O presente blog se propõe a reflexão sobre os Direitos Humanos nas suas mais diversas manifestações e algumas amenidades.


quinta-feira, 10 de junho de 2010

Pastor Evangélico praticava estupro vulnerável em criancinhas depois do culto há 1 ano. Cadê o Senador Magno Malta e todo circo que ele sempre monta?


Como bem disse meu amigo Judson, "os evangélicos agora queimam a língua. Pastor comia criancinhas após culto. Só não divulgaram o nome ainda. Deve ser um desses 'pastores sociais', que fazem 'caridades' nas regiões mais pobres do Rio."

É que foi divulgado, em dois minúsculos artigos, que foi realizada uma operação na Favela do Mandela, em Manguinhos, na Zona Norte do Rio, onde policiais da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) e da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) prenderam um pastor evangélico acusado de pedofilia. Ele estava dentro de uma igreja.
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A polícia informou que o pastor evangélico levava crianças para casa, após os cultos das sextas-feiras. Foram os moradores que denunciaram o pedófilo, que agia há cerca de (01) um ano.

As meninas vítimas dos crimes passaram por exames psicológicos e de corpo de delito. O pastor vai responder pelo crime de estupro de vulnerável.

Um PASTOR durante um ano inteirinho abusando de criancinhas após o culto?!

Quantas crianças foram abusadas durante este imenso tempo?

Qual o nome do Pastor Pedófilo? Onde está sua foto?

Em qual a igreja evangélica era o cenário do crime?

E a pergunta que não quer se calar: Onde está o Senador Evangélico Magno Malta, com suas camisetas, inquirindo em público, na frente de grande plateia e holofotes de jornais, as vítimas e o pedófilo?

Cadê aquele circo todo que ele monta?

Será que o Senador Evangélico não acha que possua a mesma gravidade e relevância o abuso continuo de um Pastor Evangélico e só se interessa por Padres pedófilos?

Óbvio que o problema não está relacionada a religião evangélica, mas a conduta destes evangélicos que se sentem os donos da moralidade pública e não perdem a oportunidade de acusam LGBTs de antinaturais com base na religião, como se a moralidade fosse artigo exclusivo e de única propriedade seus seguidores.

Onde está a moralidade daquele Pastor pedófilo? e o que merece consideração ainda mais especial, cadê a mesma moralidade santa e sagrada dos Evangélicos Políticos que se comportam de forma diferente diante de um mesmo ato repudioso? antes um escarcéu e agora um silêncio sepucral?

Este comportamento é revelador.

Que o Pastor evangélico responda por seu crime, como todos os outros, inclusive, com o escárnio público que usualmente o Senador Magno Malta propricia em situações semelhantes. Lembra dos padres de Alagoas? Foi tópico aqui.

Este caso envolvendo pastor não é o primeiro e nem será o último. Basta recordar do pastor da Igreja Congregacional Evangélica Luterana da Graça, Glaydson Souza Freire, de 35 anos, que foi flagrado por policiais militares beijando uma adolescente de 14 anos dentro do próprio carro, na Alça Sudoeste, em Campina Grande. Na mesma época e na mesma notícia, informações oficiais davam conta que outro pastor da cidade também estava sendo investigado por aliciamento de menores na região da Rainha da Borborema.
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Estes casos, que não sei como terminaram, mas a delegada da Infância, Kassandra Maria, já havia adiantando que aquele primeiro poderia ser arquivado porque nenhum familiar representou contra o acusado.
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Quando leio notícias assim, a primeira reação é ficar aterrorizado por estas pobres crianças inocentes. Mas, em ato seguido, me revolto ao lembrar que para os políticos evangélicos, que estão ainda lá na Câmara de Deputados e Senado Federal, condenam a adoção por casais homossexuais e certamente, aplaudiriam estes pastores de sua religião que estivessem se candidatando ao mesmo papel. Quando será que eles entenderão que não é a orientação sexual ou a religião que se segue que define o caráter e as qualidades do cidadão?
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Incabível o tratamento desigual fundado na discriminação para alguns ou na primazia motivada em crenças. Tenho esperança que um dia estes políticos do Congresso Nacional sigam os princípios previstos na Constituição Federal em substituição da bíblia para questões de laicidade.

terça-feira, 8 de junho de 2010

Reynaldo Gianecchini é vítima de aparente golpe ou pior, possíveis injúria e ingratidão, onde a orientação sexual é instrumento do jogo


Quem é Daniel Ferreira Mattos? Alguém já ouviu falar dele ou o viu? E quem é Reynaldo Gianecchini?

A resposta para fofoca, envolvendo os dois nomes e um imóvel, se encontra na própria pergunta.

Fuxicos, fofocas e a invasão de privacidade é um prato cheio para revistas do gênero ganharem dinheiro as custas dos outros.

Reynaldo Gianecchini é gay, bissexual ou heterossexual? Afinal, que diferença isto faz?

Na verdade faz ou pelo menos fez para Daniel Ferreira Martins, um ilustre desconhecido do público que, segundo consta nos noticiários, está tentando lucrar encima da orientação sexual do Gianecchini.

Estou muito feliz com a conduta do Reynaldo Gianecchini que foi MACHO suficiente para não se acovardar diante das ameaças de seu ex-empresário ao alegar que era seu amante, para justificar que é sua a propriedade de uma cobertura na Barra, o qual teria sido doado Gianecchini por conta de uma relação amorosa.

Ninguém dá uma propriedade como PAGAMENTO de uma relação amorosa. Doação é uma coisa e Programa de luxo outro. Dificil acreditar que Giane precise pagar para este tipo de serviço. Não faço nem uma e nem outra afirmativa. Não sei se foi doado ou dado como pagamento por serviços prestados.
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Não faço defesa pessoal. Conheço Gianecchini como todo mundo, pela televisão, cinema e revistas, no máximo, um pouco mais, por esbarrar com certa frequência pela Gávea. A realidade é que esta história está muito mal contada, isto está.

