O presente blog se propõe a reflexão sobre os Direitos Humanos nas suas mais diversas manifestações e algumas amenidades.


sexta-feira, 12 de março de 2010

A peça 'Tango, Bolero e Chá chá chá' traz de volta a estória da transexual Lana Lee

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.Edwin Luisi montado de Lana Lee

O premiadíssimo ator Edwin Luisi comemora no Rio de Janeiro seus 40 anos de carreira com a remontagem da peça que foi sucesso absoluto, “Tango, Bolero e Chá chá chá” no Teatro Clara Nunes, no shopping da Gávea.
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Edwin Luisi é o ator número um do teatro brasileiro. Já foi agraciado com os mais importantes prêmios teatrais do País: Molièrie (duas vezes), Mambembe (duas vezes), APCA (duas vezes), Procópio Ferreira, Governador do Estado do Rio de Janeiro, Quality Brasil (duas vezes), Shell (três vezes) e APTR.

A primeira montagem ocorreu em 2001 e também deu ao ator os possíveis prêmios de teatro pela sua impecável interpretação da transexual Lana Lee.

A peça conta a história de Daniel, um engenheiro que abandona, sem maiores explicações. sua esposa e filho e recomeça uma nova vida em Paris, transformando-se, após uma intervenção cirúrgica para mudança de sexo, numa grande artista e passa a se chamar Lana Lee. Dez anos depois retorna ao Brasil com seu companheiro para reencontrar a antiga esposa e seu filho, Denis.

Este é o mote da peça. O reencontro daquele pai de família com sua esposa e filho, os quais nada sabiam acerca de sua nova identidade.

A história parece boa? Sim, mas é mais que isto. Quem for assistir se surpreenderá com o tratamento dado a ela. Quem espera um história carregada, cheio de drama e sofrimento descubrirá um texto descontraído, leve e altamente cômico. É uma comédia como raras, onde o riso não sai amarelo e nem mecanicamente apenas porque pagou a entrada.

O trio das personagens femininas arrasam e roubam literalmente a cena. Edwin Luisi está irreconhecível como Lana Lee e sua atuação na dose certa, sempre impecável, sem excessos ou caricaturas, apesar de fazer uma diva transexual hilariante. Marcia Cabrita como Genevra, emprega da família, rouba todas as cenas na qual aparece e é simplesmente impossível não gargalhar com suas intervenções pontuais. Maria Clara Gueiros interpeta Clarice, a esposa abandonada e também se destaca pela sua espontaneidade e graça natural.

Para quem já assistiu verá uma peça nova. É admirável como o decorrer dos anos, sem perder a atualidade, faz enxergar a peça sobre outra ótica, assim como as alterações do elenco originário. Neste aspecto, cumpre registrar especialmente a mudança de contexto da personagem Clarice (esposa) antes vivido pela atriz Maria Helena Dias e na montagem atual pela Maria Clara Gueiros. Maria Helena Dias emprestava a personagem um tom mais dramático, com o peso da mulher abondonada que se choca com a nova realidade, o que não é revivido na interpretação da Maria Clara Gueiros, que segue uma trilha toda mais cômica para a mesma personagem. Parece duas personagens absolutamente diferentes, com a mesma história. O figurino da peça também modificou, sem dúvida mais bonito, mas as cenas engraçadíssimas que a personagem do Edwin fazia com a roupa não possuem mais aquele antigo efeito. Por outro lado, as ontológicas cenas dos espirros arlégicos e caminhadas desbaratadas estão ainda melhores.

Mas, o que realmente me chama especialmente atenção é que se trata de uma comédia rasgada, com tema sério e muito delicado, tendo como questão central a transexualidade, sem que busque ou caia na apelação fácil do deboche barato envolvendo a sexualidade, algo tão comum quando se retratam homossexuais, travestis e transexuais. A peça, apesar de engraçadissíma, é absolutamente respeitosa!

Isto prova que não é necessário perder o respeito para não se perder a piada.

Tango, Bolero e Chá Chá Chá merece ser visto e sugiro que assistam. Digo isto com isenção, já que para mim é particularmente difícil gostar de comédias. Sempre saio com a sensação que todos acharam graça, menos eu, ou pior, se ri apenas porque as pessoas ao lado riem. Mas não é o caso desta, finalmente compartilhei da alegria dos demais. Vale a pena e é um excelente programa!

quinta-feira, 11 de março de 2010

México celebra o primeiro casamento gay feminino da América Latina

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Judith Vázquez (à esquerda) e Lol Kin Castañeda beijam-se nesta quinta-feira (11) antes de irem à prefeitura da Cidade do México para se casar. (Foto: AFP)
Saiu no G1 do site da Globo.com e reproduzo aqui:


Judith Vázquez e Lol Kin Castañeda casam-se junto com mais três duplas. Uniões entre homossexuais foram legalizadas no país em dezembro.
Da AFP, na Cidade do México

Judith Vázquez e Lol Kin Castañeda tornaram-se nesta quinta-feira (11), na capital do Mexico, as duas primeiras mulheres a contrair matrimônio na América Latina, numa cerimônia múltipla, com a participação de outros três casais gays. "Sim, é minha vontade", disse Lol Kin Castañeda quando o juiz perguntou se desejava casar-se com Judith Vázquez, numa solenidade realizada no antigo palácio da Prefeitura. A capital mexicana aprovou em dezembro uma lei que permite a oficialização do casamento entre homessexuais.
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Elas se casaram ao lado de outros três casais gays. (Foto: AFP)

Fonte:

http://g1.globo.com/Noticias/Mundo/0,,MUL1525594-5602,00-MEXICO+CELEBRA+O+PRIMEIRO+CASAMENTO+GAY+FEMININO+DA+AMERICA+LATINA.html

GGB: "Relatório Anual divulga números de Homossexuais assasinados no Brasil em 2009"


O Grupo Gay Bahia, no dia 03/03/10, apresentou em seu site - http://www.ggb.org.br/ - o triste e chocante relatório anual de homossexuais assassinados no Brasil em 2009.

O trabalho do antropólogo e decano do movimento LGBT, Luiz Mott, é o único existente no Brasil, servindo como referência nacional, assim como no exterior.

