O presente blog se propõe a reflexão sobre os Direitos Humanos nas suas mais diversas manifestações e algumas amenidades.


terça-feira, 2 de novembro de 2010

Você lembra da promessa do Lula no dia de sua posse?


Quando Luiz Inácio Lula da Silva foi reeleito para cumprir seu segundo mandato de mais quatro anos, o PLC 122 (que criminaliza a homofobia) havia passado pela Câmara de Deputados e já tramitava no Senado Federal desde o ano anterior. Na ocasião de seu discurso de posse, Lula prometeu aos LGBTs combater de forma decidida e permanente a discriminação de gênero e orientação sexual.

Promessa do Lula:

este país combaterá de maneira decidida e permanente todas as formas de discriminação de gênero, raça, orientação sexual e faixa etária

Passou todo ano de 2007...

Passou todo ano de 2008...

Passou todo ano de 2009...

Estamos no final do mandato e do ano de 2010.

O projeto de lei que criminaliza a homofobia sequer foi votado, apesar de possuir uma maioria de base governista no Senado.

Lula sairá sem cumprir o que prometeu e deixa como legado um número de assassinatos motivados pela homofobia, absurdamente, ainda maior que antes.

Além de não cumprir sua formal promessa de posse, o Presidente Lula está por trás dos novos compromissos da presidente eleita, Dilma Rousseff, que rifou para os evangélicos aquele mesmo projeto de lei que tentaria combater, de forma decidida e permanente, a homofobia .

Dilma Rousseff comprou e assinou em baixo o discurso dos fundamentalistas homofóbicos:


“...não pretendo promover nenhuma iniciativa que afronte a família;

Com relação ao PLC 122, caso aprovado no Senado, onde tramita atualmente, será sancionado em meu futuro governo nos artigos que não violem a liberdade de crença, culto e expressão

A promessa hoje é outra e para outros. Agora sob novo prisma!

No primeiro discurso como presidente eleita, Dilma não esqueceu de mencionar enfaticamente acerca dos direitos dos religiosos e da mulher e também fez questão de destacar sua defesa àqueles que considera necessitados, aos idosos, aos jovens, aos desempregados e deficientes físicos. Não há mais menção do presidente eleito pelo PT a discriminação pelo gênero e orientação sexual. Alguém acredita que foi por acaso?

Incrível. Expressas promessas favoráveis aos LGBTs que não foram cumpridas pelo Lula, realizadas no primeiro dia de seu novo mandato, mas também jamais efetivamente cobradas por este movimento dito organizado. Mas se Lula me decepcionou, Dilma me assusta. Isto porque o cenário conseguiu piorar e bastante: agora promessas da Dilma contra os LGBTs em favor dos evangélicos.

Lula sairá e deixará gravada na minha mente esta promessa: “este país combaterá de maneira decidida e permanente todas as formas de discriminação de gênero, raça, orientação sexual e faixa etária.”

O máximo que fez foi deixar um dia marcado na agenda, o dia contra a homofobia, mas sem deixar de também fixar o dia do evangélico.

No momento, depois de assistir ontem o primeiro discurso de Dilma Rousseff como presidente eleita, prometendo especialmente zelar pelos desejos dos religiosos e tendo ao seu lado o Senador Magno Malta, confesso que tenho que dar a mão a palmatória. Promessa boa é promessa do Malta, que no dia 04 de fevereiro deste mesmo ano, prometeu e está cumprindo:

O PLC 122 irá morrer nesta casa

A promessa dele vale mais que aquela do Presidente Lula.

E o movimento organizado?! Ah, sim, comemora a vitória de Dilma, o dinheiro para novas conferências e projetos.

O que me assusta é esta falta de reação. O máximo que vejo é comemoração.

Comemorar o quê?

Dilma ganhou e Serra perdeu. Que diferença isto faz para meus direitos LGBTs?

Parabéns, Dilma. Dane-se, Serra. E nós???

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dilma Rousseff é eleita Presidenta da Nação e faz suas primeiras declarações

Dilma faz seu primeiro discurso depois de eleita

Elegida a Presidenta da República, resultado da legítima manifestação democrática e vontade popular. DILMA é o cara!

Plagiando Obama, em seu discurso inaugural como presidente, Dilma lembrou: "Gostaria muito que os pais e mães de meninas olhassem hoje nos olhos delas, e lhes dissessem: Sim, a mulher pode."