O que corre na imprensa é que Gianecchini teria comprado um imóvel e passado para o nome de seu ex-empresário, que trabalhava com a imagem comercial do ator e muito provavelmente seu dinheiro e, portanto, se tratava de alguém em quem confiava. As revistas já fizeram mil piadinhas a respeito da compra em nome de terceiro, mas digo, sem ter medo, enquanto advogado, que não se trata de nada extraordinário ou estranho este tipo de ato, basta que exista uma grande confiança comercial e adicionar a esta a lógica de transações comerciais, fiscais e etc.

O que me deixou verdadeiramente incomodado e muito desconfiado foi ler nas matérias sobre o tema que após o Reynaldo Gianecchini ingressar com protesto judicial em face de Daniel Ferreira Mattos, por motivos profissionais e de confiança e, envolvendo no litígio a briga pela cobertura na Barra da Tijuca, que o empresário Daniel, em contrapartida, teria dito que contaria alguns “podres” de Reynaldo para a imprensa, entre os “podres” o seu relacionamento amoroso com o mesmo. Se existiu um relacionamente, este era “podre”, disto agora ninguém mais teria dúvida, até porque assim o designou o próprio Daniel.

Essa ameaça de Daniel Ferreira Mattos de falar podres para imprensa tem uma aparência de chantagem IMENSA!

Se Reynaldo Gianecchini é gay ou não, pouco importa. Mas jamais sustentaria ser esta sua orientação sexual com base nos argumentos desta briga judicial, onde o questionamento de sua sexualidade parece ter sido utilizado apenas com a finalidade de ameçá-lo a aceitar uma imposição de acordo com perda patrimonial, não pelo que Gianecchini fez ou deixou de fazer em sua cama, mas para evitar um escândalo. Enfim, Daniel desvirtuou totalmente a discussão da briga (doação, compra, presente, golpe de empresário ou mera prestação de contas) para outro foco, a sexualidade num palco do escândalo barato.

Gostei e daqui mando meus aplausos para o Reynaldo Gianecchini que, repito, foi macho bastante de não aceitar a ameaça e enfrentar muito mais que as barras do tribunal, a imprensa sensacionalista com sede de escândalos, sejam estes verdadeiros ou falsos.

Meu sexto sentido e experiência em litígios civis me induzem a crer que Reynaldo Gianecchini está sendo vítima de seu ex-empresário, após ser constatado alguma coisa bastante incorreta nas prestações de serviços comerciais. Gianecchini não será o primeiro e nem o último a sofrer coisas assim.

Quantos já não sofreram nas mãos de contadores ou advogados inescrupulosos? Só que Gianecchini é Gianecchini, então seu adversário parece ter acreditado que poderia resolver suas diferenças de maneira, digamos, política (no pior dos sentidos) e mais fácil.

Mas, ainda que a realidade fosse outra, Gianecchini realmente tivesse se relacionado afetivamente com o ex-empresário, e o presenteado com a doação de tal imóvel, a esta altura do campeonato este imóvel, ou o valor equivalente, jamais poderia continuar com o ex-empresário, face a constatação de injúria e ingratidão. No nosso direito civil o beneficiário de uma doação não pode ser ingrato ao doador, sob pena de tal ingratidão se reverter numa nulidade do ato.

É que a doação se trata de ato de liberalidade do doador, seja ela pura ou onerosa; essa revogação dá-se nos casos em que o donatário deixe de se mostrar merecedor do benefício a ele concedido, e que, ao contrário, venha praticar ato que possa prejudicar a quem contribuiu para aumentar o seu patrimônio; nesses casos, em que se configurar a ingratidão, o doador terá o respaldo do art. 557 para proceder à revogação do seu ato de liberalidade.

Na hipótese, diante das notícias veiculadas, sob qualquer ângulo, depois do ex-empresário faltar com a ética profissional fazendo fofoca da intimidade daquele para quem prestava serviços, quiçá interferindo em seu trabalho, caracterizado estaria a injúria e ingratidão, suficientes para anular o “presente” dado, se realmente se tratar de um, impondo-se, se não o imóvel de volta a verba que represente o mesmo, porque quando fatos assim ocorrem, em regra, são logo vendidos para terceiros de boa-fé.

Sob ótica de uma pretensa relação afetiva, ainda mais grave. A ingratidão seria ainda mais evidente, pois se valeu do presente dado para tentar prejudicar aquele que havia sido generoso com o mesmo. Anula-se também a doação.

Há alguns anos atrás, num caso em que se tratava indiscutivelmente de uma relação homoafetiva, atuei num processo para uma pessoa que havia presenteado seu companheiro com um veículo de alto valor no mercado. Tal companheiro, ganancioso e insatisfeito, quis mais e para tanto, articulou um plano com seus comparsas para extorquir os dólares que o mesmo possuía em casa. O caso foi desmascarado pela polícia federal e o companheiro foi acusado de cúmplice. No papel de advogado da vítima, apesar do cliente realmente ter dado o veículo de luxo para o namorado, consegui através de uma ação própria anular aquela doação, reintegrando o veículo ao cliente. Seria um absurdo deixar que a aquela pessoa que foi enganada tivesse a perda do bem dado, enquanto o algoz, marginal, querendo se dar bem, ainda se regozijasse na praça com o veículo que conseguiu obter, com base numa relação baseada no interesse.

Tudo é extremamente lamentável, pois se Gianecchini jamais tenha se relacionado com se ex-empresário, o fato é que ele confiava neste, e essa confiança foi quebrada em todos segmentos, amizade e profissional.

E se Gianecchini realmente se tratar de bissexual ou homossexual, a história ainda é mais deplorável, pois além de quererem tirar ele do armário a força e publicamente, isto foi usado como uma ameaça grotesca e inaceitável, como tentativa de suposta extorsão.