Aliás, Luiz Mott e o Grupo Gay Bahia dispensam apresentações ou comentários. Motivo pelo qual, deliberadamente apenas transcreverei o que o site expõe a este respeito:
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"Foram assassinados no Brasil no ano passado 198 homossexuais, 9 a mais que em 2008 (189 mortes), um aumento de 61% em relação a 2007 (122).
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Dentre os mortos, 117 gays (59%), 72 travestis (37%) e 9 lésbicas (4%). O Grupo Gay da Bahia, que há 30 anos coleta informações sobre homofobia em nosso país, cobra do Presidente Lula mais ação e menos blábláblá: apesar do programa federal “Brasil sem Homofobia”, nosso país continua sendo o campeão mundial de homicídios contra LGBT, com 198 mortes, seguido do México com 35 e dos Estados Unidos com 25 mortes anuais. A cada dois dias um homossexual é assassinado no Brasil, vítima da homofobia. O risco de uma travesti ser assassinada é 262 vezes maior que um gay. Nos dois primeiros meses 2010 já foram documentados 34 homicídios contra homossexuais.
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Bahia e Paraná são os estados mais homofóbicos: 25 homicídios cada um, sendo que na Bahia os gays foram mais numerosos (21), enquanto no Paraná predominaram as travestis (15 mortes). Curitiba, cidade modelo de urbanidade, foi a metrópole brasileira onde mais homossexuais foram assassinados, 14 vítimas, seguida de Salvador com 11 homicídios. Pernambuco, que nos últimos anos liderava esta lista de assassinatos, registrou 14 mortes, (4º lugar) o mesmo número de São Paulo e Minas Gerais, embora SP tenha população cinco vezes maior. Alagoas é proporcionalmente o estado mais violento para a comunidade LGBT: 11 mortes para 3 milhões de habitantes, surpreendentemente mais crimes do que o Rio de Janeiro (8 homicídios), cinco vezes mais populoso que Alagoas.
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Faltam informações sobre Acre e Amapá. Três travestis brasileiras foram assassinadas na Itália. Segundo Luiz Mott, antropólogo e fundador do GGB, “estes números são apenas a ponta de um iceberg de sangue e ódio, pois não havendo estatísticas governamentais sobre crimes de ódio, nos baseamos em notícias de jornal e internet, uma amostra assumidamente subnotificada. O Brasil é o campeão mundial de crimes contra LGBT: um assassinato a cada dois dias, aproximadamente 200 crimes por ano, seguido do México com 35 homicídios e os Estados Unidos com 25.” De 1980 a 2009 foram documentados 3196 assassinatos de gays, travestis e lésbicas no Brasil, concentrando-se 18% na década de 80, 45% nos anos 90 e 37% (1366 casos) a partir de 2000.
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O Nordeste confirma ser a região mais homofóbica: abriga 30% da população brasileira e registrou 39% dos LGBT assassinados. 21% destes crimes letais ocorreram no Sudeste, 15% no Sul, 14% no Centro-Oeste, 10% no Norte. O risco de um homossexual do Nordeste ser assassinado é aproximadamente 80% mais elevado do que no sul/sudeste! 39% destes homicídios foram cometidos nas capitais, 61% nas cidades do interior.41% dos LGBT assassinados eram jovens de até 29 anos, dos quais 6 tinham menos de 18 anos. A vítima de menor idade foi uma travesti com 16 anos, Jeferson Santos, baleada no centro de Belém do Pará.
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O mais idoso, o aposentado Zigomar Belo, 72 anos, foi morto a marretadas no interior do Maranhão. Em dezembro ocorreu o maior número de homicídios, 29 (15%), e Agosto o mês menos violento, 7 casos (3%). Não há regularidade na freqüência mensal de assassinatos nos últimos anos, observando-se contudo maior criminalidade à noite, em fins de semana e dias festivos.
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As vítimas exerciam 40 diferentes profissões, de profissionais liberais a trabalhadores braçais, predominando, como nos anos anteriores 28% de travestis profissionais do sexo, 10% de professsores, 7% de cabeleireiros. Entre as vítimas, 7 pais de santo e 4 padres católicos. Tais sacerdotes constam no site da CNBB, contudo omitindo-se terem sido assassinados por rapazes de programa.
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Persiste a tendência de que a maioria destas vítimas foi executada com arma de fogo (34%), seguido de arma branca (29%), espancamento (13%), asfixia (11%). As travestis estão mais expostas a serem atingidas por tiros (47%), muitos destes crimes ocorridos na “pista”, enquanto reduz-se para 20% os gays vítimas de arma de fogo. O padrão predominante é o gay ser morto a facadas ou estrangulado dentro de sua residência, enquanto as travestis morrem alvejadas por tiros.
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Outra característica dos assassinatos homofóbicos é sua condição de “crime de ódio”, incluindo muitos golpes, múltiplos instrumentos e tortura: 5 vitimas foram degoladas e 10 tiveram seus corpos queimados. A travesti Karina Alves, 26, foi morta com 13 tiros em Belo Horizonte, enquanto o idoso gay Jonas Terêncio de Souza, mecânico de Tocantins, levou mais de 60 golpes de faca; outro gay, Walmir Silveira Ponciano, 38, cartomante, morreu em Corumbá, MS, com 37 facadas.
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Segundo o professor de filosofia Ricardo Liper, da UFBa, “mesmo em crimes envolvendo drogas e outros ilícitos, a condição homossexual da vítima sempre está presente, fruto da homofobia cultural e institucional que impregna a mente dos assassinos. Prova disto é que se matam muito mais travestis na pista do que mulheres prostitutas, embora as travestis não ultrapassem 30 mil indivíduos, enquanto as profissionais do sexo mulheres contem-se aos milhões. Portanto, mesmo em casos de latrocínio e crimes que tenham relação com outros delitos, é correto classifica-los como crimes homofóbicos.”
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O Grupo Gay da Bahia (GGB) alem de disponibilizar na internet o manual “Gay vivo não dorme com o inimigo” como estratégia para erradicar os crimes homofóbicos, ameaça: se a Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República não implementar as deliberações do Programa Brasil Sem Homofobia e da 1ª Conferencia Nacional GLBT, enviará denúncia contra o Governo Brasileiro junto à Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) da Organização dos Estados Americanos (OEA) e à Organização das Nações Unidas (ONU), pelo crime de prevaricação e lesa humanidade contra os homossexuais. O GGB reivindica a divulgação de outdoors em todos os Estados com mensagens diretas contra assassinato de homossexuais.Quanto aos autores destes crimes, chama a atenção que aproximadamente 80% das ocorrências têm “autor desconhecido”, ou por terem sido praticadas altas horas da noite, em locais ermos, ou pela omissão das testemunhas, que devido ao preconceito anti-homossexual, não querem se envolver com vítimas tão desprezíveis. Metade destes criminosos praticaram latrocínio, roubando eletrodomésticos, cartão de crédito e o carro da vítima. Também chocante é predominância de assassinos bastante jovens: mais da metade dos homicidas de gays e travestis tinham menos de 21 anos, o mais jovem apenas com 13 anos, vários agindo em grupo. "É uma falha principalmente da escola. Essa juventude se torna agressiva pela falta de uma educação sem homofobia, que incorpore o respeito aos direitos dos homossexuais em sua metodologia de ensino," diz Deco Ribeiro, do Grupo E-jovem de Adolescentes Gays, Lésbicas e Aliados de Campinas, SP. Dos 20% de criminosos identificados, menos de 10% chegam a ser detidos e julgados, e mesmos estes, alegando legítima de fesa da honra, são beneficiados com penas leves ou injustamente absolvidos. Como nos anos anteriores, entre os assassinos de LGBT em 2009 predominaram os garotos de programa e clientes de travestis.
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Para o Presidente do GGB, Marcelo Cerqueira, “há solução contra os crimes homofóbicos: ensinar à população a respeitar os direitos humanos dos homossexuais, exigir que a Polícia e Justiça punam com toda severidade a homofobia e sobretudo, que os próprios gays e travestis evitem situações de risco, não levando desconhecidos para casa, evitando transar com marginais.”
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“Estes números são apenas a ponta de um iceberg de sangue e ódio, pois não havendo estatísticas governamentais sobre crimes de ódio, nos baseamos em notícias de jornal e internet, uma amostra assumidamente subnotificada. O Brasil é o campeão mundial de crimes contra LGBT: um assassinato a cada dois dias, aproximadamente 200 crimes por ano, seguido do México com 35 homicídios e os Estados Unidos com 25.” Luiz Mott, fundador do GGB.

