O presente blog se propõe a reflexão sobre os Direitos Humanos nas suas mais diversas manifestações e algumas amenidades.


sábado, 27 de fevereiro de 2010

Maria Berenice Dias: "Mais uma vez a justiça não se curva à omissão do legislador e ... faz Justiça!"

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Maria Berenice Dias - esse é o nome da inigualável advogada especializada em Direito Homoafetivo, mas igualmente em Direito das Famílias e Sucessões, a qual também exerce a Vice-Presidência Nacional do Instituto Brasileiro de Direito de Família – IBDFAM e, até pouco tempo, era Desembargadora do Tribunal de Justiça do Rio Grande do Sul, conhecida no meio jurídico pelos seus brilhantes julgamentos.

Em minha opinião, caso necessitasse de uma advogada, envolvendo tais questões, seria ela que desejaria me representando. Não conseguiria imaginar uma que fosse mais competente.
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Mas sua qualidade não se restringe ao mundo jurídico, como cidadã é igualmente uma pessoa expoente, tentando sempre contribuir para a conscientização da sociedade. Como ela mesma diz, “as novidades acontecem e é preciso divulgá-las. Não há outra forma de construir uma nova consciência social”.
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Motivo pelo qual sugiro, com ênfase, a leitura de seus sites, sempre cheio de informações extremamente importantes para os cidadãos LGBTs:

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Novo uniforme da seleção brasileira vai deixar os jogadores mais sexy


A nova camisa da seleção brasileira foi apresentada nesta quinta-feira, em Londres, pelo atacante Alexandre Pato, conforme anunciado no Portal G1, o qual denuncia que a camisa "ostenta um ajuste dinâmico, seguindo os contornos naturais do corpo".

A foto do atacante Alexandre Pato com o uniforme revela mais, muito mais! Basta dar uma rápida verificada na foto. Quem aprecia o corpo masculino gostará. Não só a camisa como o calção são bem justinhos, revelando bem a forma física e todas "as pretuberâncias" do atleta.

A camisa do Brasil perdeu o círculo em torno do número, na parte da frente, os detalhes nas laterais e o espaço em cor diferenciada na altura dos ombros, atrás, destinado ao nome do jogador.

A nova camisa possui uma moderna gola careca em cor verde que remete à famosa camisa que o Brasil usou para conquistar o tricampeonato mundial no México, na Copa de 1970. Há também listras verdes nos ombros, sendo que a da lateral esquerda contém cinco pequenas estrelas alusivas ao pentacampeonato mundial. Ambas as listras são perfuradas para que a camisa seja mais leve e refrescante para os jogadores.

Na parte posterior da gola está escrito "Brasil" e, na interior, ficam uma pequena bandeira nacional e a mensagem "Nascido para jogar futebol". Dentro da camisa, abaixo do emblema da CBF, tradicionalmente situado acima do coração, há a mensagem de inspiração "Com muito orgulho, com muito amor".

Os novos calções oficiais são no tradicional azul royal oficial e têm uma listra branca em cada lateral. Na parte posterior da linha da cintura há cinco estrelas. As meias são brancas possuem uma fita verde e a palavra "Brasil" na lateral de cada panturrilha.

Segundo Pato há uma razão para o novo uniforme ser bem justo: - Ela me parece muito leve (segundo a empresa a camisa é 15% mais leve do que a usada pela seleção na Copa de 2006). E também fica muito justa ao corpo. É difícil um marcador agarrar o atacante assim – completou.

Fonte da informação e fotos:


Mais um suposto caso de pedofilia mal contado

Já discorri aqui sobre o Ulisses Leite Novais Basílio, acusado de pedofilia e preso com justificativas bastante duvidosas. Agora surge novo caso.

Não utilizarei este blog na defesa de criminosos. Pelo oposto, quero-os presos. A começar pelos homofóbicos, entretanto, eles possuem a religião como uma espécie de salvo conduto para prática destes atos e fazem de tudo para impedir que essa conduta se torne crime.

Alguém é a favor de pedofilia? Óbvio que não. Só se for um doente mental em grau máximo ou simplesmente um animal com apenas aparência humana.

Mas mais uma vez volta aos noticiários matéria que merece atenção.

A mais recente diz respeito a um “alto funcionário do Clube do Flamengo” que abusou de um menor aproxidamente de 10 anos de idade, o que foi testemunhado por uma senhora que o denunciou.

Alguém tem dúvida do fato se tratar de uma atrocidade? Acho que não.
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O menor

Entretanto, e sempre há um entretanto, não se tratava de uma criança de 10 anos, como descrito pela testemunha, mas um jovem adolescente de 15 anos de idade, o qual também declarou que não foi abusado. Foi à delegacia com os pais, tendo prestado os esclarecimentos devidamente com o acompanhamento de psicólogos especialistas do órgão público.

O Clube do Flamengo

O nome do dito pedófilo não foi declinado pelo Clube do Flamengo, isto porque foi bem assessorado juridicamente para não agir com irresponsabilidade e, deliberadamente, concluir pela culpa do dito funcionário com base apenas na afirmativa da tal testemunha. A razão não foi necessariamente magnânima, mas econômica, temeu que o acusado fosse inocentado e que o Clube recebesse a conta do dano moral para ao final pagar. De qualquer forma, agiu com a prudência esperada e não se omitiu. Afastou o empregado de suas atividades dentro daquela sede, onde freqüentam outros menores.

A testemunha

Houve um escarcéu danado desde a denúncia. A tal senhora que não é menor de idade, entretanto, não teve seu nome revelado, teria presenciado a cena de abuso nas imediações da sede na Gávea e fez a seguinte declaração:

Esses atos libidinosos dele com meninos dentro do clube já são conhecidos há muito tempo. Mas sempre abafaram. Acontece que desta vez eu vi. Não ia ficar calada. E, agora, vou até o fim”.

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Os furos na história
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Da declaração da testemunha oculta se deduzem dois fatos a serem observados.

Quando a mesma afirma que “esses atos libidinosos dele com meninos dentro do clube já são conhecidos há muito tempo. Mas sempre abafaram” leva a crer que seu olhar para o potencial criminoso já estava viciado. Ela já o considerava pedófilo, antes de presenciar qualquer fato criminoso.

Também que, apesar de tais atos libidinosos com meninos já serem conhecidos por ela, jamais levou tais informações as autoridades policiais competentes. Omitindo-se de salvaguardar outras crianças de eventuais abusos, pois certamente sua informação dos fatos e nome daqueles que teriam lhe informado teria impulsionado, de imediato, a atuação da polícia e do próprio Clube.

Sua omissão também foi supostamente criminosa, inclusive ela própria ao “abafar” contribuiu com a conduta criminosa de quem “abafava” aquelas condutas pedófilas.

O outro ponto diz respeito a sua segunda parte da afirmativa: “Acontece que desta vez eu vi. Não ia ficar calada. E, agora, vou até o fim”.

A testemunha viu um abuso com um menor com uma criança com aparência de 10 anos.
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Não era uma criança de 10 mas um jovem de 15 anos. Algum leitor consegue perceber a diferença física entre uma criança de 10 para um adolescente, na puberdade, com 15 anos? De qualquer forma, quando a criança, que teria 10 anos, se apresentou na delegacia a senhora foi chamada para reconhecê-lo. A mãe também levou a certidão de nascimento comprovando que o jovem possui 15 anos.
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Ela diz que viu, e segundo consta em matéria no jornal, teria inclusive tirado fotos.
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A pergunta que não quer se calar. Ao invés de PROTEGER uma criança supostamente de 10 anos, intervindo IMEDIATAMENTE impedindo o ato repulsivo, ela preferiu deixar rolar, “tirar fotos” pelo celular e somente depois agir? Deixando que o abuso se consumasse, o menor e o pedofilo evadissem o local?
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Sua revolta não parece, a princípio, que se dirigiu a dignidade física e moral da criança. Sua real preocupação parece, antes mesmo do fato, era acusar o suposto pedofilo, a quem ela já conhecia pessoalmente.

conclusões

1- O tal jovem de 15 anos, como qualquer outro, deve possuir vida sexual ativa. Que situação constrangedora para ele e seus pais, ainda que o fato esteja restrito a sua família. Alguém, de fato, está pensando neste adolescente?

2- Diante das declarações nos jornais, provavelmente incompletas, não consigo confiar na tal testemunha denunciadora. Ela me pareceu já acreditar na existência de crime antes mesmo da sua existência, além de estar mais preocupada em perseguir o funcionário do Clube que proteger o menor. Por sua vez, o fato do suspeito possuir um histórico envolvendo outro inquerito de pedofilia (arquivado), faz com que se imponha uma verificação séria, rigorosa e justa.

3- Só resta a palavra isenta da suposta vítima e sua família, que afirmam que inexistiu qualquer abuso.

4- O Clube do Flamengo não tem com o que se preocupar, pois a conta do dano moral, até o momento, deve ir para a tal denunciante mesmo, com a qual, também concordo, agora deve ir até o final, provando o suposto abuso sexual ao menor de 10 anos inexistente, sob pena de não só responder pecuniariamente, como por crime de denunciação caluniosa.

domingo, 21 de fevereiro de 2010

BBB10: Marcelo Dourado AMEAÇA Morango (e TV Globo não mostra) e faz FOFOCA dizendo que Morango levou Cacau para o quarto branco para dar uns pegas.

