O presente blog se propõe a reflexão sobre os Direitos Humanos nas suas mais diversas manifestações e algumas amenidades.


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segunda-feira, 22 de março de 2010

Primeiro Paredão Gay no Big Brother Brasil a gente nunca esquece, graças ao Pedro Bial!


Recentemente teci alguns comentários sobre a peça teatral “Tango Bolero e Tcha Tcha Tcha”. Além de ressaltar a qualidade dos atores e da comédia, mencionei que para não perder a piada, também era possível não perder o amigo. A comédia tendo uma transexual como figura central foi de alta qualidade e, pasmem, respeitosa.

Hoje esse mesmo respeito e talento se repetiram.

Pedro Bial, propositalmente com uma camisa rosa, elaborou um texto da eliminação que foi a mais pura emoção. Conduziu os telespectadores a fantasia de suas crianças internas, para destacar o perfil dos emparedados Serginho e Dicésar. O BBB10 hoje perderia um dos personagens infantis que um dia aprendemos a admirar e nos encheram de alegria. No texto da eliminação, Pedro Bial comparou Serginho a Peter Pan e Dicésar a Dorothy, de “O Mágico de Oz”. Pouco antes de anunciar Serginho, ele ainda citou trechos da canção “Somewhere Over The Rainbow”.

Sergio Luis de Ramos Franceschini, Serginho ou Sr. Orgastic para nós, cumpriu o papel que assumiu para si mesmo nesta edição do BBB10: “Saber respeitar, saber compreender, ser amigo, sorrir, sonhar e se divertir.” Mostrou também que existem gays e gays, ou seja, que os homossexuais não são criações em série de fornalhas, sendo cada qual um diferente do outro. Ele, sem dúvida, um GAY que faz jus ao termo ALEGRE. Um homem feliz.

Para os LGBTs, pecou um pouco, nem mesmo sabia o que significava a sigla LGBT – Lésbicas, Gays, Bissexuais, e Transgeneros (Travestis e Transexuais) – que luta pelo reconhecimento aos seus direitos de cidadão. E, com sua história com Fernanda, alimentou uma falsa expectativa para famílias heterossexuais que é possível a mudança de orientação sexual de seu filho gay, sugerindo que bastaria a mulher certa.

Mas também acertou, ao oferecer o primeiro pedaço do bolo a todos os gays que não possuíram sua mesma sorte de ter o apoio da família e que até são expulsos de casa, assim como fez a diferença num diálogo surreal entre ele, Dicésar e Angélica acerca da demonstração de afeto em público, defendendo o direito de beijar publicamente seu namorado.

Mas Sérgio foi o espelho daquilo que muitos são fora do BBB10. A maioria não se interessa em se conscientizar sobre seu direito cidadão, não se une ou apóia causas gays e nem se preocupa em votar naqueles que podem, de verdade, lhe representar, na tentativa de realmente realizar mudanças. Mesmo nas Paradas, muitos lá vão para "fechar", dar "close", enfim, dançar, paquerar e se divertir.

No BBB, mesmo Sérgio fazendo parte do 'grupo dos coloridos', diferente do que ocorreu com a maioria do grupo dos sarados, não demonstrou empatia ao seu grupo e não só deixou de defender Angélica e Dicésar, como em alguns momentos, aplaudiu os ataques. Saiu da casa deixando Dicésar (a versão “Geni” para os colegas de programa) e torcendo pela vitória de Cadu.

Pedro Bial, mais consciente e sabedor daquilo que o grupo colorido poderia significar para uma população de telespectadores cheios de preconceitos, fez muito mais pelos LGBTs, do início ao fim, que Sérgio. Serginho não possuía qualquer obrigação de levantar bandeiras, já que estava ali para jogar e se divertir, mas tinha o dever de assumir a responsabilidade daquilo que sabia que representava, naquele momento, para toda uma sociedade.

Bial, até nisto foi generoso, em seu texto, exultou a criança que se negava a crescer de Serginho, nos apontando sua maior qualidade, A ALEGRIA DE SER E VIVER.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Crimes de Homofobia x Falta de cidadania LGBT


Os crimes homofóbicos existem, e são muitos.

