O presente blog se propõe a reflexão sobre os Direitos Humanos nas suas mais diversas manifestações e algumas amenidades.


domingo, 8 de agosto de 2010

Na novela PASSIONE é normal um gay ser xingado de GAZELA e VIADINHO

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Sílvio de Abreu é o autor da novela "Passione" da Rede Globo que já declarou para mídia que atores homossexuais não devem assumir a sua orientação sexual para não prejudicar seus trabalhos na televisão. Segundo a colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo, o autor disse que a revelação pode decepcionar o público feminino, que prefere ver os galãs heterossexuais no vídeo. Esta sua visão com uma boa parcela de preconceito já deu o que falar, inclusive neste blog.

Pois bem, Silvio de Abreu no capítulo de sábado (07/08) da novela presenteou a quem assiste sua novela com algumas cenas inusitadas, mas em especial uma:

O personagem conhecido como Saulo (Werner Shünemann), se dirigiu ao mordomo de sua casa, Arthuzinho (Julio Andrade), com as seguintes pérolas:


- O GAZELA, vai lá, liga para minha mãe...

-Ôo VIADINHO, eu mandei ligar... VAI!


É ofensivo? É!

Retrata uma violência moral, um abuso? Retrata.

É uma ficção? Sim.

Tento não ser aquele tipo de militante chato, sem senso de humor e que, desnecessariamente, com tudo se incomoda. Todo extremista é equivocado por natureza.

Mas a reflexão é importante e, portanto, outras perguntas também precisam ser respondidas

Você vê alguma cena de novela (depois do advento da severa lei que pune o preconceito racial) algum personagem chamar de macaco, negrinha ou outros adjetivos preconceituosos para outros personagens negros? NÃO! Pode assistir no 'vale a pena ver de novo', mas não nas novas novelas. Por bem menos, houve uma série de protestos pelo Movimento Negro quando Helena (Taís Araujo) apenas pediu perdão de joelho para Tereza (Lilia Cabral) na novela Viver a Vida de Manoel Carlos.
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A justa preocupação da mídia em não reproduzir a discriminação aos negros, judeus, crianças e etc não é a mesma quando se trata de homossexuais. Numa determinada oportunidade o "Observatório da Imprensa" se manifestou sobre a questão envolvendo negros e o Dia Nacional de Combate ao Racismo: "O papel da comunicação social é o de transmitir significados entre as pessoas para a integração das mesmas na sociedade, o que se dará necessariamente com a promoção da igualdade entre os grupos que a compõem". Esse contraste de tratamento que se verifica entre a correta preocupação com as demais minorias e o total descaso com os homossexuais (reproduzida com evento desta novela), já é um sinal de alerta grave, suficientemente claro.

Qual a intenção do autor da novela? Bem, isto só ele pode responder, mas para quem assistiu toda a cena, inclusive a ameaça realizada para sua esposa Stela (Maitê Proença) de forma bastante pejorativa, entenderá que as falas do personagem que é mau (e estão livres das amarras do politicamente correto), em algumas situações pretende obter a antipatia de quem o assiste, e em outras, uma graça impiedosa. Humor perverso mesmo. E foi esta última hipótese que aparenta ter ocorrido hoje. A maioria, especialmente os homofóbicos, que assistiram o personagem Saulo hoje chamando o mordomo de GAZELA e VIADINHO achou isto: GRAÇA!

O 'viadinho' e 'gazela' poderiam muito bem estar inseridos num contexto de ficção até de forma construtiva. A ficção mostrar a homofobia e o grau de sofrimento de suas vítimas, sem ter a graça como finalidade para quem assista.

O fato do autor de tal agressão ser do vilão machista no folhetim que provavelmente será assassinado, não muda a gravidade do caso. O autor Silvio de Abreu foi extremamente infeliz em mostrar uma violência moral pretensamente risível que todos os homossexuais estão tentando modificar na sociedade brasileira. Hoje a criança que assistiu à novela e tenha um amiguinho com o jeitinho do Arthurzinho certamente repetirá o modelo e as falas ofensivas de 'viadinho' e 'gazela' para seu coleguinha (bullying homofobico). Pior, não só as criancinhas, infelizmente.

Silvio de Abreu precisa saber da sua responsabilidade pela profunda dor que Arthurzinhos da vida, especialmente crianças e adolescentes, podem sofrer por conta da eventual repetição desta sua fala criada na novela. Tratou-se de um incentivo e modelo para aqueles que vierem repetir o que o personagem Saulo falou em cena, até porque não houve o menor esboço de reação pelo agredido e ainda porque estes potenciais agressores também puderam observar em seus lares o espanto e graça que possivelmente muitos acharam ao assistir esta infame cena.

Aliás, o personagem do criadinho submisso e bastante afetado já constrói um estereótipo com falsa generalização para os gays, num país culturalmente machista e homofóbico, crítica esta especialmente pertinente se considerarmos que foi construído por um autor de novela que diz que galã deve aparentar virilidade e não pode parecer homossexual.

