O presente blog se propõe a reflexão sobre os Direitos Humanos nas suas mais diversas manifestações e algumas amenidades.


segunda-feira, 7 de junho de 2010

Ocorreu a Maior Parada do Mundo e os candidatos a presidência deixaram claro, com suas ausências, o pouco caso aos LGBTs


A maior Parada do Mundo ocorreu, ontem em São Paulo, sem a presença dos principais pré-candidatos à Presidência da República: Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB) e Marina Silva (PV). Dilma ficou em Brasília descansando. Marina já havia dito que a este evento não iria, e Serra sequer justificou a ausência.

ABSURDO o tratamento dado pelos presidenciáveis a Maior Parada Gay do Mundo, que ocorre no Brasil, apesar de CONVIDADOS!

Bem mais grave que isto é o tratamento dado A TODOS NÓS lgbts que somos cidadãos, estamos representados nesta Parada de São Paulo por milhões de pessoas presentes e também somos eleitores, tanto quanto os que nos perseguem.

Desconheço as agendas de todos, mas Dilma, que possui agenda pública, pode ir em maio a XIII Marcha a Brasília em Defesa dos Municípios, e também a Reunião-almoço com empresários e lideranças do Fórum Empresarial e, assim por diante.

Mesmo sem conhecer a agenda do Serra, porque não localizei, sei que ele foi fazer Discurso aos evangélicos Gideões Missionários da Última Hora, em Camboriú, Santa Catarina, em 1º/05/2010.

E Marina, não se negou visitar ao Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec), do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e dar entrevista coletiva a respeito.

Eles sabem onde desejam fazer suas campanhas.

A verdade é que estes principais candidatos a presidência NÃO ESTÃO NEM AÍ mesmo para os LGBTs. Não quiseram SE COMPROMETAR.

Marta Suplicy recebeu a faixa de madrinha da Parada Gay e no pouco tempo que ficou no carro, disse que o evento alcançou a importância que tem hoje porque "muita gente deu a cara para bater".

O governador paulista, o prefeito da capital e o presidente da Parada Gay participaram de entrevista coletiva na Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, momentos antes do início do evento, na manhã deste domingo (6), em São Paulo. (Foto acima de Letícia Macedo/G1)

Conforme havia previsto no anterior post, foi confirmado na Parada de São Paulo, a conquista do "Dia Nacional Contra a Homofobia", o que foi mencionado pelo ex Big Brother Jean Wyllys e confirmado também pelo presidente da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOGLBT), Alexandre Santos em entrevista coletiva.

Segundo site “A Capa”, "O prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab (DEM), chegou à Parada Gay de São Paulo por volta das 11h, quando a avenida Paulista ainda estava vazia e era possível caminhar tranquiliamente.Pontualmente às 12h, o carro oficial da Associação da Parada do Orgulho LGBT de São Paulo (APOGLBT) deu início aos discursos políticos. Tradicionalmente a drag queen Silvetty Montilla abriu as falas, perguntando: "Cadê as bonitas?".

Em seguida, discursaram Alexandre dos Santos, presidente da APOGLBT; Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais (ABGLT); e Mitchele Meira, gestora da Coordenação Nacional de Políticas Públicas do Governo Federal. A tônica na fala de todos foi o ano eleitoral e a importância do voto consciente.

O ex-Big Brothers Coloridos, Angélica, Dimmy Kieer e Serginho estiveram lá na Parada, literalmente dando pinta. Será que eles agora aprenderam o significado da sigla LGBT? Não foram os únicos, conforme já dito antes, o ex BBB Jean Wyllys também estava lá.

Gostei muito de tudo que li e vi sobre a Parada. Verdadeira campanha de conscientização reiterada nos principais meios de comunicação, conforme revelam as fotos do G1 de Daigo Oliva.




No site do G1 vi Léo Aquilla, que já tentou entrar na política, segurando uma faixa de protesto (foto de Daigo Oliva / G1):


Na matéria do programa 'O Fantástico' da Rede Globo foi ressaltado que os trios elétricos vieram de preto, como protesto e o jornalista ressaltou a razão de ser: “Vote contra a homofobia defenda a cidadania”.

E melhor, escolheram sabiamente uma entrevista para levar a público, da drag Sarah Fyffer, a qual fez um belo gol ao deixar uma mensagem nada pretensiosa e bastante realista: “Ninguém tem que passar a mão na cabeça de ninguém, porque certo ninguém é, mas respeitar. Respeito está acima de qualquer coisa”. Fyffer deu o seu recado, bem dado.
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Sugiro que vejam o album destes dois sites:

domingo, 6 de junho de 2010

Notícias rolam que LULA assinou, em 04/06, Decreto criando o DIA NACIONAL DE COMBATE À HOMOFOBIA


Recentemente, em 19/05/2010, foi realizada em Brasília a Primeira Marcha Nacional LGBT contra a Homofobia.

No site "Poder On Line", já existia matéria informando que a Secretaria de Direitos Humanos teria confirmado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinaria um decreto criando o "Dia Nacional de Combate à Homofobia".

Na mesma matéria afirma que "a data será 17 de maio. Em 1990, foi nesse dia que a Organização Mundial da Saúde (OMS) retirou de sua lista de doenças o homossexualismo".

- O Dia Nacional de Combate à Homofobia não será uma data comemorativa, mas marcará um dia contra a violência, afirma Mitchelle Meira, coordenadora-geral de Promoção de Direitos Humanos.

Isto só não ocorreu naquela data da Primeira Marcha porque Lula se encontrava viajando.

Julian Rodrigues, conhecido militante dentro do MLGBT e do PT, informou aos colegas de lista que havia recebido mensagem da aludida Mitchele Meira, coordenadora LGBT do governo Lula, informando que o presidente assinou, sexta-feira, 4 de junho, o decreto que institui o Dia Nacional de Combate à Homofobia.

Esta notícia também foi veiculada no twitter "Parou Tudo", contendo a mesma informação:
"Presidente Lula assinou nesta sexta-feira 4 o decreto que oficializa no Brasil o Dia Nacional contra a Homofobia. Algo histórico"
Se for confirmado, Julian Rodrigues tem razão ao afirmar que é "mais um avanço do governo Lula na construção da cidadania LGBT".