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Assusta, para não dizer, DESESPERA, ver a identificação do telespectador com Marcelo Dourado.

Ele já esteve no big brother brasil uma vez, sabe o que deve e não deve fazer. Mais importante ainda, sabe exatamente o que o levou a ser odiado na primeira vez que participou. Viveu isso intensamente quando saiu, leu comentários, participou de diversos programas que comentaram e julgaram seu comportamento, teve que se defender muito e, querendo ou não, refletir sobre todo o ocorrido. Diante disto, entrou no programa TODO ARMADO. De falso no BBB4 quer passar a idéia de ser a pessoa mais sincera e honesta dentro do BBB10.

Tem um discurso todo maquiado, mas bem realizado. No início quis se impor, não deu certo, se fez de vítima e angariou simpatias. Quando obteve o poder absoluto já havia percebido que havia dado certo sua estratégia, mas ficou na dúvida se o público o estava apenas utilizando para colocar mais lenha na fogueira do jogo. Não quis perder tempo com tal esforço e já conhecendo o programa, ao contrário dos demais, ainda que temeroso, queria ir para o paredão, precisava ter certeza da sua popularidade no programa. Sua volta do paredão foi pontual para ele. Já havia tirado sua dúvida, conquistado o que desejava e agora poderia seguir a estratégia e agir de forma mais frontal.

Ele sem dúvida é inteligente. Sabe que não deve desgastar sua imagem. O sofrimento após o término do programa não foi fácil, por isso, a cada um que se oponha a ele, sua estratégia fica clara: quer ir logo para o paredão com tal pessoa. Desta forma, volta mais forte ou sai logo, sem chegar à aquele desgaste que passou no BBB4. Isso é bom para ele, afinal, ainda faz jopo de cena com o público do quanto é macho, corajoso e sincero.

Sua bandeira é do "macho heterossexual", com direito a arroto, coçada no saco e cusparada. Além do discurso, Dourado traz tatuada na pele sua identidade: uma bela suástica.

Não tenho dúvida do quanto o caráter do jogador Marcelo Dourado aparenta ser, no mínimo, duvidoso. Incrível é que o público ainda não tenha visto algo tão óbvio.

Basta prestar atenção nas suas contradições. Para os participantes de sua casa disse que os participantes da outra casa o botaram para fora e estavam falando das estratégias do jogo, mas acusa Morango de fofoqueira por ter dito para os demais participantes o que ela disse na cara dele e dos demais. Afirmou para Alexandre, Uiliam, Eliéser, que não levava informação de uma casa para outra e que não combinava nada com os demais, embora tenhamos visto que ele, Cadu e Lia combinavam para quem deveria dar o anjo nesta última semana. A diferença é que para ele o que faz é certo e que os demais fazem é fofoca, um X-9.

Inacreditavelmente vemos em sites seus seguidores repetindo o mesmo discurso, sem qualquer discernimento dos fatos. As opiniões alheias merecem respeito, mas são lamentáveis quando destituídas de qualquer fundamento, se restringindo a repetir cegamente o que é dito pelo outro.

Nunca falei mal da edição do BBB, mas confesso que estranho o fato de ter demorado tanto a mostrar as falas homofóbicas do Dourado como, por exemplo, que a AIDS era uma doença gay. Só o fez depois de muitos protestos e cartas reclamando da falsa e discriminatória afirmativa.

E agora, mais uma vez, Dourado mostrou sua cara com ameças de agressão física a Morango, porque esta não teve medo de confrontá-lo cara a cara diante de todos, desmascarando-o. O que Morango fez mexeu com seus alicerces e sua reação foi a altura. Ele precisa ELIMINAR Morango. Sua campanha aos ALIADOS não parou um minuto após o enfrentamento.

Como ele é "muito macho" afirmou que Morango é covarde porque "sabe que ele não bate em mulher, se fosse homem ele tinha quebrado os dedos dela e mandado pro hospital" se fazendo do pobre "perseguido só por ser homem e heterossexual".

Estas falas simpáticas, agressivas, desrespeitosas de Douradinho Machão não foram ao ar. A pergunta que se faz é por quê?

Não se trata de discutir a homossexualidade ou heterossexualidade. Seria reduzir demais o que está em questão. Se trata de APROVAR OU NÃO A PIOR FACE EXISTENTE DO MACHISMO. Portanto, heterossexual ou homossexual, não deveria ser o foco. Tenho ojeriza a MACHISMO e FEMISMO (Femismo é um neologismo e seu significado possui uma carga ideológica muito grande. É uma expressão que hipoteticamente significaria um conjunto de idéias que considera a mulher superior ao homem, e que, portanto, deveria dominá-lo), um querendo a supremacia sobre o outro sexo. No entanto, seria hipócrita negar que além de MACHISTA o Marcelo Dourado também é HOMOFOBICO (o que chega a ser típico de uma pessoa que traz orgulhosamente consigo a tatuagem da suástica).

Segue abaixo para sua avaliação:.






A conversa do Machão com Michel é incontestável e deixa claro com quem estamos lidando. Dourado disse: "Ela é a única pessoa aqui que eu tenho nojo. Não quero dar nem bom dia para ela. Ela é podre. Ela não tem comprometimento com ninguém.

O cara que diz que ODEIA FOFOCA e que não faz leva e traz, disse para o Michel: "Ela colocou a Cacau no Quarto Branco porque ela quer dar uns "grudes" nela". E ele é quem chama a Morango de X-9??!

E, conforme já disse antes, Dourado quer sempre tirar a prova dos nove. Manda com força contra o adversário, mas deseja sempre medir como é a reação aqui fora: "O meu negócio com ela não é mais jogo. É pessoal. Independentemente da opção sexual dela, ela é abusada. Queria ir para o Paredão com ela para ver quem iria sair."
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Links e vídeos sobre o caso:

Aqui estão os links para o vídeo aonde ele diz que quebraria os dedos de Angélica, são todos para o mesmo vídeo, então se um estiver quebrado tente o outro. Nas versões mais longas assista a partir de 2:45.
Youtube 1 –

Vídeo de momentos homofóbicos:
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Dourado sendo preso por posse de drogas:


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sábado, 20 de fevereiro de 2010

Da polêmica que envolve o menor que participou do crime que matou João Hélio


Caso João Hélio


O crime

Na noite do dia 07 de fevereiro, por volta das 21h30min de uma quarta-feira, Rosa Cristina Fernandes voltava para casa com os filhos Aline, de 13 anos, e João Hélio, de 6 anos.

Três homens armados, fazendo uso de duas armas, abordaram o veículo dando ordem para que saíssem do veículo.
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No interior do veículo estavam uma amiga da família e o filho João Hélio no banco traseiro e a filha adolescente viajava ao lado da mãe no banco dianteiro direito, que no momento do assalto conseguiram abandonar o carro, porém, Rosa havia avisado aos assaltantes que João Hélio não havia conseguido se soltar do cinto de segurança. Presa ao cinto de segurança, a criança não conseguiu sair.

Um dos assaltantes bateu a porta e os bandidos arrancaram com o veículo em alta velocidade.

Com o menino preso pelo lado de fora do veículo, os assaltantes o arrastaram por sete quilômetros, passando pelos bairros de Oswaldo Cruz, Madureira, Campinho e Cascadura. Motoristas e um motoqueiro que passavam no momento sinalizaram com os faróis. Os ladrões ironizaram dizendo que "o que estava sendo arrastado não era uma criança, mas um mero boneco de Judas", e continuaram a fuga arrastando o corpo do menino pelo asfalto.

Segundo testemunhas, moradores gritavam desesperados ao ver a criança sendo arrastada pelas ruas. Os criminosos abandonaram o carro com o corpo do menino pendurado do lado de fora, com o crânio esfacelado, na rua Caiari, uma via sem saída, no bairro de Cascadura, Zona Norte, e fugiram. O corpo do garoto ficou totalmente irreconhecível. Durante o trajeto, ele perdeu vários dedos e as pontas dos mesmos, além da cabeça, que não foi totalmente localizada.

os criminosos

Diego foi reconhecido pelo pai, o porteiro Kuelginaldo, que foi localizado por meio de denúncia anônima e se comprometeu a colaborar indo à delegacia; e um menor com a idade de 16 anos. Eles confessaram o crime, segundo a polícia. De acordo com as investigações, Diego Nascimento da Silva, de 18 anos, ocupou o banco do carona na fuga; Carlos Eduardo Toledo Lima, de 23 anos, foi o condutor do automóvel; e o menor de 16 anos, que foi o responsável por render a mãe de João Hélio e ocupar o banco de trás do veículo Corsa prata roubado de Rosa Cristina Fernandes. Um outro homem, Tiago, chegou a ser preso, mas foi liberado em seguida por não ter sido comprovada a sua ligação com o caso, mas os investigadores voltariam atrás. No dia seguinte, a polícia pediu a prisão de mais dois suspeitos da morte do menino arrastado. Um dos suspeitos, o condutor do veículo, Carlos Eduardo, é irmão do menor de idade, já detido. À noite, a polícia prendeu, novamente, Tiago de Abreu Mattos, de 19 anos, o quarto suspeito de ter participado da tentativa de assalto. Segundo a polícia, ele juntamente com mais um quinto elemento, Carlos Roberto da Silva, de 21 anos, teriam levado os bandidos até o local do assalto, ambos estariam no táxi, que pertencia ao pai de Tiago, utilizado para levar a quadrilha até o local e dar cobertura à fuga.

a condenação na justiça

Carlos Eduardo Toledo Lima foi condenado a 45 anos de reclusão. Diego Nascimento da Silva a 44 anos e 3 meses de reclusão. Carlos Roberto da Silva e Tiago de Abreu Mattos condenados cada um a 39 anos de reclusão.