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Corpo de Flávio Vilela foi jogado em córrego no bairro do Jacintinho em Maceió, Alagoas.

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Francivaldo Santos Lima,31 anos, com uma facada no peito morto em 2008 Tiomon, MA

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Edvaldo Jonas da Silva, de 27 anos, foi encontrado morto, na manhã deste domingo, 10, em um canavial pertencente à Usina Santa Clotilde, em Messias. Maceió, Alagoas.

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Jorge Pedra, assassinado a facadas em Salvador, 2009.


fonte:
http://www.ggb.org.br/dossier%20de%20assassinatos%20de%20homossexuais%20em%202009.html

Bial só falta desenhar para que o povo entenda!


A arte de se comunicar reside exatamente no poder de síntese, objetividade e clareza.

As vezes pessoas menos afortunadas como eu, se contorciona inteiro nesta tentativa.

Bial, sem dificuldades, faz com maestria.

No programa do BBB10 o discurso final de Bial para apresentar o resultado do paredão entre Dicésar, Eliéser e Dourado foi um momento de grande beleza e sensibilidade do comunicador.

O texto foi auto-explicativo, didático, claríssimo e ao final, supreendedor e impactante.

Sem informar que se referia o estudo comportamental de um grupo de chimpanzés, Bial revelou escancaradamente para o público o que ocorre naquele grupo do big brother brasil.

Marcelo Dourado também. Hoje, em seu microblog, escreveu:

"Dia de hj e a vitoria ontm dedico a meus senseis fernando, belarmino,cid,royler,nigue,meus pais, e a todos q ajudaram o chinpanze a ficar aki"

Depois deste esclarecimento, só o Bial desenhando para aqueles que ainda não conseguiram entender que chimpanzé é, daquele texto, cada um deles.

Vamos ao discurso do Bial:


"Hoje eu quero falar não para o eliminado, não para os emparedados, quero falar com todos vcs da casa. Quero falar com todo mundo.Essa casa que sobrevoa o Brasil como uma nave, como eu costumo dizer, e que é mais que uma arena, um palco, por vezes é quase um ringue, e que atrai hipnoticamente milhões de pessoas muito parecidas com vocês.

Essa semelhança agrade e incomoda ao mesmo tempo. Porque?

Por que como todo espelho, mais cedo ou mais tarde não responde o que a gente quer. Manja? 'Espelho, espelho meu...

'Veja só isso...Cérebros são socialmente bem sucedidos quando vencem os músculos.

É difícil administrar coalizões porque os indivíduos competem pelos melhores aliados e qualquer aliado de hoje pode ser um rival amanhã. Os indivíduos devem reavaliar constantemente a disposição, o estado de espírito e as estratégias uns dos outros e alterar seu próprio comportamento de acordo com isso.

Os indivíduos podem também ser enganosos, escondendo deliberadamente seus sentimentos com expressões faciais mascaradoras ou gritando para fingir que foram atacados quando seu motivo real é arregimentar partidários. O resultado é um melodrama de afetos em perene transformação, alianças e hostilidades, e uma constante pressão para levar a melhor sobre os outros.

Bom, esse texto como vocês já devem ter deduzido analisa o comportamento de um grupo de... chimpanzés.

É do exceletne livro "Pegando fogo porque cozinhar nos tornou humanos", publicado no Brasil pela editora Zaar.

Moçada, o jogo vai começar agora..."


Eu gostei particularmente da parte que menciona que "Os indivíduos podem também ser enganosos, escondendo deliberadamente seus sentimentos com expressões faciais mascaradoras ou gritando para fingir que foram atacados quando seu motivo real é arregimentar partidários."

Quem finge ser atacado quando o motivo real é arregimentar partidários? Quem esconde os reais sentimentos? Quem disfarça expressões faciais mascaradas? Quem se diz perseguido desde o início do BBB10? Quem diz não ser homofobico, somente possui orgulho hetero? Quem que quando vai para o paredão se volta gritando para quem lhe indicou, como se tivesse sido atacado, justificando que não se trata da indicação, mas algo diverso? Quem tenta o tempo todo levar a melhor sobre todos os outros?

