O presente blog se propõe a reflexão sobre os Direitos Humanos nas suas mais diversas manifestações e algumas amenidades.


quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O que Arnaldo Jabor e Jô Soares possuem em comum em relação ao Marcelo Crivella?

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Como já dito por algum comentarista político da grande mídia (realmente não recordo o nome) no estado Rio de Janeiro o foco não está nas eleições da presidência da república ou do governo do estado. Diferente de todos os demais, no estado fluminense a briga e atenções dos especialistas políticos residem nos candidatos ao Senado Federal, os quais os três primeiros candidatos estão praticamente empatados: Marcelo Crivella, Cesar Maia (DEM) e Lindberg Farias (PT).

Como o Bispo licenciado da Igreja Universal Reino de Deus, sobrinho do Edir Macedo, ou seja, o Exmo. Senador Marcelo Crivella é um dos principais políticos no Senado que é manifestamente contra os direitos LGBTS, este blog não consegue deixar de prestigiá-lo com toda atenção que o mesmo sempre fez por merecer.

Algumas pessoas podem considerar injusto ou discriminatório lembrar que este candidato a reeleição ao Senado Federal é evangélico e bispo licenciado da Igreja Universal. Se faço isto é porque o próprio candidato, enquanto Senador, se vale de seus dogmas religiosos no Senado Federal e, inclusive, também leva para a tribuna do Senado a defesa da Igreja Universal Reino de Deus, misturando o que não deveria, religião e estado, uma vez que este é laico.

Digo e provo.

MARCELO BEZERRA CRIVELLA moveu uma ação indenizatória de danos morais contra a GLOBO, em razão de crônica de autoria do comentarista Arnaldo Jabor, transmitida no “Jornal da Globo”, na noite do dia 12 de julho de 2005, que alegou ser ofensiva à sua honra, pois o acusava de usar indevidamente o dinheiro das contribuições dos fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus, à qual pertence, em benefício pessoal e para garantir o bem-estar dos bispos da Igreja, promovendo discriminação religiosa e racial.

Marcelo Crivella perdeu a ação na primeira instância, sendo a sentença totalmente desfavorável ao mesmo.

Crivella ficou inconformado e recorreu daquela sentença junto a segunda instância do Tribunal. Os fundamentos do recurso constam no relatório do julgamento e neste consta, entre outros motivos e em síntese, o que teria sido o argumento do Marcelo Crivella: que a “sentença laborou em equívoco uma vez que a hipótese configura ofensa à sua honra objetiva, sugerindo o jornalista que sua vida confortável seria proporcionada pelo dinheiro doado pelos devotos da Igreja e não pela remuneração recebida com o exercício do mandato eletivo de Senador da República, constituindo tal acusação leviana crime de calúnia”. Pedindo, ao final, que fosse indenizado em quantia não inferior a R$ 30.000,00; e que a Globo fosse condenada a transmitir em sua programação, no mesmo horário em que foi veiculada a ofensa, a íntegra do acórdão condenatório que viesse a substituir aquela sentença que lhe deu a perda da causa.

No Tribunal de Justiça sempre são três julgadores a decidirem sobre o recurso de apelação. Na hipótese, as orações e o apelo do Marcelo Crivella não foram atendidos. Os três desembargadores, por unanimidade, não só confirmaram a sentença que havia decidido pela sua perda, como ainda transcreveram todo teor daquilo que havia sido dito pelo Jornalista Arnaldo Jabour e teceram considerações sobre o fato (o que nem poderia ser diferente, já que estavam exatamente julgando este caso).

Vale a pena à leitura do voto da Relatora Desembargadora Leila Mariano, com alguns trechos que ora são grifados particularmente por mim, afinal demonstra o quanto misturado está a figura do Bispo licenciado com a figura do Senador da República, inclusive, utilizando a tribuna para fazer defesa da sua Igreja quando foi encontrado uma fortuna em dinheiro de dízimos sendo transportado em jatinho da igreja, e ainda, quantos outras questões estão envolvidas no mesmo debate, como a alegação de Jabour sobre o destino do dinheiro para campanhas políticas e o conforto dos bispos:

“V O T O

A pretensão do apelante dirige-se à reparação de dano moral que teria sofrido em razão da transmissão pela empresa apelada, no Jornal da Rede Globo do dia 12/07/05, de crônica da autoria do jornalista Arnaldo Jabour cujo inteiro teor se transcreve:


“Irmãos, não vos deixeis confundir pelos inimigos da Igreja Universal do Reino de Deus, eles que estão querendo manchar o nome do nosso bondoso bispo deputado João Batista Ramos, só por que ele transportava 10 milhões em dinheiro vivo, em 7 malas.

Esse dinheiro tem origem, ele vem do trabalho honesto e suado dos devotos da Igreja Universal, que doam 10% de tudo o que ganham para o bem dos Bispos, para que a Igreja possa abrir ricas sedes em Nova York, em Lisboa.

Esse dinheiro sagrado serve, para financiar televisões, palácios de mármore, como em Salvador, para exterminar com os Exus da religião dos negros baianos.

É muito consolador, Ó Irmãos, saber que nossos bispos podem viver em paz e conforto, como Edir Macedo, Rodrigues, Crivella, tantos outros santos homens, para nos levar para o Reino de Deus.

Esse dinheiro sagrado serve também para financiar as campanhas de nossos deputados no Congresso.

Eles estão lá, defendendo os interesses da Igreja Universal, ou melhor, os nossos interesses.
Dai mais dinheiro, dai mais do que 10%, dai tudo o que tiverdes e, se morrerdes de fome, ireis para o Céu, direto, como no jatinho do bispo Edir Macedo.

Orai pelo deputado João Batista Ramos, irmãos, ele é um enviado de Jesus. Aleluia, Irmãos!”
Estamos em sede de responsabilidade objetiva, uma vez que a ação foi endereçada a empresa concessionária de serviço público, sendo ônus do autor a prova do dano e do nexo causal (§ 6º do art. 37 da C.R.). Outrossim, deve-se analisar a excludente argüida pela ré, quanto a ausência de ilicitude no cumprimento do seu dever de informar.