Ezequiel Toledo de Lima, por ser menor à época, foi condenado 3 anos de medida sócio-educativa.

A questão polêmica
Ezequiel Toledo de Lima já cumpriu os 3 anos de medida sócio-educativa e foi inscrito em um programa de proteção a ameaçados de morte.

O advogado da família do menino João Hélio vai analisar o processo de soltura de Ezequiel para saber se ele passou por uma avaliação psicológica. Ele disse não acreditar que o jovem que cometeu um crime desse porte esteja apto, três anos depois, a conviver em sociedade.

O Ministério Público do Rio pedirá o cancelamento da inclusão de Ezequiel, de 19 anos, um dos assassinos do menino João Hélio, no Programa de Proteção a Criança e ao Adolescente Ameaçado de Morte (PPCAAM). O MP alega que a proteção é irregular, pois não teve conhecimento prévio da ordem judicial que encaminhou o infrator ao programa. O pedido será encaminhado ao juiz da 2ª Vara da Infância e da Juventude, Marcius da Costa Ferreira, na segunda-feira.

Opinião

Por premissa, não consigo acreditar que um jovem de 16 anos que, com uma arma, rendeu as vítimas, se sentou no assento traseiro do carro, onde o menor teve o cinto de segurança que o prendia, não possuía noção de seus atos.

Por outro lado, também por princípio, acredito na possibilidade de uma pessoa se reabilitar, reconhecer seu erro e tentar mudar o rumo de sua história. Não gratuitamente, mas porque as punibilidades sofridas em consequencias de seus atos, impuseram a reflexão e a opção de mudar o rumo de sua história.

No entanto, neste caso, não me parece crível. O crime foi hediondo.

O menor de 16 anos aquela época, ao atuar da forma que conscientemente quis, já sabia que era co-responsável pelo o que estava ocorrendo com UMA CRIANÇA de 06 anos de idade. A coragem que teve para praticar o assalto deveria ser a mesma de fazer aquele carro parar de alguma forma. O 'não quero que morra, mas se morrer, morreu' é o que vem a minha cabeça. Diante disto, o "perfil" daquele menor criminoso já existia naquela época, e se mostrou absolutamente repugnante, pois não foi o crime do furto de CD, de rixa contra gangue rival, de falsificação de documento ou equivalente, mas um homicídio com uma barbárie que nem o mais cruel dos delinquentes conseguiria praticar.

Alguém com esse perfil muda em tres anos? Não sei se é impossível, mas me atreveria dizer que é difícil.

Ezequiel não é o problema. Ele faz jus, como qualquer outra pessoa que tivesse sua idade, ao direito da liberdade após cumprir a penalidade que lhe foi arbitrada. Negar a ele esse direito é não reconhecer o estado democrático de direito e pretender que a Justiça confira ao mesmo tratamento diferente daquele que é estabelecido a outro em situação idêntica.

O problema está na lei. Na lógica da lei.

A lei deveria ter estabelecido regras próprias para menores de 16 anos de idade que tenham praticado dolosamente crimes hediondos.

Hoje, um menor de 16 anos, não está na mesma situação cultural e psicológica de um menor de 16 anos no início do século passado. Assim como o Estado hoje possui muito mais responsabilidade pelo desabrigo, descuido e até a marginalidade de seus jovens.

No entanto, um erro não justifica o outro.

Como acreditar que Ezequiel, com o perfil que apresentou durante o evento criminoso tão hediondo, em apenas tres anos, tenha se transformado? Os fatos mudaram. Ele estava solto, praticando crimes e foi preso. Isso é suficiente para caracterizar a mudança de seu perfil criminoso?

E o estado o que fez para recuperar este jovem? Forneceu uma estrutura sólida, competente e eficaz, durante a restrição de sua liberdade, concedendo a ele a possibilidade de real mudança?

Na minha opinião a resposta é não para ambas as perguntas.

Nas condições atuais, Ezequiel tinha direito a liberdade e não acho que poderia ser retirado tal direito. O que não poderia existir é esse "direito" enquanto não fosse dada a ele a real oportunidade de mudança de seu perfil, com previsões de punibilidades mais severas, em casos hediondos como esse, e a sociabilidade devidamente atestada por profissionais competentes.

Ezequiel teve culpa do crime, mas não por estar solto. Nem do Juiz por assinar seu alvará de soltura. A culpa, se existe, são do Poder Executivo que não cria meios hábeis de recuperação e, principalmente, de nossos legisladores, lá do Congresso Nacional, que mesmo diante de tais casos, não cria legislação que proteja realmente a sociedade.

foto extraída do site http://anjospelapaz.zip.net

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

História e Fotos do Corcovado antes do Cristo Redentor

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O morro Pináculo da Tentação

Os portugueses batizaram o morro de Pináculo da Tentação, depois o rebatizaram de Corcovado e em 1859 o padre Pedro Maria Boss chegou, se deparou com a beleza da vista do Corcovado e pediu recursos à Princesa Isabel, para erguer um monumento religioso. A princesa não concordou e o nascimento da estátua teve que ser adiado.

Uma viagem por mais de um século de história
A Estrada de Ferro do Corcovado foi a primeira ferrovia eletrificada do Brasil. Inaugurada no dia 9 de outubro em 1884, é mais antiga do que o próprio monumento do Cristo Redentor. Aliás, foi o trem que, durante quatro anos consecutivos, transportou as peças do Cristo.


A Estrada de Ferro do Corcovado foi Inaugurada por D. Pedro II, como a primeira ferrovia eletrificada do Brasil. O caminho que leva à estátua do Cristo Redentor nasceu da paixão do imperador D. Pedro II pela paisagem local. A implantação da Estrada de Ferro do Corcovado foi iniciada em 1882. Dois anos depois, o trecho entre o Cosme Velho e as Paineiras foi inaugurado, com a presença da família imperial. O trem, na época a vapor, foi considerado uma modernidade idealizada pelos engenheiros Francisco Pereira Passos e João Teixeira Soares por percorrer 3.829 metros de linha férrea, em terreno totalmente íngreme.

Um detalhe importante: o sistema de tração através de cremalheiras, catracas que impedem o trem de escorregar na subida mesmo que seja obrigado a parar, é utilizado desde da fundação da estrada.Em 1885, é inaugurado o trecho entre as Paineiras e o Corcovado, completando assim a extensão total da Estrada de Ferro. Em 1910 foi substituído o vapor pela eletricidade, devido a questões econômicas e ambientais. Dois anos depois, foi inaugurada a primeira estrada de ferro eletrificada da América do Sul, a Estrada Cosme Velho-Corcovado. Em 1979, os pioneiros vagões, em madeira, foram aposentados.

Hoje, para aumentar ainda mais a segurança da viagem, a estrada de ferro usa o sistema Riggenbach, onde uma terceira roda funciona como cremalheira movendo o trem.

Em 1910, os trens a vapor foram substituídos por máquinas elétricas e mais recentemente, em 1979, quando a Esfeco assumiu o controle da ferrovia, foram trazidos da suíça modelos mais modernos e seguros.



Um belvedere no Corcovado
Antes da estátua, assim era o alto do Corcovado
: um belvedere.



Chamavam este pavilhão de Chapéu do Sol. Lá esteve desde 1922 até 1931, quando inauguraram a estátua. Em 1922 de lá foi feita a primeira transmissão de radio difusão do Rio, para ouvintes na Exposição do Centenário.

fonte: http://rioquemoranomar.blogspot.com/search/label/corcovado

A idéia da construção do monumento
A idéia da construção do monumento voltou à tona em 1921, para marcar a comemoração do Centenário da Independência do Brasil, no ano seguinte. A intenção inicial era fazer um monumento, em bronze, representando Jesus Cristo abençoando o Brasil, do alto do Pão de Açúcar, que disputava com o Corcovado, o e o Morro de Santo Antônio. Venceu a opção pelo Corcovado, o maior dos pedestais e a pedra fundamental foi lançada no dia 4 de abril de 1922. Quatro anos depois, as obras foram iniciadas.Através de um concurso, o engenheiro Heitor da Silva Costa tornou-se o responsável pelo projeto de construção do monumento. Para executar a maquete definitiva da estátua e estudar problemas de construção e de base, Heitor foi para a Europa, onde escolheu o arquiteto Paul Landowsky para desenvolver o projeto. Foi organizada, então, a Semana do Monumento - uma campanha para recolher contribuições dos católicos.

