasse o fato, inclusive o alegado pelo criminoso.
/
Nos jornais foi esclarecido que se tratava de Ronan Ferreira, do dono do salão Ronan Cabeleireiros, localizado em uma galeria da Rua Barata Ribeiro, em Copacabana, a vítima que foi morta aos 48 anos, depois de ser desferido com facadas, na noite do dia 2 de março de 2009, após um encontro marcado com o garoto de programa, com quem foi a um cinema da Barra da Tijuca. O Garoto de programa também exercia a profissão de modelo e tinha anteriormente exercido a profissão de segurança e professor de música.

Seu corpo foi encontrado na madrugada do dia seguinte, na mala do seu próprio carro, um Jeep Cherokee preto. Câmeras instaladas no shopping gravaram imagens do réu em companhia da vítima na noite do crime.

O 4º Tribunal do Júri do Rio de Janeiro condenou o garoto de programa Olívio Lordelo Pastore a cinco anos de reclusão, inicialmente em regime semi-aberto, pela morte do cabeleireiro. Por maioria de votos, os jurados, cinco mulheres e dois homens, consideraram que o acusado praticou o crime sob o domínio de violenta emoção, em virtude de injusta provocação da vítima.

Antes de chegar à deliberação deste júri, constatamos que na pronúncia o garoto de programa disse pessoalmente para o juiz no interrogatório que não existiam testemunhas, mas que o homossexual assassinado foi se insinuando, indo para cima dele e quando ele, o garoto de programa, tentou abrir a porta do carro para sair, o gay teria dado uma espécie de gravata, puxando-o para dentro do carro, quando então ele pegou uma tesoura e começou a golpear o homossexual, no pulmão e na aorta, matando-o.

Depois arrastou para o banco de trás, tentou limpar as marcas de sangue e ainda esconder o corpo da vítima na mala do carro e fugiu para o Estado do Espírito Santo, onde foi preso... Para violenta emoção, parece que o garoto de programa, assassino, parecia estar bem controlado nas atitudes de seus atos, pós crime.

Apenas para esclarecer aos leigos em direito penal, que nosso código afirma que quando o homicídio é cometido: - por motivo fútil; - à traição, de emboscada, ou mediante dissimulação ou outro recurso que dificulte ou torne impossível a defesa do ofendido; - para assegurar a execução, a ocultação, a impunidade ou vantagem de outro crime, a pena de reclusão mínima é de 12 (doze) anos e a máxima de 30 (trinta) anos.

No entanto, no júri popular, dois dos sete jurados integrantes tentaram absolver de imediato o assassino e, os demais cinco jurados, consideraram que o garoto de programa era uma espécie de vítima, sob forte emoção, apesar de reconhecerem a existência do crime.

Este crime não foi considerado fútil, tampouco foi entendido que houve emboscada e que o garoto de programa tentou ocultar o cadáver para assegurar sua impunidade.

Uma vida de homossexual perdida. E, de vítima assassinada, de repente, para a sociedade ainda bastante preconceituosa, se tornou o algoz do pobre garoto de programa que foi vitimado por sua insinuação e ficou sob forte impacto emocional. Cinco anos em regime semi-aberto!

Me pergunto se o mesmo garoto tivesse dado uns socos e chutes no gay e o humilhado o resultado na justiça seria um troféu para o garoto de programa e a cadeia de 15 anos, em regime fechado, para o homossexual!
/
Talvez isto explique porque ainda a justiça libera facilmente a adoção para uma enlouquecida Procuradora de Justiça aposentada que literalmente expancava a criança de dois anos de idade e cria todos os tipos de obstáculos para o casal Marcelo Sampaio e Eduardo Indig, que pretendia a adoção do menor Manoel, inclusive, chegando as raias de proibí-los de visitar o menor no orfanato.
/
"Um peso e duas medidas", diria o filósofo Sócrates.

Foto 1: Paulo Araújo / Agência O Dia

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Confesso que chorei com o depoimento dado por Marcelo Sampaio ao final da novela Viver a Vida

/


Como já é habitual, quiçá a melhor parte da novela Viver a Vida, ao final da novela sempre há um depoimento da superação vivida por alguma pessoa.