E, nesta última hipótese, espero que homossexuais se sensibilizem com o episódio, uma vez que muitos gays já sofreram, em algum momento de suas vidas, chantagens parecidas ou alguém querendo tirar vantagem pelo simples fato de sua orientação sexual.

Dado ou não o presente, a verdade é que neste caso, Gianecchini está sendo vítima de sua própria fama, mas para isto estão usando algo que bate em todos nós, a orientação sexual que todos politicamente corretos fingem aceitar, mas muitos sequer admitem escutar, por puro preconceito, em especial quando se trata de um galã de novela.

Se o ex-empresário possui razão na contenda jurídica a Justiça dirá, mas não tem nenhuma razão ao fazer exposição pública de seu ex-cliente com intuito de acuá-lo para benefício próprio.


foto: Sua Excelência, o Candidato

segunda-feira, 7 de junho de 2010

Ocorreu a Maior Parada do Mundo e os candidatos a presidência deixaram claro, com suas ausências, o pouco caso aos LGBTs


A maior Parada do Mundo ocorreu, ontem em São Paulo, sem a presença dos principais pré-candidatos à Presidência da República: Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV). Dilma ficou em Brasília descansando. Marina já havia dito que a este evento não iria, e Serra sequer justificou a ausência.

ABSURDO o tratamento dado pelos presidenciáveis a Maior Parada Gay do Mundo, que ocorre no Brasil, apesar de CONVIDADOS!

Bem mais grave que isto é o tratamento dado A TODOS NÓS lgbts que somos cidadãos, estamos representados nesta Parada de São Paulo por milhões de pessoas presentes e também somos eleitores, tanto quanto os que nos perseguem.

Desconheço as agendas de todos, mas Dilma, que possui agenda pública, pode ir em maio a XIII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, e também a Reunião-almoço com empresários e lideranças do Fórum Empresarial e, assim por diante.

Mesmo sem conhecer a agenda do Serra, porque não localizei, sei que ele foi fazer Discurso aos evangélicos Gideões Missionários da Última Hora, em Camboriú, Santa Catarina, em 1º/05/2010.

E Marina, não se negou visitar ao Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e dar entrevista coletiva a respeito.

Eles sabem onde desejam fazer suas campanhas.

A verdade é que estes principais candidatos a presidência NÃO ESTÃO NEM AÍ mesmo para os LGBTs. Não quiseram SE COMPROMETAR.

Marta Suplicy recebeu a faixa de madrinha da Parada Gay e no pouco tempo que ficou no carro, disse que o evento alcançou a importância que tem hoje porque "muita gente deu a cara para bater".

O governador paulista, o prefeito da capital e o presidente da Parada Gay participaram de entrevista coletiva na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, momentos antes do início do evento, na manhã deste domingo (6), em São Paulo. (Foto acima de Letícia Macedo/G1)

Conforme havia previsto no anterior post, foi confirmado na Parada de São Paulo, a conquista do "Dia Nacional Contra a Homofobia", o que foi mencionado pelo ex Big Brother Jean Wyllys e confirmado também pelo presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOGLBT), Alexandre Santos em entrevista coletiva.

Segundo site “A Capa”, "O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), chegou à Parada Gay de São Paulo por volta das 11h, quando a avenida Paulista ainda estava vazia e era possível caminhar tranquiliamente.Pontualmente às 12h, o carro oficial da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOGLBT) deu início aos discursos políticos. Tradicionalmente a drag queen Silvetty Montilla abriu as falas, perguntando: "Cadê as bonitas?".

Em seguida, discursaram Alexandre dos Santos, presidente da APOGLBT; Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT); e Mitchele Meira, gestora da Coordenação Nacional de Políticas Públicas do Governo Federal. A tônica na fala de todos foi o ano eleitoral e a importância do voto consciente.

O ex-Big Brothers Coloridos, Angélica, Dimmy Kieer e Serginho estiveram lá na Parada, literalmente dando pinta. Será que eles agora aprenderam o significado da sigla LGBT? Não foram os únicos, conforme já dito antes, o ex BBB Jean Wyllys também estava lá.

Gostei muito de tudo que li e vi sobre a Parada. Verdadeira campanha de conscientização reiterada nos principais meios de comunicação, conforme revelam as fotos do G1 de Daigo Oliva.




No site do G1 vi Léo Aquilla, que já tentou entrar na política, segurando uma faixa de protesto (foto de Daigo Oliva / G1):


Na matéria do programa 'O Fantástico' da Rede Globo foi ressaltado que os trios elétricos vieram de preto, como protesto e o jornalista ressaltou a razão de ser: “Vote contra a homofobia defenda a cidadania”.

E melhor, escolheram sabiamente uma entrevista para levar a público, da drag Sarah Fyffer, a qual fez um belo gol ao deixar uma mensagem nada pretensiosa e bastante realista: “Ninguém tem que passar a mão na cabeça de ninguém, porque certo ninguém é, mas respeitar. Respeito está acima de qualquer coisa”. Fyffer deu o seu recado, bem dado.
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Sugiro que vejam o album destes dois sites:

domingo, 6 de junho de 2010

Notícias rolam que LULA assinou, em 04/06, Decreto criando o DIA NACIONAL DE COMBATE À HOMOFOBIA


Recentemente, em 19/05/2010, foi realizada em Brasília a Primeira Marcha Nacional LGBT contra a Homofobia.

No site "Poder On Line", já existia matéria informando que a Secretaria de Direitos Humanos teria confirmado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinaria um decreto criando o "Dia Nacional de Combate à Homofobia".

Na mesma matéria afirma que "a data será 17 de maio. Em 1990, foi nesse dia que a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou de sua lista de doenças o homossexualismo".

- O Dia Nacional de Combate à Homofobia não será uma data comemorativa, mas marcará um dia contra a violência, afirma Mitchelle Meira, coordenadora-geral de Promoção de Direitos Humanos.

Isto só não ocorreu naquela data da Primeira Marcha porque Lula se encontrava viajando.