A concepção do monumento

Heitor da Silva Costa fez questão de frisar que todos os grandes monumentos, em linhas gerais, devem obedecer a critérios absolutamente arquitetônicos, e que o nosso Cristo é uma estátua deste gênero. E explicou que uma massa de tal natureza tinha necessariamente de ser tratada diferentemente das esculturas ordinárias, sendo absolutamente falso e inadequado dar-se a uma obra com aquelas dimensões colossais o mesmo tratamento dado a uma pequena estatueta.
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Antes mesmo que se pudesse chegar à imagem de um Cristo Redentor, com a forma e as dimensões com que ele foi finalmente concebido, foi necessário que antes se erguesse sobre o Pico do Corcovado uma grande cruz com 30 metros de altura, que foi cuidadosamente observada a partir de diversos pontos da cidade durante vários meses. Nessa fase preliminar, não se encontrando aparelhos com a precisão necessária para calcular todas as variáveis envolvidas na obra, tornou-se necessário o emprego da quadriculação, uma técnica que os obrigou a determinar a posição de cerca de 163 mil pontos para executar os perfis da obra com grandes extensões.
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A partir daí, de simplificação em simplificação, foi concebido um pedestal com oito metros de altura, sobre o qual iria repousar a estátua de 30 metros, cujos braços, horizontalmente abertos, formariam com o corpo ereto uma gigantesca cruz, imagem perfeita da simplicidade, da simetria e da espiritualidade. E para que essa cruz pudesse ter vida, ele explicou, ela iria esposar a forma de um homem e de um Deus, do divino personagem da redenção. E para que pudesse ter alma, seria modelada com a face ligeiramente voltada para baixo e para a esquerda, o que a tornaria visível para os que vivem na cidade e por aqueles que chegam à terra carioca. Assim, o monumento perderia a rigidez que a distância aparentemente lhe emprestaria, contemplando carinhosamente a todos que dele se acercassem, envolvendo-os com um largo e divinal abraço. A expressão suave do seu rosto, a túnica e o manto largamente tratados e estilizados iriam emprestar à estátua uma expressão de imponente serenidade.

Paul Landowsky, o estatuário
Continuando sua exposição, Silva Costa contou que o projeto o obrigou a viajar inúmeras vezes à Europa, “para estudar a feitura e a situação das grandes estátuas que lá têm sido erguidas”. Silva Costa confessou ter sempre encontrado uma desarmonia chocante entre os monumentos em si e o ambiente onde eles estavam inseridos, nas proximidades de casas, árvores ou elementos topográficos, o que os tornava desproporcionalmente grandes - a própria Estátua da Liberdade não escapa a esta apreciação, pois se projeta sobre o fundo das grandes edificações da cidade de Nova York. “Já o nosso Cristo Redentor” - adiantou Silva Costa na ocasião - “vai se achar numa situação completamente diferente, pois na plataforma do Corcovado não há nenhum arvoredo, nem tampouco edifícios para desproporcioná-lo. E como esse pico se destaca da cadeia de montanhas do Maciço da Tijuca, a sua projeção se fará permanentemente sobre o imenso firmamento, que o acolherá harmoniosamente no seu infinito azul”. Em Paris, o brasileiro encontrou no estatuário Paul Landowsky “o artista incomparável, que soube dar tão perfeito desempenho à parte da escultura do monumento”.

Informou ainda que várias maquetes tinham sido executadas e, embora não fossem alteradas as grandes linhas gerais do projeto, cada modelo maior que ia surgindo exigia modificações, como se uma nova estátua estivesse se apresentando. “Tive que acompanhar de perto a evolução da obra, a fim de verificar até que ponto essas alterações interessavam à estrutura interna previamente estudada”, ele contou. Ou seja: todo o trabalho foi o resultado de uma perfeita colaboração entre todos os técnicos e artistas envolvidos, já que os cálculos e o estudo de resistência dos materiais, por exemplo, intervieram a cada momento no desenho do monumento para garantir sua estabilidade. “É bem claro que se a figura do Cristo tinha de ser modelada por um estatuário, e que se suas grandes linhas pertencem ao domínio da arquitetura, sua construção e estabilidade entram no campo da atividade do engenheiro. Portanto, se é grande a responsabilidade do estatuário, menor não é, sem dúvida, a do arquiteto e a do engenheiro”, explicou Silva Costa no Hotel Glória.

Dificuldades e desafios
Silva Costa prosseguiu reconhecendo que a construção de um monumento de tal grandeza encerrava em si dificuldades de toda ordem. “Tudo é difícil naquele pico”, afirmou. “Máquinas, ferramentas e materiais precisam ser continuamente içados, e a própria água é elevada a uma altura de 300 metros. A construção de nenhuma outra estátua ofereceu tantos desafios”. Sim, não se pode contestar que o Cristo Redentor se trata de uma construção ousada, tanto pela forma do monumento como pelo local que o abriga. “Para a execução dos braços, sem dúvida a parte mais difícil, não iremos dispor de solo firme para apoiar os andaimes. Como a base do Pico do Corcovado tem apenas 15 metros de largura, metade da extensão necessária para se alcançar a ponta dos dedos da estátua, teremos que trabalhar sobre um precipício de 700 metros”, revelou o engenheiro à platéia. Heitor da Silva Costa concluiu sua exposição afirmando que a imponência e a ternura daquele monumento em construção poderiam em breve ser contempladas e admiradas desde o mar - emocionando os visitantes que chegassem à terra carioca em seus navios - até muitos outros pontos da bela cidade do Rio de Janeiro. E, principalmente, por todos aqueles que – desde a inauguração do monumento – passariam a se acercar “da coroa mais fúlgida da nossa Guanabara e do nosso Brasil”.

Fim das dúvidas
A ata dessa memorável reunião, depositada para sempre nos anais do Rotary, constitui-se numa prova incontestável de que o engenheiro Heitor da Silva Costa foi o verdadeiro construtor do Cristo Redentor. Nada mais precisaria ser dito, até porque a exposição foi feita num fórum privilegiado, do qual participou a elite cultural brasileira da época.

Cumpre ainda enfatizar que os brasileiros jamais deixaram de reconhecer o mérito dos que vieram de além-mar enriquecer a nossa terra com a sua arte. Que o digam Debret, Grandjean de Montigny, Marc Ferrer e o próprio Alfredo Agache, este último presente à referida reunião, e mesmo os que vieram muito antes, como Nassau, Eckhout e Franz Post. E por que deixariam de fazer o mesmo com Paul Landowsky?

Sim, Landowsky foi o “incomparável escultor” do nosso Cristo, e sem ele a imagem não teria provavelmente a serenidade e o encanto que ostenta. Mas é bom lembrar que “se é grande a responsabilidade do estatuário, menor não é, sem dúvida, a do arquiteto e a do engenheiro”.
texto transcrito parcialmente da Revista Brasil Rotario de Janeiro de 2004 de autoria de Fernando Reis de Souza.
( www2.brasil-rotario.com.br/revista/materias/rev979/e979_p... )

engenheiro Heitor da Silva Costa
Em 1928, uma comissão de técnicos examinou estudos, projetos e orçamentos. A armação metálica foi substituída por uma estrutura de cimento armado, e a imagem assumiu a forma de uma cruz. Vários materiais foram cogitados para o revestimento da estátua, mas por fim foi escolhida a pedra-sabão, que embora seja um material fraco é extremamente resistente ao tempo e não deforma nem racha com as variações de temperatura.

Em 1931 não se falava outra coisa na cidade e o monumento do Cristo Redentor foi, enfim, inaugurado no dia 12 de outubro de 1931, no alto do Morro do Corcovado. O evento de inauguração teve a presença do cardeal Dom Sebastião Leme, que disse:

"... esta sagrada imagem seja o símbolo do vosso domínio, do vosso amparo, da vossa predileção, da vossa benção que paira sobre o Brasil e sobre os brasileiros...".


Molde da cabeça do Cristo foi parar em leilão, O molde original da cabeça do Cristo Redentor foi arrematado, em agosto de 2001, pela Prefeitura do Rio, em um leilão, por R$ 84 mil. A peça, que serviu de base para a construção do rosto da estátua, foi feita em terracota e mede 70 cm de altura. Sua construção data de 1926 e estava em poder da família de um ex-empresário do setor têxtil.

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Crimes de Homofobia x Falta de cidadania LGBT


Os crimes homofóbicos existem, e são muitos.

O Antropólogo e fundador do Grupo Gay Bahia, Luiz Mott, é conhecido nacional e internacionalmente pelo dedicado trabalho de projetar para a grande mídia o número de crimes de homicídios praticados em decorrência da orientação sexual em que as vítimas são LGBTs.

A primeira grande verdade é que o número indicado pelo Luiz Mott (exemplo de alguém que exerce a cidadania) está longe de representar a realidade, uma vez que o mesmo se baseia, em regra, em notícias que viraram matérias jornalísticas divulgadas pelo país. As que não foram publicadas, dificilmente faz parte da sua relação, e aquelas que chegam ao seu conhecimento, ele mesmo busca junto a militância local informações mais detalhadas, confirmando o dado exposto.

Portanto, a relação indicada pelo Luiz Mott de homicídios que LGBTs foram vítimas, em razão de sua orientação sexual, como ele mesmo sempre esclarece, é bem menor daquilo que expõe. Há neste imenso Brasil inúmeros gays, travestis, transexuais e bissexuais assassinados sem que tenha chegado tal notícia na mídia escrita.

O número de assassinatos homofóbicos assusta! Mas o número de crimes homofóbicos, caso fosse pesquisado, assustaria muito mais!

Entretanto o homicídio não é o único crime praticado, em face de LGBTs, motivado pela discriminação à orientação sexual do ofendido, apesar de ser o mais grave.