Já ouvi piadinhas de algumas pessoas que ridicularizam essa parte contida no final da novela sob justificativa que seria a apologia a pieguice, tipo: como sou feliz depois de me tornar paraplégico!

Não sinto assim. Ali ninguém nega o sofrimento, as perdas e dificuldades enfrentadas, mas mostra como é possível vencer obstáculos realmente penosos e aparentemente intransponíveis.

É um exemplo pulsante da busca de muitos pelo renascimento em vida, para outros da saúde mental e também, ainda, há aqueles tentando resgatar sua cidadania e direitos. O comum a todos é que estão superando obstáculos e lutando pela felicidade que é possível.

Já assisti vários e alguns deles relatei aqui, como o depoimento da transexual Maite Scheneider, que contou todo caminho percorrido após a cirurgia que retirou o penis, até obter o direito de alterar seus documentos para sua nova realidade, assim como também mencionei a história do Oswaldo Braga, que após a separação de sua companheira, encontrou no Marcos Trajano o apoio e felicidade para refazer sua vida, apesar de um de seus filhos ainda relutar em aceitá-lo.

Mas o depoimento do Marcelo Sampaio, no dia 12/05/2010, me tocou particularmente.

Marcelo perdeu seu pai aos cinco anos de idade, sempre quis ser pai, mas o seu trabalho e a orientação sexual pareciam deixá-lo cada vez mais distante de seu desejo.

Durante uma viagem pelo interior de São Paulo com seu companheiro Eduardo (com quem conta 18 anos de união) encontraram um orfanato, pequeno e evidentemente pobre. O objetivo inicial era oferecer ajuda à instituição pois os dois sempre foram engajados em causas sociais. De repente, ao longe, viram uma cabecinha loura vindo na direção deles. Quando Eduardo pegou a criança no colo disse:

-Marcelo, tá aqui o nosso filho.
Esse garotinho se agarrou às suas pernas e, a partir dali, começou uma história de luta, amor e muita esperança.

A partenidade do menor ainda não havia sido destituída, apesar de abandonado e esquecido no orfanato. Eles correram atrás de uma advogada, passaram por todas as burocracias de praxe, diversos psicológos e assistentes sociais, em seguida ingressaram com todos os processos, destituição de paternidade, guarda e adoção.

Tudo foi negado. E pior, foram proibidos de ver o Manoel.

Entraram com medida judicial no Tribunal de Justiça de São Paulo e em dezembro de 2008, mais uma vez lhe foram negados a entrega e a guarda do menino. Segundo Marcelo, a sua sensação era que ele tinha o filho dele preso numa cadeia, onde não lhe era permitido nem ao menos visitá-lo.

Um pequeno milagre ocorreu. O principal desembargador do Tribunal de Justiça que iria julgar aquele recurso, provavelmente figurando como relator, que já havia se manifestado de forma contrária anteriormente, por razões de saúde deixou o processo e igualmente todo o grupo julgador foi trocado.

Outro pequeno milagre acontece. No julgamento, levanta o Procurador de Justiça (que funciona como fiscal da lei, defensor da instituição da família e dos interesses dos menores) e em alto e bom tom pede que aquela criança fosse imediatamente entregue para aqueles pais adotivos.

Marcelo se emociona e diz que depois de oito meses os portões se abriram e o Manoel estava lá, sentado numa cadeirinha, com saquinho plástico na mão com o brinquedo que havia ganho dele, e Manoel olhou para ele e apenas disse: papai!

Hoje o menino Carlos Alberto se chama Manoel Eduardo e carrega o sobrenome dos dois pais, que selaram a união de 18 anos oficializando a adoção de Manoel.

O pequeno Manoel aparece tão feliz ao lados de seus dois pais...

Gente, a narrativa deste pai foi tão solene, sincera e emotiva que desta vez realmente chorei de emoção. Coloco aqui o vídeo que se encontra no site da Globo.com, na página da novela. Você mesmo pode verificar a história.






Talvez a emoção tenha hoje especialmente me tocado porque também foi um dia com notícias sobre a discussão envolvendo a adoção para casais homossexuais ocorrida numa Audiência Pública promovida pela Câmara de Deputados, que entre os convidados estava uma advogada do Instituto dos Advogados de São Paulo, Regina Beatriz Tavares da Silva.