Não consegui confirmar esta notícia nos sites do governo, temos que ter certeza que isto ocorreu, de fato. Vamos ver se hoje, na Parada Gay de São Paulo, é confirmada a nota.

sábado, 5 de junho de 2010

O Golpista do Ano: I Love You Phillip Morris


Hoje fui assistir ao filme “I Love You Phillip Morris”. Phillip Morris é o segundo papel principal do filme, interpretado por Ewan McGregor, por quem o personagem principal vivido por Jim Carrey se apaixona. Como no Brasil provavelmente querem dar destaque para o ator Rodrigo Santoro, que possui uma participação importante no filme, preferiram retirar o foco dado ao segundo personagem principal e trocar o título para “O Golpista do Ano”, o que até faz sentido...

É que o filme é baseado em uma história real, na vida do vigarista Steven Jay Russell (no filme, Jim Carrey), que era um policial, casado com uma linda esposa, com quem tinha uma filha que, depois de um grave acidente de automóvel, resolveu se assumir e viver uma vida literalmente gay. O problema é que ele descobre que ser um gay fashion é muito caro e resolve viver de golpes, até ser preso e lá no presídio descobrir a sua verdadeira paixão, o tal Phillip Morris. A história, assim contada, me parece bem mais interessante que aquilo que o filme me apresentou.

No filme há uma certa apelação a inteligência de quem assiste. Quando ele sofre o acidente gravíssimo e é socorrido sai falando e gritando para os médicos que o socorrem que ele agora é bicha. Tipo, Jim Carrey de ser: “Eu sou bicha!” “Eu sou bicha!”

Antes desta cena, tem aquelas armadilhas cômicas, bem pastelão, onde começa com o personagem dando um beijo intenso e apaixonado na esposa, na frente de uma roda de amigos, com a continuação imediata de cena para um close de sexo, onde só aparece da cintura para cima o Jim Carrey na cama, transando de forma prazerosa e de repente aparece um cara careca e barbudo, de quatro, dizendo frases sexuais apelativas, nada convincentes e o Carrey dando tapinhas na bunda dele, com aquela cara de Jim Carrey. É quando o personagem que narra o filme, lembra de avisar ao público que ele é gay.

Jim Carrey não faz um personagem gay caricato, mas induz ao público que seu personagem é o "gay ativo". Isto por si só, já me pareceu certo rótulo. Por conseguinte, os personagens que se envolvem com ele, são os "gays passivos". Rodrigo Santoro aparece nesta primeira fase do filme, andando na rua de forma afetada e o personagem título é a bichinha boa, sensível, delicada e boqueteira, por quem ele se apaixona.

Além disto, no filme há um divisor de águas, com grande enfoque, a transformação do heterossexual, marido e pai de família responsável, policial texano que, de repente, com o acidente, se transforma no gayzão, que adora grifes, pegador e que, para se manter bem na “nova orientação sexual”, se revela um marginal sociopata.

Vive de dar golpes na praça, golpe de cartão de crédito, golpe de seguros, golpes se passando por advogado e diretor financeiro. E não para mais, uma série de outros golpes vão surgindo. O número de falcatruas é grande e passada tão próxima uma da outra e acelerada que não persuade. Os primeiros golpes são para dar vida boa para ao personagem de Rodrigo Santoro e depois, todos os demais justificados em nome de seu amor homoerótico por Phillip Morris.

As pessoas que assistiram comigo gostaram muito do filme, acharam divertido e romântico.

Não foi assim que saí com a sensação do mesmo filme. Para mim, os produtores enxergaram dois fatores interessantes, o fato de a história ser baseada em fatos reais e que decorre de um homem sociopata e gay. Tentaram fazer uma comédia romântica valendo-se dessas duas premissas e, para isto, não se acanharam de tingir com cores nada convincentes para obterem o lucro pretendido. Não sei indentificar se o problema seria da adaptação ou da direção, de qualquer forma, os responsáveis são os mesmos, Glenn Ficarra e John Requa.

Ninguém vira sociopata por ser gay, mas no filme é assim que é conduzida a história. Ninguém que resolve sair do armário sai literalmente gritando que é "bicha", mas no filme também é assim que funciona. Enfim, meus olhos impiedosos e críticos, impediram de me entregar ao filme sem um certo incômodo.

Na parte que toca os gays, porque o filme não é só isto, considerei o I Love You Phillip Morris clichê e insatisfatório, não possui nenhuma representatividade de filmes como “O Segredo de Brokeback Mountain”, "Milk", “Filadélfia” ou, considerando comédia, um "O Closet", "Será Que Ele É?", "Priscilla, a Rainha do Deserto" e etc. Uma das únicas partes que me pareceu convincente no filme é o anúncio, ao final, que ele é baseado em fatos reais, sabendo que foi adaptado.
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Jim Carrey, apesar de algumas caretas, faz muito bem o personagem de um personagem, que é isso que é o dono da história, assim como os atores coadjuvantes, Ewan McGregor, que consegue passar um gay bem "catito", emocional e Rodrigo Santoro, cumprem bem os seus papéis. A "culpa" não foi deles, que sustentaram o filme até o final.

Mas insisto, a maioria que assistiu, gostou. Portanto, recomendo que assista e tenha a sua própria opinião.
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Eu achei que "I Love You Phillip Morris" foi mesmo "O Golpista do Ano".

quarta-feira, 2 de junho de 2010

MARINA SILVA, apesar do discurso eloquente, MOSTRA SUA CARA! Diz até que pretende não “discriminalizar” a “opção” sexual!!! Decepcionante.

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A pré-candidata do Partido Verde à Presidência da República, Marina Silva, disse, em entrevista ao Terra TV, no dia 01/06/2010, que quer ser transparente com seus eleitores sobre sua posição quanto ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, afirmando:

"Não tenho opinião favorável quanto a isso. Tenho profundo respeito pelos homossexuais e no meu partido milita o (Fernando) Gabeira, que sempre defendeu os direitos deles. Nunca desrespeitei ninguém, o estado tem que prover direitos para todos os brasileiros, independente do credo, da cor, da raça. Isso nunca me impediu de conviver com as pessoas".

Marina disse que, para este caso, é a favor da "união civil de bens", mas não do "casamento", "de acordo com seus preceitos religiosos".

"Prefiro que as pessoas falem: 'não voto na Marina, porque ela não concorda com isso', mas que vou respeitar os direitos do cidadão. Porque agora é comum as pessoas dizerem ser contra o aborto e, depois, com a polêmica, falam que são a favor. Não vejo porque não posso ter direito ao meu ponto de vista, mas isso não vai cercear o direito do cidadão".
Marina merece respeito? Lógico, pois fez essa afirmativa para deixar claro para os eleitores sua posição acerca daquilo que entende a respeito dos direitos homossexuais. Especialmente no que toca ao tema casamento, sequer sei a posição dos demais presidenciáveis. Mas dizer a verdade, ainda não é favor. Trata-se de obrigação.