Deveria fazer parte da triste e chocante relação, apenas a título de exemplo, aqueles de ofensa a honra (calúnia, injúria e difamação), assim como os crimes sexuais, como o estupro e todas as espécies de lesões corporais, desde que tenham sido, evidentemente, “abonados” pelo criminoso no fato da vítima ser LGBT.

O número de ofensas morais dirigidas aos viados, sapatões, travecas e etc, justificado no ódio e desprezo de preconceituosos não é menos crime homofóbico que aquele crime de homicídio, a diferença repousa apenas na punibilidade imposta pelo Estado. Algumas vezes o ódio foi até maior.

Enquanto o Estado não impor o registro de tais ocorrências, nas delegacias de todo país, inexistirão dados fidedignos e permaneceremos apenas com aquela afirmativa, incontroversa, mas extremamente minimizada, que no Brasil é assassinado um homossexual a cada dois dias, como exemplo da homofobia.

Se de um lado, o Estado merece críticas por colocar debaixo do tapete este crime bárbaro, de outro, os LGBTs também devem fazer uma autocrítica honesta.

Em pleno carnaval ouvi uma amiga relatar um evento criminoso, bastante conhecido, que sofreu seu amigo gay. Ele foi vítima do velho e conhecido “boa noite cinderela”. Quatro sujeitos ingressaram em sua cobertura e fizeram a limpa, deixando a vítima em estado de lamentável com a utilização aleatória de medicamentos.

Todos somos passíveis a sermos vítimas de criminosos e não entra aqui qualquer julgamento sobre a eventual irresponsabilidade ou ingenuidade da vítima. Quando se está diante de um criminoso, experiente e altamente preparado para a aplicação de um golpe, as chances da vítima são reduzidas potencialmente. Evidente que se espera regras de comportamento acautelatórias de uma pessoa média, mas ninguém está livre de um criminoso expert.

Houve o roubo com a subtração de seus bens e violência física, a qual foi descoberta horas depois por amigos, que acionaram imediatamente a polícia.

A polícia fez sua parte. Foi ao local, pegou depoimentos e solicitou a entrega dos vídeos externos de uma empresa vizinha ao local, para identificar a quadrilha. Após os dados colhidos, identificação realizada, solicitou que a vítima fizesse o reconhecimento pelas fotos e ADIVINHE O QUE A VÍTIMA FEZ? Optou afirmar que não lembrava e não possuía certeza, se isentando de qualquer vínculo.

Esta atitude do gay vitimado é COVARDE e EGOISTA, e no meu ponto de vista, criminosa. Outras pessoas serão vítimas dessa quadrilha, até eventualmente com conseqüências fatais, sem que a polícia nada possa fazer, por conta desta falsa declaração.

Todo trabalho dos policiais foi para o lixo. O tempo gasto pelo poder público foi um grande desperdício. Não me causaria espanto, apesar de ser obrigação e não faculdade, que quando outro homossexual fosse realizar ocorrência de crime idêntico com os mesmos policiais, estes o tratasse com a falta de zelo necessário. Um erro não justifica outro, e nem merece aplauso, mas cá entre nós, deve dar um nó no estomago perder tempo com nada, especialmente numa cidade que precisa tanto deste tipo de serviço.

É comum ouvir de gays que não se sentem a vontade para se dirigir a uma delegacia e reclamarem do atendimento prestado, mas não foi a hipótese e ainda que fosse, se trataria de se fazer exigir o pleno exercício de cidadania, mas fica difícil quando não se é cidadão.

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Lena sai do BBB10 e quem perde é a visibilidade dos direitos LGBTs

Elenita Gonçalves Rodrigues, Lena como é conhecida no Big Brother Brasil 10, deixa o programa após disputar com Ana Mara e Lia.

No meu ponto de vista quem mais perdeu foi o programa, mas sem dúvida, os LGBTs também. Foi ela que ali melhor representou os "coloridos", não em decorrência da sua orientação sexual, manifestamente heterossexual, mas porque deu VOZ, inteligência e motivação na luta pelo reconhecimento aos direitos LGBTs.

É raro existir uma pessoa esclarecida e inteligente que aborde o assunto num programa de televisão tão popular. Perdemos Elenita no BBB10, ficamos com o gay moderninho, Serginho, totalmente estereotipista, a tia drag queen Dicesar, o qual não passa credibilidade e gosta de fazer intrigas e por fim, Morango, que apesar de aparentar mais conteúdo entre os três, nem chega aos pés de Lena no quesito direitos lgbts.

Elenita pecou no jogo, não no caráter, jogou mal ao indicar Fernanda para o monstro, pois sem dúvida ela é queridinha do público. Fernanda faz o papel de princesinha loura delicada, e sabe como ninguém explorar esse papel. Fernanda por livre espontânea vontade aceitou pagar o preço no jogo para ser líder, não conseguiu e perdeu para Eliéser, mas se achou com direito e crédito para cobrar ao anjo Elenita de não ser indicada para o monstro. Porque? Foi Lena que a obrigou ficar 19 hs no jogo para o líder? Daria alguma vantagem para alguém, além de si mesma, com eventual vitória? Fernanda durante as madrugadas não cansou de fazer brincadeiras com insinuações sexuais, como todos os demais, inclusive com Cadu, então porque ficou tão sensível e desonrada diante da afirmativa de Elenita que existia uma sedução entre os dois? Elenita não seria Elenita se não despejasse isto na cara de ambos.

A princesinha Fê, que gosta de Dourados da vida e compartilha com ele o mal estar de presenciar dois homens se beijando, foi prestigiada.

Que pena. Para nós a saída da sexy Lena foi uma imensa perda de visibilidade para o debate sobre direitos LGBTs.

Obrigado Elenita por ter participado do Big Brother Brasil 10!
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As vezes, vale mais a pena a defesa dos direitos por um "S", de simpatizante, que um L, um G, um B ou um T!

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Dispara o Termômetro Gay no Carnaval do Rio de Janeiro!

O PODER se chama MONEY!

Não é que a cervejaria brasileira conseguiu que a Madonna vestisse sua camisa?!

Pudera, a foto é auto-explicativa:



Mas foi por uma boa causa, basta ler o favorecido do chequinho...

Agora vamos combinar, Madonna tem tudo a ver com o Rio de Janeiro e o espírito carioquês de ser.

E a Paris Hilton que FICOU LITERALMENTE DE QUATRO?




Paris Hilton subiu ao palco e ao som de "Bad Romance" de Lady Gaga tomou o microfone. "E ai, Brasil! Vocês estão se sentindo sexy esta noite? Claro que estão, né? É a primeira vez que estou aqui no carnaval e vocês sabem que eu gosto muito de festa e está sendo muito divertido! Nosso carnaval vai ser maravilhoso! Vamos dançar!". Também por causa de uma outra cervejaria, da qual ela é garota propaganda.
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Rio de Janeiro + Madonna + Paris Hilton = faz o termometro gay disparar!!!

Mas neste carnaval as celebridades são outras, não menos LGBTs. A beleza natural da cidade do Rio de Janeiro, o sol brilhando, o mar de águas geladas e uma imensidão de corpos MARAVILHOSOS expostos, com muitos sambas, marchinhas e blocos carnavalescos.

O dia, a tarde, a noite e a madrugada são só festas!

sábado, 13 de fevereiro de 2010

Será que os LGBTs nova-iorquinos estão com a razão?



Em termos de exercitar a cidadania e lutar por direitos estamos anos luz de distância dos países desenvolvidos e até de muitos países em desenvolvimento, basta comparar o Brasil com nossos vizinhos. Por isso, apesar das culturas diversificadas, tento observar as diferenças existentes no comportamento dos movimentos LGBTs.


Porque olhar o vizinho ao invés do próprio umbigo? Simples, porque a maioria deles conseguiu obter algum direito no Legislativo, enquanto aqui, ainda que existam projetos, somos surpreendidos apenas com o retrocesso nas novas leis do Congresso Nacional.


Nossas vitórias são as obtidas no Judiciário. Qualquer dia, e falta pouco para isto, não será surpresa se o Congresso Nacional aprovar uma lei da bancada evangélica e católica proibindo de forma expressa e inequívoca, por exemplo, a adoção por casais homossexuais. Quando isto ocorrer até mesmo o Judiciário terá dificuldade de nos conferir tal direito, já que os juízes estão adstritos ao cumprimento da lei, o que pode ensejar um longo tempo necessário para declarar a inconstitucionalidade de normas do gênero.


Diante do fato inaceitável da Militância LGBT nacional não ter conseguido, até hoje, obter uma lei sequer favorável aos LGBTs, fui em busca da atuação dos movimentos internacionais. E, evidente, me dirigi ao site norte americano Advocate, após ler na web a notícia da prisão de quatro militantes LGBTs em Nova Iorque.


Lá, muito mais que aqui, o movimento pega fogo, pois está municiado de cidadãos mais conscientes de seus direitos e também mais estruturados economicamente. No entanto, enfrentam na mesma proporção uma sociedade civil muito mais conservadora e puritana, onde a religião e a maioria dos ideais republicanos encontram adeptos ferozes.


Nos EUA está próximo do período do dia dos namorados e ativistas LGBT do grupo QUEER RISING organizaram uma manifestação levando mais de vinte casais do mesmo sexo para solicitarem licenças para casamento, as quais foram rejeitadas.