Esta advogada, de quem nunca ouvi falar, foi absolutamente contra o projeto de lei criado pelo IBDFAM, Instituto Brasileiro de Direito de Família que, contempla, entre outras coisas, as uniões homoafetivas e a adoção para casais homossexuais.

Segundo a advogada de São Paulo, o projeto pretende revogar todo o livro de Direito de Família do Código Civil, que tramitou durante 27 anos na Câmara e no Senado. "Tirar o direito de família do Código Civil é um absurdo, falar que o direito de família deve ser ater a questões de afeto é outro absurdo", afirmou a mesma.
/
Assustador constatar os absurdos argumentos da advogada do Instituto dos Advogados de São Paulo. Para ela é o projeto de lei é inconstitucional. Não sei de quem se trata, mas a causídica parece desconhecer totalmente os princípios basilares de nossa constituição federal. Pior é que há sempre políticos de carreira que acolhem entusiasmadamente tudo que possa ser contrário aos direitos dos LGBT.

Inferior a tudo que se admite moralmente ouvir foram as palavras de um outro convidado para a Audiência Pública, o Pastor Silas Malafaia.

Não me pergunte o sentido de um pastor como ele estar ali para se manifestar sobre temas laicos, apenas posso esclarecer que o convite veio do Senador evangélico Magno Malta.

O site da “Agência da Câmara de Notícias” em um parágrafo retrata o que lá fez o homofóbico Pastor Silas Malafaia, perante um grupo de espectadores evangélicos já aliciados para aplaudir ou vaiar o espetáculo, se referindo ao que entende por família frente aos direitos pretendidos por homossexuais:

“Malafaia questionou se outros comportamentos poderiam, futuramente, virar lei. "Então vamos liberar relações com cachorro, vamos liberar com cadáveres, isso também não é um comportamento?" O pastor foi muito aplaudido durante sua exposição.”

Depois de ler estas notícias na listagls e conferir no site da Agencia da Camara do Deputados, assistir o depoimento do Marcelo Sampaio ao final da novela Viver a Vida, não seria possível deixar de me emocionar.

É no mínimo singular ler, na parte da manhã, que um Pastor da Assembléia de Deus foi falar sobre questão de direito e comparar as relações com cachorros e cadáveres aos homossexuais, e a noite, assistir um cidadão homossexual, que sofreu toda sorte de discriminação, falar de adoção, caridade, família e amor.
/
Há uma enquete na página da Agencia da Câmara. Não deixei de ir lá para votar a favor. É o mínimo! - http://www2.camara.gov.br/agencia/noticias/DIREITOS-HUMANOS/147752-RELIGIOSOS,-JURISTAS-E-ONGS-DIVERGEM-SOBRE-UNIAO-CIVIL-GAY.html

quarta-feira, 12 de maio de 2010

Profissão Repórter: As famílias de jovens homossexuais, a vida de uma transexual, mães lésbicas que geraram filhos gêmeos e os pais de homossexuais

/


Aplausos de pé! É o mínimo que merece o programa que assisti.

Caco Barcellos e sua equipe de repórteres mostram diferentes ângulos da mesma notícia.


“A equipe de jovens jornalistas comandada por Caco Barcellos no programa Profissão Repórter vai retratar como as famílias brasileiras lidam com a questão da homossexualidade dentro de casa.

Em São Paulo, a repórter Mariane Salerno vai contar a história de Edith, mãe de Marcelo. Depois de descobrir que seu filho caçula é gay, ela recebe em sua casa pais que passam por essa mesma situação, para ajudá-los com apoio e informação.

A repórter Caroline Kleinübing vai a Minas Gerais, para conhecer a trajetória da professora de canto que resolveu assumir a homossexualidade e fez uma mudança de sexo, deixando de ser homem.

De volta a São Paulo, agora na cidade de Carapicuíba, as jornalistas Júlia Bandeira e Thais Itaqui voltam à casa das companheiras Munira e Adriana depois de um ano, para saber como anda a criação de seus filhos. Elas tiveram gêmeos por meio de inseminação artificial e brigam na Justiça para registrar os bebês no nome delas”

GPH - Grupo de Pais de Homossexuais

Grupo voltado para pais que descobrem que seus filhos são homossexuais.