Como se vê, na referida matéria jornalística há referência expressa ao autor, como bispo da Igreja Universal do Reino de Deus, bem que o dinheiro do dízimo, contribuição a que estão obrigados seus fiéis serviria para o conforto de seus bispos, a expansão da Igreja em outros países, citando as sedes de Nova York e Lisboa, a construção de templos, que chamou de palácios de mármore, o financiamento de aquisição de concessões televisivas e de campanhas eleitorais.

Na inicial, que é a peça que baliza a atividade judicial, o autor diz terem sido praticados pela ré os crimes de difamação, ao lhe atribuir a prática de conduta antiética, e de calúnia, ao lhe imputar a prática de estelionato e de promover a discriminação religiosa, ferindo os arts. 171 do Decreto-lei nº 2.848/40 e 20 da Lei nº 9.459/89.

A empresa, sabe-se, não pode ser sujeito passivo dos delitos criminais elencados. Entendendo-se, apenas para fins de argumentação, dando-se interpretação alargada da causa de pedir, que queria o autor referir-se ao jornalista autor da matéria, estar-se-ia diante de hipótese de responsabilidade subjetiva. Nesta hipótese, caberia ao interessado a prova da culpa deste, que, nas espécies delituosa exige atuar doloso. Esta prova não foi feita.

Em nenhum momento pode-se retirar do texto publicado que teria sido imputado ao autor conduta criminosa.

Sabe-se, por ser de conhecimento comum, que os pastores e bispos, que normalmente possuem dedicação integral à atividade evangélica, razão pela qual recebem salários da Igreja, sendo várias, inclusive, as ações trabalhistas.

A crônica de que se trata tem o estilo próprio de seu autor, ácido e ao mesmo tempo jocoso, alusiva a fato veiculado por toda a imprensa, qual seja que o Deputado João Batista Ramos, membro da Igreja Universal, fora detido transportando 10 milhões de reais em dinheiro vivo, em sete malas.

O próprio autor, em 11/07/05, fez a respeito pronunciamento no Plenário do Senado Federal, esclarecendo que o dinheiro que estava sendo transportado no avião apreendido pela Polícia Federal era resultado de doações dos fiéis em uma comemoração especial ocorrida nos templos da Igreja no sábado, dia 9 de julho, quando a Igreja comemorou 28 anos de existência, com finalidade ser encaminhado a sua matriz, em São Paulo, para fazer face as despesas dos seus templos em todo o Brasil, o que fora declarado quando do embarque em Manaus.

Assim, é fato indiscutível que a igreja que se espalhou por todo o território nacional e em cerca de 80 países sobrevive de doações dos fiéis, sendo de se admitir a respeito a crítica da imprensa, mormente porque o maior número de seus seguidores são pessoas de baixa renda.

Outrossim, é de se anotar que na mesma época dos fatos o Procurador-Geral da República havia pedido a quebra de sigilo da Igreja Universal , tendo o STF determinado a quebra de sigilo do autor e que fosse ele ouvido pela Polícia Federal (reportagens de fls. 79/81). Para se apurar sua participação acionária na TV Cabrália e na TV Record de Franca SP foi instaurado o Inquérito nº 2164 que correu em segredo de justiça, estando arquivado desde setembro de 2006.

Como parlamentar, o autor, quer em sua vida pública, como na privada, está sujeito a críticas, não sendo as feitas pelo articulista desarrazoadas, se considerarmos o contexto em que foram feitas.

A matéria tal qual posta não é suficiente para caracterizar ofensa a sua honra objetiva, não tendo a empresa ré extrapolado os direitos que lhe são assegurados pelo art. 5º, itens IV e XIV, e 220 da Constituição Federal.

O julgado de primeiro grau deu correta solução a lide, devendo ser confirmado. Nestes termos, nega-se provimento ao recurso.

Rio de Janeiro, 12 de março de 2008.

Des. LEILA MARIANO
Relatora”


Marcelo Crivella, aquele que se diz candidato 'do bem', e que se prevalece da sua qualidade de cristão para os evangélicos como uma das justificativas para ser reeleito ao cargo senador, se sentiu ofendido pelas verdades publicamente declaradas pelo jornalista Arnaldo Jabor, e mesmo sem ter qualquer razão (conforme restou decidido pela justiça, conforme transcrição acima), ao invés de ser cristão e perdoar Arnaldo Jabor pela inexistente mágoa supostamente praticada, preferiu o perseguir na Justiça e pedir uma fortuna em dinheiro como indenização.

Pior, utiliza a tribuna do Senado para atacar os direitos pretendidos por homossexuais e fazer a defesa dos dízimos da Igreja Universal Reino de Deus.

Se o evangélico candidato não cumpre a ordem da bíblia para pretensamente perdoar o irmão, no caso o Jabor, e ainda não obedece ao preceito máximo da igualdade prevista no evangelho que é amar ao próximo como a si mesmo (no qual não estão excluídos os homossexuais), então porque eu deveria perdoar e gostar do Crivella, não é mesmo?

O significado da eventual derrota de Marcelo Crivella não está restrita a vaga a cargo político pelo Estado do RJ. Na verdade, Crivella e os evangélicos são quase termos equivalentes. Sua derrota representa algo muito maior e também abrangente. Pelo papel que Crivella evangélico representa nos últimos anos, para a política brasileira e Senado Federal, sua ruína significará um importante aviso que nem tudo é como imaginavam todos os políticos e governantes que viraram as costas para os LGBTs e privilegiaram os evangélicos. Os evangélicos não possuem a força toda que imaginam.

Toda nossa campanha em favor daqueles que possuirem reais chances de ELIMINAREM a candidatura MARCELO CRIVELLA para o Senado Federal, no caso, hoje, nossa torcida deve se dirigir para que os votos fluminenses sejam de Cesar Maia (DEM) e Lindberg Farias (PT).
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Ao contrário do Crivella, eu ou qualquer LGBT não possuímos qualquer interesse em interferir em seus dogmas religiosos ou a fé que professa. Nada contra a religião evangélica, mas absolutamente tudo contra a interferência da religião no estado laico, como faz, neste caso, o evangélico Marcelo Crivella lá no Senado.