Julian Rodrigues, conhecido militante dentro do MLGBT e do PT, informou aos colegas de lista que havia recebido mensagem da aludida Mitchele Meira, coordenadora LGBT do governo Lula, informando que o presidente assinou, sexta-feira, 4 de junho, o decreto que institui o Dia Nacional de Combate à Homofobia.

Esta notícia também foi veiculada no twitter "Parou Tudo", contendo a mesma informação:
"Presidente Lula assinou nesta sexta-feira 4 o decreto que oficializa no Brasil o Dia Nacional contra a Homofobia. Algo histórico"
Se for confirmado, Julian Rodrigues tem razão ao afirmar que é "mais um avanço do governo Lula na construção da cidadania LGBT".

Não consegui confirmar esta notícia nos sites do governo, temos que ter certeza que isto ocorreu, de fato. Vamos ver se hoje, na Parada Gay de São Paulo, é confirmada a nota.

sábado, 5 de junho de 2010

O Golpista do Ano: I Love You Phillip Morris


Hoje fui assistir ao filme “I Love You Phillip Morris”. Phillip Morris é o segundo papel principal do filme, interpretado por Ewan McGregor, por quem o personagem principal vivido por Jim Carrey se apaixona. Como no Brasil provavelmente querem dar destaque para o ator Rodrigo Santoro, que possui uma participação importante no filme, preferiram retirar o foco dado ao segundo personagem principal e trocar o título para “O Golpista do Ano”, o que até faz sentido...

É que o filme é baseado em uma história real, na vida do vigarista Steven Jay Russell (no filme, Jim Carrey), que era um policial, casado com uma linda esposa, com quem tinha uma filha que, depois de um grave acidente de automóvel, resolveu se assumir e viver uma vida literalmente gay. O problema é que ele descobre que ser um gay fashion é muito caro e resolve viver de golpes, até ser preso e lá no presídio descobrir a sua verdadeira paixão, o tal Phillip Morris. A história, assim contada, me parece bem mais interessante que aquilo que o filme me apresentou.

No filme há uma certa apelação a inteligência de quem assiste. Quando ele sofre o acidente gravíssimo e é socorrido sai falando e gritando para os médicos que o socorrem que ele agora é bicha. Tipo, Jim Carrey de ser: “Eu sou bicha!” “Eu sou bicha!”

Antes desta cena, tem aquelas armadilhas cômicas, bem pastelão, onde começa com o personagem dando um beijo intenso e apaixonado na esposa, na frente de uma roda de amigos, com a continuação imediata de cena para um close de sexo, onde só aparece da cintura para cima o Jim Carrey na cama, transando de forma prazerosa e de repente aparece um cara careca e barbudo, de quatro, dizendo frases sexuais apelativas, nada convincentes e o Carrey dando tapinhas na bunda dele, com aquela cara de Jim Carrey. É quando o personagem que narra o filme, lembra de avisar ao público que ele é gay.

Jim Carrey não faz um personagem gay caricato, mas induz ao público que seu personagem é o "gay ativo". Isto por si só, já me pareceu certo rótulo. Por conseguinte, os personagens que se envolvem com ele, são os "gays passivos". Rodrigo Santoro aparece nesta primeira fase do filme, andando na rua de forma afetada e o personagem título é a bichinha boa, sensível, delicada e boqueteira, por quem ele se apaixona.

Além disto, no filme há um divisor de águas, com grande enfoque, a transformação do heterossexual, marido e pai de família responsável, policial texano que, de repente, com o acidente, se transforma no gayzão, que adora grifes, pegador e que, para se manter bem na “nova orientação sexual”, se revela um marginal sociopata.

Vive de dar golpes na praça, golpe de cartão de crédito, golpe de seguros, golpes se passando por advogado e diretor financeiro. E não para mais, uma série de outros golpes vão surgindo. O número de falcatruas é grande e passada tão próxima uma da outra e acelerada que não persuade. Os primeiros golpes são para dar vida boa para ao personagem de Rodrigo Santoro e depois, todos os demais justificados em nome de seu amor homoerótico por Phillip Morris.

As pessoas que assistiram comigo gostaram muito do filme, acharam divertido e romântico.

Não foi assim que saí com a sensação do mesmo filme. Para mim, os produtores enxergaram dois fatores interessantes, o fato de a história ser baseada em fatos reais e que decorre de um homem sociopata e gay. Tentaram fazer uma comédia romântica valendo-se dessas duas premissas e, para isto, não se acanharam de tingir com cores nada convincentes para obterem o lucro pretendido. Não sei indentificar se o problema seria da adaptação ou da direção, de qualquer forma, os responsáveis são os mesmos, Glenn Ficarra e John Requa.

Ninguém vira sociopata por ser gay, mas no filme é assim que é conduzida a história. Ninguém que resolve sair do armário sai literalmente gritando que é "bicha", mas no filme também é assim que funciona. Enfim, meus olhos impiedosos e críticos, impediram de me entregar ao filme sem um certo incômodo.

Na parte que toca os gays, porque o filme não é só isto, considerei o I Love You Phillip Morris clichê e insatisfatório, não possui nenhuma representatividade de filmes como “O Segredo de Brokeback Mountain”, "Milk", “Filadélfia” ou, considerando comédia, um "O Closet", "Será Que Ele É?", "Priscilla, a Rainha do Deserto" e etc. Uma das únicas partes que me pareceu convincente no filme é o anúncio, ao final, que ele é baseado em fatos reais, sabendo que foi adaptado.
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Jim Carrey, apesar de algumas caretas, faz muito bem o personagem de um personagem, que é isso que é o dono da história, assim como os atores coadjuvantes, Ewan McGregor, que consegue passar um gay bem "catito", emocional e Rodrigo Santoro, cumprem bem os seus papéis. A "culpa" não foi deles, que sustentaram o filme até o final.