Lamentável.

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Homossexualidade e Direitos Humanos hoje no Brasil, Argentina, México, Chile, Paraguai e Uruguai

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ARGENTINA

A Argentina se converteu no primeiro país da América Latina a criar e aprovar uma lei autorizando o casamento gay, com o apoio não só do Poder Legislativo, mas também de sua Presidente da República.

CHILE

No Chile, no dia 03/08, três senadores apresentaram um projeto ao Congresso que permite o casamento entre pessoas do mesmo sexo.

Com a iniciativa, os senadores da oposição Fulvio Rossi, Guido Girardi e Alejandro Navarro tentam repetir o que aconteceu na Argentina depois da recente legalização dos casamentos entre homossexuais.

"Estamos animados em começar um caminho, o mesmo caminho iniciado quando terminamos com a diferença entre filhos naturais e filhos legítimos, de modo que hoje o que estamos fazendo é aprofundar a democracia", disse Rossi a jornalistas.

O projeto aponta para uma modificação no artigo 102 do Código Civil que estabelece que o casamento é entre um homem e uma mulher.

No governo do presidente Sebastián Piñera só houve a intenção de regulamentar as uniões estáveis, mas não os casamentos de pessoas do mesmo sexo, aos quais o governo de direita se opõe.

PARAGUAI

No Paraguai o Grupo SOMOSGAY, no dia 23/07, anunciou que em conjunto com organizações que trabalham a favor dos direitos humanos e importantes políticos de vários partidos políticos se encontram trabalhando em um novo projeto de lei sobre matrimônio civil igualitário que será apresentado proximamente ao Parlamento paraguaio.

MÉXICO

Na Cidade do México, onde a lei do casamento por pessoas do mesmo sexo já está em vigor desde março e que faz da capital a única cidade do país a legalizar a união gay, ontem, dia 05/08, passou pelo crivo do Poder Judiciário.

A Suprema Corte declarou válida a modificação no Código Civil que autoriza o casamento entre pessoas do mesmo sexo na Cidade do México.

A legalização do casamento gay conta com a oposição da Igreja Católica e do governo federal. A justificativa do Estado para pedir a inconstitucionalidade da lei do casamento foi com base que a constituição chilena protege a família e o casamento gay violentava a instituição familiar.

O Poder Judiciário, através da Suprema Corte Chilena, confirmou aquilo que o Poder Legislativo já havia expressado com a edição da lei. Trata-se de uma lei constitucional que reconhece os direitos fundamentais dos homossexuais.


URUGUAI

O Congresso do Uruguai legalizou a união civil entre casais homossexuais, sendo a primeira lei nacional deste tipo aprovada em um país da América Latina.

Pela legislação, casais gays e heterossexuais podem formar uniões civis após viverem juntos por cinco anos. Eles tem direitos similares aos garantidos aos casados em temas como herança, pensão e custódia dos filhos.

O Uruguai, ao longo de sua História, foi um país de vanguarda em leis sociais. As uruguaias foram as primeiras mulheres na História da América Latina que puderam exercer o direito ao voto em 1932.

O Uruguai foi o primeiro a conceder o divórcio, em 1907, sete décadas antes do Brasil e oito antes da Argentina. O país também aplica o maior grau de laicicismo em toda a América do Sul, já que a separação entre a Igreja e o Estado é total. Nos hospitais públicos e escolas está proibida a colocação de crucifixos.


Enquanto isto, o BRASIL...

Envia carta para ONU para pedir que não seja realizada censura aos países com ditaduras que matam, esfolam e não respeitam Direitos Humanos.

Incrivelmente, o Brasil se sobressai no mundo por defender e se aliar aos países tiranos que, unanimemente, são reconhecidos como aqueles que ferem Direitos Humanos./

Especialistas em direitos humanos questionam a postura do governo brasileiro, que vem sendo criticado pela aproximação com países onde os direitos humanos não são respeitados, como Cuba e Irã.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi cobrado por não ter dado apoio aos presos políticos de Cuba e só ter defendido a iraniana condenada à morte por apedrejamento depois de críticas da comunidade internacional.

Talvez isto ajude a entender porque em relação aos homossexuais brasileiros, NÃO HÁ UMA LEI SEQUER aprovada pelo Poder Legislativo que reconheça seus direitos e, por sua vez, a proposta do novo, ou seja, os candidatos a Presidência da República, afirmam na cara dura que casamento é sacramento religioso, descabido aos homossexuais.

Enfim, estamos mais próximos do Irã e Venezuela. O atual amigo do presidente, 'extremamente humanista', Mahmoud Ahmadinejad, Presidente do Irã, afirmou que em seu país não existem homossexuais. Não deve existir mesmo, sob risco de serem penalizados com a morte. Já o presidente da Venezuela, Hugo Chavez, disse, em entrevista, que não tem espaço para o casamento gay naquele país. "Pelo menos na Venezuela não é bem visto" segundo Chavez, o que é Presidente.