Tenho ainda que justificar o título desta postagem. Então vamos lá: Ambos são da Globo!
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Acho difícil alguém ainda não conhecer a posição do Crivella em relação aos homossexuais, mas ninguém paga mais aqui para assistir uma celébre entrevista do candidato ao programa do Jô Soares. Depois desta entrevista, não sei se o Marcelo Crivella gosta mais do Arnaldo Jabor ou do Jô. De qualquer forma, ambos por motivos diversos são a memória eletrônica de quem é o candidato em questão. Jô está impagável nesta entrevista:



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Fonte:
Processo No: 0110030-27.2005.8.19.0001 (2008.001.10512)

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Dia da Independência...

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Mais de 510 anos após sua descoberta, Passados 188 anos da sua independência, e em pleno Século XXI, ainda nos perguntarmos:

Quando será que os LGBT deixarão de ser subordinados as regras da discriminação e obterão a liberdade de apenas ser, sem temer?

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sábado, 4 de setembro de 2010

O que distingue o HIV da AIDS? E quais as principais diferenças entre os vírus HIV-1 e HIV-2 que causam a AIDS?

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Vamos abordar um tema desagradável, mas necessário. Afinal, Informação e Saúde são direitos de todos.

Hoje foi largamente divulgado na imprensa que a Fiocruz confirmou a presença do tipo de vírus HIV-2 em 15 pacientes no Brasil.

Imagino que a maioria já deva estar informada sobre este fato e acho desnecessário utilizar o blog para apenas “transcrever” o que todos já souberam pelas principais fontes da imprensa.

Por este motivo, sem deixar de reiterar o fato em si para aqueles que eventualmente ainda não leram sobre o assunto, gostaria de tentar retirar algumas dúvidas comuns que ocorrem quando lemos sobre o tema.

Como não sou da área médica e tampouco pesquisador, só me restou pesquisar nas páginas especializadas sobre o tema, abaixo indicadas, em sites brasileiros e americanos. Portanto, não sei se atualizados, mas ainda assim, suficientes para entender as principais diferenciações.

Com intuito de ser didático, o primeiro esclarecimento que deve ser realizado é sobre uma questão já mais que conhecida, mas que ainda algumas pessoas continuam com dúvida.

Afinal, qual a diferença entre HIV e AIDS? Porque alguns falam que apenas possuem o vírus, mas não foi desenvolvido a AIDS?

HIV significa Vírus da Imunodeficiência Humana. Vamos dar uma olhada mais de perto com essas palavras e o que elas significam:

H" é para o Homem, o que significa que o ser humano só tem esse vírus. Essa é outra maneira de dizer que o vírus é "específico da espécie." Assim você não precisa se preocupar sempre ser infectado de um animal de estimação ou um mosquito.

"I" é de Imunodeficiência, o que significa que esse vírus faz com que seu sistema imunológico tenha alguns problemas sérios. O sistema imunológico combate as doenças e infecções. Quando o sistema imunológico começa a ter problemas, torna-se mais fácil para você ficar doente e mais difícil para você ficar bem.

"V" é para os Vírus, que se refere ao tipo específico de germe ou antígeno. Outros tipos de germes são as bactérias, fungos e parasitas. Felizmente, todos os tipos de germes podem ser mortos com medicamentos específicos. Infelizmente, o vírus não pode ser morto. Você não pode tomar um medicamento como antibiótico e se livrar do HIV. O vírus fica para sempre conosco. Às vezes, somos capazes de criar condições nas quais eles não nos causam problemas, e é aí que um forte e saudável sistema imunitário vem a calhar.

AIDS ou sida é a síndrome de imunodeficiência adquirida. É o resultado de um sistema imunológico enfraquecido, causada pela infecção por HIV. AIDS é diagnosticada quando uma pessoa é positiva para o HIV e também tem uma ou mais infecções oportunistas de AIDS (existem 27) e/ou tem um teste de marcador laboratorial de 200 ou menos células-T. AIDS deve ser diagnosticada por um médico. As infecções oportunistas associadas à AIDS são chamadas de "doença definidora de AIDS" e também deve ser diagnosticada por um médico.

Ultrapassado esta pseuda conceituação básica e distinções, cumpre ir à questão que hoje nos interessa.

O que é HIV-2

HIV-2 (ou Vírus da Imunodeficiência Humana Tipo 2), um segundo tipo de HIV foi descoberto em 1985, mas acredita-se que estiveram muito antes presentes na África. É encontrada principalmente na África Ocidental.

Qual é a diferença entre HIV-1 e HIV-2 HIV-2

  • é transmitido da mesma forma que o HIV-1: Através de exposição a fluidos corporais como sangue, sêmen, lágrimas e secreções vaginais;
  • Tanto o HIV-1 e HIV-2 podem evoluir para AIDS;
  • Imunodeficiência humana (ou um sistema imunitário enfraquecido) desenvolve mais lentamente e é mais branda em pessoas com HIV-2;
  • Pessoas infectadas com o HIV-2 são menos infecciosas nas fases iniciais do vírus do que aquelas com HIV-1;
  • No entanto, nas fases posteriores, o HIV-2 é que faz mais danos. Ele foi encontrado nos estágios posteriores com poder mais infeccioso, causando uma série de doenças em um curto espaço de tempo;
  • O contágio do HIV-2 aumenta à medida que o vírus evolui;
  • A maioria dos casos reportados de HIV-2 foi encontrada na África Ocidental. Há poucos casos de HIV-2 no Brasil;
  • Além disso, outra diferença importante reside em termos de pesquisa clínica, bem como serviços médicos disponíveis para cada estirpe.

É o tratamento para um HIV-2 é diferente do tratamento para o HIV-?

Algumas das drogas usadas para tratar o HIV-1 não são eficazes contra o HIV-2.