Sim, Dilma tem toda razão. No Brasil, felizmente, não há preconceito contra operários e mulheres. Eles podem, e a prova está aí, incontestável. Pena que não possamos dizer o mesmo em relação aos LGBTs.

Embora Dilma Rousseff não tenha se referido explicitamente aos homossexuais, seu primeiro discurso não deixou de lembrá-los, ainda que indiretamente, pois fez questão de reafirmar, logo no início, seus principais compromissos, dando destaque a liberdade de imprensa e liberdade religiosa e de culto, fazendo, como ela mesma afirmou, “registro” disto:

“Zelarei pela mais ampla liberdade religiosa e de culto.”
Ao seu lado, neste discurso inaugural, como se vê na foto acima, o seu aliado Senador Magno Malta, um dos políticos mais homofóbicos desta nação, aplaudia entusiasnadíssimo.

A referência na fala da Presidenta diz respeito ao seu compromisso com evangélicos de vetar no projeto de lei contra a homofobia qualquer dispositivo que criasse algum impacto aos religiosos que, segundo ela textualmente alegou numa coletiva em Teresina (PI), possuía excessos.

Portanto, sorria! Ninguém pode negar que a Presidenta eleita não lembrou em seu primeiro discurso dos homossexuais.

A Presidenta eleita, além de lembrar-se da mulher, religião e imprensa, também fez questão de falar naqueles que são, para ela, os necessitados de especiais tutelas de seu governo: “Disse na campanha que os mais necessitados, as crianças, os jovens, as pessoas com deficiência, o trabalhador desempregado, o idoso teriam toda minha atenção. Reafirmo aqui este compromisso”. Infelizmente, não podemos nem apelar e tentar, utilizando a livre interpretação dos religiosos a nosso respeito, nos inserirmos entre as pessoas “com deficiência”.

Agora temos uma presidenta eleita e tudo que os LGBTs não conseguiram nos últimos oito anos com um Presidente manifestamente favorável aos nossos direitos terão chances de obterem. em mais quatro anos, com a Presidenta Dilma, segundo a maior parte do Movimento Organizado LGBT. Ainda bem que Dilma já demostrou logo isto em seu discurso inaugural, aliás, resultado de todo um imenso trabalho deste mesmo Movimento.

Num período eleitoral que se confundiu tanto com religioso, a única coisa que posso sugerir e que todos tenham fé. Fé, irmão!

Particularmente, sob ótica da luta pelos direitos LGBTs, não possuía qualquer preferência entre os dois candidatos e o que me restava era mesmo torcer para que aquele que ganhasse me surpreendesse.

Óbvio que torcerei, de verdade, para que todos esses sinais elencados durante o período de campanha e agora no primeiro discurso de presidente eleita sejam apenas um pensar de alguém perseguido e equivocado. Se o equívoco for confirmado, certamente serei até mais feliz que todos os militantes petistas LGBTs, afinal, todos os ganhos serão agradáveis surpresas. Que elas venham!!!

Mas confesso, até pela aflitiva foto exposta e o registro religioso no discurso, ela - a surpresa - ainda não chegou.

De qualquer forma, não me resta outra alternativa senão torcer muito pela nova Presidenta Eleita e parabenizar aqueles que lutaram para que ela se elegesse. Dilma Rousseff está legitima e democraticamente eleita, agora é só ter e esperar.

sábado, 30 de outubro de 2010

O nosso 'Bolero de Ravel' de cada dia


Carlos Tufvesson hoje em seu twitter disse ter ficado emocionado ao assistir o Bolero de Ravel num vídeo do youtube.

A referência de Tufvesson me conduziu imediatamente ao impactante final do filme “Retratos da Vida” (Les uns et les autres – produzido em 1981), de Claude Lelouche, com o bailarino Jorge Donn dançando em frente a Torre Eiffel. Foi o meu primeiro contato com o bolero de Ravel e jamais esqueci.

E óbvio, lá fui eu assistir ao vídeo também.

Quase trinta anos depois fui tomado de assalto. Definitivamente, tratou-se de uma nova perspectiva.

Um dia antes do segundo turno da eleição presidencial, decepcionado com o fundamentalismo religioso adotado pelos dois candidatos, diante de um movimento LGBT inapto, partidário e aparentemente desvirtuado de sua própria bandeira e, partilhando de protestos solitários, nesta realidade sem direitos, o Bolero de Ravel representou o espelho, uma hecatombe de protesto e de pertubação única!

Bolero de Ravel impregna nossas mentes através da dança e da melodia com o seu ritmo invariável, insistente e incansável, que vai se transformando, no mesmo ritmo, um grande furor! Parece um hino solitário que vai contaminando seus iguais.