Edith Modesto abriu a casa para receber as mães que também possuem filhos homossexuais.

Se referindo aos filhos, a jornalista questiona a Edith se o filho gay é o seu preferido. A resposta é pontual:
“o homossexual não é mais querido, mas é com quem mais me preocupo, os outros tem as noras para cuidar..”

Esta resposta, frente a realidade social existente e despida de hipocrisia, por incrível que pareça, e diferente daquilo que possa aparentar, não possui qualquer conotação preconceituosa. O instinto de mãe, levou D. Edith a correr atrás do prejuízo, entender quais as dificuldades que seu filho passaria e como era fundamental o papel dos pais nesta história. D. Edith parece ter o perfil daquelas mães judias. Enquanto seu filho não estiver casado e estruturado, ela tomou para si a responsabilidade de cuidar de sua cria, mas para isto, teve que renascer e com este renascimento passou a agir para que seu filho vivesse num mundo melhor. Ela faz mais que a sua parte de mãe. Ela é uma cidadã.

Edith explica demorou cinco anos para aceitar. Marcelo hoje faz doutorado e vive nos EUA...

Edith explica que o problema é a vergonha, a vergonha é o sentimento que mais demora para acabar: "QUANDO UM FILHO SAI DO ARMÁRIO, A MÃE ENTRA..."

Essa frase, para mim, foi a mais dura, realista e reveladora ... “quando um filho sai do armário, a mãe entra”. Razão: vergonha!

A jornalista do programa informa que na reunião inicial percebeu que havia uma mãe que também estava lá pela primeira vez, não falava, somente chorava....

Para convencer a sua permanência, a jornalista argumentou com as mães que pretendia que a matéria viabilizasse que as mães que estivessem assistindo se colocassem no lugar delas, e desta forma, conseguiu convencer a todos serem entrevistados.

Uma das mães começa dizendo que achava que seu preconceito era ZERO, mas quando aconteceu com ela, disse: “Eu quase enlouqueci”.

Para outra mãe, o fato do filho ser gay parecia que invalidava todas as suas outras qualidades.

Uma terceira, mãe de lésbica, ainda com os olhos marejados diz que o choque para ela foi muito grande, uma vez que ela viu a filha ter relacionamentos heterossexuais, inclusive ficando noiva. A referida mãe tinha o sonho de ver a filha entrando na igreja, mas hoje ela agradece que a filha não tenha casado e tenha tido coragem de assumir e de ter confiado nela.

A primeira mãe, Suedar, foi questinada de como se descobre que o filho é homossexual. Ela diz que os sinais estão ali, mas na verdade, a mãe não quer ver. Ela, só agora, fazendo uma retrospectiva, enxerga claramente. Afinal, disse ela, tem dois filhos, um hetero pegador e xavequeiro, e o outro homossexual.

Ricardo, o pai do filho homossexual antes mencionado, fez o depoimento talvez mais impactante de todo o programa. Apesar do contundente conteúdo homofóbico do pai, sua declaração foi a mais honesta em termos de enfrentamento de seus sentimentos e educação e por conseguinte, o qual, por sua vez, sem dúvida é o melhor exemplo, pelo manifesto engrandecimento moral, intelectual e emocional.

Ricardo, o pai, ao saber que seu filho Vitor era homossexual, o perguntou:

“como vou encarar você de mão dada com um homem, outro homem? Isto é repugnante para mim eu não vou conseguir, é difícil isso, não tenho como... eu não queria ver mais, eu pensei em matar, eu pensei em fazer muita coisa, em sumir, não sabia para que lado correr... mas dentro de tudo isso uma coisa ainda existia, o amor por ele eu nunca perdi”...

Após reproduzi esta fala no programa, Ricardo revela que hoje cozinha para o genro, namorado do Vitor, que adora a comida que ele faz...

A jornalista foi convidada pelo casal acima a fazer uma visita a sua casa, conhecer os personagens desta família. Vitor, o caçula, namora há um ano e meio Junior de 23 anos. Vitor contou para os pais sua orientação sexual aos 16 anos... Vinicius, irmão hetero de Vitor, afirma que tentou agredir o namorado do irmão, Junior, mas Vitor que acabou entrando no meio, levou a pior.