“O achado tem um impacto direto na questão do tratamento oferecido pelo governo federal, uma vez que o HIV-2 é resistente aos antirretrovirais do tipo não-nucleosídeos – uma das classes medicadas no Brasil”. Dos 19 remédios que integram o coquetel antiaids, o HIV-2 apresenta resistência a apenas a um. Para o ministério, o resultado da pesquisa não deve ser visto com alarde, pois não representa a maioria dos brasileiros. A recomendação do governo federal é o uso frequente da camisinha para evitar a infecção por um dos vírus (tipo 1 ou 2) e também a coinfecção (os dois tipos ao mesmo tempo).

Os sangues de doadores são testados para o HIV-2?

Sim, sangues doados são testados para o HIV-1 e HIV-2.

É melhor ter HIV-2 do que o HIV-1? Não há cura para o HIV-1, HIV-2 ou AIDS. Embora existam pequenas diferenças nas duas vertentes do HIV, o HIV-1 e HIV-2 levam ao mesmo resultado com risco de vida.

Agora os brasileiros correm um risco maior?

De acordo com Dirceu Greco, diretor do Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais do Ministério da Saúde, o vírus já tinha sido identificado no país anteriormente. “A novidade é que, pela primeira vez, ele foi caracterizado genotipicamente. A descoberta não representa um risco maior à população”, salienta. No Brasil, o HIV-2 ainda representa uma parcela pequena da população infectada. As formas de contágio, no entanto, continuam sendo as mesmas: contato sexual, pelo sangue e de mãe para filho, durante a gestação.


Quais os riscos para aqueles que já estão infectatos pelo HIV-1?

O vírus HIV-2 pode significar um risco extra às pessoas que já possuem o HIV-1. “Se imaginarmos que a infecção atinge diretamente nosso sistema imunológico, com o contágio dos dois vírus, nosso sistema de defesa será bombardeado por dois agentes”, comenta Ana Carolina. Como os vírus convivem em sintonia e se multiplicam simultaneamente no organismo, o contágio, chamado de infecção conjunta ou superinfecção, ocorre também com subtipos do HIV-1, classificados com letras de A a H (no Brasil, os subtipos mais comuns são o B, C e o F).


Qual a melhor prevenção contra o HIV-2?

A melhor prevenção, para todos, ainda é o uso de preservativos. Os especialistas são unânimes no alerta: a prevenção com camisinha deve ser usada pelos soropositivos mesmo em relações com outras pessoas soropositivas.
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Não custa ainda, reproduzir a mais completa e atual matéria que encontrei, publicada na página “Agência de Notícias da Aids”:

"Depois de analisar amostras de sangue de soropositivos, pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) identificaram em 15 exames a coinfecção por dois vírus que causam a aids, o HIV tipo 1 e 2.

De acordo com reportagem publicada pelo jornal O Globo nesta quarta-feira, o HIV-2 - bem menos comum – pode ter uma evolução mais lenta e ser menos transmissível. Porém, segundo explica a geneticista Ana Carolina Vicente, “se uma pessoa está coinfectada e é tratada como se fosse somente tipo 1, ela pode até ter a infecção controlada, mas muitos de seus marcadores podem continuar debilitados”.

O Brasil já registra a coinfecção por dois vírus distintos causadores da aids, o HIV-1 e o HIV-2. Pesquisadores da Fiocruz identificaram a situação em 15 amostras de sangue de pacientes do Rio de Janeiro e fizeram ontem um alerta: o problema pode ser ainda mais disseminado do que se imagina e ter um impacto significativo no tratamento.
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Os dois vírus causam a síndrome da imunodeficiência adquirida, mas têm origens evolutivas totalmente diversas. Por isso mesmo, apresentam diferenças significativas entre seu genoma e biologia. Originalmente, eram vírus que atingiam populações distintas de macacos, causando doenças diferentes, e que saltaram para populações humanas em momentos diversos.

O HIV-2 teria surgido primeiro, na década de 40, possivelmente na Guiné Bissau. O HIV-1, por sua vez, apareceu uns 20 anos depois, na atual República Democrática do Congo.
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"Em relação ao HIV-1, a infecção pelo tipo 2 difere por ter uma evolução mais lenta para os quadros clínicos relacionados. Também há evidências de que a transmissão vertical (mãe-filho) e sexual não seja tão eficiente quando comparada ao HIV-1", explica nota divulgada ontem pelo Instituto Oswaldo Cruz (IOC). Talvez por isso mesmo, o HIV-1 tenha se espalhado rapidamente pelo mundo, gerando uma pandemia, enquanto o tipo 2 permaneceu bem mais restrito a algumas regiões da África.

De acordo com números de 2008 da Organização Mundial de Saúde (OMS), dos 34 milhões de soropositivos do mundo, apenas 2 milhões seriam pessoas infectadas pelo HIV2. Tamanha diferença acabou gerando uma sobreposição do tipo 1 e, em muitos casos, a coinfecção.

No início da epidemia mundial de aids, nos anos 80 e 90, chegou-se a especular que o Brasil seria um forte candidato a registrar um número significativo de casos do tipo 2, uma vez que o HIV-2 era originário de países africanos de língua portuguesa, ex-colônias de Portugal. Com os testes ainda não muito acurados, havia muita informação contraditória sobre a presença ou não do tipo 2 no país.

Em 1991, o Gafrèe Guinle, que atendia a pacientes soropositivos, registrou, juntamente com pesquisadores americanos, três casos de coinfecção pelos dois vírus. Em 2005, foi registrado também o caso de uma estudante africana. E era tudo o que se tinha no país em termos de casos descritos.

“Recentemente, por conta de um projeto do Ministério da Saúde, que queria saber o que exatamente estava acontecendo, o meu laboratório começou a desenvolver algumas metodologias”, conta a geneticista Ana Carolina Vicente, chefe do Laboratório de Genética Molecular de Microorganismos do IOC e coordenadora da pesquisa. “Começamos, então, uma busca ativa pelo HIV-2. Por coincidência, pesquisadores do laboratório de análises clínicas Sérgio Franco tinham começado a encontrar resultados que apontavam para a coinfecção”.