No meu olhar, influenciado pelos dias atuais, me parece o grito de um delicado guerreiro, num protesto solitário que transcende, ganhando cada vez mais força.

Suave e primitivo.

Destaco, entre tantos momentos, aquele no qual o Jorge Donn bate com força no chão do palco que mais parece um tambor, erguendo em seguida a mão.

A dança e a música deste Bolero de Ravel é a representação perfeita das minhas emoções de hoje, a espera e cheio de esperança de vivenciar o frenesi final!

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Amor proibido com menor de 13 anos leva professora lésbica à prisão por estrupo vulnerável


Parece que a professora, ainda convivendo com seu marido, "pirou na batatinha" e perdeu a noção da realidade.

Simplesmente se apaixonou pela aluna, uma menor de 13 anos de idade, e na segunda feira levou a apaixonada para um motel e as duas ficaram lá, pelo que entendi, por dois dias.

Isto porque, na última terça-feira (26), a mãe da vítima procurou a 33ª DP (Realengo) para informar sobre o desaparecimento da menina, que estava sumida desde segunda (25).
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Procurando nos registros, a polícia encontrou um boletim de ocorrência, feito em agosto, em que a mãe da vítima relatava que a menina estava desaparecida e que desconfiava de sua professora.

Os policiais foram, então, até a casa da educadora e o marido dela informou que a suspeita também estava desaparecida desde segunda.

Agentes investigaram os possíveis locais para onde a suspeita poderia ir e esperaram que ela voltasse. A prisão da professora aconteceu por volta das 4h da manhã desta quarta, quando ela chegava na casa da sua mãe, também em Realengo.

O nome da professora é Cristiane Teixeira Maciel Barreiras, de 33 anos, a qual afirma ser apaixonada pela aluna de 13, com quem mantinha relação amorosa desde maio de 2010, segundo a polícia. De acordo com o depoimento de Cristiane, ela costumava passear de carro com a menina. Durante os passeios, as suas paravam em praças e em um motel da Zona Oeste para namorar.

De acordo com a declaração da professora, o relacionamento das duas começou após uma aproximação da aluna, que dizia ter problemas familiares e gostava de conversar com Cristiane para desabafar. A menor teria dito à professora que a mãe mantinha um relacionamento homossexual e era alcoólatra. Em um desses encontros, a aluna teria beijado a professora que correspondeu ao beijo, uma vez que se sentiu atraída pela menor.

Ainda segundo o depoimento da professora, a mãe da aluna teria ido à escola denunciá-la e ficou acertado que as duas não se veriam mais. Cristiane disse que encontrou a menor em um lanche na casa de uma outra aluna, mas que foi à reunião apenas porque sabia que a menina estaria presente. Mesmo após a denúncia e a transferência de Cristiane da Escola Municipal Rondon para a Escola Municipal Mario Casasanta, as duas continuaram tendo contato. Cristiane revelou que em agosto, as duas chamaram uma amiga da menor para também participar dos encontros amorosos.

No fim do depoimento, Cristiane revelou ter contado ao marido sobre o relacionamento com a menor e disse ter pedido à mãe da aluna permissão para que as duas morassem juntas. Cristiane afirmou que gosta muito da menor e que pretende continuar a se relacionar com ela, mesmo que tenha de esperar pela maioridade da menina.

De acordo com o delegado titular da 33ª DP (Realengo), Ângelo Lages, a polícia deve ouvir o diretor da Escola Municipal Rondon amanhã para saber o porquê de a professora Cristiane Teixeira Maciel Barreiras, de 33 anos, ter sido transferida de unidade.

- Precisamos saber se ele tinha ciência sobre o que estava acontecendo e, se sim, porque ele não comunicou o fato à polícia ou à secretaria municipal de educação - diz.

Além do diretor, o delegado também pretende ouvir os funcionários do motel Bariloche, local onde a professora levava as duas menores. Se for comprovado que tanto os funcionários do motel quanto o diretor tinham conhecimento do caso, eles responderão pelos mesmos crimes de Cristiane: estupro de vulnerável e corrupção de menores.

Enfim, uma confusão dos diabos que a tal professora casada e com 33 anos de idade se meteu.

Sem qualquer moralismo, a inconsequência tem um preço e caro. É importante que qualquer LGBT saiba que a lei existe, concordando ou não com ela, deve respeitá-la. Não concordar é um direito, mas deve lutar para alterá-la ou assumir as conseqüências de seus atos se resolver se debelar contra a mesma.