O respeito que a Marina merece vai somente até a letra “c” do meu alfabeto.

Marina Silva é eloqüente, sabe persuadir pelo discurso. Mas este foi vazio e também revelador.
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Quando ela justifica sua posição “de acordo com seus preceitos religiosos” está deixando clara a intervenção religiosa na sua posição política, a qual norteia sua postura enquanto candidata a Presidência da República. Ela possui todo direito a crença e religião, garantidos igualmente pela Constituição, mas é absolutamente incabível justificar um ato político com base nesta crença.
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O Estado Laico da candidata é tudo, menos laico. O direito para ela segue a posição religiosa. No caso sua crença “pessoal”, não se restringe a sua vida pessoal, mas na atitude governamental para todos, enquanto candidata a Presidência.
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Lembro ao leitor o que significa o Estado Laico: aquele que não se confunde com determinada religião, não adota uma religião oficial, permite a mais ampla liberdade de crença, descrença e religião, com igualdade de direitos entre as diversas crenças e descrenças, tendo como principal característica conceitual que, fundamentações religiosas não podem influir nos rumos políticos e jurídicos da nação. É o que se defende ser o Brasil sob a égide da Constituição Federal de 1988, em razão de seu art. 19, inc. I, vedar relações de dependência ou aliança com quaisquer religiões.

Marina Silva, em sua resposta sobre o casamento, fundamenta o rumo político e jurídico da nação “de acordo com seus preceitos religiosos, portanto, a candidata não respeita a laicidade do estado, apesar de, na mesma entrevista, e em outra resposta, dizer que respeita o estado laico e que governa para todos.

O casamento previsto no Código Civil foi DECEPADO, ela descaradamente fingiu que não existe e tampouco o conhece. Para ela, com todas as letras, esse casamento civil é SACRAMENTO, e por motivo de sua crença, não admite para os homossexuais, apesar de dizer que respeita a “opção” sexual.

Ela não é jurista, mas além de Senadora da República, amparada por juristas especializados, também é pré-candidata a Presidência da República, o que a obriga saber aquilo que defende como pauta de sua candidatura. Enfim, não pode haver aqui desculpa de se tratar de uma manifestação ingênua e precipitada. O casamento do código civil virou SACRAMENTO religioso, na interpretação grotesca da religiosa candidata que diz respeitar o estado laico e a “opção” sexual dos homossexuais.

Na aludida entrevista fica claro ainda como Marina faz rodeios quando o tema é aborto. Afirma que não cabe satanizar quem defende e nem desqualificar quem condena chamando-o de fundamentalista e que tudo depende de um debate para buscar uma solução que, segundo ela, “vai estar NÃO ATENDENDO A VALORES e visão de mundo em termos filosóficos, morais, espiritual, ético e moral”, seja de quem é a favor ou contra. Mas há uma pequena ressalva, para ela, a mulher favorável ao aborto que o faz, na verdade não queria fazê-lo. Entendeu?! RS. Ela não disse “a solução”, mas dá para perceber que tal solução perpassa, de qualquer forma, pela inexistência do aborto. Pura tergiversação.

Tão importante quanto sua posição ser explicitamente justificada em seus preceitos religiosos é entender e distinguir o que Marina quis dizer com “é a favor da união civil de bens, mas não do casamento”.
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Alguém que cria a terminologia, até hoje jamais conhecida, da “união civil de bens” já dá para desconfiar. Que diabos é afinal isto? O que ela chama de união civil “de bens”?
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Conheço união civil, antiga denominação para parceria civil, a união estável e a união homoafetiva, assim como, a pior delas, sociedade de fato. Isto não pode passar batido, como se nada quisesse dizer.

A união civil de pessoas do mesmo sexo não fica restrita a BENS, ainda que também os garantam. É aquele antigo projeto de Lei proposto pela Martha Suplicy, que há mais de década foi engavetado, já velho e ultrapassadíssimo, intitulado de Parceria Civil, mas que tinha por escopo disciplinar a união civil entre pessoas do mesmo sexo ‘e outras providências, não só restrita a bens, atuando também, de forma acanhadíssima, em outras questões afins, como a impenhorabilidade de bem de família, a curatela, a sucessão e etc.
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A união estável e união homoafetiva são denominações que impõe o reconhecimento de uniões de pessoas do mesmo sexo como entidades familiares, com os efeitos jurídicos decorrentes delas. Aliás, o que mais se avizinha do instituto de casamento.
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Marina Silva, ao discorrer sobre a tal união civil DE BENS, referiu-se ao projeto da Martha Suplicy, mas nunca esqueçamos os acréscimos lá inexistentes, DE BENS. É à volta ao retrocesso, com prováveis direitos a vetos de tudo que não se limitar aos BENS. Óbvio que pelo discurso inicial, o instituto da FAMÍLIA é sagrado, não pode ser confundido com gays.

São muito graves as afirmações da candidata ao cargo de Presidente da República, que não só negou o direito ao casamento as pessoas do mesmo sexo, como também deixou expresso que assim o faz em afronta a Laicidade do Estado, já que para justificar sua posição, enquanto governo, lançou como motivação os preceitos de sua crença pessoal.
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Enfim, ao se referir as demandas dos LGBTs, usou de evasiva e subterfúgios, aduzindo ao termo “união civil” as representativas e explicativas palavras “DE BENS”. Portanto, retroage nossas demandas, faz rodeios, com discurso eloqüente que lhe é de praxe, para dizer aos homossexuais, QUE DELA NADA OBTERÃO.

Não precisamos da união civil “de bens”. Até uma das mais altas cortes do Poder Judiciário já entende isto como ultrapassado, quando se refere aos direitos LGBTs, reconhecendo, ainda que com dificuldade, bem mais: a união estável e adoção por casais homossexuais.
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Uma anterior entrevista para o UOL Eleições já havia sido marcada por muito vaselina. A presidenciável já havia demonstrado que não gosta da palavra “contra”, então de forma piegas já havia utilizado o "não favorável", para se referir ao casamento gay e afirmou “não ter posição fechada” sobre a adoção de filhos por casais homossexuais, quando foi indagada sobre a decisão do STJ que confirmou o direito. Quando o tema foi em sentido oposto ao pregado pelo partido, fugiu e propôs plebiscitos para discutir a legalização da droga e sobre o aborto.
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Colegas LGBTs, não paguem novo mico tentando entregar a bandeira do movimento a ela em campanha. Ela já a dispensou uma vez e desta vez, em entrevista ao Terra, foi ainda bem mais clara. Dá próxima vez só restará ela DESENHAR.