A entrada do namorado do Vitor na casa da família ocorreu logo após uma conversa com sua mãe, onde chorando muito, confessou que sentia falta de almoçar com o namorado em família, e o pai, Ricardo ouviu a conversa e mandou que seu filho convidasse o namorado entrar... Hoje, o pai se vê surpreso, pois jamais imaginava que iria cozinhar para o genro, namorado de seu filho. Até a mãe ficou muito surpresa com a atitude de seu marido.

O caminho traçado por estes pais foi exemplo perfeito de todos os percalços que os pais de homossexuais passam, desde as expectativas, passando pelo choque e rejeição inicial. Neste caso, os pais procuraram a ajuda da D. Edith Modesto, e encontraram não só a paz, mas o conforto e felicidade de manter a relação afetiva e filial acrescida de mais amor e compreensão.


A história de Julia que nasceu Jorge

A reportagem começa no Hospital Pedro Ernesto, no Rio de Janeiro. Proibidas as gravações, a jornalista conhece no ambulatório Júlia, uma transexual, que aceitou contar sua história.

Júlia vai ao Hospital a sete anos, tendo feito a cirurgia a cinco anos, sempre com o devido suporte ambulatorial.

Os documentos de Júlia ainda constam seu nome de batismo, Jorge. Júlia é uma figura linda de ver, culta, inteligente e aparentemente muito bem resolvida. É professora no Conservatório de Regência e Coral, já foi tenor, hoje canta como soprano...

A reportagem segue em direção ao conservatório, onde a mesma dá aula. Não é papo furado. Estorinha melhorada para mostrar na televisão. No entanto, no final do expediente, Júlia se entristece ao ter que assinar o que ela chama de “isso”, ou seja, o ponto como Jorge...

Julia nasceu como Jorge, e na qualidade de menino, fez primeira comunhão e foi escoteiro. Na adolescência começou sua transformação. A mãe dela fez questão de encontrar os jornalistas, claramente para proteger sua filha, pois questionava se tal entrevista não a prejudicaria. Realmente com toda razão, pois em alguns programas de televisão sempre constatamos uma exposição degradante neste sentido. Julia reconhece que está se expondo demais. Chora neste momento, mas esclarece que não que tenha vergonha, mas teme as conseqüências. A mãe esclarece que a discriminação é meio “truncada” nem vem de gente estranha, “mas de parentes mesmo”.

A identidade de gênero de Julia foi descoberta pela mãe porque aquela tinha um diário que nem sempre estava trancada e a mãe entendia que era propositalmente para ela ler mesmo. Julia tinha 27 anos quando fez a operação.

Julia mora com o pai e a irmã, numa casa bastante modesta. O pai fala da surpresa da transformação, mas que não faz diferença para ele. O tratamento começou com hormônio feminino e somente em seguida foi realizada a operação. O namorado custou a aceitar a operação, pois ficou com receio que Júlia pretendesse ficar com outros homens e para ele a operação era indiferente. Ficaram sete anos sem se falar e agora voltaram. Como ela cresceu na rua onde hoje vive, adverte que era ruim as piadinhas que ouvia quando passava, mas que isso também já é passado.

Eu adorei a Júlia! Ela é tudo de bom, em todos os sentidos. Pessoas como ela ceifam preconceitos burros já bastante arraigados no meio social. Ela é transexual, ponto. E isto é apenas um detalhe de sua identidade sexual, nem agrega e nem desagrega, apenas uma mulher. Mas a Júlia foi a poesia da edição. Sua simplicidade, seu talento, seu carisma e coragem iluminou a telinha. Certamente tirou a má imagem que muitos trazem culturalmente consigo.


As mães lésbicas que conceberam em conjunto um casal de gêmeos

Munira Khalil e Adriana Maciel, as duas geraram um casal de gêmeos juntas. Munira doou os óvulos e Adriana gerou as crianças.