Como disse, só faltou desenhar...

Agora, observe bem a câmera junto aos brothes e a reação de cada um deles ao discurso do Bial. Tente perceber se alguém estava sentindo que aquele texto era a ele destinado.





terça-feira, 9 de março de 2010

BBB10: quando o irracional está a serviço da racionalidade, o resultado é a imoralidade!

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Esta edição do Big Brother Brasil está dando nos nervos. Pelo menos os meus!

O povo que gosta e torce de Marcelo Dourado merecia um estudo, melhor, uma investigação daquilo que se designa como ser humano.

Dourado é uma figura desprezível para mim. Dentro do jogo me parece ser inquestionavelmente um machista, orgulhoso desta condição, homofóbico, extremamente mal educado, maquiavélico e um implacável jogador de má-fé.

Está ali na cara para quem quiser enxergar. Tem sua tatuagem proclamando ausência de fé, com o símbolo nazista incluso, cospe, arrota, diz que bate e quebra dedos, e também que Homem hetero não contrai aids, não admite assunto de viadagem, demonstra desprezo e ofensa com brincadeiras que envolva homossexualidade, grita todos os palavrões possíveis em rede nacional, aponta o dedo, grita e xinga quem bem entende. Mas não só (como se fosse pouco), faz fofoca e intriga entre os seus, ofende adversários, não admite voto ou castigo, com direito a ameaças públicas, no entanto, se coloca no patamar do macho justo que só fala a verdade.

Ontem xingou o Dicesar de viado e depois de advertido pelos comparsas fez pose para as cameras indo se desculpar com o ofendido, sob justificativa RIDICULA que pensava ser assim o tratamento comum entre pessoas com tal orientação. A cena foi bizarra, discurso besta para o seu público burro, da mesma forma que fez quando brigou e ofendeu Anamara, indo se desculpar em seguida com intuito cristalino de ficar bem na fita com o mesmo público e colegas de parceria.

Neste momento, as quatro horas da madrugada, o adorado Dourado explica que o simbolo do cristianismo ser um peixe se justifica porque Cristo era de "peixes", indagado se está se referindo a astrologia, o mesmo corrige: "Não, a astronomia". Em seguida, faz esboço de defesa dos muçulmanos contra os judeus (hummm). Recomenda a leitura do livro 'Assustadora História da Maldade', que possui tema central sobre a moralidade e a maldade. Consegue o leitor correlacionar o lutador de vale tudo ao conteúdo do livro por ele indicado?
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Se está tudo ali, no vídeo, escancarado, como entender os fanáticos que cegamente idolatram tal figura bizarra, para não dizer outro nome?

Tá certo, ele possui qualidades. Qualquer homem por mais que seja semelhante a um animal também possui qualidades. Nem o maior dos crimonosos é destituído de alguma qualidade. Embora todos os seus defeitos sejam muito maiores e incomparáveis aos demais integrantes desta edição, Dourado possui inteligência, astúcia, uma personalidade forte e indiscutivelmente impõe sua liderança para aquele grupo, fraco e sem vocação de lider.

Mas nenhuma destas supostas qualidades superam seus aparentes defeitos, estes muito maiores.

Então como explicar? Identificação do povo com ele????? Seria apenas uma reação inconsciente de parte da sociedade ao fato do programa ter colocado um grupo "colorido" "invadindo" seus lares? A necessidade de encontrar um lider? Suprir a carência do modelo masculino?

Aproveitarei uma mensagem que recebi de uma amiga. Imediatamente tracei um paralelo. Nele se faz menção a um evento muito conhecido historicamente, que remete os aplausos e adoração do POVO ALEMÃO por HITLER. Através dele tentei entender qual o espaço e razões que levam Dourado ocupar esta paixão de alguns.

A identificação, nas devidas proporções, de um fato grandioso que tem Hitler como protagonista confrontado ao modesto programa que destaca o esdrúxulo Dourado, reside apenas na possível resposta a estranhíssima ascensão deste personagem - Marcelo Dourado - junto aos telespectadores.

Então vamos a experiência praticada em sala de aula por um professor que conseguiu desvendar esse mistério:


‘A onda’ e o irracionalismo dos grupos*
(comentário sobre o filme “A onda”)

O filme “A onda” [The wave] tem início com o professor de história Burt Ross explicando aos seus alunos a atmosfera da Alemanha, em 1930, a ascensão e o genocídio nazista. Os questionamentos dos alunos levam o professor a realizar uma arriscada experiência pedagógica que consiste em reproduzir na sala de aula alguns clichês do nazismo: usariam o slogan “Poder, Disciplina e Superioridade”, um símbolo gráfico para representar “A onda”, etc.


O professor Ross se declara o líder do movimento da “onda”, exorta a disciplina e faz valer o poder superior do grupo sobre os indivíduos. Os estudantes o obedecem cegamente. A tímida recusa de um aluno o obriga a conviver com ameaças e exclusão do grupo. A escola inteira é envolvida no fanatismo d’A onda, até que um casal de alunos mais consciente alerta ao professor ter perdido o controle da experiência pedagógica que passou ao domínio da realidade cotidiana da comunidade escolar.


O desfecho do filme é dado pelo professor ao desmascarar a ideologia totalitária que sustenta o movimento d’A onda , denuncia aos estudantes o sumiço dos sujeitos críticos diante de poder carismático de um líder e do fanatismo por uma causa.


Embora o filme seja uma metáfora de como surgiu o nazi-fascismo e o poder de seus rituais, pode conscientizar os estudantes sobre o poder doutrinário dos movimentos ideológicos políticos ou religiosos. O uso de slogans, palavras de ordem e a adoração a um suposto “grande líder” se repetem na história da humanidade: aconteceu na Alemanha nazista, na Itália fascista, e também no chamado ‘socialismo real’ da União Soviética, principalmente no período stalinista, na China com a “revolução cultural” promovida por Mao Tsé Tung, na Argentina com Perón, etc. Ainda, recentemente, líderes neo-populistas da América Latina, valendo-se de um discurso tosco anti-americano, conseguem enganar uma parte da esquerda resistente a aprender com a história.