Freud explicaria o “ato falho” de Marina Silva na entrevista ao trocar “discriminar” por “discriminalizar”, quando afirmou que ela não pretendia “DISCRIMINALIZAR as pessoas que tenham essa opção”, pois ela teria profundo respeito por elas. “Discriminalizar” Marina? A prática homossexual ainda não é crime querida!

Respeito como este aos homossexuais, Marina, realmente dispenso!
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E atendendo a fala inicial despreocupada da candidata, tal como ela prefere, digo: Não voto na Marina Silva!
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PS: O título que consta no Youtube, dela defender a união civil, certamente é de autoria de algum cabo eleitoral tentando destorcer a realidade do discurso da Presidenciável.
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Fonte:
http://terratv.terra.com.br/Noticias/Especiais/Eleicoes-2010/4823-305812/Marina-nao-se-opoe-a-uniao-civil-de-bens-entre-gays.htm
Foto: http://eobvio.files.wordpress.com/2009/08/marina_silva.jpg

terça-feira, 1 de junho de 2010

"O ator que se assume gay é bobo" X "É bobo querer ser você mesmo e ser feliz?"

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Toni Reis, presidente da Associação Brasileira de Gays, Lésbicas, Travestis e Transexuais - ABGLT -, enviou uma carta aberta para Sílvio de Abreu.

A polêmica surgiu quando foi amplamente divulgada na mídia uma entrevista de Silvio de Abreu onde este diz que o beijo gay na telinha pode chocar quem não seja gay e que ator que assume que é gay é bobo.

" - Homossexualismo não é mais tabu. Beijo gay é outra história. É uma exposição que grande parte do público que não é gay pode se chocar."

"- Se o ator, digamos assim, vive de fazer tipo, não tem problema. Ele vai poder fazer o tio, o pai, o aleijado, o bobo. Mas se ele vai ser o sonho de amor das telespectadoras, ou a moça que vai ser o sonho de amor do telespectador e ela diz: Eu sou lésbica, ninguém vai gostar. Ninguém mais vai sonhar com ela.[...] Se ficarem falando por trás, não tem importância. Se ele falar abertamente, vai prejudicar. Daí você vai me dizer: O público gay vai gostar. Mas o público gay é 10%. A mulher é 40%, ou sei lá quanto, mais ou menos isso. Ator que fizer isso é bobo."

Li inúmeras manifestações das cabeças pensantes no Movimento LGBT. A primeira delas pelo nosso decano Luiz Mott, que instantaneamente, se levantou contra esta postura por entender que as declarações do autor poderiam inibir muitos LGBTs a sairem do armário e atrasaria ainda mais o beijo gay na televisão brasileira. No entanto, houve quem entendesse a posição de Silvio de Abreu, no que se refere, especificamente, aos indivíduos que exercem atividades artisticas para um público heterossexual, tendo por mira as consequências do que pode ocorrer, em algumas atividades, quando se sai do armário.

Naquele momento, particularemente, não dei palpite neste imbróglio.

Por um lado, entendo absolutamente correta a posição daqueles que criticaram o Silvio de Abreu. Me perdoe o Silvio de Abreu, me pareceu mais que a incompetência de escrever algo com qualidade foi justificada numa incapacidade do público de ver e aceitar uma cena onde exista beijo e até sexo homossexual. Basta lembrar que, entre outros, o filme "O Segredo de Brokeback Mountain", com tais cenas de beijo e sexo, já passaram e foram reprisados em canais abertos da televisão nacional, após lotar os cinemas brasileiros. Basta possuir qualidade e competência da parte de quem escreve, dirige e intrerpreta as cenas.

É incrível que na televisão da Argentina exista novelas com beijos e cenas de sexo homossexuais e aqui no Brasil, terra das novelas exportadas, isto ainda seja um tabu.

Mas, por outro lado, conhecendo pessoalmente alguns atores e atrizes, sei o quanto eles vivem numa atividade competitiva e difícil que não permite que corram riscos de aumentar as possibilidades de restrições numa eventual contratação, seja pela marca de um personagem ou até mesmo pela eventual rejeição do público, que na questão em debate, poderão deixar de enxergá-los como o galã da novela das oito que passa veracidade na conquista da mocinha. Pode parecer besteira, já que o bom ator e atriz passarão tal verdade e o público acabará enxergando a qualidade de seu trabalho, independente de sua orientação sexual. Mas se trata de uma decisão que cabe única e exclusivamente ao artista, que sabe onde dói o seu calo e até onde pode arriscar não ter trabalho para garantir o seu ganha pão.

Não é difícil cantoras e cantores, nem escritores e diretores se assumirem, pois o trabalho deles não fica dimensionado a veracidade de uma interpretação de uma personagem.

Portanto, para o ator e atriz se assumir precisa antes de tudo ter uma segurança muito grande na qualidade de seu trabalho de interpretação e confiar que o público, após uma rigorosa avaliação de confronto do ator para o personagem, terá condições e maturidade suficientes para ultrapassar o choque inicial.

Entretanto, recebi do Toni sua "carta aberta" e a considerei tão mais forte e impactante, que não posso me furtar a dividí-las com vocês, para que cheguem as próprias conclusões. Ao meu ver, ela vai além da atividade artística de um pessoa. Ela fala da pessoa, antes de questionar a atividade do artista.

É que antes da discussão se focar no ator e nas consequências que podem decorrer em sua atividade profissional, Toni preferiu ir ao âmago e discorrer sobre o ser humano que tem por escopo ser feliz, considerando aspectos cruciais, o espaço e o tempo. Ele realmente foi perfeito:

É “bobo” querer ser você mesmo e ser feliz?

Sílvio de Abreu, tenho uma admiração pelo seu trabalho desde que me conheço por gente, quando ainda criança assistia animado suas novelas na nossa televisão preto e branco, lá em Pato Branco-PR, no sofá velho de corvim, na casa de madeira: a primeira, Éramos Seis, que é a novela da minha vida; depois, Guerra dos Sexos, lembro até hoje a cena marcante com o Bimbo (Paulo Autran) e a Charlô (Fernanda Montenegro).