Foram 15 amostras testadas no laboratório do IOC, tanto sorologicamente quanto molecularmente, confirmando a coinfecção pelos dois tipos. Os testes normalmente feitos para diagnóstico de HIV indicam a presença do retrovírus, mas não necessariamente detalham o seu tipo. Do ponto de vista dos bancos de sangue e da disseminação do vírus, o fato de se desconhecer a incidência do tipo 2, como esclarece a geneticista, não é potencialmente perigoso. Ou seja, não há o risco de um doador estar contaminado sem que se perceba. Mas, no caso do tratamento, a questão é diferente.

No Brasil, o tratamento é universal e pago pelo governo. Ocorre que os antirretrovirais não têm exatamente a mesma performance contra os tipos 1 e 2 do vírus”, explica a pesquisadora. “Se uma pessoa está coinfectada e é tratada como se fosse somente tipo 1, ela pode até ter a infecção controlada, mas muitos de seus marcadores podem continuar debilitados. Muitos médicos, nesses casos, podem pensar, erroneamente, que o indivíduo é resistente ao tratamento. E pode não ser nada disso. Mapeando os tipos, poderemos oferecer um tratamento mais específico”.

Os especialistas acreditam que uma pessoa infectada pelos dois tipos apresentaria infecções distintas. Mas também, em tese, poderia acontecer a troca de material genético entre os tipos, gerando um vírus híbrido. Pouco se sabe sobre a evolução clínica de uma coinfecção, muito menos sobre o que aconteceria no caso de um híbrido.“Estamos em comunicação direta com o Ministério da Saúde”, conta Ana Carolina. “Claro que temos que expandir esse universo, já há um projeto nesse sentido, o ministério está dando embasamento para criarmos sentinelas em grupos do Brasil todo para o levantamento da situação”."
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sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Artur Xexéo questiona o jeitinho de Crivella para burlar decisão do TRE e expor o presidente Lula no horário eleitoral de sua campanha


Como já mencionado antes aqui, Senador Marcelo Crivella, pessoa citada recorrentemente neste blog (mas por puro merecimento) foi proibido pelo TRE de utilizar imagem e áudio do presidente Lula no horário eleitoral.

Lendo ontem, 02/09/2010, a coluna “de olho na TV” do jornal 'O Globo', vi o artigo de Artur Xexéo chamando as falas o TRE do Rio de Janeiro.

Aplausos são poucos para Xexéo pelo show de cidadania.

É intolerável ver o descaramento de algumas pessoas que, sem qualquer temor, publicamente, criam ‘jeitinhos’ para burlar a lei e ordens judiciais.

Só o juiz da matéria tem competência para decidir, mas o aspecto daquilo que foi descrito pelo Xexéo aparenta se tratar exatamente da tentativa do candidato cristão de ludibriar a justiça, desta fazendo escárnio, senão vejamos o teor da matéria jornalística:

"DE OLHO NA TV
Eleições 2010: O jeitinho de Crivella

Candidato ao Senado pelo PRB, Marcelo Crivella (foto) está proibido, pelo TRE do Rio de Janeiro, de “utilizar imagem ou áudio do presidente Lula no horário eleitoral”. Na coligação que o PT, partido do presidente Lula armou aqui no Rio para eleger Dilma e
Cabral, não faz parte o partido de Crivella. No primeiro programa gratuito, no começo do mês passado, Lula chegou a aparecer na parte do latifúndio televisivo que cabe a Crivella, lembrando ao espectador que o eleitor do Rio pode escolher dois candidatos a senador e pedindo que um deles fosse Crivella (o outro, em cuja campanha Lula continua aparecendo, é Lindbergh). Ficou de fora da seleção do presidente Jorge Picciani, do PMDB, este sim um partido da coligação governista.


Mas Crivella deu um jeitinho. Ontem, além de ter Dilma em pessoa pedindo votos para ele, Crivella lançou um novo jingle. “Lula falou/ Dilma falou/ E tá falado/ Crivella 100 no Senado”, repetia a musiquinha logo no começo do programa. A intenção é a mesma: divulgar que Crivella é a escolha de Lula para uma das duas vagas do Rio no Senado. Com a palavra o TRE."

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Portanto, além de Crivella ter exposto no horário eleitoral a candidata do PT, Dilma Rousseff, pedindo votos para ele, colocou um jingle que fica se repetindo afirmando que “Lula falou/ Dilma falou/ E tá falado/ Crivella 100 no Senado”.

Significa dizer, Marcelo Crivella colocou o presidente Lula no horário político eleitoral o apoiando e afirmando que o deseja no Senado.

Minha primeira reação foi no sentido de entender que aquela decisão temporária da lavra do Juiz Antonio Augusto de Toledo Gaspar que o proibia de utilizar imagem ou áudio do presidente Lula no horário eleitoral havia sido modificada. Mas, apesar de muito procurar, nada encontrei no site do TRE-RJ no sentido de informar qualquer alteração da mencionada decisão.

O presidente Lula é filiado a partido político, o PT, a legislação admitiria a divulgação do apoio na campanha de Crivella apenas se o PT e o PRB integrassem a mesma coligação. Outra possibilidade seria a de Lula e Crivella estarem filiados ao mesmo partido político, por conseguinte, pelos claríssimos termos contidos no artigo 54 da Lei 9504/97 é incontestável a proibição de tal apoio.

Mas, mesmo assim, valendo-se de um jingle, Crivella colocou em sua campanha o presidente Lula o apoiando na sua candidatura.

A pretensa esperteza do Crivella é de se fazer de aparvalhado quanto ao objeto daquilo que teria sido proibido naquela decisão do Magistrado Eleitoral, afinal na mesma constava a proibição de utilizar a imagem e o áudio do presidente Lula, e ele não fez isso, apenas colocou um jingle onde se afirma que o presidente Lula apóia a sua candidatura.

Esquece-se o candidato cristão que se vende como sendo do bem que o dispositivo legal em questão proíbe a PARTICIPAÇÃO do Lula, em apoio a sua candidatura, nos programas de rádio e televisão destinado à propaganda eleitoral, e que a DECISÃO JUDICIAL, determinava, também, com todas as letras que proibia “ainda o uso da imagem e a menção do apoio do presidente Lula nas propagandas impressas da chapa encabeçada por Crivella", deixando MAIS QUE OBVIO NENHUMA MENÇÃO DE APOIO poderia ser utilizada, imagem, áudio e impressa.