Eduardo nasceu com uma doença rara, ele não senta e não anda, só fala mamãe. Munira deixou o emprego e agora as duas trabalham em casa. O cuidado com as crianças é das duas, ininterruptamente. Questionadas sobre a eventual discriminação que passaram a resposta foi até certo ponto supreendente:
“Preconceito nenhum, ao contrário, só recebemos parabéns” ...
Na escola, Munira deixa a filha Ana Luisa, a qual é a segunda filha de homossexuais na mesma escolinha. A professora informa que a mãe lésbica sempre será bem recebida lá. Em seguida levam o menino Eduardo para fisioterapia. Elas gastam um terço do que ganham para tratar o filho. As mães não sabem se um dia o filho vai poder andar. Elas não podem ter um plano de saúde para o filho, segundo elas, em razão da situação ainda não regular das crianças. Já pediram para que os nomes nas certidões sejam das duas.

Cena seguinte elucida que as crianças farão um ano e a casa está cheia. O casal de lésbicas esclarece, sem qualquer constrangimento, após ser indagada, que o casal de gêmeos não deixam que sobre tempo para as duas namorarem, nem mesmo agendando.

Munira e Adriana fizeram a festa para o 1 ano dos filhos e toda a família estava presente. Também apareceram amigas que as conheceram através da reportagem à época do parto, tendo ainda outros três casais de lésbicas que noticiam que também estão fazendo tratamento para engravidar.

A briga da Munira e Adriana é para ter os seus nomes nos registros de nascimento de seus filhos, já que uma doou os óvulos e a outra gerou.

Se alguém gostaria de saber o que é uma família homoafetiva e como vivem filhos de casais homossexuais, as duas não deixaram espaço para qualquer tipo de dúvida. Mães como elas são literalmente duplamente exemplares.


Jovens Homossexuais em São Paulo

O “Centro de Referencia da Diversidade”, em São Paulo, tem um projeto que se chama “Purpurina” destinado aos jovens. Aparece novamente aquela senhora do grupo de pais de homossexuais, D. Edith, que de plano anuncia para o público jovem que lá eles podem namorar, beijar e abraçar.

Ela diz para eles que sabe que existem muitos presentes que a mamãe não sabe que estão lá.

O grupo presente naquele dia é de, pasmem, 80 JOVENS, com idade variada de 13 a 24 anos. Eles assistem a palestra e em seguida fazem uma festa.

Caco Barcellos questiona a repórter porque a gravação não mostrou os rostos dos menores, tendo como resposta que não existia essa possibilidade, o que foi retrucado pelo Caco Barcelos sob a justificativa que aqueles menores tinham o direito a conquista da igualdade.

O programa também mostra a entrevista de dois jovens, que resume o que passam estes jovens homossexuais em seus lares:
“Eu não contei, contaram para os meus pais e fiquei um ano e meio de castigo, só indo à escola...”

Feita a pergunta a outro jovem, sua resposta foi admiravelmente enfática:
“Você não teve coragem de dizer em casa?
Não, e nem sei se vou ter...”


Diante disto, a cena corta para jornalista que fez a entrevista com a explicação ao Caco Barcellos: “é como se o jovem tivesse que escolher entre assumir e continuar com a família”. Confirmando tal explicação, ressurge a entrevista, agora com o próprio rapaz, que explica:
“não quero ficar sozinho e perder a família...”
É uma pena que tais jovens que possuem uma família ortodoxa heterossexual, porém preconceituosa, não tenham a mesma sorte dos gêmeos gerados pelo casal lésbico ou do filho de D. Edith, a nossa espécie de Madre Tereza de Calcutá dos Gays.
/
Já assistia avidamente o Programa "Profissão Repórter", pela sua alta qualidade jornalística e pautas sempre inteligentes e instigantes. Um dos raros programas que além de fornecer a notícia, convidam também a reflexão. Mas por mais que esperasse um novo programa da mesma qualidade, jamais imaginava a que ponto este chegaria. Independente do tema de hoje, sou fã de carteirinha de Caco Barcellos e do programa que ele realiza. Se pudesse dar uma nota para este de hoje, seria o infinito. Parabéns é pouco. Não traduz o que o programa de hoje pode ter significado para tantas famílias brasileiras carentes de cultura e informação.

foto: Foto por Zé Paulo Cardeal / Globo

terça-feira, 11 de maio de 2010

Pesquisa indica que sexo oral com várias pessoas pode aumentar chances de câncer na boca, destaca Folha de S.Paulo

/

Saiu esta matéria na Folha de São Paulo e foi destaque nos debates da LISTAGLS.