Sempre gostei do seu bom humor. Já a novela Plumas e Paetês, assisti em Quedas do Iguaçu-PR, na televisão colorida, no sofá de napa, numa casa de alvenaria.

Você tem tratado da homossexualidade, entre outras obras, na novela A Próxima Vítima, explorando o envolvimento entre os personagens Jefferson e Sandro. Nesta novela você prestou um grande serviço, desmistifcando a homossexualidade de forma positiva. A cena em que Sandrinho fala para Suzana Vieira que ele é gay e os dois choram foi para mim um dos momentos mais lindos da televisão brasileira. Em Torre de Babel, havia um casal de lésbicas, que morreu em uma explosão em um shopping center. Na época nós achávamos que a mensagem subliminar da morte delas foi lesbofobia. Será que não foi? E agora, com Passione, sem grandes comentários, vamos ver no que vai dar! Hoje assisto a novela no nosso apartamento, numa televisão de plasma, no sofá de tecido.

Por que estou escrevendo para você?

Semana passada, você teria afirmado para a colunista Mônica Bergamo, da Folha de São Paulo, que atores homossexuais não devem assumir a sua orientação sexual para não prejudicar seus trabalhos na televisão, porque a revelação pode decepcionar o público feminino, que prefere ver os galãs heterossexuais na tela, e que a melhor opção, nesses casos, é permanecer no armário. “Se ficarem falando por trás, não tem importância. Se ele falar abertamente, vai prejudicar. Ator que fizer isso é bobo”.

Bobo vem do latim ‘balbu”, e significava “gago”. Segundo o dicionário, bobo quer dizer
“indivíduo defeituoso, ridículo, tolo e maluco.”

Vejo que o aparelho de televisão evoluiu, e o sofá e a residência também. O que parece não ter evoluído é a mentalidade em relação ao assumir-se homossexual. Nas palavras de Elis Regina, “ainda somos os mesmos e vivemos como nossos pais.” John Lennon compôs uma música chamada Imagine. Eu fico imaginando como seria se fizessem no Brasil o Dia Sem LGBT. Muitas instituições não funcionariam. Com certeza, o Projac não funcionaria, e não seria apenas maquiadores ou cabeleireiros que faltariam.

Silvio, vou te contar resumidamente um pouco da história da minha vida para você entender um pouco da minha tristeza e indignação com sua declaração.

Quando falei para minha mãe, aos 14 anos de idade, que eu era gay, ela não teve dúvida. Não me chamou de bobo, mas me mandou para o médico me “curar”. Não deu certo. Procuramos a Igreja Católica e fiz promessa para Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, não deu certo.

Fiz novena, mas como eu tive várias recaídas, tive que recomeçar a novena e ela virou quarentena. Fui ao culto da igreja evangélica Assembleia de Deus, não deu certo. Fui ao Centro de Umbanda e tive que fazer uma oferenda, porque o pai de santo me falou que eu tinha uma pomba-gira desgovernada, mas não deu certo. Fiz muita simpatia, que não convém descrever aqui. Não funcionou. Permaneci gay. Fazer o quê?

Para resumir a história, minha mãe falou para mim quase cochichando, “meu filho, já que não tem jeito mesmo de você se curar deste mal, não fale para mais ninguém. Se falar, eu vou sofrer, você vai sofrer, todo mundo da nossa família vai ser motivo de chacota.” Vejo na afirmação que você fez o eco das palavras da minha mãe.

O que fiz? Saí da minha cidade. Estudei. Fui para a Europa onde fiquei por quatro anos. Quando voltei, fundei o primeiro grupo gay do Paraná e depois, em 1995, juntamente com outros 31 grupos, fundamos a ABGLT – Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais. Por força do ofício, eu assumi minha homossexualidade de forma muito explícita, o que recomendo a todos e todas.

Foi como tirar o peso de dois sacos de cimento das costas. Não precisei mais mentir ou omitir.

Depois de me apresentar, e me referindo à Constituição Federal, sei que as pessoas têm o direito à privacidade. O artigo 5º, inciso X, da Constituição oferece proteção ao direito à reserva da intimidade, assim como ao da vida privada. Segundo Celso Bastos e Ives Gandra, intimidade consiste "na faculdade que tem cada indivíduo de obstar a intromissão de estranhos na sua vida privada e familiar, assim como de impedir-lhes o acesso a informações sobre a privacidade de cada um, e também impedir que sejam divulgadas informações sobre esta área da manifestação existencial do ser humano," opinião da qual comungo e procuro respeitar.

Por outro lado, para nós LGBT que sofremos todo tipo de discriminação (vide o item Pesquisas em www.abglt.org.br/port/pesquisas.php), é muito importante que tenhamos referências positivas de gays, lésbicas e pessoas trans nos meios de comunicação, e não apenas caricatas estereotipadas, ou ausência de referências.

Isto vale tanto para diminuir o preconceito presente na sociedade de modo geral, como também ajuda os jovens que estão se descobrindo LGBT a terem menos dificuldade em se assumir e a não se sentirem inferiores por causa de sua sexualidade diferente da convencionalmente aceita.

Com a sua afirmação de que é bobo o ator galã que assume sua orientação sexual, você reforça o preconceito, a discriminação e principalmente o estigma existentes contra as pessoas LGBT. Sério.

Sílvio,você como o formador de opinião que com certeza é, basta ver os mais de 230 sites e blogs e mais de 30 jornais nos quais sua fala repercutiu, espero que você não esteja recomendando que as pessoas ajam com hipocrisia, que “é o ato de fingir ter crenças, virtudes, ideias e sentimentos que a pessoa na verdade não possui”. A vida não é um palco iluminado. Ela deve ser vivida intensamente, porque também ela não é um ensaio. Aqui meu amigo, a vida é um ato só, e não tem direito a uma reprise, embora tenha gente que acredite que pode fazer um remake.

Peço que você analise esta frase do nosso querido Caetano Veloso, da música Dom de Iludir: “Cada um sabe a dor e a delícia de ser o que é.” Quando uma pessoa assume sua verdadeira orientação sexual, ela deixa para trás muitas coisas ruins, não precisa mais mentir e fingir. Não corre o risco de ser chantageada. Não precisa mais correr risco de vida.