Jingle tanto se trata de um áudio como também é necessariamente impressa na mídia para ser ouvida, e o mais importante, a razão de ser da inquestionável proibição é que nenhuma menção de apoio do presidente Lula ao candidato poderia ser exposta, e isto até uma criança de 7 anos, ainda que malcriada, entenderia.

Crivella parece que não teme desrespeitar frontalmente uma ordem judicial do Tribunal Eleitoral e como eleitores e cidadãos cabe a nós realizar a denúncia ao Ministério Público do TER/RJ. Faça a sua parte, envie um e-mail fazendo a denúncia para capital@tre.rj.gov.br ou se preferir, ligue para os telefones: (21) 2533-9955; (21) 2533-9797 ou (21) 3513-8204 !

PS: Caso Marcelo Crivella entenda injusta esta lei eleitoral, gostaria de lhe deixar uma mensagem direta. Nós, LGBTs sabemos muito bem o que são leis injustas, ou ainda bem pior, projetos de leis que sequer conseguem tramitar no Senado Federal, por artimanhas regimentais praticadas por pessoas que tem por única finalidade cercear nossos direitos. Seja bem-vindo!

Fontes imagem e texto jornalístico:
http://oglobo.globo.com/cultura/xexeo/posts/2010/09/02/eleicoes-2010-jeitinho-de-crivella-320934.asp

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Prostituição Masculina


Desejo hoje refletir sobre o papel que garotos de programa assumem para eles em sua vida, como são considerados por sua clientela e o que resulta desta relação.

Foi largamente divulgado que a Polícia Espanhola desmantelou nesta terça-feira uma grande rede que explorava sexualmente homens brasileiros, em regra de 20 a 29 anos, a maioria advinda do Maranhão, sob promessa de trabalharem como go-go boys, modelos ou mesmo, assumidamente, como garotos de programas.

O esquema era bem montado, as passagens eram compradas com cartões clonados e antes os rapazes passavam por outros países da Europa para não levantarem suspeitas pela polícia da Espanha, para, em seguida, serem distribuídos para cidades diferentes da Espanha, todas pertencente a mesma rede criminosa.

Quando ficavam “queimados” no local, ou seja, batidos para os clientes, perdendo o caráter de novidade, por conseguinte, diminuindo a lucratividade, os organizadores realizavam a substituição entre os rapazes de uma cidade para outra.

Os organizadores estão respondendo pelo crime de escravidão sexual masculina e estima-se que tenham 80 rapazes do Maranhão vivendo sob ameaças e em regime escravo, uma vez que a metade do dinheiro obtido no programa realizado era repassada para a quadrilha, além de todos os garotos serem devedores de uma pretensa dívida originada pela passagem e hospedaria. Aliás, segundo noticiado, o local onde tais garotos dormiam era um ínfimo apto com vários beliches.

Ora, ninguém tem dúvida da razão pela qual um garoto de programa vai se aventurar a ganhar a vida na Espanha. É evidente, quer ganhar em euros e considerando a região da qual saíram, imagina-se que o valor do programa, comparado aos euros, fosse mesmo bastante atrativo.

Antigamente a maioria dos garotos de programas se afirmava heterossexual, apesar da imperiosa necessidade da ereção para transar com outros homens e de todo emprego de sedução para captação do dinheiro do cliente, que vai desde carícias até muitos beijos na boca. Hoje, já há aqueles que reconheçam desejo e se digam bissexuais ou homossexuais.

Aliás, não surpreende que a convicta heterossexualidade na cama vai até onde o dinheiro do cliente não pode pagar.

Há muitos artigos, relatos e até filmes interessantes de onde se pode extrair algumas características comuns a todos, com raras exceções: uma origem mais humilde associada a ambição, a fixação pela aparência física pessoal, a valoração excessiva por roupas e tênis de grife e, muitos deles, um traço forte e progressivo de vício sexual.

Prostitutos masculinos não são vistos da mesma forma romantizada ou folclórica que garotas de programas. O fato de se tratar de um homem com outro homem envolvendo dinheiro, a submissão é um dado que compõe esta relação de negócio e prazer, a qual na maioria das vezes será exercida por um deles, o que nem sempre é muito bem definido.

De um lado, sempre falando aqui genericamente, alguns garotos de programa querem o dinheiro, mas sentem certa repulsa pelos clientes, muitas vezes velhos e já sem atrativos físicos. A situação no qual se colocam, a submissão pelo dinheiro e o eventual nojo acabam revelando uma raiva disfarçada, um desdenho pelo cliente viadinho a quem ele prefere considerar um coitado (habitualmente exposto claramente nas conversas entre seus colegas que estão ali também fazendo igualmente programas). Por sua vez, clientes mais velhos, com mais acesso a cultura e poder aquisitivo tendem a exercer toda experiência para dominar os garotos de programa e obterem o alvo de seus desejos, numa provocada situação de falsa superioridade, apelando para seu status social e ridicularizando a ausência de acesso ao status pelo garoto. O que ocorre é que é um tentando humilhar o outro, apesar de ambos possuírem expectativas no outro (dinheiro e sexo) que lhes agradam e é o real objetivo final.

Os trabalhos do Prof. Doutor Luiz Mott, do Grupo Gay Bahia, sempre ressaltam que muitos dos inúmeros crimes registrados de homicídios aos homossexuais, se ocorridos na própria residência da vítima, foram praticados por garotos de programas contratados para ali estarem.

Garotos de programa são marrentos, gostam de subjugar gays, mas também são vítimas destes, os quais igualmente muitas vezes não poupam esforços para humilhá-los, direta ou indiretamente.

Mas se alguns clientes têm medo de garotos de programa, a recíproca é verdadeira. Determinados garotos de programa também receiam por sua vida quando fazem programas. O programa pode ser totalmente furado, clientes loucos, agressivos, desonestos e perigosos também é um fato real, sendo certo que garotos de programa vão para onde mandam, o que os tornam mais suscetíveis e vulneráveis.