Confesso que me surpreendeu!

Sexo oral é algo tão comum, que evidente todos ficaram meio assim... rs

Aqui é um site de direitos fundamentais, e a saúde faz parte destes direitos, assim como a informação, então vamos lá reproduzir a matéria:

"Uma pesquisa realizada pelo Centro Nacional de Saúde dos EUA relacionou o sexo oral ao câncer na boca. O estudo indica que as chances de tumores são maiores quando a prática sexual é realizada com quatro parceiros ou mais. As informações são da Folha de S.Paulo. Confira a matéria na íntegra a seguir.

Estudo liga câncer na boca a sexo oral com várias pessoas

Pesquisa concluiu que praticar com 4 ou mais parceiros triplica risco de ter o tumor HPV, agora, está mais relacionado a lesões na língua e na amígdala; não há razões para pânico, avisa especialista no vírus


RICARDO MIOTO
ENVIADO ESPECIAL AO RIO

Um vírus sexualmente transmissível e tradicionalmente ligado a câncer no pênis, ânus e colo do útero está sendo relacionado cada vez mais, também, a tumores na boca. A explicação para a maior presença do HPV (papilomavírus humano) nos casos desses cânceres é o aumento da prática de sexo oral nas últimas décadas, em especial entre jovens. Em 2005, 55% dos garotos e 54% das garotas entre 15 e 19 anos já tinham experimentado essa modalidade, segundo o Centro Nacional de Estatísticas da Saúde dos EUA.

Nas décadas de 1940 e 1950, é claro, os estudos de Alfred Kinsey, pioneiro no mapeamento dos hábitos sexuais dos americanos, indicavam números bastante diferentes. Apenas 10% dos homens e 19% das mulheres daquela época disseram ter praticado sexo oral antes do casamento -apesar de menos de 50% das mulheres e de 33% dos homens terem casado virgens.

Com isso, se tornaram mais frequentes, a partir do pós-guerra até hoje, os casos de câncer na base da língua, na amígdala e até em partes do pescoço, que surgem a partir de lesões causadas pelo HPV. Essas conclusões estão em um artigo de opinião publicado em março no "British Medical Journal" pela equipe do médico Hisham Mehanna, do Hospital Universitário de Coventry, no Reino Unido.

Aumento do riscoEle relata um trabalho com mais de 10 mil voluntários. A conclusão: quem já tinha feito sexo oral com quatro ou mais pessoas tinha uma chance mais de três vezes maior de ter câncer na orofaringe (que começa na raiz da língua e vai até a faringe) do que quem não tinha.

Outro estudo citado por Mehanna foi feito na Suécia por quase 40 anos. Ele envolveu procurar pelo HPV em biópsias de tumores retirados da orofaringe. Nos anos 1970, o vírus foi encontrado em apenas 23% dos tumores. Em 2006 e 2007, foi achado em 93%.

Como o número de casos de câncer na orofaringe está crescendo, e não diminuindo, é possível concluir que o HPV nunca antes causou tantos tumores na boca e adjacências.

Sem neurose

Não há motivo, porém, para desespero, diz a médica Eliane Pedra Dias, da Universidade Federal Fluminense. Ela deu uma palestra sobre lesões orais no Simpósio Internacional de HPV, organizado na semana passada pela Fiocruz, no Rio. "É importante não criar neuroses. Sexo é uma coisa que é para ser boa."A maioria das pessoas serão infectadas pelo HPV em algum momento das suas vidas. E, em geral, o vírus vai embora sem deixar nenhuma lesão. Segundo Dias, é importante lembrar, também, que as pesquisas sobre a relação entre HPV e câncer na boca não estão totalmente consolidadas.

"Os mecanismos de infecção ainda não são totalmente conhecidos. Embora também seja uma mucosa como a genital, as características do ambiente e a resposta imune das duas regiões são bem diferentes." "Mais pesquisas precisam ser feitas", concorda Mehanna.

Já existem vacinas contra o HPV.