Você sabia, Sílvio, que muitos gays famosos (atores, políticos, religiosos, jogadores...) acabam sendo mortos por se exporem, muitas vezes levando pessoas estranhas para suas casas às escondidas, por não poderem ser o que realmente são. Ficar no armário causa baixa autoestima e aumenta a vulnerabilidade. Muitos atores e personalidades de Hollywood e até da televisão e do cinema brasileiros morreram de aids como consequência disso. Ficar no armário não faz bem para ninguém.

O primeiro vereador gay assumido eleito, Harvey Milk, cuja história foi retratada o filme A Voz da Igualdade, disse: “Se você não é livre para ser você mesmo na coisa mais linda da vida, que é a expressão do amor –, então a vida, em si mesma, perde seu sentido.” Será que ele era bobo, ou defeituoso?

Sílvio, o armário não é lugar para as pessoas. É escuro, alguns tem mofo e outros até traças. Não faz bem para a saúde mental.

Talvez seu raciocínio seja de que o ator não seja prejudicado. Sabia que esse raciocínio me incomoda, o raciocínio do “vamos deixar tudo como está e não vamos tentar mudar”. Já pensou se não tivéssemos mudado a regra que pessoas negras não podiam se casar com pessoas brancas. Não faz tanto tempo que atores negros e atrizes negras só tinham papéis de motoristas ou domésticas, porque prevalecia o raciocínio de que se o(a) negro(a) fosse protagonista, a novela não teria sucesso.

Também segundo a reportagem, você considera que a exibição de um beijo gay na televisão é um tema polêmico: “é uma exposição com a qual parte do público que não é gay pode se chocar.” Eu pergunto, é melhor colocar um beijo gay, ou tanta violência
e espancamento que vemos hoje nas novelas? Eu prefiro o beijo. Cito aqui um soldado gay americano que disse” Fui condecorado porque matei vários homens na guerra, fui expulso do exército porque beijei um”. O que você falou é o mesmo entendimento da
hipocrisia americana com relação aos gays no exército: você não fala que é e eu não pergunto.

Minha mãe, em 1978, quando eu tinha 14 anos, mandou que eu me curasse da homossexualidade. Mas em 1996, ela fez todo aquele sacrifício, abertamente e sem medo, e se propôs a casar com meu marido, David Harrad, para que ele pudesse ficar no Brasil comigo. Minha mãe mudou. Agora ela teria 79, e você tem 68. Ela era uma pessoa de pouca instrução, mas de grande sabedoria. Se minha mãe mudou, você Silvio de Abreu pode mudar. Você estará colaborando para um mundo melhor em que as pessoas sejam elas mesmas, sem simular afeição. E estarão cumprindo a finalidade da vida, que Aristóteles tão bem definiu como sendo a Felicidade. É “bobo” querer ser você mesmo e ser feliz?

“A sexualidade faz parte de nossa existência. E o projeto de uma bela existência implica o de uma livre sexualidade.”
(Jean-Philippe Catonné)

* Toni Reis, 46 anos, especialista em sexualidade humana, mestre de filosofia, doutorando em educação e presidente da Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais - ABGLT - Curitiba - Paraná


Fonte:
Foto de Silvio de Abreu: Fábio Zanzeri/AgNews

domingo, 30 de maio de 2010

A BISSEXUALIDADE EM FOCO



Neste blog já falei sobre gays, lésbicas, travestis e transexuais, mas nada sobre bissexuais.

Me dei conta como é complexo falar da bissexualidade.

Mais pessoas estão admitindo ser bissexual - mas muitos de nós não sabemos realmente o que esta orientação sexual realmente significa.

Por outro lado, embora seja evidente que existam bissexuais (eu mesmo conheço alguns), para muitos heterossexuais e homossexuais não existe a bissexualidade, apenas pessoas que escondem sua sexualidade através dela, além de considerá-las promiscuas. E, incrivelmente, muitos bissexuais aceitam passivamente essa pecha e, por isso, a maioria esconde sua bissexualidade, sem coragem de dizer para o parceiro ou parceira. Hoje, para nova geração de jovens, o comportamento parece diferente, mais liberal.
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Talvez, por esta razão, reconhecer a bissexualidade é ainda meio confuso. A maioria de bissexuais assumidos que conhecemos são artistas, como Ricky Martin, por exemplo, o qual antigamente se afirmava ser um. Donde se conclui daquele antigo boato que propagavam muita fumaça a respeito, suscitada pelos heteros e homossexuais, que o fogo era real. Ele apenas fingiu ser bissexual para esconder sua homossexualidade.
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Há quem diga também que a bissexualidade é apenas uma fase: Pode até ser. Afinal muitos homens gays na tentativa de evitarem a homofobia da sociedade, desenvolvem uma relação sexual com uma mulher. Alguns até vão longe ao ponto de se casarem. Mas ainda assim, o indivíduo permanece homossexual. No entanto, sabemos que algumas pessoas sinceramente se consideram estar permanentemente bissexual por toda a sua vida adulta. Há ainda o bissexual da moda, o curioso e etc.
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Outras questões surgem. Igual intensidade de desejo dirigido a ambos os sexos seria a perfeita definição da bissexualidade? Para algumas pessoas sim, mas não me parece fidedigno, afinal, nem nossos desejos que pulsam por uma única orientação sexual (hetero ou homossexual) possuirão a mesma intensidade frente a parceiros sexuais diferentes. Um homem homossexual pode sentir mais tesão por um e menos por outro homem, o mesmo ocorrendo com as mulheres, sejam heteros ou homossexuais.
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Pesquisa realizada na Escola de Saúde Pública de Harvard, E.U.A. em 1994 constatou que 20,8% dos homens e 17,8% das mulheres pesquisadas, admitiram atração sexual/comportamento em relação a pessoas do mesmo sexo, em algum momento de suas vidas.
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Isto faz essas pessoas serem bissexuais. Acho que não. Este "algum momento de suas vidas" retira delas a orientação sexual em questão. Estavam, não eram.
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Na minha concepção, sob ponto de vista latino americana, para as mulheres é bem mais fácil transitar pela bissexualidade que os homens. A cultura machista até cultua e fantasia isto. No entanto, se um homem se afirmar bissexual o preconceito grita. Tanto os homens como as mulheres tratam logo de taxá-los de gays enrustidos.
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Está confuso? Eu estou, dá para perceber... Então vamos a literatura sobre o assunto.
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Alfred Kinsey

Em 1941, o americano Alfred Kinsey C. já havia realizado 1,6 mil das suas entrevistas e analisados os critérios "para uma explicação hormonal do homossexual? em uma primeira publicação. Nele, Kinsey apresentou uma escala de avaliação de trinta pontos mostrando trinta casos de sua coleção, que demonstrou trinta diferentes matizes e combinações entre comportamento exclusivamente heterossexual e exclusivamente homossexual. A partir desses exemplos, Kinsey concluiu que uma explicação hormonal do "homossexual" na melhor das hipóteses, é extremamente difícil, mas provavelmente impossível.