Experiência pedagógica e política Feito para a televisão, ‘A onda’ [The wave], foi baseado em um incidente real ocorrido em uma escola secundária norte-americana em 1967, em Palo Alto, Califórnia. Antes de virar filme, foi romanceado em livro. A idéia do filme, com 45 minutos, era para fazer parte do currículo da escola, para estudar, refletir e se prevenir contra a onda nazi-fascista que começou no final da década de 30. Com a derrota do nazi-fascismo na 2ª. Guerra Mundial e o surgimento da ‘guerra fria’, filmes assim, podem funcionar como alerta contra pregações doutrinárias que fazem apologia aos totalitarismos de direita ou de esquerda. Muitas vezes, o doutrinamento pró-totalitarismo ocorre no âmbito universitário, como se fosse ensino ‘científico’, onde a democracia é considerada uma má invenção ‘burguesa’ e a política uma prática a ser superada por um ‘novo’ sistema desenhado pelo abstracionismo teórico.


“A Onda” é uma metáfora que se aplica, mais ou menos, a qualquer movimento de massa respondente aos apelos de um líder carismático ou de uma causa mítica irracional. Foi assim com os atos criminosos da Ku Klux Klan, o macartismo que desencadeou a “caça às bruxas” perseguindo todos os supostos “comunistas” nos EUA, os governos de direita da América Latina com traços totalitários como foi o de Pinochet (Chile), o regime de apartheid da África do Sul (antes de Nelson Mandela), o processo de “limpeza étnica” conduzida pelos sérvios nos Bálcãs, os grupos neonazistas skinheads espalhados pelo mundo, os carecas do ABC paulista, e o movimento separatista do Iguaçu, no Paraná, entre outros menos conhecidos. Também, os partidos políticos neonazistas abrigados no regime democrático, na Áustria, chefiado por J.Haidern, e na França, por Jean Marie Le Pen. Devem ser, ainda, incluídos os líderes com traços protofascistas (Eco, 1995): Berlusconi, que passou pelo governo da Itália, e líderes totalitários com traço imperial, como King Jon Il (Coréia do Norte), Assad (Síria), ou de milícias que ocupam o vazio do Estado (Hizbolá, Hamas, FARC, PCC) cujos atos truculentos faz semelhança com tantos movimentos fascistas italiano, espanhol, e mesmo o integralismo, no Brasil. No período da ditadura militar, depois 1964, no Brasil, surgem grupos de extrema-direita, como a TFP (Sociedade da Tradição, Família e Propriedade) e o CCC (Comando de Caça aos Comunistas), ambos com intenções de causar uma ‘onda’ de cooptação dos jovens para a sua luta ideológica e até terrorista.


Também líderes eleitos democraticamente, mas cujas manobras deixam transparecer traços totalitários (George W. Bush, Hugo Chávez, Mahmoud Ahmadinejad). Notamos que o traço comum entre estes líderes é a capacidade de fanatizar as massas por uma causa racional ou irracional, se valendo de métodos antidemocráticos como a censura, perseguições, prisões arbitrárias, elogios aos feitos do suposto ‘grande líder’, etc.


Também podem ser incluídos, hoje, como parte da onda protofascista (sic) os movimentos fundamentalistas (cristão, judaico, islâmico). O ‘fundamentalismo’ é a interpretação restrita do livro sagrado de forma a repudiar tudo e todos que não concordem com tal interpretação; trata-se de um “terrível simplificador” que pretende explicar e fornecer uma moral para o passado, o presente e o futuro da humanidade. Lembrando alguns traços do fascismo ou ‘protofascimo’ elaborado por Umberto Eco (1995), têm conquistado visibilidade na mídia as paradas dos “homens-bomba”, (que incluem crianças e mulheres), e as escolas de doutrinação islâmica ou madrassas, usadas como perversão do islamismo e impondo à população a cultura obscurantista Talibã, no Afeganistão. O auge de visibilidade dos efeitos da doutrinação islamofascista parece ser representado pela organização global da Al Qaeda, cujo líder Bin Laden, que nada tem de socialista ou marxista, diz lutar por uma causa supostamente “santa” contra os “infiéis do mundo ocidental”.


A atitude fascista não morreu O nazi-fascismo foi derrotado na 2ª. Grande Guerra, em 1945, mas ele não morreu. O que hoje acontece no cenário mundial nos leva a suspeitar que “ele não morrerá entre nós”, alerta o psicanalista francês C. Melman (2000).


A fundação do Partido Nazista, nos EUA, é de 1970. Recente levantamento realizado nos EUA contou 474 grupos de extrema direita, organizados naquele país, alguns agindo abertamente em diversos setores governamentais, inclusive com atos contra a
democracia e ao governo legitimamente constituído. A “Nação Ariana’ e a ‘Identidade Cristã’, são considerados pelo FBI como os dois grupos mais perigosos e ameaçadores dos EUA. O ataque terrorista que destruiu todo o edifício do governo federal, em Oklahoma City, em 1995, foi ato de um membro da extrema direita com ligações com o grupo ‘Identidade Cristã’. “O uso da religião para propósitos fascistas e a perversão da religião em um instrumento de propaganda de ódio, como um cruzada antidemocrática em nome da salvação da democracia, é uma tática disseminada entre os grupos de extrema direita” (Carone, 2003).


Balizas para comentar esse filme:
Nosso olhar sobre o filme “A onda” focaliza três linhas de análise para comentários visando estimular o debate: (1) o nazi-fascismo como ideologia política totalitária de direita; (2) a psicologia de massas e a servidão voluntária dos indivíduos a um líder, grupo ou causa mítica; (3) a propaganda política e ideológica (4) o recurso da ‘experiência pedagógica’, como meio de ir para além do mero aprendizado de conceitos teóricos. Notar que o professor do filme adota a experimentação com grupo como recurso didático ‘vivencial’ [Dinâmica de Grupo e Sociodrama], que sempre implica em algum risco de perder o controle da experiência pedagógica. O “sócio-grupo” seria o grupo tarefa estruturado e orientado em função da execução ou cumprimento de uma tarefa, e o “psico-grupo” ou grupo estruturado, orientado e polarizado em função dos próprios membros que constituem o grupo, foram criados por Kurt Lewin – judeu alemão emigrado para os EUA - tinham como propósito serem não somente técnicas de aprendizagem alternativa à aula tradicional, considerada chata ou enfadonha mas de efetivamente trabalhar a dimensão afetiva e emocional de cada grupo enquanto gestalt, onde estão presentes preconceitos, dogmatismo, coesão, fé cega num líder, bloqueios, filtragens, enganos e auto-enganos na comunicação entre seus membros etc.