Uma lésbica, Natasha Dillon, encabeçou o discurso de manifestação, com quatro manifestantes acorrentados que trancavam a entrada do escritório. Alan Bounville, Jake Goodman, Justin Elzie e Gabriel Yuri Bollag foram presos em razão deste bloqueio da entrada para o gabinete.


Segundo entendi, essa forma de manifestação parece ser nova e tem uma proposta diferente. É que o grupo afirmou descontentamento com os anteriores métodos utilizados na luta pelo casamento do mesmo sexo e disse que seu grupo pretende traçar diferentes estratégias para a luta. A justificativa é simples, estão cansados de seguir a orientação de atuarem com a política de bom moços, até hoje sem sucesso. Alegam ser esta uma estratégia falida.


A idéia agora seria estimular e encorajar as pessoas LGBT e os aliados simpatizantes a passarem para “ação”. Deram um basta a sustentação da luta pelo direito ao casamento pelo voto a uma pessoa e, ainda segundo eles, nem adianta pressionar o governo com ameaça de voto. "Nós temos realmente que fazer muito mais", afirmam eles.


Os comentários apóiam a atitude do grupo, inclusive, há quem lembre que os negros também precisaram agir desta forma para serem reconhecidos nos EUA.


O que vi no vídeo foi um gato pingado de pessoas LGBTs (lembrando até algumas manifestações de ONGs nacionais), e um número igual ou superior da força policial. De qualquer forma, fez barulho na gélida cidade e produziu o efeito esperado pelo grupo, que se disse satisfeito.


Será que os LGBTs nova-iorquinos estão com a razão?


Não sei se a específica estratégia de ação foi boa. Mas já disse e repito aqui, sinto o mesmo que eles, falta “ação”. Já passou da hora do Movimento LGBT deixar de dar e receber tapinhas nas costas de políticos e passar a encabeçar atuações firmes, pragmáticas e organizadas.


Vídeo do protesto pode ser assistido abaixo.






Fonte: http://www.advocate.com/News/Daily_News/2010/02/12/Valentines_Protest_Results_In_Four_Arrests/

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Carnaval do Rio 2010: Eventos gays terão policiamento reforçado

Repasso abaixo o comunicado do Superintendente Cláudio Nascimento da SUPERDir:
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"A Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos (SEAS.DH), através da Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos (SUPERDir) solicitou e foi atendido pela Secretaria de Segurança Pública, através da Subsecretaria de Ensino e Programas de Prevenção, a operacionalização de plano de ação para policiamento preventivo e diferenciado nos eventos e locais de freqüência de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT) no Carnaval da Cidade do Rio de Janeiro, entre os dias 13 e 16 de fevereiro.

O plano de ação para policiamento preventivo e diferenciado nos eventos LGBT tem como objetivo contribuir para a diminuição de atos de violência e discriminação contra os homossexuais provocados por gangues e grupos homofóbicos durante o Carnaval, principalmente no Centro e Zona Sul da Cidade que concentram os bailes e blocos, além das praias. Denúncias feitas a Superintendência e o histórico de carnavais passados demonstram que há necessidade de uma ação direcionada.

A SuperDir terá um plantão 24 horas de recebimento de denúncias e orientação aos LGBT vítimas de homofobia no Rio de Janeiro, como segue abaixo:
Sexta-feira (12/02)
tel. 8311-6534

Sábado (13/02)
tel. 8311-6535

Domingo (14/02)
tel. 8311-6536

Segunda-feira (15/02)
tel. 8311-6537

Terça-feira (16/02)
tel. 8311-6538


Policiais militares e civis estarão orientados e os locais, eventos e arredores de freqüência gay serão reforçados. A orientação é para que todas as vítimas liguem para o plantão e façam registro de ocorrência nas delegacias da discriminação e violência sofridas. Veja abaixo algumas dicas de segurança.

Recomendações para um carnaval mais seguro (Fonte: Grupo Arco-Íris de Cidadania LGBT)

- Fique de olho na sua bebida, não aceite nada de desconhecido. Não largue seu copo ou lata, Você pode ser feito vítima de Boa Noite Cinderela (golpe do doping com pílulas na bebida);

-Procure sair sempre acompanhado e avise aos os amigos caso você saia com alguém desconhecido;

- Leve somente a quantidade de dinheiro necessário. Evite andar com objetos de valor (jóias, relógios, câmeras, etc..).

- Leve apenas a sua identidade, se possível uma cópia. Quanto a documentos perdidos você pode fazer o registro de ocorrência na delegacia de polícia mais próxima.

- Se dirigir não beba. Se beber não dirija. Nesse caso, dê a direção do seu carro para um amigo sóbrio ou vá de taxi.

- Se ouvir provocações ou algo fora da lei, não brigue, não acabe sua folia. Em caso de discriminação e violência em razão de orientação sexual ligue durante o carnaval para o plantão 24 horas de recebimento de denúncias e orientação aos LGBT vítimas de homofobia no Rio de Janeiro e ligue imediatamente para 190 indicando o local e fato;

- Não leve desconhecidos para casa, você pode dormir e acordar sem nada, ou pior nem acordar. Prefira um motel.

- Evite usar drogas, passar o carnaval na “colocação” ao invés de lhe trazer alegria, pode lhe dar uma baita dor de cabeça.

- A polícia está orientada para garantir uma segurança cidadã, respeitando a todos. Faça a sua parte. "

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010

QUAL A ATUAÇÃO DA FRENTE PARLAMENTAR PELA CIDADANIA LGBT JUNTO AO GENERAL RAYMUNDO NONATO DE CERQUEIRA FILHO?

Sabemos que os senadores que compõe a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) aprovaram por UNANIMIDADE o General Raymundo Nonato de Cerqueira Filho na sabatina realizada no Senado Federal, mesmo após o referido General responder publicamente naquela casa, ao ser questionado sobre o tema pelo Senador Demóstenes Torres (DEM-GO), que “as atividades das Forças Armadas "não são adequadas para homossexuais" e que “se ele (militar homossexual) é assim, talvez haja outro ramo de atividade que ele possa desempenhar”.

A aprovação do General Cerqueira Filho para o cargo de Ministro no Superior Tribunal Militar ainda dependerá do plenário do Senado.

O Senador Eduardo Suplicy (que estava presente no momentto da declaração e nada falou), posteriormente, solicitou que o general esclarecesse sobre a questão.

Foi também noticiado que o Senador Demostenes Torres (DEM-TO) pediu que Suplicy entregue o requerimento convidando o general a voltar em outra oportunidade, antes da votação em plenário. No entanto, isto parece que não possui amparo regimental e o Senador Suplicy sugeriu que o esclarecimento fosse realizado por carta.

Na época que o tema ganhou repercussão nacional foi veiculado que o Senador Romeu Tuma defendeu o General, dizendo que ele não pode ser retaliado por ter manifestado uma opinião sincera. Oportunidade na qual, questionei também neste blog, se nós homossexuais também podemos expressar nossa opinião sincera sobre os Senadores e o General sem que sejamos incriminados por crime de injúria?

Hoje, por sua vez, o site terra informa que o general Raymundo Nonato de Cerqueira Filho enviou uma carta à Comissão de Constituição e Justiça do Senado. O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) relata que o general prometeu respeitar a Constituição no exercício do cargo e que Eduardo Azeredo (PSDB-MG), vai ler a carta do general no Senado.

- O Eduardo Azeredo acabou de me ligar para dizer que recebeu a carta. O importante é ele respeitar a Constituição, que assegura que ninguém, por motivo de qualquer natureza, seja discriminado, o que inclui a homossexualidade - diz Suplicy.

Ainda no mesmo site consta a posição adotada pelo Senador Pedro Simon (PMDB-RS) "Ele foi infeliz, né? Não deveria ter se manifestado. Não analisei com profundidade", desconversa.

O ministro da Defesa, Nelson Jobim, tentou minimizar as afirmações. "As declarações do general não influenciarão os debates internos do Ministério da Defesa, e isso não diz respeito ao Superior Tribunal Militar", disse.

Diante de tais informações se vê com clareza o rumo que está tomando a análise da confissão pública de discriminação aos homossexuais sustentada pelo General nas barbas do Senado Federal.

Como afirmei anteriormente, ao se calarem os senadores daquela Comissão de Constituição e Justiça anuíram com a discriminação, então como esperar que estes mesmos senadores da república que aprovaram o general na sabatina cumpram o papel de legislar para que se faça cumprir a Constituição Federal que garante o direito à igualdade, isonomia e da dignidade da pessoa humana?

Os senadores da comissão não só deixaram de agir como se esperava como ainda aprovaram o general.

Apesar dos Congressistas saberem que a Constituição da República não pode ser violada, estão colocando em jogo princípios constitucionais basilares.

Quando envolve cidadãos homossexuais a maioria do Senado Federal não demonstra qualquer cuidado ou manifestação para garantia de direitos, mas e agora que a ofensa é direta a Constituição Federal?

Por situações como estas que digo que acredito na JUSTIÇA, mas não na política, ainda que isto possa parecer contraditório.

A FRENTE PARLAMENTAR PELA CIDADANIA LGBT tem obrigação de agir não só com coerência, mas também com a legalidade esperada.

Localizei apenas algumas considerações da coordenadora da Frente Parlamentar, senadora Fátima Cleide (PT-RO): “-Ele extrapolou sua função e adiantou sua opinião sobre algo que pode vir a julgar”.