Entre suas explicações disse que “Qualquer explicação sobre o homossexual tem de reconhecer que uma grande parte dos adolescentes mais jovens demonstra a capacidade de reagir a ambos os estímulos homossexuais e heterossexuais, que há um número considerável de adultos que apresentam essa mesma capacidade, e que há apenas um desenvolvimento gradual de o exclusivamente homossexual ou heterossexual, exclusivamente os padrões que predominam entre os adultos mais velhos”.

Este primeiro ensaio, publicado inicialmente em um jornal endocrinológicas, não atraiu muita atenção apesar de suas declarações provocativas. Suas implicações verdadeiras foram provavelmente compreendidas primeiras apenas por pouquíssimos leitores. No entanto, quando Kinsey e seus colaboradores apresentaram suas famosas "Report", em 1948, causou uma sensação internacional. O texto baseou-se em mais de 11.000 entrevistas e apresentou as suas conclusões sobre o comportamento homossexual em uma escala de sete partes.
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Naturalmente, nova escala Kinsey de sete pontos foi basicamente uma versão simplificada de seu primeiro. Na verdade, essa realização, mais uma vez deixa claro que o importante nas escalas de Kinsey não é o número de (arbitrariamente determinado) subgrupos, mas a transição do fluido de um grupo para outro. Como Kinsey declarou:

“Os machos não representam duas populações discretas, heterossexual e homossexual. O mundo não é para ser dividido em ovinos e caprinos. Nem todas as coisas são pretas nem todas as coisas em branco. É um direito fundamental da taxonomia dessa natureza raramente lida com categorias discretas. Somente a mente humana inventa categorias e tenta forçar fatos em compartimentos separados. O mundo vivo é um continuo em cada um dos seus aspectos. Quanto mais cedo aprendemos sobre este comportamento sexual humano, mais cedo chegaremos a uma boa compreensão das realidades do sexo”.

Para Kinsey, então, a natureza foi muito variada a ser forçada a entrar no contraste Picayune "homo / bissexual". O homem como uma espécie possuía a capacidade de reagir a pessoas do mesmo sexo, assim como a estímulos sexuais do outro, desde que ele era herdeiro de uma herança correspondente mamíferos. Se alguma coisa tinha de ser explicado aqui, então era a exclusividade do comportamento em ambas as extremidades do espectro. Sem dúvida, este deveria ser atribuído principalmente à interferência cultural. Em qualquer caso, do ponto de vista da biologia, o comportamento homossexual como tal era tão "natural" como o comportamento heterossexual.

Segundo Kinsey, a escala de sete partes, posteriormente adquiriu um certo grau de renome internacional e foi reproduzida em muitos livros e obras de referência. Infelizmente, porém, foi muitas vezes erradamente interpretada, porque poucas pessoas se deram ao trabalho de ler as instruções próprias Kinsey e explicações.

Especificamente, ele enfatizou que a sua escala representada tanto ostensiva e experiências secretas, ou seja, não apenas as acções realizadas, mas também as reações puramente psíquicos que não levam a qualquer contato sexual. Assim, por exemplo, um homem casado, sem nenhum contato real homossexual que regularmente cumprido seus "deveres conjugais", mas, enquanto tal, fantasiado principalmente sobre os homens, não foi avaliado em 0, mas em 2 ou 3, de acordo com o quão forte ou frequentes os seus desejos e fantasias homossexuais eram. Por outro lado, um prostituto do sexo masculino que tinha apenas uma namorada, mas milhares de clientes do sexo masculino poderia receber a mesma classificação de 2 ou 3 se o seu real desejo sexual eram voltados para essa amiga e serviu os seus clientes do sexo masculino, sem qualquer desejo erótico de sua própria "apenas pelo dinheiro."

Tendo em conta a enorme discrepância, estatisticamente documentada entre o desejo e a ação, tendo em vista a enorme extensão da variação entre o comportamento exclusivamente heterossexuais e homossexuais, e tendo em conta as muitas mudanças ¡ª verdade reversões ¡ª entre eles, Kinsey já não via qualquer justificação para falar sobre "o homossexual", como ele ainda não tinha feito, embora, ironicamente, sete anos antes. Ele incentivaria a pensar mais claramente sobre estas questões, no sentido das pessoas não serem caracterizadas como heterossexual ou homossexual, mas como indivíduos que tiveram uma certa quantidade de experiência heterossexual e uma certa quantidade de experiência homossexual. Em vez de usar esses termos como substantivos que representam pessoas, ou mesmo como adjetivos para descrever pessoas, elas podem ser melhor utilizados para descrever a natureza das relações ostensivas sexuais, ou de estímulos que um indivíduo responde eroticamente.

Fritz Klein

Fritz Klein, autor do livro The Bisexual Option, (A opção bissexual, Volume 1993, Parte 2) defende que a bissexualidade é um problema para héteros e homos à medida que ameaça a distinção clara entre uma e outra identidade sexual.

“As preferências e aversões eróticas dos heterossexuais normalmente não permitem uma compreensão da homossexualidade. Homossexuais também se sentem desconcertados frente à atração por pessoas do sexo oposto. Isso cria dois campos distintos a partir dos quais bandeiras podem ser erguidas. E ainda que possam ser ameaças ideológicas uns para os outros, esses dois campos são claramente distintos. (…) [Um homem] confrontado com um homem bissexual precisa, ainda que inconscientemente, lidar com a possibilidade de que sua própria sexualidade seja ambígua. A razão pela qual ele fica aliviado ao ouvir que bissexuais não existem é que, assim, ele evita seu próprio conflito interior.”

Arlete Gavranic

Num texto da Arlete Gavranic, a mesma afirma que:

“segundo o psiquiatra e psicodramatista Ronaldo Pamplona, no seu livro Os onze sexos, nascemos homens ou mulheres - biologicamente falando, mas isso sozinho não definirá nossa vida sexual. Iremos desenvolver durante nossa vida a formação da identidade sexual. E a maioria dos autores que estudam a psique humana dizem que isso ocorre na infância, em média entre os 5 e 7 anos de idade. Na prática é a sensação que nosso sexo psicológico está de acordo ou não com nosso sexo anatômico."

