O presente blog se propõe a reflexão sobre os Direitos Humanos nas suas mais diversas manifestações e algumas amenidades.


segunda-feira, 9 de agosto de 2010

Atrocidades no Irã contra Direitos Humanos

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Absurdo é pouco!

O dia que deixarmos de nos revoltar com notícias tão absurdas devemos nos questionar sobre a nossa própria humanidade.

Lendo o Blog da Miriam Martinho, "Contra o Coro dos Contentes", o qual recomendo, li acerca do novo abaixo-assinado que está rolando na internet para tentar salvar a vida de Sakineh Mohammadi Ashtiani, aquela iraniana condenada a morte por apedrejamento por pretenso adultério. Clique aqui para assinar a petição a favor da vida de Sakineh.

Em seguida recebi da listgls matéria enviada por um colega que nos remete ao Blog do Toinho de Passira que nos presenteia com fotomontagem de sua autoria que também aderi acima e, com um texto bastante informativo, sob título "Lula atirou a primeira pedra na iraniana", que aqui transcrevo para a sua própria conclusão:
IRÃ - DIREITOS HUMANOS
Lula atirou a primeira pedra na iraniana
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Tudo que o presidente brasileiro fez em benefício da mulher iraniana condenada à morte, por apedrejamento, foi apressar sua execução, depois de “avacalhar” o movimento internacional que obteve mais de 700 mil assinaturas, de todo o planeta pedindo sua libertação.
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Quando assumiu a presidência pela primeira vez, o Presidente pelo menos parecia ter consciência da sua ignorância e assessorava-se.
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No segundo mandato, depois de ter lido meia dúzias de discursos produzidos por outros e ser elogiado, pensou que havia virado gênio e começou a dispensar colaboração e a adotar uma política internacional, baseada na sua experiência de sindicalista no ABC Paulista. O começo de um desastre que tem se acelerado nesse último ano, progressivamente.
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Acabou desaguando nos posicionamentos equivocados e vexatório no caso da libertação da iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani condenada a morte por apedrejamento, acusada de adultério.
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Primeiro, o presidente Lula intrometeu-se no caso com uma das mais infelizes declaração, depois de pressionado para que fizesse uma gestão diplomática junto ao presidente iraniano, usando sua estranha amizade com o presidente Ahmadinejad, disse que seria uma “avacalhação” interferir nas leis dos países.
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Mirian Leitão no seu blog lembra que “Leis injustas e arbitrárias devem ser combatidas, porque os direitos humanos são universais.” Não importa em que país esteja.
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Mais vexatório, na segunda intervenção, no palanque de Dilma, o presidente errou feio, no local, na forma e nas palavras: “disse que, já que ela estava incomodando, o Brasil oferecia asilo.” Pela rejeição ríspida do governo iraniano, dizendo em tese Lula é um emotivo que não sabe do que está falando. Imaginava-se que algo de ruim ia acontecer, com a mulher.
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De prático, para pior, a Corte Suprema do Irã ignorou ontem apelos de defensores dos direitos humanos e atendeu ao pedido do Ministério Público para que a iraniana Sakineh Ashtiani seja executada. Em uma aparente tentativa de aplacar as críticas internacionais, Teerã mudou o teor da principal acusação contra Sakineh - de adultério para assassinato. O tribunal definirá na próxima semana se ela será enforcada ou apedrejada. Não cabe recurso e priu. Um detalhe nesses episódios recentes, é que o advogado de defesa, da mulher presa, Mohammad Mostafaei desapareceu de Teerã desde 24 de julho depois de interrogado por autoridades iranianas. Sua mulher e cunhado foram presos depois disso, segundo um relatório da Anistia Internacional.
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No momento ele está em Istambul, num local onde são mantidos imigrantes em busca de asilo político.
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A iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani, 43 anos, foi julgada pela primeira vez em 15 de maio de 2006, por um tribunal de Tabriz, quando admitiu ser culpada do crime de "manter relacionamento ilícito" com dois homens, em ocasiões diferentes, embora o incidente tivesse ocorrido após a morte do seu marido. Por isso ela recebeu uma condenação já cumprida de 99 chibatadas.
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Em setembro de 2006 o processo foi novamente aberto quando outro tribunal julgava um dos dois homens envolvidos na morte do marido de Sakineh Mohammadi Ashtiani. Ela foi então condenada por cometer adultério enquanto ainda era casada e sua sentença confirmada como pena de morte por apedrejamento.
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Durante uma das apelações ela declarou ao tribunal que não era verdadeira a confissão de adultério, que fizerá. Na verdade confessará sob pressão e por só falar fluentemente o turco, não compreendia corretamente o que lhe falavam os seus interrogadores, que falavam no idioma farsi.
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Precisa-se esclarecer que a relação sexual nesses casos é presumida. Basta que ela tenha caminhado com o homem, por um local pouco movimentado, recebido-o como visita em casa, sem a presença de um familiar masculino, para se concluir pelo adultério. Mulheres estrupadas já foram condenadas no Irã, por por não ter se precavido, ou ter tido um comportamente considerado insinuante. O caso de Sakineh Mohammadi Ashtiani virou comoção internacional, principalmente por causa da brutal pena de apedrejamento, mas os iranianos estão acostumados com esse tipo de execução: segundo o correspondente da BBC em Teerã Jon Leyne pelo menos duas pessoas por ano continuam a ser executadas pelo método no país.
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O assessor especial para Assuntos Internacionais Marco Aurélio Top Top Garcia, afirmou ontem (4/8) que o presidente Lula não se ofendeu com o comentário do porta-voz do governo iraniano de que ele era desinformado e por essa razão ofereceu asilo político à mulher condenada à morte por suspeita de adultério e que as relações bilaterais entre Brasil e Irã estão mantidas, sem alterações.
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Teme-se que da próxima vez que Lula for falar do assunto, não diga que não vai brigar com seu amigo o presidente Ahmadinejad, “por causa de umas pedradas...”
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É tudo muito GRAVE. Os erros inescusáveis do Presidente Lula até ficam menores diante da arbitrariedade anunciada por este governo iraniano que além de modificar a condenação de Sakineh Mohammadi Ashtiani - de adultério para assassinato - só para tentar apaziguar a comoção estrangeira, o advogado de defesa, da mulher presa, Mohammad Mostafaei desapareceu de Teerã desde 24 de julho depois de interrogado por autoridades iranianas!!!
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Este advogado é um especialista em direitos humanos no Irã e já fez inúmeras outras famosas defesas, inclusive de homossexuais.
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Uma notícia ruim leva a outra e se pesquisarmos não cessa mais. A notícia abaixo também é deste final de semana:
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Irã condena mais um a morte, por ser homossexual
Jovem, preso há dois anos, teria confessado o 'crime' após ter sido torturado
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"GENEBRA - O Irã condenou mais uma pessoa à morte neste fim de semana. Segundo o advogado Mohammad Mostafaei, um de seus clientes, Ebrahim Hamidi, de 18 anos, foi sentenciado por ser homossexual. A condenação, segundo o ativista, foi anunciada no domingo, mesmo sem ter na Corte um advogado para o defender.
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Hamidi insistiu perante os juízes por meses que não era gay e sua defesa alertou que simplesmente não haveria prova que indicasse sua orientação sexual. Mas os juízes se utilizaram de uma brecha na lei que permite à corte interpretar atitudes e fatos em uma condenação.
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O jovem não tem mais direito de apresentar uma apelação, ainda que ativistas na Europa voltem a se mobilizar para tentar evitar a execução, que seria iminente.
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Hamidi foi preso há dois anos em Tabriz, depois de uma briga entre sua família e vizinhos. Ele e mais três amigos que estiveram envolvidos na disputa acabaram sendo julgados e condenados por serem homossexuais e por terem assediado um homem.
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Segundo Mostafaei, Hamidi confessou o crime depois de ter sido torturado. Já a suposta vítima admitiu que havia mentido. Mas mesmo assim a corte optou por condena-lo a morte.
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No Irã, a lei estabelece que homossexualismo é passível de chibatadas, enforcamento ou apedrejamento. Segundo Mostafaei, se os juízes acreditarem que um menor teve prazer em uma relação sexual com um adulto, também pode ser condenado a chibatadas, ainda que se trate de um estupro.
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Com seu escritório tomado pela polícia, Mostafaei alerta que casos como o de Hamidi e da iraniana condenada por adultério, Sakine Asthiani, podem seguir seu caminho na justiça sem qualquer defesa."
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O Governo do Irã insulta frontalmente os direitos humanos universais.
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Definitivamente é vergonhosa essa relação amistosa do Brasil com o Irã!
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Fontes:

3 comentários:

Junnior disse...

Gostei muito do post. O caso Sakineh mexe muito comigo porque mostra o quão vulneráveis podemos nos tornar nas mãos de outros homens, que podemos ser (mal) julgados por atos de foro íntimo, os quais, se mal fizerem, só a nós mesmos.
Que prejuízo moral causou essa mulher para um único ser da face da terra? Quais direitos humanos ela poderia ter infringido? Que cultura insana é essa do Irã que não acaba?
Abraços.
Junior.

Anônimo disse...

é meu bem! Já nem sei mais o que dizer.. o que pensar.
Vi fotos de uma mulher sendo apedrejada. Enterrada somente com os ombros e a cabeça de fora. Sem a menor condição de auto defesa. Espera pelas pedras que lhe serão atiradas... meu Deus. Meu Deus!
Beijo

Carlos Alexandre Neves Lima disse...

Júnior,
Compartilho dos mesmos sentimentos.
Hoje ler uma notícia como esta é para se questionar como é possível a humanidade não se solidarizar.
A encenação que fizeram dela se culpando diante da tv foi grotesco e fere a inteligência de quem assiste.
Um dos únicos advogados de direitos humanos estar refugiado e dizer que não há defensores para estes réus nos tribunais iranianos é aviltante.
O rapaz gay na fila da condenação é igualmente desesperador.
Sem palavras...
Abs,



Nossa, "Enterrada somente com os ombros e a cabeça de fora" esperando as pedras? Isto sim é o fim do mundo!

Carlos Alexandre

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