Fontes:http://somosgay.org/noticias/ http://g1.globo.com/mundo/noticia/2010/08/projeto-de-casamento-homossexual-provoca-crise-politica-no-chile-1.html http://oglobo.globo.com/mundo/mat/2010/08/05/suprema-corte-valida-casamento-gay-na-cidade-do-mexico-917325945.asp http://g1.globo.com/mundo/noticia/2010/08/posicao-do-brasil-sobre-direitos-humanos-provoca-polemica.html

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Justiça afirma que é inconstitucional e anula a proposição 8 que impedia casamento gay na Califórnia

Spencer Jones (esq) beija o marido Tyler Barrick após ouvirem decisão em frente à Corte Federal em São Francisco, na Califórnia (Foto: Jeff Chiu / AP)
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A medida restrição do casamento entre homossexuais na Califórnia foi aprovada pelos eleitores do estado em 2008, 52,3% a favor e 47,7% contra.
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Para juiz federal, proposição 8 viola a Constituição norte-americana.
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A decisão do juiz federal foi brilhante, baseando-se na Constituição Americana, defendeu o direito ao casamento pelo direito que o casal homossexual possui ao devido processo legal e o direito a igualdade.
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O maior argumento daqueles que são contra é baseado no fato que o casamento é destinado a procriação. O juiz foi pontual. O estado não pergunta a quem quer se casar se estão se casando com a finalidade de procriar.
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Quando fala do direito a igualdade, afirma que o estado não pode discriminar e que seria isto que estaria fazendo se dissesse ao casal de lésbicas que não poderia se casar, pois se a mesma lésbica estivesse requerendo o direito ao casamento com uma pessoa do sexo oposto este direito não lhe seria negado, o que significa dizer que ele estaria afirmando que há superioridade de um sobre o outro, discriminando em razão da orientação sexual.
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Conclui que a Proposição 8 que impedia o casamento entre pessoas do mesmo sexo é inconstitucional, tornando válido, desta forma, o casamento entre pessoas do mesmo sexo.
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A decisão composta de 138 folhas, possui uma conclusão final que é óbvia e perfeita:
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"CONCLUSION
Proposition 8 fails to advance any rational basis in singling out gay men and lesbians for denial of a marriage license. Indeed, the evidence shows Proposition 8 does nothing more than enshrine in the California Constitution the notion that opposite-sex couples are superior to same-sex couples. Because California has no interest in discriminating against gay men and lesbians, and because Proposition 8 prevents California from fulfilling its constitutional obligation to provide marriages on an equal basis, the court concludes that Proposition 8 is unconstitutional."
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Nos próximos dias será decidido se sua decisão valerá imediatamente ou não, pois é certo que existirá recurso contra este julgamento. No entanto, ele já se manifestou na mesma sentença que inexiste dano que impeça o casamento e o dano é a razão que poderia justificar a suspensão de sua decisão.
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Como ocorreu na Argentina, o Governador da Califórnia, ARNOLD SCHWARZENEGGER, se posicionou a favor do casamento civil homossexual. Diferente daquilo que ocorre aqui no Brasil, infelizmente.
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Vou repetir aqui uma frase perfeita do Rev. Márcio Retamero, na listagls:
"Eu não quero mais saber de união civil, gambiarra, se somos iguais diante da lei, conforme reza nossa Carta Magna é casamento mesmo, nem mais, nem menos."
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Aprovada há 2 anos por californianos, proposta vetava união homossexual.
Do G1, com agências internacionais *

A Corte Federal de São Francisco, na Califórnia, derrubou nesta quarta-feira (4) a proposição 8, que havia impedido os casamentos entre pessoas do mesmo sexo no estado norte-americano.Na decisão, o juiz federal Vaughn Walker afirma que a proposição, aprovada por referendo em 2008, é "inconstitucional", já que viola o 14º artigo da Constituição americana, que prevê proteção igual a todos os cidadãos.
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A decisão foi uma resposta à ação impetrada por um casal de lésbicas que questionava a proposta 8, cuja aprovação em novembro de 2008 por 52% dos californianos anulou a decisão da Suprema Corte de Justiça do estado que autorizava os casamentos gays.
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Nem os adversários nem os partidários do casamento homossexual acreditam que esta seja a decisão final sobre o caso. Ambos os lados disseram que a decisão deve ser objeto de recurso e, eventualmente, deve acabar na Suprema Corte dos EUA.
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Os oponentes do casamento gay também se reuniram em frente ao tribunal.
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"É muito preocupante para nós, como eleitores, ao ver que um juiz eleito pode simplesmente atropelar os direitos de milhões de californianos ", disse o morador da Califórnia Lucas Otterstad .
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"Homossexuais certamente têm todo o direito ao amor , companheirismo e apoio de outra pessoa -, mas os tribunais não têm o direito de distorcer o significado do casamento , "disse Ned Dolejsi , diretor-executivo da Conferência Católica da Califórnia , em um comunicado.
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Os defensores da Proposição 8, prometeram recorrer da decisão de Walker eo caso está sendo amplamente esperado para chegar ao Supremo Tribunal Federal
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Schwarzenegger comemora
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Pelo Twitter, o governador da Califórnia, Arnold Schwazenegger, comemorou a decisão do juiz. "Esta decisão confirma as completas proteções legais e as garantias que acredito que todos merecem", postou.
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Na declaração completa, publicada no site do governo, o governador diz que o juiz "ouviu em profundidade todos os argumentos de ambos os lados sobre as questões fundamentais do devido processo legal, da igual proteção e da liberdade da discriminação".
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Ao mesmo tempo, afirma Schwazenegger, a decisão "fornece uma oportunidade para todos os californianos para considerar a nossa história de liderar o caminho para o futuro, e nossa crescente reputação de tratar todas as pessoas e suas relações com igual respeito e dignidade."
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*(Com informações da Reuters, France Presse e EFE)
fonte:

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

GRUPO ARCO-IRIS no Rio de Janeiro e a ASSOCIAÇÃO DA PARADA DO ORGULHO GLBT de SÃO PAULO expõem profunda crise e seus Fundadores são chamados


O dia primeiro de agosto de 2010 é um dia para ser marcado pela história LGBT como o ‘dia da crise’ em duas ONGS de grande expressão nacional.

A coincidência não está somente na exposição pública da briga interna que ocorre nestas duas instituições. Ambas ocorrem em período pré-eleitoral, com sinais de cooptação e aparelhamento governamentais e também nas duas os seus FUNDADORES são chamados para colocar ordem no poleiro.

Nada daquilo que está acontecendo é à toa. Há claros sinais de interesses por trás. É a luta pelo PODER orquestrada por aqueles que se ‘sentem’ caciques imprescindíveis, mas que na realidade, antes de serem militantes LGBTs defendem suas intenções políticas partidárias. A causa LGBT está em segundo plano e quem perde somos todos nós.

Não entendeu? Serei mais claro.

Razões não faltariam para o levante de militantes lgbt, com críticas construtivas, junto a essas duas importantes instituições do Rio de Janeiro e São Paulo. Torná-las ainda mais efetivas e com participação popular, seriam as principais razões.

Mas essa crise foi instalada diante das atuais presidências das duas associações por aparente interesse político. Se der certo as intenções daqueles que estão tentando intervir e alterar as duas Organizações Não Governamentais, estas provavelmente continuariam encasteladas e passariam a ser não governamentais só de fachada, já que ‘os cabeças’ dessas orquestrações são indivíduos ligados diretamente ao governo estadual e federal e a partidos políticos, não por coincidência. Em São Paulo não há sequer camuflagem destes possíveis orquestradores, no Rio de Janeiro já não é assim tão escancarado...

Não entro em discussão se a presidência dessas duas organizações devem ser alvo de críticas, destituição ou renovação, se for o caso. Nem se discute tampouco que a melhor forma de justiça é aquela exercida democraticamente, com a manifestação direta de todos os reais interessados. Mas pior que aqueles que se assumem como maquiavélicos e autoritários são os que assim o são com aparência de democratas, apenas aparentemente professando a democracia com convicção, para atingir o objetivo desejado. É disto que estou falando e é essa a suspeita levantada.

A politicagem, no sentido literal da palavra, chegou a um ponto que aqueles que FUNDARAM o Grupo Arco-Íris e a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (responsável pela Parada Gay de São Paulo) foram chamados as falas, a fim de recolocarem no trilho algo que foi iniciado, idealizado e realizado por eles. Ainda há esperanças.

Não estou aqui questionando as presidências atuais e nem a militância LGBT das duas cidades que as disputam. Há sempre aqueles de boa-fé que lutam por aquilo que acreditam, mas infelizmente muitos deles são fáceis de serem conduzidos pelo poder dos lobos políticos lgbt.

A única esperança que possuo do resgate ideológico é essa justa intervenção dos FUNDADORES destas ONGs.

Apesar da localidade destas duas associações, elas moralmente ‘pertencem’ também a todos os cidadãos lgbts do Brasil, assim como o Grupo Gay Bahia e ABGLT. A última palavra pode ser daqueles que tem direito a voto (o que eles defendem com unhas e dentes para manter o pseudo poder), mas NADA o que ocorre com elas passará despercebido. Cabe a todos nós fazer pressão para que cariocas e paulistas intercedam por nós nesse rebuliço tão estranho e desagradável, exigindo transparência, ampla discussão e justiça, sem os quais quem perde, como já dito, somos nós.