Não concordo com a usual 'moeda de troca' praticada pelos políticos nacionais, mas particularmente neste caso, para tolerar a discriminação pública do General, seria o mínimo de respeito com os homossexuais que o Senado Federal demonstrasse que se preocupa, ainda que diminuto, com os direitos constitucionais dos LGBTs e que é contra a discriminação, se comprometendo pela aprovação em plenário do PLC 122/2006 (que criminaliza a homofobia).

A atuação política cabe a Frente Parlamentar, mas a própria sociedade civil e o Movimento LGBT deveriam estar atuando de forma firme neste episódio.

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

Fala que Eu te Escuto – Famoso homossexual afirma em programa evangélico que gays são tristes e solitários


Li esta notíca, no mínimo, estranha.

Primeiro a transcrevo e em seguida faço meus comentários:


"Por Renato Cavallera, em 08 de fevereiro de 2010

O programa “Fala que Eu te Escuto”, ligado a Igreja Universal do Reino de Deus e exibido na TV Record, tratou nas últimas madrugadas sobre o tema “homossexualismo”.

Na última quarta-feira com a presença de Leão Lobo e Amin Kader, o bispo Clodomir Santos, apresentador do programa que é exibido nos finais de noite na Rede Record, atendia telespectadores que davam a sua opinião sobre qual é a maior discriminação sofrida pelos homossexuais: na família, no ambiente de trabalho ou na sociedade.

Entre uma opinião e outra, quando o bispo Clodomir pedia a opinião de Leão Lobo, o artista procurava sempre em defesa aos homossexuais transparecer uma certa segurança quanto a sua orientação sexual, porém o comediante Amin Kader não media palavras e soltava o verbo (muitas vezes quase partindo pra vulgaridade) e admitia que os homossexuais são todos “infelizes” e extremamente “vítimas de discriminação” aqui no Brasil. Amin também afirmou que a parada gay não serve para outra coisa a não ser diversão, que gay não deve adotar filhos e que todos são solitários.

Num dado momento do programa, o apresentador bispo Clodomir, perguntou aos dois convidados, se “um beijo entre homossexuais numa novela” poderia ajudar ou atrapalhar a causa homossexual. Para Leão Lobo, poderia sim ajudar, porque segundo ele a a sociedade seria “moldada” e consequentemente acabaria aceitando a ideia de que os homossexuais podem viver em pé de igualdade com os heterossexuais.

Já para Amin Kader, nem um pai de família estaria disposto a assistir um homem beijando outro homem diante de seus filhos, e o comediante voltou a frisar a “infelicidade” em que vivem os homossexuais. Amin Kader também gritou que se pudesse voltar ao mundo com uma nova vida, com toda a certeza não seria na condição de homossexual.

No final da programação, bispo Clodomir apresentou um texto do bispo Macedo (extraído de seu blog), onde o líder da IURD comenta sobre “o erro cometido por muitos cristãos em discriminar” os homossexuais.

Fonte: Vooz / Gospel+
Via: O Verbo"


Tal artigo me pareceu extremamente tendencioso ou, no mínimo, ingênuo.

Não é a primeira e nem será a última vez que homossexuais ligarão para programas envangélicos como estes para se manifestar, impulsionados por motivações diversas, sejam elas por "zombaria", "revolta", "defesa" e assim por diante.

No caso retratado, apesar de não ter assistido (evidente), Leão Lobo parece que desejou colocar em xeque as prováveis argumentações expostas no programa evangélico e o Amin Kader, por sua vez, expor sua possível revolta com o que teria assistido.

O artigo não faz qualquer referência ao eventual debate e nem o que foi exposto em tal programa, se cingi apenas a comentar que Leão Lobo "procurava sempre em defesa aos homossexuais transparecer uma certa segurança". Transparecer certa segurança?! Enfim, o autor do artigo sugere que Leão Lobo sequer possuía segurança na sua fala.

Já quanto ao Amin Kader tudo indica que a tal coluna pegou pesado, pesadíssimo, desafiando a inteligência e realidade dos fatos. Isto porque, deu a idéia de uma fera enjaulada e raivosa, desequilibrado, que falava impropérios porque simplesmente é infeliz por ser homossexual. Francamente, né?

Volto a insistir, embora não tenha assistido ao programa, tudo leva a crer que Amin Kader apontou o dedo para o bispo que apresentava o programa e (parece) que responsabilizou a discriminação dos evangélicos de tornarem a vida dos homossexuais um inferno. Daí colocar como título do artigo uma pretensa confissão de um homossexual famoso que estaria passando por sofrimento e agonia pelo fato de ser homossexual, isentando toda culpa da religião ali professada e qualquer relação com as idéias que são propostas pelo programa evangélico, parece realmente uma distorção lavada e de extrema-fé. Exceto se quem assistiu, ingenuamente, tenha apenas captado o que lhe interessava.


Fonte:

http://noticias.gospelmais.com.br/fala-que-eu-te-escuto-famoso-homossexual-afirma-em-programa-evangelico-que-gays-sao-tristes-e-solitarios.html

Carnaval Sem Homofobia - Disque Discriminação LGBT - 2a. Parte

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O estado do Rio de Janeiro

Cláudio Nascimento da Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos do Governo do Estado do Rio de Janeiro, em resposta as solicitações realizadas (conforme post anterior), esclareceu que considera muito relevante as questões levantadas e disse estar a disposição para marcar um encontro e explicar os avanços que já vem ocorrendo e os prazos que tiveram que ser reorganizados por causa da tramitação administrativa.

É um direito de todos cidadãos cobrar dos órgãos estatais os compromissos firmados. Nem sempre há sucesso na interpelação, mas neste caso, o diálogo e esclarecimentos foram propostos, o que sem dúvida é positivo e de interesse público.
(acrescento abaixo, em 12/02/10, com os telefones de plantão):
"A SuperDir terá um plantão 24 horas de recebimento de denúncias e orientação aos LGBT vítimas de homofobia no Rio de Janeiro, como segue abaixo:
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Sexta-feira (12/02)
tel. 8311-6534
,
Sábado (13/02)
tel. 8311-6535
,
Domingo (14/02)
tel. 8311-6536
,
Segunda-feira (15/02)
tel. 8311-6537
,
Terça-feira (16/02)
tel. 8311-6538"


O município do Rio de Janeiro

Já em relação ao Município foi esclarecido que qualquer denúncia relativa a prática de homofobia, prevista pela Lei mº 2475 de 12/09/1996, por agentes públicos municipais, estabelecimentos cormecias e industriais deve ser realizada junto a Ouvidoria da Prefeitura ou pelo telefone 3973-3800, de segunda à sexta-feira, das 09h30 às 17h, os quais estão aptos a fazer o encaminhamento ao Comitê de Garantia de Direitos competente para tomar as providências cabíveis à espécie.
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A importância da Denúncia
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O indivíduo LGBT, reclama com razão, sentir-se cidadão de quinta categoria em face do tratamento dispensado pelo Estado.
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Mas até onde não somos tratados da maneira que pedimos para ser?
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Se uma pessoa LGBT se comporta como cidadão de quinta categoria provavelmente será tratado como tal.
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A verdade é que, apesar das leis estaduais e municipais que protegem o cidadão lgbt da discriminação, é raro aquele que se predispõe a realizar uma denúncia. Reclama com todos, até com o sobrinho do filho do porteiro de seu prédio, mas é incapaz de realizar uma ocorrência policial, procurar autoridades públicas administrativas (estadual e municipal) ou mesmo a ajuda de uma ONG local.
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A ofensa a honra é crime e um direito da vítima que se sente ofendida fazer uma ocorrência na delegacia de polícia local.
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Um bar, um hotel, um restaurante lhe trata com manifesta discriminação pelo fato de ser homossexual é imprescindível que seja realizada a denúncia junto a Ouvidoria Municipal e Estadual. Existem sanções administrativas aplicáveis à espécie.
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Sem denúncia NINGUÉM pode fazer nada! Não adianta reclamar da vida ou ostentar o papel de vítima, sem reação.
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Não se sente seguro, possui algum receio, procure uma ONG local, certamente existirão pessoas habilitadas a lhe tirar todas as dúvidas e esclarecer os procedimentos a serem adotados, com todas as cautelas necessárias.

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

O "DISQUE DISCRIMINAÇÃO LGBT" DO ESTADO DO RIO DE JANEIRO É UM MISTÉRIO OU PARA INGLÊS VER!

Hoje gostaria de indicar a leitura de um blog muito inteligente, chama-se "COMER DE MATULA - Cooperação e compromisso" no link http://comerdematula.blogspot.com/.

Quem mora no Rio de Janeiro não pode deixar de ler o seu último post, no qual Rita Colaço, autora do blog, indica todo o caminho das pedras para os cidadãos fluminenses em relação as proteções legais existentes para o cidadão LGBT, e o que fazer em caso de desrespeito.

Apesar dos esforços empreendidos pela Rita, ela ainda não conseguiu desvendar um MISTÉRIO, o local onde consta NO SITE DO GOVERNO ESTADUAL o "disque homofobia" ou "disque discriminação LGBT" anunciada pelo Superintendente Cláudio Nascimento Silva* (antigo ativista do Grupo Arco Iris) em entrevistas na mídia desde o ano passado, o qual responde atualmente pela Superintendência de Direitos Individuais, Coletivos e Difusos.