Apesar de não ser um grande filme, e ainda prejudicado com o uso de cópias desgastadas, gravadas da televisão aberta, “A onda’ têm a virtude de levar o telespectador a não ficar indiferente aos fenômenos de massificação, fanatismo e intolerância do ser humano. Contudo, o filme é um sério alerta para: a) o risco do “sujeito” perder a “liberdade” e “autonomia”, submetendo-se incondicionalmente ao poder do grupo, sua “causa absoluta” veiculadas por slogans e palavras que ordenam uma ação automática, fazendo desaparecer o sujeito ; b) problematiza a possibilidade de ressurgimento do nazi-fascismo, ou dos totalitarismos de direita ou de esquerda, tendo em vista o desgaste das democracias representativas de nossa época; c) conscientiza a formação de grupites de adolescentes e gangues potencialmente intolerantes e criminosas. Há uma tendência narcisista nesses grupos que, geralmente, são atraídos pela proposta de igualdade e novo sentido existencial-no-mundo, a fundação na vivência da territorialidade, o desenvolvimento de um código de linguagem próprio onde os atos de rejeição dos “mais fracos”, “desgarrados” ou “diferentes” parecem legítimos e morais. Basta ver o recreio de qualquer escola onde os membros dos grupos reproduzem sua imagem narcísica no modo de ser, vestir, falar, pensar etc. Evidentemente, tal atitude faz parte do processo de desenvolvimento da personalidade em busca de identidade própria, mas pode também ser a base para a formação de um traço de caráter ‘blindado’, conforme o estudo de W.Reich.


O trote seria um tipo de onda?
O tradicional trote universitário é um ritual de violência sádica de um grupo “mais velho” sobre os “novos” ou calouros. O trote pode ser tipificado como uma formação protofascista, no sentido proposto por Eco (1995), na medida em que um grupo visa humilhar os supostamente mais fracos? Que fazer para quebrar essa “tradição de família” presente ainda em algumas universidades? O que esse ritual de passagem representa na cultura universitária? Será que aulas, palestras, leis, punições, bastam para conscientizar e levar à nova geração evitar essa prática?


Será que medidas impostas pelos colegiados de cada instituição, investidos de autoridade, devem proibir com rigor o trote violento, por exemplo, reinventando regras com o sentido da pró-solidariedade? Que metodologia ou técnicas de ensino e aprendizagem poderiam ser usadas para quebrar essa tradição e instaurar uma consciência verdadeiramente crítica e historicamente elaborada sobre tal fenômeno?


Ascensão do irracional?
O retorno do irracional em forma de ‘onda’ ou de ‘massa’ parece ser uma resposta desesperada de algumas culturas resistindo à modernização ocidental liberal-burguesa-democrática; a globalização econômica em que pese o seu sentido capitalista excludente também tem produzido novas idéias e tecnologias que beneficiam toda a humanidade, embora causem em alguns grupos mais tradicionais o medo de perder sua identidade comunitária, tal como analisa Castells (1999) e Japiassu (2001).


Aos educadores, é imprescindível trabalhar junto com os alunos, desde cedo, a ética da tolerância, o respeito à diversidade cultural e as diferenças demasiadamente humanas, bem como o desenvolvimento do espírito democrático e pluralista, onde a paz e a liberdade devem ser ativas.


O conhecimento científico, a informação e a tecnologia são insuficientes para melhorar o ser humano. É preciso desenvolver uma nova educação que encare o mundo complexo e promova, além da pesquisa que aspira o conhecimento novo, também uma sabedoria prática para se viver a vida pessoal e coletiva em tempos tão sombrios.


Os sintomas atuais de ascensão do irracional humano vem se revelando não só através de grupos nazi-fascistas que formam uma ‘onda’ pregando a “supremacia da raça branca”, a perseguição de judeus, negros, índios, homossexuais, nordestinos do
Brasil, feministas, esquerdistas, democratas, etc. O fundamentalismo religioso (cristão, islâmico e judaico), os atos dos criminosos ligados ao narcotráfico, o terrorismo protofascista de grupos ou de Estado, sem projeto político, podem ser considerados sintomas de “ascensão do irracional” (em nosso artigo, em http://www.espacoacademico.com.br/004/04ray.htm, observamos três sintomas do protofascimo no terrorismo: o desprezo do diálogo pelo ato – do ato pelo ato; o argumento pela emoção. Para Eco (1995) é a “a ação pela ação’ e a “luta pela luta”. Na leitura psicanalítica é representado pelo ‘mais-gozar’ da ação e o ‘mais-gozar’ da luta sem fim).


O filme “A onda” focaliza, por um lado, o imperativo da ordem e disciplina e, por outro, o desejo de controlar a pulsão agressiva dos seres humanos travestido em organização fascista aspirando ser moral.


“A onda” pode ser vista através de alguns movimentos políticos-ideológicos de nossa história: quando atuou em nome de uma suposta “superioridade da raça ariana”, causou o genocídio nazista; quando levantou a bandeira da “causa do proletariado” milhares foram estigmatizados de ‘anti-revolucionários’, ‘reacionários burgueses’, ‘intelectuais inúteis’; quando surgiu com o nome de “revolução cultural” fez o povo quase perder suas tradições; quando “em nome de Deus” milhares são assassinados; quando “em nome do Bem contra o Mal”, da “causa justa” ou da “democracia”, invadiu países, destruindo prédios e vidas; Enfim, quanto o irracional está a serviço da racionalidade, o resultado é a imoralidade, o sofrimento e a morte em massa. Quando a intolerância quer ser reconhecida como moral e legal, justificando que a repressão da autonomia dos sujeitos é necessária “para o bem de todos”, a razão se faz cínica. Assim, é preciso reconhecer que ser racional não basta para singularizar o que é ‘ser humano’, ou seja, falta saber se ser racional é condição sine qua non para ser razoável e capaz de estabelecer empatia para com o nosso semelhante.