Para você entender melhor o que está em discussão transcreverei aqui o MANIFESTO no Rio de Janeiro e a MATÉRIA constante no blog do jornalista André Fischer, em São Paulo:
1- Grupo Arco-Íris - RIO DE JANEIRO
EM DEFESA DA ÉTICA E DA DEMOCRACIA NO MOVIMENTO LGBT

Nós, fundadores do Grupo Arco-Íris de Conscientização Homossexual – GAI, abaixo assinados, reunidos à Rua Zeferino de Faria 40/302, Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro (RJ), aos 27 dias do mês de julho de 2010, manifestamos publicamente a nossa estranheza diante da convocação, por dez membros do GAI, de Assembléia Geral para o dia 07 de agosto próximo, com a finalidade de destituição da atual diretoria.

Uma medida drástica como a que está sendo proposta não pode ser tomada sem motivos muito fortes e ainda assim precedida de um debate democrático e transparente. Até o momento em que se prove o contrário, a atual diretoria do Grupo Arco-Íris é merecedora da confiança da comunidade LGBT do Rio de Janeiro. Não é cabível que no interior de uma organização dedicada à luta pelos direitos humanos e contra a opressão, pessoas sejam cassadas sem direito à ampla defesa como na época da ditadura militar.

Acreditamos ainda que a ocasião exija de nós a firme defesa da autonomia e da independência do movimento LGBT e demais movimentos sociais em relação a partidos políticos, governos de qualquer nível e ao Estado de uma forma geral. Por essa razão vemos com grande preocupação a crescente partidarização de algumas lideranças e militantes, inclusive com a utilização de estruturas do aparato estatal para influir nos rumos políticos do movimento e suas organizações. Que fique claro que queremos o apoio de todos os partidos e governos para as nossas justas reivindicações, o que não aceitamos é a prática do atrelamento e do aparelhamento, característica de visões políticas anacrônicas e totalitárias que não encontram mais espaço hoje em uma sociedade livre e democrática.
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Assinam este manifesto: Antonio Carlos Barros de Freitas, Augusto José de Abreu Andrade, John Martin McCarthy, Jorge Luis Rodrigues (Caê), José Carlos Ferreira Vieira, Luiz Carlos Barros de Freitas, Marcos Lúcio Pinto, Pedro Toste Coelho Filho, Silvio de Jesus Andrade e Theobaldo Nonato Pereira Lima.
Importante: Em anexo, o manifesto e suas respectivas assinaturas originais."

2 - Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, por André Fischer
"Momento histórico com pitada non sense
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Cerca de 80 pessoas compareceram na noite desta sexta-feira à sede da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOGLBT), na Praça Da República. Segundo Xande Santos, atual presidente (APOGLBT), a sede da ONG nunca recebeu tantas pessoas. “Nem em dia de Parada” segundo ele.O motivo da presença recorde foi a convocação de eleições em meio a um clima de desavenças internas na entidade e após os graves problemas da última Parada (ausência da comunidade gay, briga com principal patrocinador e a Parada em si que acabou antes do público chegar).
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Logo no começo da reunião Xande anunciou que não havia nenhum associado em dia com a instituição (e portanto ninguém apto a votar), que não havia chapas formadas e propôs anistia a todos os inadimplentes para que a eleição pudesse ter quórum. Após alguns protestos foi reconhecido que a Associação nunca enviou boletos de cobrança ou informe aos seus associados em todo esse tempo. Na eleição passada, há dois anos, havia apenas 18 pessoas capacitadas a votar.Lula Ramires, do grupo Corsa, propôs que fosse aberto novo período de cadastramento de associados e que novas eleições ocorressem em seis meses, período mínimo exigido pelo estatuto da organização para que um associado tenha direito a voto. A partir daí estabeleceu-se uma acirrada disputa.
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O lado non sense do encontro ficou por conta do microfone usado por todos a cada fala. O detalhe é que o microfone não estava ligado a qualquer aparato de som, e não servia para que os que não conseguiram entrar na sala ouvissem o que estava sendo dito. Era apenas para captação pela câmera que estaria documentando o encontro- vídeo encomendado pelo empresário Douglas Drumond. Apesar da bizarria da cena, de uma certa maneira serviu para dar ordem ao encontro, que prometia barraco em seu início.
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Douglas, que anunciou candidatura à presidência da APOGLBT, sugeriu que todos os presentes votassem, sendo associados ou não. Foi colocada a impossibilidade legal desta via.Julian Rodrigues, também do Corsa, chegou a propor que o mercado se mantivesse fora da Parada, que ela fosse exclusiva da militância, sugerindo que empresas do segmento devessem ser excluídas definitivamente do movimento.Vinte e quatro falas e duas horas depois do começo da reunião chegou-se ao consenso de que o conselho de fundadores da associação deveria se reunir. O conselho de fundadores da Associação é formado por 11 pessoas, sendo que Beto de Jesus, por estar sendo processado pela Associação, não pode votar. Apenas quatro estavam presentes. E são esses fundadores que se reunirão nos próximos 15 dias para formar um comitê eleitoral e convocar novas eleições 30 dias depois. Estima-se que as novas eleições devam acontecer até final de setembro, logo após a prestação de contas da atual diretoria.
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Até lá permanece a atual diretoria.
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‘Momento histórico’ foi termo usado por diversos participantes, já que abre a possibilidade de uma reestruturação mais do que necessária na APOGLBT, que tem sofrido de falta de uma crônica falta de representatividade e se afastado cada vez mais da comunidade lgbt de São Paulo.
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*Eu, que tentei várias vezes me associar e nunca consegui, descobri apenas durante a reunião que já sou associado e que serei anistiado pela inadimplência (mesmo tendo tentado pagar algumas vezes), portanto terei direito a voto.
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É fundamental que quem se interessa pela questões da equiparação de direitos, acredita que a Parada pertença à comunidade lgbt e que ela vem perdendo sua importância devido à gestão equivocada do pequeno grupo que se encastelou na sua direção, participe.
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Associe-se, participe das reuniões. Mesmo que as mudanças não aconteçam agora, precisamos reverter esse quadro e construir uma Associação da Parada que possa ser o grupo de militância lgbt representativo que Sâo Paulo, que tem a maior Parada Gay do mundo, até hoje não teve."
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A melhor mensagem fica por conta das últimas palavras do André Fischer, em seu blog, que reitero e insisto aqui para cariocas e paulistas: "Associe-se, participe das reuniões. Mesmo que as mudanças não aconteçam agora, precisamos reverter esse quadro e construir uma Associação ... que possa ser um grupo de militância lgbt representativo" , que até hoje não somos.
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Fonte:

Excelente exemplo: Lady Gaga oferece apoio à juventude de LGBT desabrigados


Todos sabemos que existe um grande hiato entre os LGBTs e as Associações que lutam pelos direitos LGBTs. Não cabe aqui e agora questionar de quem é a responsabilidade, apesar de me parecer ser de ambos. Afinal, de um lado, as ongs se fecham em copas numa dezena de militantes cedentos de pseudo poder, não fazendo a menor questão de atrair ou deixar que outros LGBTs participem e, de outro, não há culturalmente hábito de LGBTs lutarem por seus direitos. Tanto é assim que para o público alvo esteja nas Paradas Gays é necessária muita diversão previamente garantida.

Mesmo nos EUA, onde a cultura é outra, com manifesta conscientização da população lgbt, as associações também precisam batalhar por apoio para contribuição em suas associações.

Lady Gaga deu um exemplo maravilhoso a ser seguido pelos famosos brasileiros que desejam contribuir com a causa.

Juntamente com o patrocinador Virgin Mobile, Lady Gaga chegou aos abrigos de sem-teto que serve a juventude LGBT, numa campanha nacional para atrair o trabalho de voluntários para a causa.
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O alvo da cantora são organizações em 25 cidades com foco na juventude de desabrigados LGBT.

Com uma contribuição de oito horas para um dos abrigos selecionados, alguns fãs de Gaga receberão, em troca, de bilhetes grátis para sua turnê já esgotada no Monster Ball.

Um grupo de obstinados fãs começou a campanha terça-feira no Pacto Hollywood 's House em Los Angeles. Quatorze voluntários passaram a maior parte do dia pintando a sala do centro.
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Segundo o advogado, Covenant House é o único programa desse tipo na cidade. A organização oferece abrigo, assistência médica e serviços de carreira e aconselhamento financeiro a jovens sem-teto.

"Eu diria que cerca de 10% dos nossos jovens são LGBT", disse Sylvia LaMalfa, Diretora Executiva da Aliança Casa Califórnia. "É triste dizer, mas um número desproporcionalmente alto de jovens são expulsos de suas casas, porque eles são LGBT. "

Apesar dos bilhetes de concertos gratuitos serem um incentivo adicional , muitos dos voluntários pareciam acometidos em ajudar a juventude LGBT.
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"Se não fosse beneficiar a juventude LGBT, não sei se estaria tão ansioso para fazer isso ", disse David, advogado voluntário. "é importante para nós - e você consegue ingressos de Lady Gaga".

Seria ótimo que nossas Associações LGBTs buscassem esse tipo de acordo com celebridades nacionais (cantores e cantoras, atores e atrizes), e todos os envolvidos seguissem o belo exemplo de Lady Gaga.

Fonte:

domingo, 1 de agosto de 2010

Faça sua parte: começa hoje, pela primeira vez no Brasil, o Censo Demográfico do IBGE que vai contabilizar casais homossexuais

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IBGE começa neste domingo a realizar sua maior e mais importante pesquisa populacional, o Censo Demográfico.

A pesquisa mobilizará 230 mil profissionais que visitarão 58 milhões de domicílios. O censo, além de trazer dados atualizados sobre o tamanho da população, investiga características como religião, renda, estado civil, escolaridade, cor ou raça, saneamento, entre outros.

No questionário deste ano, pela primeira vez, foram incluídas questões sobre cônjuges do mesmo sexo, etnias e línguas indígenas e brasileiros que estão no exterior.