O Antropólogo e fundador do Grupo Gay Bahia, Luiz Mott, é conhecido nacional e internacionalmente pelo dedicado trabalho de projetar para a grande mídia o número de crimes de homicídios praticados em decorrência da orientação sexual em que as vítimas são LGBTs.

A primeira grande verdade é que o número indicado pelo Luiz Mott (exemplo de alguém que exerce a cidadania) está longe de representar a realidade, uma vez que o mesmo se baseia, em regra, em notícias que viraram matérias jornalísticas divulgadas pelo país. As que não foram publicadas, dificilmente faz parte da sua relação, e aquelas que chegam ao seu conhecimento, ele mesmo busca junto a militância local informações mais detalhadas, confirmando o dado exposto.

Portanto, a relação indicada pelo Luiz Mott de homicídios que LGBTs foram vítimas, em razão de sua orientação sexual, como ele mesmo sempre esclarece, é bem menor daquilo que expõe. Há neste imenso Brasil inúmeros gays, travestis, transexuais e bissexuais assassinados sem que tenha chegado tal notícia na mídia escrita.

O número de assassinatos homofóbicos assusta! Mas o número de crimes homofóbicos, caso fosse pesquisado, assustaria muito mais!

Entretanto o homicídio não é o único crime praticado, em face de LGBTs, motivado pela discriminação à orientação sexual do ofendido, apesar de ser o mais grave.

Deveria fazer parte da triste e chocante relação, apenas a título de exemplo, aqueles de ofensa a honra (calúnia, injúria e difamação), assim como os crimes sexuais, como o estupro e todas as espécies de lesões corporais, desde que tenham sido, evidentemente, “abonados” pelo criminoso no fato da vítima ser LGBT.

O número de ofensas morais dirigidas aos viados, sapatões, travecas e etc, justificado no ódio e desprezo de preconceituosos não é menos crime homofóbico que aquele crime de homicídio, a diferença repousa apenas na punibilidade imposta pelo Estado. Algumas vezes o ódio foi até maior.

Enquanto o Estado não impor o registro de tais ocorrências, nas delegacias de todo país, inexistirão dados fidedignos e permaneceremos apenas com aquela afirmativa, incontroversa, mas extremamente minimizada, que no Brasil é assassinado um homossexual a cada dois dias, como exemplo da homofobia.

Se de um lado, o Estado merece críticas por colocar debaixo do tapete este crime bárbaro, de outro, os LGBTs também devem fazer uma autocrítica honesta.

Em pleno carnaval ouvi uma amiga relatar um evento criminoso, bastante conhecido, que sofreu seu amigo gay. Ele foi vítima do velho e conhecido “boa noite cinderela”. Quatro sujeitos ingressaram em sua cobertura e fizeram a limpa, deixando a vítima em estado de lamentável com a utilização aleatória de medicamentos.

Todos somos passíveis a sermos vítimas de criminosos e não entra aqui qualquer julgamento sobre a eventual irresponsabilidade ou ingenuidade da vítima. Quando se está diante de um criminoso, experiente e altamente preparado para a aplicação de um golpe, as chances da vítima são reduzidas potencialmente. Evidente que se espera regras de comportamento acautelatórias de uma pessoa média, mas ninguém está livre de um criminoso expert.

Houve o roubo com a subtração de seus bens e violência física, a qual foi descoberta horas depois por amigos, que acionaram imediatamente a polícia.

A polícia fez sua parte. Foi ao local, pegou depoimentos e solicitou a entrega dos vídeos externos de uma empresa vizinha ao local, para identificar a quadrilha. Após os dados colhidos, identificação realizada, solicitou que a vítima fizesse o reconhecimento pelas fotos e ADIVINHE O QUE A VÍTIMA FEZ? Optou afirmar que não lembrava e não possuía certeza, se isentando de qualquer vínculo.

Esta atitude do gay vitimado é COVARDE e EGOISTA, e no meu ponto de vista, criminosa. Outras pessoas serão vítimas dessa quadrilha, até eventualmente com conseqüências fatais, sem que a polícia nada possa fazer, por conta desta falsa declaração.

