
Não tenho dúvida, a maioria presente vai pela festa, infelizmente. Exceção a regra são algumas pessoas mais politizadas ou que sofreram a violência na pele, como aquele noticiado pelo G1 do site do Globo, o cabeleireiro Guilherme da Silva, de 22 anos, que prestigiou a Parada GLBT (Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgêneros) pela primeira vez. “Eu me assumi há um ano e estou adorando estar aqui. Vim pela festa, mas também para lutar contra o preconceito. Semana passada fui vítima de xingamentos na praia da Barra, na Zona Oeste”, revelou o jovem, que compareceu vestido de mulher.
Uma reportagem do canal de notícias Globo News deixa claro isto. Na frente a jornalista entrevistando Claudio Nascimento sobre o Projeto Lei da Câmara 122, que pretende criminalizar a homofobia e ao fundo muita música, dança, fantasias e pegação daqueles que compareceram ao evento. Não casava o discurso do entrevistado com o cenário, trilha sonora e figurantes.
Apesar do Movimento LGBT carioca dizer que aquele acontecimento se realizava em protesto da homofobia, foram exatamente os homofóbicos que conseguiram ser os protagonistas da edição da Parada, dar o real destaque e levar para todas as residências a questão da homofobia.
Houve até certa resistência dos organizadores da Parada em aceitar o fato, conforme se pode constatar na página do Facebook, onde a Dra. Rita Colaço, militante e historiadora, proprietária do blog “Boteco Comer de Matula” protestava com veemência, UM DIA DEPOIS, acerca da sonegação da informação do crime homofóbico ocorrido em decorrência da Parada: “Incrível. Nenhuma nota sobre o acontecido no pq garota de ipanema...É de uma alienação e alheiamento completos".
A homofobia no Rio de Janeiro, vedete apenas como tema, foi posta debaixo do tapete pelos organizadores, para não estragar o glamour da festa.
Mas felizmente não adiantou a tentativa de abafar e o gravíssimo fato veio à tona pelos principais jornais.
O estudante Douglas Igor Marques Luiz, de 19 anos, foi encontrado baleado, por disparo feito por um fuzil, no abdômen, nas pedras do Arpoador. O jovem baleado e a família acusam um militar do Exército, lotado no Forte de Copacabana, de agressão, discriminação (por ele ser homossexual) e de ter efetuado o disparo.
O jovem estudante de 19 anos após a 15ª. Parada do Orgulho Gay, em Copacabana, contou que foi humilhado e agredido por um grupo de três homens no Parque Garota de Ipanema, momentos antes dos disparos.
'Disseram que somos uma raça desgraçada'
'Disseram que somos uma raça desgraçada'
'Disseram que somos uma raça desgraçada'
E somos!
No dicionário Houaiss desgraçado significa:
1 que ou aquele que está em desgraça; desventurado, infeliz;
2 que ou aquele que é pouco ágil; desajeitado, inábil;
3 que ou aquele cujo caráter inspira desprezo.
Só desgraçados como nós caem em desgraça na campanha presidencial do pais, que utiliza como moeda de troca com evangélicos exatamente a lei que pretende coibir a homofobia.
Só inábeis como nós fazemos festa ao invés de conscientizar a população LGBT para protestar por nossos direitos e elegermos candidatos que lutem por nós.
Só desprezados como nós somos colocados como cidadãos de segundo categoria, vendo negados direitos fundamentais que segundo a Constituição deveriam ser direitos iguais para todos.
Inábeis é pouco. No Rio de Janeiro os organizadores desta Parada apoiaram explicitamente o PT e, pasmem, nenhum dos candidatos LGBTs. que concorriam nestas eleições. SP sedia a maior Parada Gay do Mundo e basta se perguntar quantos candidatos com orientação sexual LGBT foram eleitos. Nenhum.
Os homofóbicos matam um homossexual a cada dois dias, socam, chutam e machucam física e moralmente lgbts, e o que vemos ocorrer? Apoio político do Poder Executivo e Legislativo para que a lei que pretende criminalizar a homofobia permaneça engavetada, e se passar seja vetada, festa, glamour e nenhuma politização.
Somos ou não somos uma raça desgraçada neste país?