Esta Superitendência é o órgão responsável pelas questões LGBTs na esfera estadual, a qual se encontra inserida na Secretaria de Estado de Assistência Social e Direitos Humanos - SEASDH que possui como Secretária de Estado a Benedita Souza da Silva Sampaio, conhecida pela população como Benedita da Silva**.

Rita encaminhou um e-mail pessoal para o Superintendente Cláudio Nascimento o qual a respondeu com a transcrição de uma página da estrutura daquela Secretaria, mas não com a indicação do tal DISQUE homofobia (assim denominado pela Secretária Benedita da Silva, quando anunciou em maio de 2008 sua criação para julho do mesmo ano) ou DISQUE cidadania LGBT (por ele próprio).

É notória a posição hiper favorável do nosso Governador Sérgio Cabral, no que toca as questões LGBTs. Nem sempre reconhecido como deveria e merece, conforme já reiterado aqui neste blog. Mas a Secretária Benedita da Silva, de outro partido e evangélica, não sabemos.

É fato incontroverso que a população LGBT não está habituada a realizar denúncias, o que é absolutamente lamentável, mas mesmo aqueles que desejam buscar seus direitos, certamente, terão muita dificuldade no Portal do Governo de encontrar ali algum amparo ou indicação. Na busca do portal se forem solicitadas as palavras "homofobia" ou "LGBT" a resposta será que inexiste qualquer ocorrência.

No entanto, fácil é encontrar o disque denúncia "intolerância religiosa" e "racismo", entre vários outras categorias de minorias.

Também enviei correspondência eletrônica para o Superintendente Cláudio Nascimento solicitando o telefone em questão e ainda não obtive qualquer resposta.

Neste caso, tenho consciência que não devo e nem posso ir reclamar ao Bispo. Imagina se fosse uma situação de emergência!
* (Foto de Claudio Nascimento:
** (Foto: José Meirelles Passos/Agência O Globo)



segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A INTERFERENCIA DA WEB NO JORNALISMO E, CONSEQUENTEMENTE,, NA SOCIEDADE

Apesar de ser autor deste blog, me questiono sobre a importância do jornalismo e as conseqüências que podem ocorrer em razão desta atual disseminação de blogs.

Não sou tão altruísta. Não quero deixar de ser lido e nem visitado, mas tenho alguns receios.

A informação é a principal base da formação de uma pessoa. Através dela se faz a conscientização daquilo que ocorre a nossa volta e, muitas vezes, conduz as transformações sociais que se fazem necessárias.

A informação é algo de extremo valor e deve ser cada vez mais valorizada. Por isso o questionamento.

A empresa jornalística traz notícias e, em regra, os blogs trabalham nas notícias por ela dadas. Até aí, tudo bem, se preservada a fidedignada da informação e as opiniões (e palpites) forem bem delineadas com intuito de se distinguir uma da outra.

Sob esta perspectiva, os blogs e twitter da vida podem até contribuir com a informação, mas tenho receio que estas novas atividades "modernas" estejam interferindo na comunicação em massa, papel principal do jornal.

Se a população se habituar a leitura instantânea, resumida, e comentários de blogs, os quais se dão de forma tão espaça e diluída, como ficará aquele papel tão importante de impulsionar a sociedade para transformações necessárias?

A informação concentrada em alguns veículos jornalísticos viabiliza a distribuição em massa, mas como fica essa massa com a informação distorcida, incompleta e cheia de opiniões, lida apenas por alguns num dos inúmeros e inimagináveis de sites, blogs e etc existentes?

Hoje com twitter é fácil saber o que está ocorrendo agora no Haiti, mas nada se compara a informação advinda de um profissional que se preparou para exercer tal atividade, com a tentativa de passar só a informação e ser imparcial, publicando-a após sua efetiva confirmação.

Parece balela, e pode até ser, mas nossa cultura está se transformando, mesmo aqui no Brasil. Hoje é fato que mesmo numa das formas mais mastigada de “informação” - programas de televisão - as audiências só fazem cair abruptamente. Talvez a substituição se dê através do jornalismo na web, quem sabe... mas até onde os blogs e adjacentes invadiram esse espaço?

Muita informação junta (web) e quase nenhuma consubstanciada seria o caos social, especialmente para a busca do exercício de direitos.

Talvez esteja sendo exagerado e dramático, afinal eu mesmo leio jornal.


imagem extraída do site redesolvaybrasil.ning.com

sábado, 6 de fevereiro de 2010

Senado Federal deixa General discriminar acintosamente homossexuais, mas cria embaraços para aprovação do PLC 122


No Senado Federal um general, Raymundo Nonato de Cerqueira Filho, indicado para cadeira no Superior Tribunal Militar referiu-se aos gays como “indivíduos desse tipo”, discriminou acintosamente os homossexuais brasileiros afirmando que as forças armadas não devem aceitar a presença de gays, sugerindo que procurem outras atividades.

As declarações foram dadas na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, após o General Raymundo ser questionado sobre o tema pelo senador Demóstenes Torres (DEM-GO).

Pelo que entendi a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado APROVOU POR UNANIMIDADE a nomeação do General para o STM, mas agora depende da aprovação do Plenário do Senado. Em razão disto, o Senador Eduardo Suplicy (que estava presente no momentto da declaração e nada falou), posteriormente, solicitou que o general desse esclarecimento sobre a questão, justificando que a discriminação não é cabível diante do que consta a Constituição Federal, a qual o General estaria obrigado a obedecer na atividade a ser exercida no STM.
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O Senador Romeu Tuma defendeu o General, dizendo que que ele não pode ser retaliado por ter manifestado uma opinião sincera. Será que nós também podemos expressar nossa opinião sincera sobre os Senadores e o General sem que sejamos incriminados por crime de injúria?

O que dizer de tudo isto?

Talvez duas coisas:

1 – Ainda hoje possuímos o artigo 225 do Código Penal Militar que afirma ser crime a prática homossexual em locais sujeito a administração militar. O homossexual é taxativamente previsto e discriminado por tal código;

2 – O projeto de lei da Câmara 122 que se encontra no Senado Federal e pretende criminalizar a homofobia está no limbo. O Senado não tem o menor interesse que o projeto seja aprovado e as razões ouvidas são que os homossexuais não precisariam desta “especial” proteção.

Ora, se dentro do Senado Federal um general DISCRIMINA ACINTOSAMENTE os homossexuais perante vários Senadores daquela Comissão, e estes aprovam sua nomeação, o que dizer???

Talvez que convidem o General para se juntar ao Silas Malafaia que foi chamado para audiência pública do PLC 122 em solicitação dos Senadores Magno Malta e Marcelo Crivella.

Ao se calarem os senadores anuíram com a discriminação, então como esperar que estes mesmos senadores da república que aprovaram o general na sabatina cumpram o papel de legislar para que se faça cumprir a Constituição Federal que garante o direito à igualdade, isonomia e da dignidade da pessoa humana?

Os senadores da comissão não só deixaram de agir como se esperava como ainda aprovaram o general.

Agora será a vez do plenário. É importantíssimo acompanhar o desenrolar desta história para verificar a atitude dos Senadores da República diante da manifesta discriminação.

E não é só no Senado que devemos estar atentos. Ontem saiu um artigo do Reinaldo Azevedo analisando o caso do militar homossexual, defendendo, em síntese apertada, que “o sujeito não deve dizer. Mas ninguém tem o direito de perguntar. É tão difícil assim considerar a sexualidade uma questão privada?”

Não, não é, responderia eu ao Reinaldo Azevedo. Mas ninguém também está obrigado a aceitar um tratamento diferenciado ou fazer da sua orientação sexual um segredo, pelo contrário, são direitos. Afinal, um militar heterossexual não está obrigado a não declarar sua orientação sexual e nem de deixar de comentar sobre suas pulsões sexuais. As questões das garantias constitucionais de direito à igualdade e a dignidade deveriam anteceder a lógica utilizada pelo Reinaldo Azevedo, antes da pergunta por ele formulada.
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A triste declaração fere a Constituição ao ofender o princípio da isonomia, que pressupõe tratamento com igualdade e liberdade na escolha da orientação sexual.

Aliás, foi essa a lógica do Reinaldo Azevedo foi a mesma utilizada nas respostas dos dois militares aspirantes ao Superior Tribunal Militar.

Em qualquer atividade, seja qual for, pública ou privada, militar ou civil, o que se espera é que o desempenho seja aquele proposto, com a competência e eficácia confiada.

A tarefa sempre tem que ser cumprida exatamente como se espera. Não importa a orientação sexual. No entanto, sem puxar a sardinha para o lado dos LGBTs, na realidade, por força da discriminação existente, cheio de humilhações, piadas e tantos outros obstáculos sociais sofridos, sempre cheio de preconceitos, para conquistar o respeito nas atividades comuns aos heterossexuais, muitos deles se vêem obrigados a superar a qualidade dos heterossexuais. Isto provavelmente não seria diferente no exército que possui suas próprias regras disciplinares e punições, portanto, são balelas os argumentos daqueles que desejam manter a discriminação, sob justificativa que homossexuais não podem ter o direito a igualdade de tratamento, precisando esconder sua orientação sexual.

A verdade é que este fato deveria chamar atenção não só do Movimento LGBT, mas também dos Poderes Executivo, Legislativo e Judiciário, pois princípios constitucionais estão em jogo. Que sejam cumpridos ou que se rasgue a constituição!

Foto: Agência Senado

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