Mas insisto, a maioria que assistiu, gostou. Portanto, recomendo que assista e tenha a sua própria opinião.
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Eu achei que "I Love You Phillip Morris" foi mesmo "O Golpista do Ano".

quarta-feira, 2 de junho de 2010

MARINA SILVA, apesar do discurso eloquente, MOSTRA SUA CARA! Diz até que pretende não “discriminalizar” a “opção” sexual!!! Decepcionante.

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A pré-candidata do Partido Verde à Presidência da República, Marina Silva, disse, em entrevista ao Terra TV, no dia 01/06/2010, que quer ser transparente com seus eleitores sobre sua posição quanto ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, afirmando:

"Não tenho opinião favorável quanto a isso. Tenho profundo respeito pelos homossexuais e no meu partido milita o (Fernando) Gabeira, que sempre defendeu os direitos deles. Nunca desrespeitei ninguém, o estado tem que prover direitos para todos os brasileiros, independente do credo, da cor, da raça. Isso nunca me impediu de conviver com as pessoas".

Marina disse que, para este caso, é a favor da "união civil de bens", mas não do "casamento", "de acordo com seus preceitos religiosos".

"Prefiro que as pessoas falem: 'não voto na Marina, porque ela não concorda com isso', mas que vou respeitar os direitos do cidadão. Porque agora é comum as pessoas dizerem ser contra o aborto e, depois, com a polêmica, falam que são a favor. Não vejo porque não posso ter direito ao meu ponto de vista, mas isso não vai cercear o direito do cidadão".
Marina merece respeito? Lógico, pois fez essa afirmativa para deixar claro para os eleitores sua posição acerca daquilo que entende a respeito dos direitos homossexuais. Especialmente no que toca ao tema casamento, sequer sei a posição dos demais presidenciáveis. Mas dizer a verdade, ainda não é favor. Trata-se de obrigação.

O respeito que a Marina merece vai somente até a letra “c” do meu alfabeto.

Marina Silva é eloqüente, sabe persuadir pelo discurso. Mas este foi vazio e também revelador.
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Quando ela justifica sua posição “de acordo com seus preceitos religiosos” está deixando clara a intervenção religiosa na sua posição política, a qual norteia sua postura enquanto candidata a Presidência da República. Ela possui todo direito a crença e religião, garantidos igualmente pela Constituição, mas é absolutamente incabível justificar um ato político com base nesta crença.
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O Estado Laico da candidata é tudo, menos laico. O direito para ela segue a posição religiosa. No caso sua crença “pessoal”, não se restringe a sua vida pessoal, mas na atitude governamental para todos, enquanto candidata a Presidência.
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Lembro ao leitor o que significa o Estado Laico: aquele que não se confunde com determinada religião, não adota uma religião oficial, permite a mais ampla liberdade de crença, descrença e religião, com igualdade de direitos entre as diversas crenças e descrenças, tendo como principal característica conceitual que, fundamentações religiosas não podem influir nos rumos políticos e jurídicos da nação. É o que se defende ser o Brasil sob a égide da Constituição Federal de 1988, em razão de seu art. 19, inc. I, vedar relações de dependência ou aliança com quaisquer religiões.

Marina Silva, em sua resposta sobre o casamento, fundamenta o rumo político e jurídico da nação “de acordo com seus preceitos religiosos, portanto, a candidata não respeita a laicidade do estado, apesar de, na mesma entrevista, e em outra resposta, dizer que respeita o estado laico e que governa para todos.

O casamento previsto no Código Civil foi DECEPADO, ela descaradamente fingiu que não existe e tampouco o conhece. Para ela, com todas as letras, esse casamento civil é SACRAMENTO, e por motivo de sua crença, não admite para os homossexuais, apesar de dizer que respeita a “opção” sexual.

Ela não é jurista, mas além de Senadora da República, amparada por juristas especializados, também é pré-candidata a Presidência da República, o que a obriga saber aquilo que defende como pauta de sua candidatura. Enfim, não pode haver aqui desculpa de se tratar de uma manifestação ingênua e precipitada. O casamento do código civil virou SACRAMENTO religioso, na interpretação grotesca da religiosa candidata que diz respeitar o estado laico e a “opção” sexual dos homossexuais.

Na aludida entrevista fica claro ainda como Marina faz rodeios quando o tema é aborto. Afirma que não cabe satanizar quem defende e nem desqualificar quem condena chamando-o de fundamentalista e que tudo depende de um debate para buscar uma solução que, segundo ela, “vai estar NÃO ATENDENDO A VALORES e visão de mundo em termos filosóficos, morais, espiritual, ético e moral”, seja de quem é a favor ou contra. Mas há uma pequena ressalva, para ela, a mulher favorável ao aborto que o faz, na verdade não queria fazê-lo. Entendeu?! RS. Ela não disse “a solução”, mas dá para perceber que tal solução perpassa, de qualquer forma, pela inexistência do aborto. Pura tergiversação.

Tão importante quanto sua posição ser explicitamente justificada em seus preceitos religiosos é entender e distinguir o que Marina quis dizer com “é a favor da união civil de bens, mas não do casamento”.
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Alguém que cria a terminologia, até hoje jamais conhecida, da “união civil de bens” já dá para desconfiar. Que diabos é afinal isto? O que ela chama de união civil “de bens”?
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Conheço união civil, antiga denominação para parceria civil, a união estável e a união homoafetiva, assim como, a pior delas, sociedade de fato. Isto não pode passar batido, como se nada quisesse dizer.