Faço um parêntese para lembrar uma cena épica do filme “Mysterious Skin”, quando o garoto de programa é agredido e violentado por um cliente.

Cada um faz aquilo que quer mas, infelizmente, a vida dos garotos de programa possui uma linha muito tênue entre o cotidiano de um trabalho como outro qualquer e a marginalidade. A vida que levam não é nada fácil e o preço que pagam pode ser bastante caro.

Onde dinheiro e sexo andam juntos numa 'rasa' relação com 'briga pelo poder' já é complicado, o que dizer quando se inclui a facilidade da convivência com pessoas que são movidas pela ambição, domínio e sem censuras? Pior, se neste ambiente não for incomum estarem presentes os desajustados que se permitem roubar, agredir e se dar bem a qualquer custo? Sim, isto existe. Alguns bandidos utilizam a fachada de garoto de programa apenas para encontrar sua vítima e facilitar o seu verdadeiro intento de dar golpe em 'cinderelas' desejosas e desatentas.

Dá para imaginar como deve ser complicado se manter acima da linha que o separa da marginalidade criminal? O preço que este garoto paga é alto, altíssimo. Vida fácil seria se o ambiente que vivesse fosse assemelhado a um convento, com orações, palavras boas e apenas exemplos de bondade. Quem pode responder até onde aquilo que condenamos como reprovável (por pior que seja a primeira vista), que se torne cotidiano e comum para o garoto deixa de ser visto como algo anormal e censurável? Neste caso, escambar para o crime depende apenas de um simples passo em falso.

Garotos de programa, antes de qualquer coisa, são garotos apenas, e, como todos os outros, precisam de apoio, acesso a informação e saúde, direitos sociais e, também, da ajuda do Estado. Este sim, inapto e descuidado com este garoto, desde sempre. Trabalhar com o corpo pode (ou não) ser opção, e não há nada de indigno nisto, mas é inadmissível que continuem a trabalhar nos subterrâneos da vida, no submundo marginal, apenas porque assim manda a moral e bons costumes. É uma hipocrisia.

Há necessidade premente de ser rompido o circulo vicioso da falta de dignidade nesta relação do garoto de programa e cliente.

Trata-se de uma relação de sexo por dinheiro e fim. Não cabe julgar. O garoto de programa deve ser tratado com o mesmo respeito e dignidade que tratam os demais trabalhadores, inclusive, o presidente da república, pois uma vez reconhecido o respeito, também muito mais fácil o consequente respeito pelo cliente. Só é possível dar aquilo que se tem.

Por todo Brasil há propagandas de saunas que oferecem os serviços de garotos de programa. Não deveria ser crime a exploração de sexo para aqueles que desejam oferecer livre e conscientemente seus serviços para este fim, em local mais seguro. Assim como estas saunas deveriam ser obrigadas a contratação oficial destes rapazes, com direitos plenos, viabilizando mais efetividade à saúde pública, direitos previdenciários, seguro desemprego, férias e etc, como todo e qualquer outro cidadão trabalhador.
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O reconhecimento pelo estado acerca da dignidade de um prostituto é o primeiro passo que deve ser dado. Se isto ocorresse os garotos de programa do Maranhão, vitimados na Espanha, não teriam passado por tal situação desumana.

Exploração por escravidão sexual no primeiro mundo, em pleno ano 2010, é um soco inadmissível aos direitos fundamentais.
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imagem:
http://paroutudo.com/noticias/wp-content/uploads/2010/01/carona.jpg

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

"Eu sou responsável pela perseguição de homossexuais em Cuba", disse Fidel Castro


Numa entrevista concecida a jornalista Carmen Lira Saade, do Jornal Mexicano - La Jornada -, nesta terça-feira, 31 de agosto, ainda tentando se justificar, Fidel confessou uma gravíssima perseguição praticada durante cinco décadas aos homossexuais.

A matéria jornalística começa com a advertência que apesar da ausência de qualquer sinal de desconforto por parte de Fidel Castro, provavelmente, a mesma não agradaria Fidel, reproduzindo uma série de questionamentos.

Na referida entrevista Fidel confirma que décadas atrás, por causa da homofobia, os homossexuais eram marginalizados em Cuba e muitos foram mandados para campos de trabalho militar agrícolas , acusados de contrarrevolucionários.

Fidel Castro tentou jogar a responsabilidade pela homofobia em Cuba para todos os lados, recorrendo, inclusive, a velha desculpa de todo homofóbico, qual seja, ressaltar que 'sempre possuiu amigos homossexuais'.

Mas assumiu: "foram momentos de grande injustiça, uma injustiça grave!" repetiu enfaticamente. Em seguida aduziu: "Estou tentando diminuir a minha responsabilidade em tudo isto porque, naturalmente, pessoalmente, não tenho preconceitos desse tipo. Sabe-se que os seus melhores e mais antigos amigos são homossexuais.

A jornalista então questionou como explicar este ódio pelo "diferente", e Castro sugeriu que tudo havia sido resultado de uma reação espontânea das fileiras revolucionários, provenientes de tradiçoes, lembrando que a discriminação no passado também ocorreram com os negros e mulheres, e, claro, homossexuais.

Mas bastou a mencionada jornalista questionar se a culpa não teria sido do "Partido", por não ter acabado com o que estava acontecendo na sociedade cubana, para que imediatamente Castro chamasse para si toda a responsabilidade: "Não", disse Fidel. "Se alguém é responsável , sou eu...".

Emendando o general: "É verdade que nesses momentos eu não podia cuidar do assunto ... Eu estava cercado, principalmente, pela crise, guerra, questões políticas ... ".

A partir daí foram muitas tentativas de justificativas: "ataques armados estavam acontecendo o tempo todo: nós tivemos tantos problemas terríveis, os problemas de vida ou morte, você sabe...", ..."Olha como você acha que foram os dias nesses primeiros meses da Revolução: a guerra com os Yankees, a questão das armas e, quase simultaneamente com eles, os planos de atentados contra a minha pessoa ..."... "Eu poderia estar em lugar nenhum , eu não tinha onde morar ... " A traição foi a ordem do dia...". Ressaltou ainda os problemas decorrentes da CIA, os inúmeros traídores comprados e o quanto tudo era complexo, "mas no final, de qualquer maneira, se tiver que assumir a responsabilidade, assumo a minha. Não vou culpar os outros...", disse o líder revolucionário, lamentando, apenas, não ter corrigido logo em seguida.