Neste ano, também pela primeira vez, não haverá questionários a serem preenchidos em papel.

Todos os recenseadores portarão computadores portáteis, o que agilizará no processamento das informações.

Outra novidade é a possibilidade de o questionário ser respondido pela Internet, em casos em que for difícil entrevistar o morador pessoalmente. Segundo noticiado, o censor deixará uma senha que terá prazo determinado para aquele morador que não esteja em casa possa responder o censo pela internet.
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O IBGE disponibilizou o número 0800-721-8181 para que a população tire dúvidas e possa, por exemplo, checar a identidade dos recenseadores que se apresentarão em sua residência. O instituto alerta ainda que não enviará pedidos de entrevista por e-mail, e que todas as informações são sigilosas.

Você que por algum motivo não deseja ser exposto e revelar sua orientação sexual, não se preocupe, pois estes dados não serão nominados pessoalmente e nem seus dados pessoais serão expostos. A estatística pretendida é de números, e não a qualificação das pessoas que identifiquem tais números. Se você e seu(ua) companheiro(a) formam um casal lgbt, pode assim se declarar sem qualquer medo. Os seus dados pessoais são sigilosos e o que o IBGE deseja é apenas obter NUMEROS e não explorar e publicizar sua identificação pessoal.

É importantíssimo que você informe se há na sua residência um casal homossexual. Se você também conhecer algum casal homossexual, insista que se identifique e que este casal exija que sua contabilização junto ao censo do IBGE.

Lembro que para o Estado não existimos. Melhor, o Estado finge que não existimos. Ainda não há um censo para apurar o número de lésbicas, gays, bissexuais e trangêneros existentes no Brasil. Por enquanto a apuração é só de casais homossexuais. Mas a revelação deste número é muito importante, pois dirá ao Estado (que não nos dá importância) que existimos e fazemos parte dos cidadãos brasileiros.

Enfim, terá grande impacto para os políticos brasileiros, afinal mesmo aqueles que não se importam conosco, podem começar a se importar e até reconhecer nossa importância pelo número de votos que podem obter, por interesse próprio.

No legislativo ainda temos ZERO direitos legais, quando eles entenderem que somos um número significativo, podemos, quem sabe, sair deste ZERO. Portanto, é de suma importância que casais informem sua condição e que façam campanha com os casais homossexuais amigos que realizem o censo prestando tal informação.

sábado, 31 de julho de 2010

Brasileiros invejam lei que permite casamento civil gay e desejam se casar na República Argentina após o anúncio dos primeiros casamentos realizados

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Jose Luis David Navarro e Miguel Angel Calefato mostram documento em Frías, na Argentina(esquerda) e 1 hora depois Alejandro Vanelli, de 61 anos, e o ator Ernesto Rodríguez Larrese, de 60, casaram-se, celebrando com um beijo (direita)

Só pelas duas imagens acima percebe-se a DIGNIDADE conquistada e reconhecida. Lindos os dois casais!

Um arquiteto e um aposentado, após 27 anos de noivado, se casaram sexta-feira na Argentina e entraram para a história como o primeiro casal legalizado de pessoas do mesmo sexo no país, desde que foi oficializada a lei que permite casamentos entre homossexuais em território argentino.

José Luis Navarro, de 54 anos, e Miguel Angel Calefato, de 65 anos, disseram o tradicional "sim" no registro civil da cidade de Frías, província de Santiago del Estero, no noroeste da Argentina. A lei que permite o casamento gay foi aprovada pelo Senado e sancionada pela presidente Cristina Kirchner.

"Os preconceitos são derrubados com o respeito", disse Navarro, ao diário local El Liberal. Navarro e Calefato ainda não aceitaram um presente de lua de mel que a Cidade do México prometeu ao primeiro casal gay que oficializasse sua união na Argentina, numa demonstração de apoio às reformas que legalizaram o casamento entre homossexuais na nação sul-americana.

"Isso me parece muito superficial para o que significa o acontecimento, pensar em se casar só para ganhar um prêmio", disse Navarro, segundo o El Liberal. A legalização do casamento entre pessoas do mesmo sexo converteu a Argentina no primeiro país da América Latina que reconhece esse tipo de união nacionalmente.

A Cidade do México também legalizou o casamento gay e foi a primeira da América Latina a fazê-lo. A "A Lei do Casamento Igualitário" na Argentina, pela qual foi reformado o Código Civil, foi aprovada pelo Senado em 15 de julho, após mais de 15 horas de acalorados debates.

A Argentina virou o primeiro país latino-americano que concede aos gays e lésbicas todos os direitos legais, responsabilidades e proteções que contempla aos casais heterossexuais, como a possibilidade de herdar bens e a adoção conjunta de crianças.

A Igreja Católica Romana na Argentina rechaçou a aprovação da lei e mobilizou os fiéis a rejeitá-la. Mesmo assim, em vários registros civis argentinos já existem pedidos de casamentos entre homossexuais.