A união civil de pessoas do mesmo sexo não fica restrita a BENS, ainda que também os garantam. É aquele antigo projeto de Lei proposto pela Martha Suplicy, que há mais de década foi engavetado, já velho e ultrapassadíssimo, intitulado de Parceria Civil, mas que tinha por escopo disciplinar a união civil entre pessoas do mesmo sexo ‘e outras providências, não só restrita a bens, atuando também, de forma acanhadíssima, em outras questões afins, como a impenhorabilidade de bem de família, a curatela, a sucessão e etc.
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A união estável e união homoafetiva são denominações que impõe o reconhecimento de uniões de pessoas do mesmo sexo como entidades familiares, com os efeitos jurídicos decorrentes delas. Aliás, o que mais se avizinha do instituto de casamento.
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Marina Silva, ao discorrer sobre a tal união civil DE BENS, referiu-se ao projeto da Martha Suplicy, mas nunca esqueçamos os acréscimos lá inexistentes, DE BENS. É à volta ao retrocesso, com prováveis direitos a vetos de tudo que não se limitar aos BENS. Óbvio que pelo discurso inicial, o instituto da FAMÍLIA é sagrado, não pode ser confundido com gays.

São muito graves as afirmações da candidata ao cargo de Presidente da República, que não só negou o direito ao casamento as pessoas do mesmo sexo, como também deixou expresso que assim o faz em afronta a Laicidade do Estado, já que para justificar sua posição, enquanto governo, lançou como motivação os preceitos de sua crença pessoal.
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Enfim, ao se referir as demandas dos LGBTs, usou de evasiva e subterfúgios, aduzindo ao termo “união civil” as representativas e explicativas palavras “DE BENS”. Portanto, retroage nossas demandas, faz rodeios, com discurso eloqüente que lhe é de praxe, para dizer aos homossexuais, QUE DELA NADA OBTERÃO.

Não precisamos da união civil “de bens”. Até uma das mais altas cortes do Poder Judiciário já entende isto como ultrapassado, quando se refere aos direitos LGBTs, reconhecendo, ainda que com dificuldade, bem mais: a união estável e adoção por casais homossexuais.
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Uma anterior entrevista para o UOL Eleições já havia sido marcada por muito vaselina. A presidenciável já havia demonstrado que não gosta da palavra “contra”, então de forma piegas já havia utilizado o "não favorável", para se referir ao casamento gay e afirmou “não ter posição fechada” sobre a adoção de filhos por casais homossexuais, quando foi indagada sobre a decisão do STJ que confirmou o direito. Quando o tema foi em sentido oposto ao pregado pelo partido, fugiu e propôs plebiscitos para discutir a legalização da droga e sobre o aborto.
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Colegas LGBTs, não paguem novo mico tentando entregar a bandeira do movimento a ela em campanha. Ela já a dispensou uma vez e desta vez, em entrevista ao Terra, foi ainda bem mais clara. Dá próxima vez só restará ela DESENHAR.

Freud explicaria o “ato falho” de Marina Silva na entrevista ao trocar “discriminar” por “discriminalizar”, quando afirmou que ela não pretendia “DISCRIMINALIZAR as pessoas que tenham essa opção”, pois ela teria profundo respeito por elas. “Discriminalizar” Marina? A prática homossexual ainda não é crime querida!

Respeito como este aos homossexuais, Marina, realmente dispenso!
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E atendendo a fala inicial despreocupada da candidata, tal como ela prefere, digo: Não voto na Marina Silva!
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PS: O título que consta no Youtube, dela defender a união civil, certamente é de autoria de algum cabo eleitoral tentando destorcer a realidade do discurso da Presidenciável.
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Fonte:
http://terratv.terra.com.br/Noticias/Especiais/Eleicoes-2010/4823-305812/Marina-nao-se-opoe-a-uniao-civil-de-bens-entre-gays.htm
Foto: http://eobvio.files.wordpress.com/2009/08/marina_silva.jpg

terça-feira, 1 de junho de 2010

"O ator que se assume gay é bobo" X "É bobo querer ser você mesmo e ser feliz?"

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Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais - ABGLT -, enviou uma carta aberta para Sílvio de Abreu.

A polêmica surgiu quando foi amplamente divulgada na mídia uma entrevista de Silvio de Abreu onde este diz que o beijo gay na telinha pode chocar quem não seja gay e que ator que assume que é gay é bobo.

" - Homossexualismo não é mais tabu. Beijo gay é outra história. É uma exposição que grande parte do público que não é gay pode se chocar."

"- Se o ator, digamos assim, vive de fazer tipo, não tem problema. Ele vai poder fazer o tio, o pai, o aleijado, o bobo. Mas se ele vai ser o sonho de amor das telespectadoras, ou a moça que vai ser o sonho de amor do telespectador e ela diz: Eu sou lésbica, ninguém vai gostar. Ninguém mais vai sonhar com ela.[...] Se ficarem falando por trás, não tem importância. Se ele falar abertamente, vai prejudicar. Daí você vai me dizer: O público gay vai gostar. Mas o público gay é 10%. A mulher é 40%, ou sei lá quanto, mais ou menos isso. Ator que fizer isso é bobo."

Li inúmeras manifestações das cabeças pensantes no Movimento LGBT. A primeira delas pelo nosso decano Luiz Mott, que instantaneamente, se levantou contra esta postura por entender que as declarações do autor poderiam inibir muitos LGBTs a sairem do armário e atrasaria ainda mais o beijo gay na televisão brasileira. No entanto, houve quem entendesse a posição de Silvio de Abreu, no que se refere, especificamente, aos indivíduos que exercem atividades artisticas para um público heterossexual, tendo por mira as consequências do que pode ocorrer, em algumas atividades, quando se sai do armário.

Naquele momento, particularemente, não dei palpite neste imbróglio.

Por um lado, entendo absolutamente correta a posição daqueles que criticaram o Silvio de Abreu. Me perdoe o Silvio de Abreu, me pareceu mais que a incompetência de escrever algo com qualidade foi justificada numa incapacidade do público de ver e aceitar uma cena onde exista beijo e até sexo homossexual. Basta lembrar que, entre outros, o filme "O Segredo de Brokeback Mountain", com tais cenas de beijo e sexo, já passaram e foram reprisados em canais abertos da televisão nacional, após lotar os cinemas brasileiros. Basta possuir qualidade e competência da parte de quem escreve, dirige e intrerpreta as cenas.