A sexualidade do bissexual no dia-a-dia

"Essa bissexualidade pode ocorrer em se sentir de forma igual essa atração, como pode ser vivida com uma vida sexual mais frequentemente heterossexual e com relações homo - ocasionais - ou mais que ocasionais. Também pode ocorrer com uma vida sexual mais frequentemente homossexual e com relações hetero - ocasionais - ou mais que ocasionais".

Como as pessoas sabem se são bissexuais ou se são homossexuais?

"Uma pessoa bissexual percebe seu desejo, sua atração, por ambos os sexos. Se, por exemplo, um homem desconfia ser homossexual e não bissexual, é porque ele percebe sua não-atração, sua dificuldade de desejo por mulheres."

O que pode influenciar na busca de mais relações homo ou heterossexuais?

Por toda uma aprendizagem, pressão familiar e social, muitas pessoas com orientação bissexual podem restringir sua experiência a heterossexualidade ou a ter algumas aventuras ocasionais na homossexualidade. Mas se a orientação é bissexual os desejos bissexuais irão acontecer, na vida real, nas fantasias sexuais e em sonhos eróticos.

As pessoas podem assumir a bissexualidade em qualquer idade?

Sim. Existem muitas situações que podem interferir na vida das pessoas. Uma pessoa com uma orientação bissexual pode viver uma relação de amor intenso e significativo o que faz com que essa pessoa viva na heterossexualidade muito tempo. Mas é possível que se houver uma crise nessa relação, se houver uma separação, uma viuvez ou até a aproximação de alguém que se torne interessante e saiba seduzir, que o desejo bissexual venha à tona.”

Regina Navarro

Regina Navarro já questionou num artigo do JB se a bissexualidade será o sexo do futuro.

“Quase todas as pessoas afirmam que romperiam um namoro ou casamento se descobrissem que seus parceiros são bissexuais. Mas isso é uma questão cultural. Na Grécia Clássica (século V a.C.) a iniciação sexual de um jovem se dava com o seu tutor. E era considerado natural que os cidadãos gregos casados e respeitáveis tivessem relações sexuais com as esposas, as concubinas, as cortesãs e os efebos (jovens rapazes).

Marjorie Garber, professora da Universidade de Harvard, que elaborou um profundo estudo sobre o tema, compara a afirmação de que os seres humanos são heterossexuais ou homossexuais às crenças de antigamente, como: o mundo é plano, o sol gira ao redor da terra. Acreditando que a bissexualidade tem algo fundamental a nos ensinar sobre a natureza do erotismo humano, ela sugere que em vez de hetero, homo, auto, pan e bissexualidade, digamos simplesmente ''sexualidade''.

Será que o amor pelos dois sexos se tornará uma opção cada vez mais comum a ponto de predominar? A bissexualidade, como muitos afirmam, vai ser mesmo o sexo do futuro?”

Após as considerações das pessoas acima creio que a bissexualidade, tão fácil de entender e difícil para alguns aceitarem, ficou mais clara.

Eu, particularmente, acho que a bissexualidade vai ser o sexo do fututo, mas sem esta terminologia, pois a mesma já determina um rótulo. Creio que o rótulo e a sexualidade não combinam e no futuro isto cada vez ficará mais claro. Óbvio que digo isto, sem base em conhecimento psicossocial ou qualquer outro fundamento técnico. Trata-se de uma impressão, com base naquilo que vejo e sinto, cotidianamente.

http://jbonline.terra.com.br/jb/papel/colunas/intima/2005/03/04/jorcolitm20050304001.html
(http://www2.uol.com.br/vyaestelar/bissexualidade.htm)

sexta-feira, 28 de maio de 2010

Comédia Imbecil: Rafinha Bastos, um dos apresentadores do programa CQC, pede ajuda em causa própria, ou seja, a estupidez


Como Rafinha Bastos mesmo faz questão de frisar ao se referir aos seus textos em seu site, seu objetivo não é ofender, apenas é um homem com muitas opiniões nada convencionais e gosta de arrancar risadas com elas.

Com risadas ou sem risadas, portanto, a foto da camiseta e texto no twitter representam sua opinião.
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Se quer ou não ofender alguém, não muda o fato que ofende.

No seu Twitpic apresenta uma foto pedindo “ajude esta causa” no qual aponta para a camiseta que veste lembrando o símbolo do grupo arco-íris destorcida, mostrando os coloridos (representando os coloridos’ homossexuais) propositalmente separados do boneco escuro (representando o heterossexual), este figurativamente, com cara de mau, olhando para aqueles, dando socos no ar ou furiosamente retirando a mão ao lado dos homossexuais é ESCROTO, incita a violência e a discriminação.

A tal ajuda é para “CASA DO HETEROSSEXUAL” em letras bem grandes, e abaixo, em minúsculas, pejorativamente, indica, “Porto Alegre – RS”, de onde ele é natural.

Num só embalo sugere dois sentimentos desfavoráveis e preconceituosos, em letras, proporções e consequências diferentes, é claro.

Basta ler os comentários de seus asseclas para constatar como foi inspirativo para alguns liberar, ainda mais, a discriminação.

A mensagem para os heterossexuais de Porto Alegre é dúbia e pode até ser entendida como questionamente através da sátira, mas reafirma também uma pretensão de chacota preconceituosa, devidamente minimizada.
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Em relação aos LGBTs é diferente. É frontal, grandiosa e nada dúbia. Para débeis mentais talvez exista muita graça nesta ‘piada’, mas não para homossexuais que levam porrada nas ruas por homofóbicos e nem para aqueles que sofrem humilhações com piadinhas da mesma espécie em ambientes de trabalho, familiar e social, de uma forma geral.
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A expressão visual dos desenhos, a escolha do tamanho da fonte para cada palavra, seu comentário ao lado da foto, declaram a postura adotada pelo Rafinha na expressão desejada quando trata desse ou outro assunto.
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Sempre ouvi uma amiga em comum falar bem do Rafinha, mas passo a desconfiar de sua opinião a respeito deste elemento de dois metros com nome no diminutivo e cara de bobo.

Por fim, para demonstrar o meu bom humor, a sugerida 'estupidez' do machinho 'grande bobo' também se trata apenas de uma piadinha, com mero intuito de ser engraçado para os leitores. É lógico!
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foto 2: Ferruccio Silvestro, de 19 anos, agredido por homofóbicos em Niterói
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