Pouco depois, também na manhã desta sexta-feira, um ator e um representante de artistas se casaram em um cartório de registro civil de Buenos Aires após 34 anos de convivência.

O representante Alejandro Vanelli, de 61 anos, e o ator Ernesto Rodríguez Larrese, de 60, casaram-se no mesmo lugar onde há três anos tiveram esta possibilidade negada.

A nova legislação reforma o Código Civil, mudando a fórmula de "marido e mulher" pelo termo "contraentes".

Além disso, iguala os direitos dos casais homossexuais aos dos heterossexuais, incluindo os direitos de adoção, herança e benefícios sociais.

Brasileiros querem saber se podem se casar na Argentina

A informação foi confirmada à BBCBrasil pela presidente da Federação Argentina de Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transexuais, Maria Rachid, e pela presidente da Organização Não-Governamental (ONG) La Fulana, Claudia Castro.

A La Fulana reúne as lésbicas e bissexuais argentinas. A Federação concentra 42 entidades de pessoas do mesmo sexo em toda a Argentina.

"Já recebemos consultas de casais do mesmo sexo do Paraguai, da Bolívia, Itália, Inglaterra e também do Brasil", afirmou Rachid.

Segundo ela, não haveria problema para a realização destes casamentos na Argentina, já que a Constituição argentina não impediria casamento de estrangeiros no país.

"Será necessária apenas a confirmação de um endereço de residência na Argentina e pode ser até mesmo de um hotel. Isso não será problema. E foi o que já transmitimos aos que nos procuraram."

Qual a validade no Brasil do casamento de brasileiros gays na Argentina?

O casamento civil celebrado na Argentina, para os efeitos legais no Brasil, pode se tornar um problema para o brasileiro. Ele não será eficaz para o que se pretende, por falta de reconhecimento da lei brasileira, sob especial fundamento que fere a ordem pública, mas eventualmente poderá ser considerado válido e eficaz para lhe tornar bígamo, se o indivíduo casar depois com outra pessoa, aqui no Brasil.

Indiscutível apenas o papel do casamento no exterior como prova da união existente, além de cumprir o aspecto moral, para os nubentes.

Para a negativa dos efeitos do casamento realizado no exterior existem dois argumentos que a doutrina se apoia:

O primeiro que é necessário registrar o casamento no Consulado Brasileiro de Jurisdição do local do casamento e posteriormente, fazer a transcrição no Brasil, ou ainda, dependeria o efeito somente se a união for registrada no Brasil no prazo de 180 dias, a partir da volta de um dos cônjuges ou de ambos ao Brasil.

A segunda razão que tira os efeitos do casamento no Brasil seria por ferir norma de ordem pública. É que o casamento aqui é previsto expressamente na legislação pátria para casais formados por homem e mulher, e aquilo que fere este princípio da ordem pública não é válido e nem eficaz aqui.

Portanto, significa dizer, casa-se no exterior, mas não se consegue realizar o registro no Serviço de Registro Civil do domicílio do casal no Brasil, porque ofende o estabelecido à ordem pública.

Mas justiça seja feita. O Superior Tribunal de Justiça já decidiu expressamente que o casamento realizado no exterior não depende daquele primeiro obstáculo antes narrado, ou seja, do posterior registro aqui no Brasil, para que o casamento seja considerado existente, válido e eficaz.

É que, quanto a isto, foi decidido pela validade do casamento celebrado no exterior, sem depender do registro local. O eminente Ministro Ari Pargendler destacou que o Superior Tribunal de Justiça, no Recurso Especial nº 280.197/RJ, tratou especificamente do tema, ou seja, cuidou do art. 32 da Lei nº 6.015/73, reproduzindo até mesmo lição doutrinária de um dos nossos grandes especialistas, Professor Jacob Dollinger, no seu clássico "Direito Internacional Privado" . O eminente Professor mostrou, ao examinar a disciplina legal sobre a matéria, que não foi intenção do legislador obrigar o registro. Diz ele que a sua necessidade só ocorre para o efeito de provar o casamento celebrado no exterior, mas o reconhecimento da validade do casamento, no Brasil, dá-se independentemente do registro local. E essa tese foi acolhida neste precedente relatado pelo eminente Ministro Ari Pargendler.

Apesar de ultrapassado este obstáculo, continuamos com outro. O fato da legislação que institui o casamento no Brasil ser considerada uma norma com força de ordem pública. Por ser princípio de ordem pública não é permitido aos nubentes estabelecer condições para o casamento civil diversas daquilo que está previamente expresso na lei que a regula. E nossa lei estabelece o casamento CIVIL apenas para casais heterossexuais (CC, art. 1.514: O casamento se realiza no momento em que o homem e a mulher manifestam, perante o juiz, a sua vontade de estabelecer vínculo conjugal, e o juiz os declara casados).

Hoje, aqui no Brasil, no máximo você pode figurar como testemunha do casamento civil de heterossexuais.

Lembrem-se disto na hora de votar nas eleições de 2010!

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