Óbvio que está tudo muito confuso, uma aluna de 13 anos que beija a professora de 33 anos e esta se deixa seduzir pela própria aluna, a qual tem uma mãe alcoólatra. Não bastasse, a própria professora vai pedir a esta mãe permissão para morar com sua filha de apenas 13 anos, apesar de ter conhecimento que se trata supostamente de alguém com sérios problemas emocionais.

No final, entra a polícia na história e ainda complica mais todo o enredo, já que as duas, professora e aluna, contaram a mesma história amorosa assustando até os menos conservadores, o que dirá a um delegado advindo de uma sociedade machista e homofobica?

O que considero neste caso motivo de reflexão é o que faz uma pessoa amadurecida se comportar como uma adolescente inconsequente. Acredito que o fato da professora possuir clara orientação sexual homossexual, mas casada com um homem seja a provável resposta.

Atrevo-me a especular que a professora esticou muito a corda, se forçou excessivamente a atender as expectativas heteronormativas da sociedade. Toda vez que alguém se submete absurdamente a pressão vinda de fora contra os seus desejos íntimos, contrariando seu perfil, estica muito a corda e a consequência pode ser algo parecido como o ocorrido. Não é à toa que se descobre tantos padres pedófilos ou senhores representantes da moral e bons costumes serem flagrados como verdadeiros depravados.

Sou ainda mais abusado na especulação. Esta senhora de 33 não foi se enamorar sexualmente de uma adolescente de 13 anos por nada. Na verdade ela voltou ao exato período onde congelou o início de sua sexualidade.

Seria crime com um heterossexual e não deixará de ser com uma homossexual. No entanto, sabemos que sobre a professora em questão o peso dajustiçanão será igual.


Serra mostra a cara e promete vetar projeto que criminaliza homofobia

O candidato do PSDB à Presidência da República, José Serra, no dia 26/10/2010, prometeu a evangélicos reunidos em Foz do Iguaçu (PR) que, se eleito, não aprovará o projeto de lei 122/2006, que considera crime a discriminação contra homossexuais.

O site do O Globo noticiou:

O compromisso foi feito a uma plateia de aproximadamente 800 lideranças religiosas que participam da 50ª Convenção de Pastores da Assembleia de Deus do Paraná. Bastante aplaudido, Serra garantiu aos pastores que não aprovará o projeto.
...
- Eu vetarei essa lei. Essa lei não andará - disse Serra
Observem bem que Serra conseguiu ser pior que Dilma Rousseff. Ele não diz que vetará aquilo que no projeto que criminaliza a homofobia seja entendido contrário aos evangélicos. Não, ele afirma que vetará, sem fazer qualquer ressalva, o projeto, ou seja, TODO o projeto. E acrescenta que o projeto não andará!!!

Isto é imundo!

O pacto do José Serra conseguiu ser pior que aquele realizado pela candidata Dilma Rousseff do PT.

Hoje constatamos que a fala de Índio da Costa, vice do Serra, reproduzida no Jornal O Dia, tratando os LGBTs como se fossem cachorros no cio não era factóide e nem sem anuência do José Serra e que sua aliança com Silas Malafaia faz sentido.

Nem mesmo o desespero pelos resultados das pesquisas eleitorais justifica essa postura discriminatória de José Serra perto do final do segundo tempo desta partida suja.

Também não há quem me convença que aqueles componentes técnicos e jurídicos de ambas as campanhas não saibam que inexista qualquer desrespeito aos religiosos no projeto de lei que tanto eles espancam publicamente.

Estamos próximo ao final do segundo turno eleitoral e, o que vejo, é que ambos os candidatos desrespeitam, sem pudor, os LGBTs.

Mas reconheço que, Dilma começou de forma mais grave e frontal, mas depois do último acordo com evangélicos tentou melhorar o tratamento dispensado ao segmento LGBT, reagindo de alguma forma as exigências destemperadas dos evangélicos, enquanto Serra, que iniciou se omitindo, agora “chuta o balde” e consegue a façanha de ser pior que Dilma.

Para desmerecer a proposta da sua adversária, Serra foi além e criticou o PNDH 3 afirmando ser contra a proibição de símbolos religiosos, que segundo ele, interfere na liberdade de crenças. A laicidade foi para o espaço.