Depois do filme outras experiências pedagógicas foram realizadas e filmadas depois de “A onda”, que parecem ter sido influenciadas pelas pesquisas dos laboratórios de dinâmica de grupo e experimentação cientificamente controlada, desde a década de 1970.


Recomendamos aos pedagogos, psicólogos, historiadores, filósofos, sociólogos, antropólogos, entre outros, assistirem aos documentários: “Olhos azuis”, coordenado pela professora Jane Elliott e “Zoológico humano”, conduzido pelo psicólogo P. Zimbardo (Stanford University). Ao conduzir a experiência dos grupos, a professora Elliot evidencia o racismo, os fenômenos de grupo, a liderança, a submissão voluntária, etc. No “Zoológico humano”, recomendamos maior atenção para a 2ª. Parte, que trata da submissão do sujeito ao grupo. Em ambos, podemos observar fenômenos como ‘conformidade’, ‘disciplina’, ‘bloqueios’, ‘filtragens’, ‘contágio social’, a influência do ‘poder’, a ‘submissão’, as ‘distâncias sociais’, ‘barreiras psicológicas’, a ‘psicose de massa’, o ‘vigiar e punir” de uns contra outros para que ninguém seja a si próprio, a delação ou dedurismo como prática corriqueira de difícil verificação e confrontação com a verdade, o ‘narcisismo das pequenas diferenças' proposto por Freud, a ‘regressão dos indivíduos a condição de massa ’ (conforme dito de Adorno: o fascismo ao manipular as massas, faz “psicanálise às avessas”), etc.


Continua sendo atual o discurso do professor Ross, proferido no final de “A onda”: “Vocês trocaram sua liberdade pelo luxo de se sentirem superiores. Todos vocês teriam sido bons nazi-fascistas. Certamente iriam vestir uma farda, virar a cabeça e permitir que seus amigos e vizinhos fossem perseguidos e destruídos. O fascismo não é uma coisa que outras pessoas fizeram. Ele está aqui mesmo em todos nós. Vocês perguntam: como que o povo alemão pode ficar impassível enquanto milhares de inocentes seres humanos eram assassinados? Como alegar que não estavam envolvidos. O que faz um povo renegar sua própria história? Pois é assim que a história se repete. Vocês todos vão querer negar o que se passou em “A onda’. Nossa experiência foi um sucesso.


Terão ao menos aprendido que somos responsáveis pelos nossos atos. Vocês devem se interrogar: o que fazer em vez de seguir cegamente um líder? E que pelo resto de suas vidas nunca permitirão que a vontade de um grupo usurpe seus direitos individuais. Como é difícil ter que suportar que tudo isso não passou de uma grande vontade e de um sonho”.


fonte:http://www.espacoacademico.com.br/065/65lima.htm

segunda-feira, 8 de março de 2010

RELIGIOSOS GAYS E CRIMINOSOS EM FOCO: Prostituição gay no Vaticano, Pedofilia na ordem dos capuchinhos e Abuso sexual no coral da Alemanha

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O Papa Bento deve estar de cabelo em pé. Pelo menos os gays estão!


Ler as últimas notícias envolvendo abusos e escândalos sexuais tão próximas da figura do Papa Bento XVI sugere reflexão.

Não faltam notícias que nos conduzam a essa conclusão, a última foi aquela que o Assessor do papa foi afastado por escândalo de “prostituição gay”:
“Angelo Balducci, um dos Cavalheiros de Sua Santidade, uma espécie de assistente de elite para o papa quando recebe visitas importantes, foi flagrado em gravações feitas pela polícia dando instruções a um interlocutor sobre detalhes físicos de homens que gostaria que fossem levados a ele.
Segundo a imprensa italiana, o interlocutor era Thomas Ehiem, 29 anos, integrante do famoso coral do Vaticano, que também foi afastado. A polícia italiana havia grampeado o telefone de Balducci durante uma investigação de corrupção separada e não relacionada ao Vaticano. Em uma das transcrições vazadas para a mídia, Ehiem descreve um homem como tendo "dois metros, 97 quilos, 33 anos e diz que é 'completamente ativo'".

Em outra, Balducci pergunta a Ehiem se ele já "falou com o seminarista", ao que ele responde "ele provavelmente está na missa, ou algo assim".”
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Nem o local de origem do Papa e até seu irmão fogem a essa dedução:

“Depois que casos de abusos em escolas jesuítas na Alemanha vieram à luz no mês passado chocando o país, a Igreja Católica revelou na sexta-feira acusações contra padres que teriam espancado e abusado sexualmente de meninos em pelo menos três escolas na Bavária.

O jornal do Vaticano, L'Osservatore Romano, publicou no sábado uma declaração do Bispo de Regensburg, Gerhard Ludwig Muller, dizendo que um caso de abuso do diretor-assistente de uma escola primária ligada ao coral foi detectado em 1958. O clérigo foi prontamente afastado e processado, disse o comunicado.

Outro padre, que trabalhou com o coral da catedral em 1958 durante sete meses, foi culpado de abuso sexual 12 anos mais tarde. Uma investigação está sendo conduzida agora para determinar se ele cometeu algum abuso durante seu tempo com o coral.”

Ou ainda:

“A ordem dos capuchinhos reconheceu que um ex-diretor da escola de Burghausen abusou sexualmente de meninos em 1984 e 1985. Os casos foram investigados em 1991, mas a única providência tomada foi a transferência do religioso. Só neste mês ele foi suspenso.”

Será esta proximidade do Papa com locais e pessoas que figuram em tais escândalos sempre regados a abuso, sexo e homossexualidade é a razão dele sempre focar sua condenação aos homossexuais?

Seria um recurso fácil e apelativo associar os escândalos de pedofilia ao Vaticano – e o que teria ainda maior impacto – relacioná-las ao Papa.

Não acredito que a instituição, por si só e no todo, seja pervertida e criminosa, tampouco acredito que o Papa esteja diretamente envolvido em qualquer situação escabrosa.