Todo trabalho dos policiais foi para o lixo. O tempo gasto pelo poder público foi um grande desperdício. Não me causaria espanto, apesar de ser obrigação e não faculdade, que quando outro homossexual fosse realizar ocorrência de crime idêntico com os mesmos policiais, estes o tratasse com a falta de zelo necessário. Um erro não justifica outro, e nem merece aplauso, mas cá entre nós, deve dar um nó no estomago perder tempo com nada, especialmente numa cidade que precisa tanto deste tipo de serviço.

É comum ouvir de gays que não se sentem a vontade para se dirigir a uma delegacia e reclamarem do atendimento prestado, mas não foi a hipótese e ainda que fosse, se trataria de se fazer exigir o pleno exercício de cidadania, mas fica difícil quando não se é cidadão.

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Será que os LGBTs nova-iorquinos estão com a razão?



Em termos de exercitar a cidadania e lutar por direitos estamos anos luz de distância dos países desenvolvidos e até de muitos países em desenvolvimento, basta comparar o Brasil com nossos vizinhos. Por isso, apesar das culturas diversificadas, tento observar as diferenças existentes no comportamento dos movimentos LGBTs.


Porque olhar o vizinho ao invés do próprio umbigo? Simples, porque a maioria deles conseguiu obter algum direito no Legislativo, enquanto aqui, ainda que existam projetos, somos surpreendidos apenas com o retrocesso nas novas leis do Congresso Nacional.


Nossas vitórias são as obtidas no Judiciário. Qualquer dia, e falta pouco para isto, não será surpresa se o Congresso Nacional aprovar uma lei da bancada evangélica e católica proibindo de forma expressa e inequívoca, por exemplo, a adoção por casais homossexuais. Quando isto ocorrer até mesmo o Judiciário terá dificuldade de nos conferir tal direito, já que os juízes estão adstritos ao cumprimento da lei, o que pode ensejar um longo tempo necessário para declarar a inconstitucionalidade de normas do gênero.


Diante do fato inaceitável da Militância LGBT nacional não ter conseguido, até hoje, obter uma lei sequer favorável aos LGBTs, fui em busca da atuação dos movimentos internacionais. E, evidente, me dirigi ao site norte americano Advocate, após ler na web a notícia da prisão de quatro militantes LGBTs em Nova Iorque.


Lá, muito mais que aqui, o movimento pega fogo, pois está municiado de cidadãos mais conscientes de seus direitos e também mais estruturados economicamente. No entanto, enfrentam na mesma proporção uma sociedade civil muito mais conservadora e puritana, onde a religião e a maioria dos ideais republicanos encontram adeptos ferozes.


Nos EUA está próximo do período do dia dos namorados e ativistas LGBT do grupo QUEER RISING organizaram uma manifestação levando mais de vinte casais do mesmo sexo para solicitarem licenças para casamento, as quais foram rejeitadas.


Uma lésbica, Natasha Dillon, encabeçou o discurso de manifestação, com quatro manifestantes acorrentados que trancavam a entrada do escritório. Alan Bounville, Jake Goodman, Justin Elzie e Gabriel Yuri Bollag foram presos em razão deste bloqueio da entrada para o gabinete.


Segundo entendi, essa forma de manifestação parece ser nova e tem uma proposta diferente. É que o grupo afirmou descontentamento com os anteriores métodos utilizados na luta pelo casamento do mesmo sexo e disse que seu grupo pretende traçar diferentes estratégias para a luta. A justificativa é simples, estão cansados de seguir a orientação de atuarem com a política de bom moços, até hoje sem sucesso. Alegam ser esta uma estratégia falida.


A idéia agora seria estimular e encorajar as pessoas LGBT e os aliados simpatizantes a passarem para “ação”. Deram um basta a sustentação da luta pelo direito ao casamento pelo voto a uma pessoa e, ainda segundo eles, nem adianta pressionar o governo com ameaça de voto. "Nós temos realmente que fazer muito mais", afirmam eles.


Os comentários apóiam a atitude do grupo, inclusive, há quem lembre que os negros também precisaram agir desta forma para serem reconhecidos nos EUA.


O que vi no vídeo foi um gato pingado de pessoas LGBTs (lembrando até algumas manifestações de ONGs nacionais), e um número igual ou superior da força policial. De qualquer forma, fez barulho na gélida cidade e produziu o efeito esperado pelo grupo, que se disse satisfeito.