Não adianta a conversa fiada que se trata de jogo político, marketing eleitoral de final da campanha e o “escambau”. Na qualidade de cidadão me sinto revoltado com este desrespeito público. E o desrespeito é maior que se imagine quando se conclui que os candidatos têm acesso e informação que não há no projeto de lei contra homofobia (PLC 122) qualquer desrespeito aos religiosos e ainda assim compram o discurso destes e, a qualquer preço, difamam o projeto para o grande público, no intuito de obterem votos.

O que se pode esperar de possíveis presidentes como estes?

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

HOMOSSEXUAIS PODEM BEIJAR EM PÚBLICO. NÃO HÁ NADA DE ILEGAL NA DEMONSTRAÇÃO DE AFETO.

Apesar de ser muito lido que um casal homossexual pode demonstrar afeto em público, o que constatamos é que só casais heterossexuais se beijam públicamente.
Não é muito comum ainda ver dois homens ou duas mulheres se beijando em público. Por isso e também pelo próprio arquétipo cultural que trazemos conosco, muitas pessoas ficam com uma suspeita íntima e silenciosa de que o beijo público entre homossexuais deva possuir “alguma coisa” de ilegal. Não há nenhuma ilegalidade: um casal homossexual que se beija não pratica qualquer crime ou contravenção penal. É um direito deles se beijar onde quer que seja.

Alguns, entretanto, podem questionar: “Mas o beijo em público não poderia caracterizar um crime de ultraje ao pudor ou ato obsceno?” A resposta é negativa.

O antigo crime de atentado violento ao pudor (art. 214 do Código Penal), que hoje passou a ser crime de estupro (art. 215), para que exista, depende de alguém sofrer o constrangimento da prática de qualquer ato de natureza sexual (sexo oral, vaginal, anal). Pratica esse tipo de delito aquele que força outrem a praticar algum ato de natureza sexual. Beijo consentido e sexo forçado são coisas muito diferentes, como todos sabem. Não há e nunca houve atentado violento ao pudor pela prática da demonstração de afeto pelo beijo.

Por sua vez, o ultraje público ao pudor é apenas um capítulo contido no Código Penal, o qual contém vários crimes, entre eles, o crime da prática pelo ato obsceno (art. 223 do Código Penal). Por conseguinte, o crime de ato obsceno é um ultraje público ao pudor. A lei penal atesta considerar crime “praticar ato obsceno em lugar público, ou aberto ou exposto ao público”.

A primeira pergunta então seria qual o significado do termo “ato obsceno”, já que, nesse sentido, alguém poderia se indagar: “Mas então, homossexuais se beijando em lugar público ou aberto ou exposto ao público poderia ser considerado obsceno por alguém?” O que você já deve ter entendido até então é que é necessário antes se conhecer o real significado da palavra obsceno para responder essa pergunta.

Obsceno é o que choca pela vulgaridade, causa escândalo e fere os sentimentos honestos de quem o presencia. De fato, trata-se de uma questão subjetiva, não é muito simples, pois a definição do termo obscenidade pode variar mais ou menos, ou muito, conforme a pessoa, a comunidade, a cultura, o país e a época. Mas para o que interessa aqui, por tal definição, o beijo de língua em público não é obsceno, pois nele não há uma conotação sexual que transgrida o sentimento de decência da coletividade, apenas de afeto. Assim, beijos e carícias moderadas praticadas por um casal não são atos obscenos.

A lei penal não distingue homossexuais de heterossexuais. Da mesma forma que se dá com os heterossexuais, não há qualquer ilegalidade na troca de afeto e beijo em público. Cabe lembrar e ressaltar que não é obsceno o beijo e as carícias “moderadas”, o que não dá aos mais afoitos e imprudentes o direito do equivocado entendimento que também são permitidas as “carícias mais calientes”, tais como exposição dos órgaos genitais, masturbação, sexo oral e anal onde quer que seja – ruas escuras, praças, praias, estacionamentos, etc. O casal heterossexual ou homossexual que, por exemplo, transe numa praça, em local público, pratica identicamente o crime de ultraje ao pudor público.

Lembre-se: beijar em público pode. Mostrar seus dotes genitais ou fazer sexo em local público, não. Aqui sim há crime de ato obsceno. E, pior, se tal prática se der em local onde um menor de 14 anos esteja presente, o delito será bem mais grave, pois recentemente foi criado um novo crime no Código Penal: “satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente”, com pena de dois a quatro anos de reclusão.