Ainda se discute se vale a pena incluí-las no Programa Nacional de Imunização. Ela é cara (o valor chega às centenas de reais por unidade) e os cientistas ainda questionam a abrangência da sua eficiência.Por enquanto, afirma Dias, o mais importante são exames periódicos na boca, porque as lesões iniciais são pouco perceptíveis e o diagnóstico acaba acontecendo quando o tumor já está em estágio avançado. "O médico olha direto para a garganta e o dentista, apenas para os dentes", brinca.O jornalista RICARDO MIOTO viajou a convite da Fiocruz"

Fonte: Folha de S.Paulo

Sem neuras em povo! Sexo oral todo mundo faz! Sexo é bom! Mas não custa ter cuidado!

Tem aí a história da vacina, mas também não custa relembrar para sempre de usar camisinha!

sábado, 8 de maio de 2010

Plano de saúde terá de incluir como dependente parceiro gay


Notícia auspiciosa!

A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) divulgou a Súmula Nortamtiva nº 12 que finalmente reconhece o direito dos companheiros do mesmo sexo serem incluídos no plano de sáude na qualidade de dependentes:
"A Diretoria Colegiada da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) publicou, na edição de 5 de maio de 2010, a Súmula Normativa nº 12, que adota o seguinte entendimento:
“Para fins de aplicação à legislação de saúde suplementar, entende-se por companheiro de beneficiário titular de plano privado de assistência à saúde pessoa do sexo oposto ou do mesmo sexo”.

A decisão leva em consideração conceitos do Código Civil Brasileiro e da Constituição Federal, que em seu Art. 3º dispõe, entre os objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil,: "IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação”.
As disposições legais e constitucionais que protegem a união estável entre homem e mulher aplicam-se, por analogia, à união estável homossexual. Sendo assim, serão observados os mesmos requisitos para admissão, na qualidade de dependente, de companheiro ou companheira que comprove união estável com o titular do plano. Caberá às operadoras de planos de saúde a definição da forma de comprovação a ser apresentada pelos interessados."
A medida já está em vigor, e as empresas que descumprirem a determinação serão advertidas e multadas em até R$ 50 mil por usuário cujo direito tenha sido negado, a depender do porte da operadora.

Mas os LGBTs já não haviam conquistado este direito? A resposta é óbvia, NÃO!

O Ministério Público já havia ajuizado algumas ações civis públicas onde obteve o reconhecimento de tal direito para casais homossexuais, entretanto, apenas alguns planos de saúde que sofreram a ação e, em alguns estados, é que estavam obrigadas a cumprir esta obrigação.

Alguns planos de saúde até aceitavam incluir o parceiro como dependente, mas não havia obrigatoriedade, o que gerava extrema insegurança. O histórico de negativas é muito maior que se possa aventar.

Agora não, trata-se de um direito reconhecido pela ANS através de uma Súmula Normativa, e todo plano é obrigado a aceitar a inclusão do parceiro como dependente.

Infelizmente, nem tudo são flores.

A ANS deixou em aberto uma condição a ser imposta pelos Planos de Saúde para que seja aceita tal inclusão do parceiro, segundo ela "caberá às operadoras de planos de saúde a definição da forma de comprovação a ser apresentada pelos interessados".

Planos de Saúde não são confiáveis, como notoriamente sabido, especialmente pelos índices de reclamações existentes nos órgãos de proteção ao consumidores - Procon.

Para a SulAmérica e a Unimed-Rio, o documento exigido será o contrato de união civil registrado em cartório, o que acaba onerando o casal que pretenda o benefício. Espero que a ANS regulamente em breve a definição de comprovação da união homoafetia da mesma forma que fez o INSS, através de três provas documentais entre as várias possíveis elencadas.

No jornal O GLOBO já começam aparecer as ressalvas impostas pelos Planos, ou seja, que somente os planos novos teriam este direito:

A diretora-executiva da Federação Nacional de Saúde Suplementar (Fenasaúde, que reúne as empresas de plano e seguro de saúde), Solange Beatriz Mendes, afirmou que as empresas acatarão a normatização da ANS, mas afirmou que a regra se aplica aos planos e seguros contratados a partir da entrada em vigor da Lei 9.656 (que regulamentou o setor no Brasil), em janeiro de 1999, ou os antigos planos adaptados à nova regra.

Como bem disse Toni Reis, presidente da ABGLT, que teve três vezes seu pedido negado, veio com atraso, mas é uma conquista.

fontes:
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...

LinkWithin