Será que os LGBTs nova-iorquinos estão com a razão?


Não sei se a específica estratégia de ação foi boa. Mas já disse e repito aqui, sinto o mesmo que eles, falta “ação”. Já passou da hora do Movimento LGBT deixar de dar e receber tapinhas nas costas de políticos e passar a encabeçar atuações firmes, pragmáticas e organizadas.


Vídeo do protesto pode ser assistido abaixo.






Fonte: http://www.advocate.com/News/Daily_News/2010/02/12/Valentines_Protest_Results_In_Four_Arrests/

domingo, 31 de janeiro de 2010

LIA DO BBB10 DISSE SER TRANSEXUAL !!!


Recentemente postei neste blog que na coluna da Anna Maria Ramalho do Jornal do Brasil saiu a notícia:


"Ui, titia!
O grupo dos Coloridos do Big Brother Brasil 10 ganhará novo
integrante em breve. Nenhum novo participante do jogo. Apenas um dos integrantes
revelará ser homossexual até o meio da temporada do reality show. Já está tudo
combinado. Quem é? Tã-tã-tã-tã-tã!"
A notícia não surpreendeu. Até sugeri apostas para descobrir quais dos brothers seria o novo homossexual surpresa do BBB10 ?

Hoje recebi uma ligação da minha mãe, assídua telespectadora do BBB e não deixa de ver o PPV, que me disse não se tratar de um(a) homossexual, mas na realidade, uma transexual.

E a transexual do BBB 10 é a LIA, a qual na tarde de hoje, conversando com o Serginho e Angélica, teria confessado que fez uma operação para retirada do penis e o pomo-de-adão (gogó), assim como teria feito tratamento para voz, a qual, segundo ela, nunca chegou a ser grossa.
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Serginho teria ainda indagado como que funcionava o prazer e ela teria respondido "normal", além de afirmar que também seria uma novidade para o seu namorado que deixou fora da casa.

Essa décima edição do Big Brother Brasil realmente veio absolutamente para inovar a televisão brasileira, pois trouxe num dos programas de maior audiência nacional a possibilidade dos telespectadores conhecerem o dia a dia de uma lésbica, um gay, uma drag e agora, descobrimos também, uma transexual.

Estou agradavelmente surpreso!
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Imaginei que fosse passar algo a noite e nada foi declarado. Hummmm, até quis confirmar com a minha fonte (mãe) e perguntei se ela não viajou, mas ela me garantiu que testemunhou a conversa como ainda relatou que tinha testemunhas, suas irmãs também assistiram. Será?

Mas nem todas as surpresas são boas.

Nessa noite fiquei com interesse em assistir o BBB10 e eis que escuto uma pérola do Elieser, numa manifestação extremamente preconceituosa, falando com todo o seu grupo do puxadinho, e se dirigindo especificamente a Tessália, para quem faz gestos com os dedos em direção aos olhos:

"Cuidado com Serginho. Esse pessoal (homossexuais), não é preconceito, eles conseguem ser duas pessoas mais fácil que a gente."


Eliéser faz a fofoca com detalhes, avisando a Tessália que viu o Serginho dizer para Lia que era para ir fundo e votar na amiga. Eliéser já havia votado na Angélica e também já tinha demonstrado na primeira semana um ar crítico direcionado aos coloridos, que aparentemente havia se dissipado em razão de seu namoro com a Cacau e a amizade desta com o referido grupo.

Afirmar que os homossexuais são "duas pessoas", no sentido de duas caras, é de um preconceito bestial e desrespeitoso. Ele poderia até entender que determinada pessoa, hetero ou homo, fosse "duas caras", mas dizer que todos os homossexuais teriam esse perfil foi astear a bandeira do preconceito. Incrível constatar esta faceta do sujeito, que aparentemente demonstra uma suposta amizade com Serginho e Dicesar.
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Nos faz também pensar quantos Eliézer existem a nossa volta, fingindo um tratamento igualitário e uma simpatia, momentaneamente, apenas para parecer politicamente correto, quando na realidade nos consideram de caráter duvidoso, motivado apenas pela orientação sexual.
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Aliás, quem é mesmo "duas pessoas", ou duas caras???
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PS: Acréscimos da notícia, com os devidos esclarecimentos, AQUI
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