Entretanto, como sabemos, a permissão do beijo em público não faz desparecer a existência de pessoas homofóbicas, que podem, eventualmente, se “sentir” ultrajadas e até reagir ao seu comportamento com algum grau de agressão. Portanto, cuidado é sempre bom, já que, lamentavelmente, o Brasil é um dos campeões em crimes de violência praticados contra homossexuais.

No entanto, a cautela não se assemelha à covardia ou à fraqueza. Igualdade, dignidade pessoal e livre orientação sexual são direitos fundamentais. Ao beijar em público, você não estará perpetrando nenhum crime. Já, aquele que, por ventura, agredi-lo verbalmente, com palavras ofensivas, desrespeitosas e/ou discriminadoras, é que estará cometendo, pelo menos, um crime contra a sua honra. Se tal pessoa afirmar que você está praticando crime (de “atentado ao pudor” ou “ultraje público”), lembre-se que, na verdade, será ela quem deverá responder pelo crime de calúnia. E se a agressão for com ofensas pessoais, o crime será de injúria.

O comportamento ideal ao se encontrar em tal situação é não trocar ofensas, não cair na armadilha de se colocar em idêntica posição do agressor, e sim atuar com brio, inteligência e efetividade. É um direito e dever seu chamar a polícia ou se dirigir à delegacia mais próxima do evento para fazer uma ocorrência policial. Se estiver com algum receio ou insegurança, procure uma associação LGBT da sua cidade ou de seu estado que, certamente, lhe indicará os endereços dos órgãos competentes locais capacitados para o ajudar.

Fotografia: Alesia Losminskaya
Texto de Carlos Alexandre Neves Lima publicado no MIG/UOL

domingo, 24 de outubro de 2010

Alguns motivos para o LGBT votar na Dilma, no Serra ou no voto Nulo


Hoje baixarei a “Poliana” da obra de Eleanor H. Porter que existe em mim. Quero sensibilizar a todos pelo otimismo, amor, bondade e pureza de sentimentos que a personagem irradia. Mas nem tanto, você entenderá quando chegar aos argumentos para a terceira opção.

Gostaria colocar aqui três vídeos. Um com LGBTs se manifestando favoravelmente a Dilma, outro explicando porque aderir ao Serra e finalmente um terceiro que justificasse politicamente o voto nulo.

Seria uma demonstração democrática para aqueles que acompanham este blog, independente da minha opinião pessoal.

Descobri alguns vídeos com manifestações favoráveis a candidata Dilma (PT), mas infelizmente, não encontrei qualquer vídeo LGBT pró Serra (PSDB).

Se apresentasse somente o vídeo favorável a Dilma estaria sendo, indiretamente, parcial.

Então, me valendo dos óculos com lentes cor-de-rosa, digo eu, confesso que com esforços, o que vejo de favorável em relação aos dois candidatos:

Dilma Rousseff está num partido (PT) que em seu estatuto prevê a defesa dos direitos LGBTs. Pertence ao atual governo e nele, foram obtidos alguns direitos através do Poder Executivo, como o parecer favorável ao direito previdenciário, reconhecidos direitos aos diplomatas homossexuais, novas regras para planos de saúde de casais gays, cirurgia no SUS para transexuais, entre outros.

O Presidente Lula, do mesmo partido, também já declarou expressamente ser favorável ao casamento homossexual. Dilma, apesar de contrária ao casamento, se diz favorável a "união civil homossexual" e declarou que não vetará todo o projeto que pretende criminalizar a homofobia.

Ainda a seu favor, parece que recuou um pouco de sua posição fundamentalista cristã, após o acordo celebrado com os mesmos, sendo reticente nas novas exigências realizadas pelos mesmos.

José Serra do PSDB também possui histórico partidário favorável aos gays no governo estadual de São Paulo e quando foi Ministro da Saúde do governo de Fernando Henrique foi o principal responsável para o fornecimento gratuito de remédios e tratamento para a AIDS, onde se sabe que infelizmente atingia principalmente homossexuais. Além de salvar muitas vidas também foi responsável pela qualidade das mesmas.

José Serra se declarou expressamente favorável a adoção por homossexuais e a “união civil” de casais LGBTs e não fez qualquer declaração pessoal contra o projeto lei que pretende criminalizar a homofobia. Além disto, apesar do forte discurso religioso, não foi o primeiro a incluir religião na disputa das eleições e nem possui acordo explícito e público com evangélicos, os quais também aparecem em sua campanha, mas de forma menos acentuada.

E para o voto nulo passarei a palavra ao nosso colega Papai Gay. Adorei sua iniciativa e a inclusão do vídeo em seu blog , o qual sugiro a visita:


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