Com todo respeito que merece qualquer instituição religiosa, cada vez mais desconfio que não seja bem a leitura estrábica da bíblia que condena os homossexuais, mas o reflexo da instituição no próprio espelho que reflete o mal existente que pulsa dentro da igreja, com violações aos seus dogmas, inclusive da castidade, regado de abusos sexuais, pedofilia e sexo consentido, propiciados pela convivência quase que absolutamente masculina dentro do clero e de suas instituições de ensino. A vivência homossexual DELES (ativa, sufocada ou testemunhada) dentro da igreja acaba sendo, numa visão turva, a justificativa fácil que é ela – a homossexualidade – o “instrumento” que conduz a todo mal que desvia do caminho da santidade.

Quando será que a Igreja Católica vai parar de jogar o canhão de luz para a homossexualidade alheia, condenando-a, e focar em si mesma, encarando o que realmente lhe aflige dentro de sua instituição? Jogar a culpa na prática homossexual alheia é jogar o lixo debaixo do tapete e não enxergar o que realmente está errado.

A Igreja Católica age igual as mães que descobrem a orientação sexual de seus filhos. Culpa os outros, estes sim, perversos homossexuais. Estes são, na cabeça torta de quem quer achar um responsável, os homossexuais que conduziram seu filho ao descaminho e erro. Enfim, eles são os responsáveis por tudo de errado em suas vidas.

É mais fácil culpar a atividade homossexual que enxergar a realidade que se desnuda dentro de sua própria casa, seus princípios equivocados e, principalmente, o quanto é SUA A RESPONSABILIDADE e participação pela transformação da conduta de alguém sob sua responsabilidade na prática de atos repulsivos, como abusos e pedofilia.
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O que leva a concluir que a homossexualidade deveria ser o último dos problemas a preocupar a Igreja Católica. Ela deveria rever alguns de seus princípios basilares, o verdadeiro mal enraizado. Caso contrário, continuará a pregar contra aquilo que emana de Deus e continuaremos a denunciar absurdos incompreensíveis:
"A igreja católica torturou e matou milhares de inocentes durante a inquisição.
Afirmou que os índios brasileiros não tinham alma.
Apoiou o nazismo e deu força a todas as ditaduras militares na América Latina.
Encobre e protege os padres pedófilos, que literalmente comem criançinhas.
Afirma que os gays e lésbicas são seres indignos, diabólicos e que vão queimar eternamente no inferno.
E por incrível que pareça, essa seita inenarrávelmente retrógrada e cruel ainda hoje é contra a camisinha."
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fontes:
avenidacopacabana.blogspot.com

domingo, 7 de março de 2010

Documentário "Dangerous Living: Coming Out in the Developing World" denuncia o quanto é perigoso ser LGBT

Acabo de assistir o documentário de média metragem “Dangerous Living: Coming Out in the Developing World”, que traduzido livremente seria equivalente a Vida Perigosa, saindo do armário num mundo em desenvolvimento.
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Trata-se de unm documentário de João Scagliotti, Dan Hunt, Janet Baus e Williams Reid, que denuncia o fato ocorrido em 11 de maio de 2001, no Cairo, quando 52 homens foram presos e torturados, simplesmente porque se reuniam em um barco que funcionava uma discoteca no rio Nilo.

Não há nenhuma lei contra a homossexualidade no Egito, ainda assim 52 gays foram presos e condenados por crime de devassidão. Um desses presos foi Ashraf Zanati. Ele foi torturado, humilhado, espancado e obrigado a passar 13 meses na prisão. Sua declaração define o tema de base para o filme:
"Minha sexualidade é a minha própria sexualidade. Não pertence a ninguém. Não pertence ao meu governo, não pertence ao meu irmão, minha irmã, minha família. Não."
O momento do julgamento é surreal. O juiz sussurava a sentença sem que os LGBTs pudessem sequer ouvir sobre o que estavam sendo julgados. Um deles, atônito, diz que não estava com ninguém, apenas dançava, sem entender a razão de sua prisão e julgamento.

As questões que envolvem a população GLBT no Egito ganharam alguma atenção da imprensa ocidental. Mas o documentário mostra que isto nem sempre ocorreu. Em Honduras, Dilcia Molina teve coragem de participar da parada pelo direitos LGBT, um marco em sua cidade, sem esconder seu rosto (como os demais), por consequência disto, teve sua família atacada por policiais militares, que a procuraram em sua casa, mas não a encontraram:

"Um dos homens pegou meu filho e cortou seu rosto com uma faca. Aqueles homens estavam me procurando. Eles iam me estuprar e retirar a lésbica de dentro mim."

Rodney lutalo, um ativista gay no Quênia, foi preso e espancado por seus esforços na educação da diversidade. Ele foi um dos indivíduos capaz de buscar segurança fora de seu país, obtendo segurança e asilo no Ocidente:

"Só podemos passar por este mundo através da educação, não por ódio. A melhor vontade de vingança é o perdão. Para aqueles que me odiavam, meu perdão."

Vergonhosamente, o Brasil é lembrado no filme, quando aborda o tema fundamentalismo religioso, através da reprodução da fala patética do Pastor Silas Malafaia:
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Homossexual Ativo: A bíblia condena! É pecado! É iniqüidade! É PERVERSÃO MORAAALLLL!”
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É esse o homem, indicado no filme como fundamentalista religioso, que o Senador Magno Malta deseja levar, como representante da sociedade, na audiência pública para debater o PLC 122/2006 (que deseja tornar crime a homofobia).
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Interessante constatar no filme como o acesso a informação foi imprescindível para cidadãos LGBTs do mundo (não ocidental) descobrirem que não estão sozinhos e não são páreas. Eles mesmos mencionam o furor ao descobrirem no MTV clipes homossexuais e a importância da internet não só em decorrência da globalização, mas mesmo para conhecerem pessoas locais com as quais se identificam. Pode parecer pouco, mas para eles era um novo mundo sendo descoberto.
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Abaixo segue o trailer do documentário. Serve como aperitivo. Sugiro que assistam ao filme de média duração, com cerca de 60 minutos. Nos ajuda a entender um pouco as diferenças culturais, assim como o risco que sofremos com os fundamentalistas de plantão.
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foto extraída do site static.blogstorage.hi-pi.com
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