É incrível que na televisão da Argentina exista novelas com beijos e cenas de sexo homossexuais e aqui no Brasil, terra das novelas exportadas, isto ainda seja um tabu.

Mas, por outro lado, conhecendo pessoalmente alguns atores e atrizes, sei o quanto eles vivem numa atividade competitiva e difícil que não permite que corram riscos de aumentar as possibilidades de restrições numa eventual contratação, seja pela marca de um personagem ou até mesmo pela eventual rejeição do público, que na questão em debate, poderão deixar de enxergá-los como o galã da novela das oito que passa veracidade na conquista da mocinha. Pode parecer besteira, já que o bom ator e atriz passarão tal verdade e o público acabará enxergando a qualidade de seu trabalho, independente de sua orientação sexual. Mas se trata de uma decisão que cabe única e exclusivamente ao artista, que sabe onde dói o seu calo e até onde pode arriscar não ter trabalho para garantir o seu ganha pão.

Não é difícil cantoras e cantores, nem escritores e diretores se assumirem, pois o trabalho deles não fica dimensionado a veracidade de uma interpretação de uma personagem.

Portanto, para o ator e atriz se assumir precisa antes de tudo ter uma segurança muito grande na qualidade de seu trabalho de interpretação e confiar que o público, após uma rigorosa avaliação de confronto do ator para o personagem, terá condições e maturidade suficientes para ultrapassar o choque inicial.

Entretanto, recebi do Toni sua "carta aberta" e a considerei tão mais forte e impactante, que não posso me furtar a dividí-las com vocês, para que cheguem as próprias conclusões. Ao meu ver, ela vai além da atividade artística de um pessoa. Ela fala da pessoa, antes de questionar a atividade do artista.

É que antes da discussão se focar no ator e nas consequências que podem decorrer em sua atividade profissional, Toni preferiu ir ao âmago e discorrer sobre o ser humano que tem por escopo ser feliz, considerando aspectos cruciais, o espaço e o tempo. Ele realmente foi perfeito:

É “bobo” querer ser você mesmo e ser feliz?

Sílvio de Abreu, tenho uma admiração pelo seu trabalho desde que me conheço por gente, quando ainda criança assistia animado suas novelas na nossa televisão preto e branco, lá em Pato Branco-PR, no sofá velho de corvim, na casa de madeira: a primeira, Éramos Seis, que é a novela da minha vida; depois, Guerra dos Sexos, lembro até hoje a cena marcante com o Bimbo (Paulo Autran) e a Charlô (Fernanda Montenegro).

Sempre gostei do seu bom humor. Já a novela Plumas e Paetês, assisti em Quedas do Iguaçu-PR, na televisão colorida, no sofá de napa, numa casa de alvenaria.

Você tem tratado da homossexualidade, entre outras obras, na novela A Próxima Vítima, explorando o envolvimento entre os personagens Jefferson e Sandro. Nesta novela você prestou um grande serviço, desmistifcando a homossexualidade de forma positiva. A cena em que Sandrinho fala para Suzana Vieira que ele é gay e os dois choram foi para mim um dos momentos mais lindos da televisão brasileira. Em Torre de Babel, havia um casal de lésbicas, que morreu em uma explosão em um shopping center. Na época nós achávamos que a mensagem subliminar da morte delas foi lesbofobia. Será que não foi? E agora, com Passione, sem grandes comentários, vamos ver no que vai dar! Hoje assisto a novela no nosso apartamento, numa televisão de plasma, no sofá de tecido.

Por que estou escrevendo para você?

Semana passada, você teria afirmado para a colunista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, que atores homossexuais não devem assumir a sua orientação sexual para não prejudicar seus trabalhos na televisão, porque a revelação pode decepcionar o público feminino, que prefere ver os galãs heterossexuais na tela, e que a melhor opção, nesses casos, é permanecer no armário. “Se ficarem falando por trás, não tem importância. Se ele falar abertamente, vai prejudicar. Ator que fizer isso é bobo”.

Bobo vem do latim ‘balbu”, e significava “gago”. Segundo o dicionário, bobo quer dizer
“indivíduo defeituoso, ridículo, tolo e maluco.”

Vejo que o aparelho de televisão evoluiu, e o sofá e a residência também. O que parece não ter evoluído é a mentalidade em relação ao assumir-se homossexual. Nas palavras de Elis Regina, “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais.” John Lennon compôs uma música chamada Imagine. Eu fico imaginando como seria se fizessem no Brasil o Dia Sem LGBT. Muitas instituições não funcionariam. Com certeza, o Projac não funcionaria, e não seria apenas maquiadores ou cabeleireiros que faltariam.

Silvio, vou te contar resumidamente um pouco da história da minha vida para você entender um pouco da minha tristeza e indignação com sua declaração.

Quando falei para minha mãe, aos 14 anos de idade, que eu era gay, ela não teve dúvida. Não me chamou de bobo, mas me mandou para o médico me “curar”. Não deu certo. Procuramos a Igreja Católica e fiz promessa para Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, não deu certo.

Fiz novena, mas como eu tive várias recaídas, tive que recomeçar a novena e ela virou quarentena. Fui ao culto da igreja evangélica Assembleia de Deus, não deu certo. Fui ao Centro de Umbanda e tive que fazer uma oferenda, porque o pai de santo me falou que eu tinha uma pomba-gira desgovernada, mas não deu certo. Fiz muita simpatia, que não convém descrever aqui. Não funcionou. Permaneci gay. Fazer o quê?

Para resumir a história, minha mãe falou para mim quase cochichando, “meu filho, já que não tem jeito mesmo de você se curar deste mal, não fale para mais ninguém. Se falar, eu vou sofrer, você vai sofrer, todo mundo da nossa família vai ser motivo de chacota.” Vejo na afirmação que você fez o eco das palavras da minha mãe.