A matéria jornalística menciona que hoje Cuba está enfrentando o problema. Tanto é assim que sob o lema "A homossexualidade não é uma ameaça, a homofobia é", foi realizado em várias cidades o Dia Mundial Contra a Homofobia. Gerardo Arreola, correspondente La Jornada em Cuba, tem noticiado o debate e a luta que se realiza na ilha em respeito pelos direitos das minorias sexuais .

Mariela Castro, uma socióloga de 47 anos, filha do presidente cubano, Raul Castro, dirige o Centro Nacional de Educação Sexual (Cenesex), uma instituição que, segundo ela, tem melhorado a imagem de Cuba após a marginalização da década de 60. "Aqui estão os cubanos e as cubanas, para continuar lutando pela inclusão, de modo que é a luta por todos e todas para o bem de todos e todas" disse Mariela Castro, escoltada por transexuais com uma bandeira cubana e uma colorida do movimento gay.

Desde os anos 90 a homossexualidade na ilha foi descriminalizada , mas isto não encerrou todos os casos de assédio pela polícia. Gays continuam sofrendo discriminação, ainda que em escala bem menor.

Fidel Castro possui uma IMENSA dívida com os lgbts cubanos. Sua confissão, tentativa de justificativas e até o rol de melhores amigos gays não afastam o grande ABSURDO ocorrido em Cuba. Homossexuais foram levados para o campo agrícola militar à título de serem contrarrevolucionários. Mais grave que isto só consigo lembrar as câmaras de gás nos campos de concentração de Hitler! Trata-se de um crime contra a humanidade para o qual não há justificativa ou desculpa.

A fala de Castro só confirma tudo que sempre soubemos e que socialistas xiitas sempre negaram. O drama vivido por homossexuais em Cuba, até então. E tudo, para Fidel, se justifica na sua própria pessoa. Ele tinha não tinha tempo para pensar em outra coisa senão 'os riscos que sua pessoa passava' e no 'seu' Partido Comunista.

Haverá o dia no qual olharemos para atrás e ficaremos, de verdade, muito horrorizados com confissões absurdas como esta de Fidel e não será diferente também em relação ao Brasil, pois espero que mais adiante, e torço para que não muito distante, ficaremos boquiabertos com a notícia que neste país eram assassinados inúmeros LGBTs por pura homofobia e nossos legisladores assistiam tudo de camarote, e mesmo assim se negavam a aprovar uma lei que criminalizava a discriminação assassina.

Um dia, quem sabe?

Como e onde denunciar pela internet candidatos que praticam crimes e outros atos eleitorais nocivos

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O Portal de Notícias do Senado veiculou no dia 31/08 informação que todo cidadão deve possuir e repassar.

Onde e como denunciar aqueles candidatos que são capazes de tudo para ganhar votos, inclusive, abusivamente. Todos sabemos ou ouvimos falar que, em período anterior as eleições, aparecem alguns candidatos com promessas de favorecimentos pessoais para obter votos.

Apesar de ser repudiosa esta conduta, não dá para julgar o eleitor que, por miséria, estado de necessidade ou fraqueza acaba deixando se seduzir, mas ABSOLUTAMENTE NADA serve de justificativa para o candidato inescrupuloso, pois se age assim antes de eleito, dá exatamente para imaginar o que será capaz de fazer quando empossado e detiver em mãos dinheiro público.

Quando você constatar que um candidato está fazendo a designada “captação de sufrágio”, ou seja, fazendo proposta de doar, oferecer, prometer, ou entregar, ao eleitor, com o fim de conseguir o voto, qualquer tipo de bem (móveis, imóveis, utensílios domésticos, roupas, dentaduras, óculos, animais, gasolina, livros, remédios, tijolos e etc) ou vantagem pessoal de qualquer natureza (dinheiro, escola, prestação serviços, o "paraíso eterno" e etc), inclusive emprego ou função pública, até o dia da eleição, você deve DENUNCIÁ-LO...

Não é necessário que o candidato tenha pedido EXPRESSAMENTE o seu voto em troca da vantagem ofertada, basta antes das eleições o candidato realizar a proposta de favorecimento para que fique caracterizada a ilicitude de sua intenção. Aliás, a representação contra este candidato pode ocorrer até mesmo depois de eleito, até a data de sua diplomação.

Você pode utilizar o canal de denúncias para fatos graves, como antes comentadas, mas também aqueles considerados menos gravosos, como carros de som, que muitas vezes são grandes incômodos à população circulando nas proximidades de quaisquer igrejas, instituições de ensino e hospitais, assim como a veiculação de propaganda eleitoral de qualquer partido político em outdoors, a utilização indevida de propagandas em praças públicas, ou mesmo propagandas eleitorais que atrapalhem transito, entre outras razões.
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Basta fazer a denúncia na internet ao Ministério Público Eleitoral, conforme informa o Portal do Senado:

“O eleitor interessado em fazer denúncia formal de irregularidade nas campanhas deve procurar a procuradoria eleitoral de seu estado. No site www.eleitoral.mpf.gov.br, clicando no link "Como denunciar", o internauta é redirecionado para a página de cada regional. O sistema ainda não está unificado. Há páginas de procuradorias com espaços específicos para a formulação da denúncia. Quando não for esse o caso, é necessário enviar um e-mail para o procurador regional eleitoral.

A recomendação do Ministério Público Eleitoral (MPE) é de que a denúncia traga o maior número de elementos comprobatórios possível: fotos, vídeos, documentos, recortes de jornal etc. O cidadão tem de fornecer nome completo e e-mail ou telefone, mas, segundo a assessoria do MPE, a identidade é preservada. Todas as denúncias são analisadas, e as consideradas consistentes geram providências por parte do Ministério Público.”

Fonte:
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