O que fiz? Saí da minha cidade. Estudei. Fui para a Europa onde fiquei por quatro anos. Quando voltei, fundei o primeiro grupo gay do Paraná e depois, em 1995, juntamente com outros 31 grupos, fundamos a ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais. Por força do ofício, eu assumi minha homossexualidade de forma muito explícita, o que recomendo a todos e todas.

Foi como tirar o peso de dois sacos de cimento das costas. Não precisei mais mentir ou omitir.

Depois de me apresentar, e me referindo à Constituição Federal, sei que as pessoas têm o direito à privacidade. O artigo 5º, inciso X, da Constituição oferece proteção ao direito à reserva da intimidade, assim como ao da vida privada. Segundo Celso Bastos e Ives Gandra, intimidade consiste "na faculdade que tem cada indivíduo de obstar a intromissão de estranhos na sua vida privada e familiar, assim como de impedir-lhes o acesso a informações sobre a privacidade de cada um, e também impedir que sejam divulgadas informações sobre esta área da manifestação existencial do ser humano," opinião da qual comungo e procuro respeitar.

Por outro lado, para nós LGBT que sofremos todo tipo de discriminação (vide o item Pesquisas em www.abglt.org.br/port/pesquisas.php), é muito importante que tenhamos referências positivas de gays, lésbicas e pessoas trans nos meios de comunicação, e não apenas caricatas estereotipadas, ou ausência de referências.

Isto vale tanto para diminuir o preconceito presente na sociedade de modo geral, como também ajuda os jovens que estão se descobrindo LGBT a terem menos dificuldade em se assumir e a não se sentirem inferiores por causa de sua sexualidade diferente da convencionalmente aceita.

Com a sua afirmação de que é bobo o ator galã que assume sua orientação sexual, você reforça o preconceito, a discriminação e principalmente o estigma existentes contra as pessoas LGBT. Sério.

Sílvio,você como o formador de opinião que com certeza é, basta ver os mais de 230 sites e blogs e mais de 30 jornais nos quais sua fala repercutiu, espero que você não esteja recomendando que as pessoas ajam com hipocrisia, que “é o ato de fingir ter crenças, virtudes, ideias e sentimentos que a pessoa na verdade não possui”. A vida não é um palco iluminado. Ela deve ser vivida intensamente, porque também ela não é um ensaio. Aqui meu amigo, a vida é um ato só, e não tem direito a uma reprise, embora tenha gente que acredite que pode fazer um remake.

Peço que você analise esta frase do nosso querido Caetano Veloso, da música Dom de Iludir: “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.” Quando uma pessoa assume sua verdadeira orientação sexual, ela deixa para trás muitas coisas ruins, não precisa mais mentir e fingir. Não corre o risco de ser chantageada. Não precisa mais correr risco de vida.

Você sabia, Sílvio, que muitos gays famosos (atores, políticos, religiosos, jogadores...) acabam sendo mortos por se exporem, muitas vezes levando pessoas estranhas para suas casas às escondidas, por não poderem ser o que realmente são. Ficar no armário causa baixa autoestima e aumenta a vulnerabilidade. Muitos atores e personalidades de Hollywood e até da televisão e do cinema brasileiros morreram de aids como consequência disso. Ficar no armário não faz bem para ninguém.

O primeiro vereador gay assumido eleito, Harvey Milk, cuja história foi retratada o filme A Voz da Igualdade, disse: “Se você não é livre para ser você mesmo na coisa mais linda da vida, que é a expressão do amor –, então a vida, em si mesma, perde seu sentido.” Será que ele era bobo, ou defeituoso?

Sílvio, o armário não é lugar para as pessoas. É escuro, alguns tem mofo e outros até traças. Não faz bem para a saúde mental.

Talvez seu raciocínio seja de que o ator não seja prejudicado. Sabia que esse raciocínio me incomoda, o raciocínio do “vamos deixar tudo como está e não vamos tentar mudar”. Já pensou se não tivéssemos mudado a regra que pessoas negras não podiam se casar com pessoas brancas. Não faz tanto tempo que atores negros e atrizes negras só tinham papéis de motoristas ou domésticas, porque prevalecia o raciocínio de que se o(a) negro(a) fosse protagonista, a novela não teria sucesso.

Também segundo a reportagem, você considera que a exibição de um beijo gay na televisão é um tema polêmico: “é uma exposição com a qual parte do público que não é gay pode se chocar.” Eu pergunto, é melhor colocar um beijo gay, ou tanta violência
e espancamento que vemos hoje nas novelas? Eu prefiro o beijo. Cito aqui um soldado gay americano que disse” Fui condecorado porque matei vários homens na guerra, fui expulso do exército porque beijei um”. O que você falou é o mesmo entendimento da
hipocrisia americana com relação aos gays no exército: você não fala que é e eu não pergunto.

Minha mãe, em 1978, quando eu tinha 14 anos, mandou que eu me curasse da homossexualidade. Mas em 1996, ela fez todo aquele sacrifício, abertamente e sem medo, e se propôs a casar com meu marido, David Harrad, para que ele pudesse ficar no Brasil comigo. Minha mãe mudou. Agora ela teria 79, e você tem 68. Ela era uma pessoa de pouca instrução, mas de grande sabedoria. Se minha mãe mudou, você Silvio de Abreu pode mudar. Você estará colaborando para um mundo melhor em que as pessoas sejam elas mesmas, sem simular afeição. E estarão cumprindo a finalidade da vida, que Aristóteles tão bem definiu como sendo a Felicidade. É “bobo” querer ser você mesmo e ser feliz?

“A sexualidade faz parte de nossa existência. E o projeto de uma bela existência implica o de uma livre sexualidade.”
(Jean-Philippe Catonné)

* Toni Reis, 46 anos, especialista em sexualidade humana, mestre de filosofia, doutorando em educação e presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - ABGLT - Curitiba - Paraná


Fonte:
Foto de Silvio de Abreu: Fábio Zanzeri/AgNews
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