O presente blog se propõe a reflexão sobre os Direitos Humanos nas suas mais diversas manifestações e algumas amenidades.


segunda-feira, 2 de agosto de 2010

GRUPO ARCO-IRIS no Rio de Janeiro e a ASSOCIAÇÃO DA PARADA DO ORGULHO GLBT de SÃO PAULO expõem profunda crise e seus Fundadores são chamados


O dia primeiro de agosto de 2010 é um dia para ser marcado pela história LGBT como o ‘dia da crise’ em duas ONGS de grande expressão nacional.

A coincidência não está somente na exposição pública da briga interna que ocorre nestas duas instituições. Ambas ocorrem em período pré-eleitoral, com sinais de cooptação e aparelhamento governamentais e também nas duas os seus FUNDADORES são chamados para colocar ordem no poleiro.

Nada daquilo que está acontecendo é à toa. Há claros sinais de interesses por trás. É a luta pelo PODER orquestrada por aqueles que se ‘sentem’ caciques imprescindíveis, mas que na realidade, antes de serem militantes LGBTs defendem suas intenções políticas partidárias. A causa LGBT está em segundo plano e quem perde somos todos nós.

Não entendeu? Serei mais claro.

Razões não faltariam para o levante de militantes lgbt, com críticas construtivas, junto a essas duas importantes instituições do Rio de Janeiro e São Paulo. Torná-las ainda mais efetivas e com participação popular, seriam as principais razões.

Mas essa crise foi instalada diante das atuais presidências das duas associações por aparente interesse político. Se der certo as intenções daqueles que estão tentando intervir e alterar as duas Organizações Não Governamentais, estas provavelmente continuariam encasteladas e passariam a ser não governamentais só de fachada, já que ‘os cabeças’ dessas orquestrações são indivíduos ligados diretamente ao governo estadual e federal e a partidos políticos, não por coincidência. Em São Paulo não há sequer camuflagem destes possíveis orquestradores, no Rio de Janeiro já não é assim tão escancarado...

Não entro em discussão se a presidência dessas duas organizações devem ser alvo de críticas, destituição ou renovação, se for o caso. Nem se discute tampouco que a melhor forma de justiça é aquela exercida democraticamente, com a manifestação direta de todos os reais interessados. Mas pior que aqueles que se assumem como maquiavélicos e autoritários são os que assim o são com aparência de democratas, apenas aparentemente professando a democracia com convicção, para atingir o objetivo desejado. É disto que estou falando e é essa a suspeita levantada.

A politicagem, no sentido literal da palavra, chegou a um ponto que aqueles que FUNDARAM o Grupo Arco-Íris e a Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (responsável pela Parada Gay de São Paulo) foram chamados as falas, a fim de recolocarem no trilho algo que foi iniciado, idealizado e realizado por eles. Ainda há esperanças.

Não estou aqui questionando as presidências atuais e nem a militância LGBT das duas cidades que as disputam. Há sempre aqueles de boa-fé que lutam por aquilo que acreditam, mas infelizmente muitos deles são fáceis de serem conduzidos pelo poder dos lobos políticos lgbt.

A única esperança que possuo do resgate ideológico é essa justa intervenção dos FUNDADORES destas ONGs.

Apesar da localidade destas duas associações, elas moralmente ‘pertencem’ também a todos os cidadãos lgbts do Brasil, assim como o Grupo Gay Bahia e ABGLT. A última palavra pode ser daqueles que tem direito a voto (o que eles defendem com unhas e dentes para manter o pseudo poder), mas NADA o que ocorre com elas passará despercebido. Cabe a todos nós fazer pressão para que cariocas e paulistas intercedam por nós nesse rebuliço tão estranho e desagradável, exigindo transparência, ampla discussão e justiça, sem os quais quem perde, como já dito, somos nós.

Para você entender melhor o que está em discussão transcreverei aqui o MANIFESTO no Rio de Janeiro e a MATÉRIA constante no blog do jornalista André Fischer, em São Paulo:
1- Grupo Arco-Íris - RIO DE JANEIRO
EM DEFESA DA ÉTICA E DA DEMOCRACIA NO MOVIMENTO LGBT

Nós, fundadores do Grupo Arco-Íris de Conscientização Homossexual – GAI, abaixo assinados, reunidos à Rua Zeferino de Faria 40/302, Recreio dos Bandeirantes, Rio de Janeiro (RJ), aos 27 dias do mês de julho de 2010, manifestamos publicamente a nossa estranheza diante da convocação, por dez membros do GAI, de Assembléia Geral para o dia 07 de agosto próximo, com a finalidade de destituição da atual diretoria.

Uma medida drástica como a que está sendo proposta não pode ser tomada sem motivos muito fortes e ainda assim precedida de um debate democrático e transparente. Até o momento em que se prove o contrário, a atual diretoria do Grupo Arco-Íris é merecedora da confiança da comunidade LGBT do Rio de Janeiro. Não é cabível que no interior de uma organização dedicada à luta pelos direitos humanos e contra a opressão, pessoas sejam cassadas sem direito à ampla defesa como na época da ditadura militar.

Acreditamos ainda que a ocasião exija de nós a firme defesa da autonomia e da independência do movimento LGBT e demais movimentos sociais em relação a partidos políticos, governos de qualquer nível e ao Estado de uma forma geral. Por essa razão vemos com grande preocupação a crescente partidarização de algumas lideranças e militantes, inclusive com a utilização de estruturas do aparato estatal para influir nos rumos políticos do movimento e suas organizações. Que fique claro que queremos o apoio de todos os partidos e governos para as nossas justas reivindicações, o que não aceitamos é a prática do atrelamento e do aparelhamento, característica de visões políticas anacrônicas e totalitárias que não encontram mais espaço hoje em uma sociedade livre e democrática.
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Assinam este manifesto: Antonio Carlos Barros de Freitas, Augusto José de Abreu Andrade, John Martin McCarthy, Jorge Luis Rodrigues (Caê), José Carlos Ferreira Vieira, Luiz Carlos Barros de Freitas, Marcos Lúcio Pinto, Pedro Toste Coelho Filho, Silvio de Jesus Andrade e Theobaldo Nonato Pereira Lima.
Importante: Em anexo, o manifesto e suas respectivas assinaturas originais."

2 - Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo, por André Fischer
"Momento histórico com pitada non sense
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Cerca de 80 pessoas compareceram na noite desta sexta-feira à sede da Associação da Parada do Orgulho GLBT de São Paulo (APOGLBT), na Praça Da República. Segundo Xande Santos, atual presidente (APOGLBT), a sede da ONG nunca recebeu tantas pessoas. “Nem em dia de Parada” segundo ele.O motivo da presença recorde foi a convocação de eleições em meio a um clima de desavenças internas na entidade e após os graves problemas da última Parada (ausência da comunidade gay, briga com principal patrocinador e a Parada em si que acabou antes do público chegar).
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Logo no começo da reunião Xande anunciou que não havia nenhum associado em dia com a instituição (e portanto ninguém apto a votar), que não havia chapas formadas e propôs anistia a todos os inadimplentes para que a eleição pudesse ter quórum. Após alguns protestos foi reconhecido que a Associação nunca enviou boletos de cobrança ou informe aos seus associados em todo esse tempo. Na eleição passada, há dois anos, havia apenas 18 pessoas capacitadas a votar.Lula Ramires, do grupo Corsa, propôs que fosse aberto novo período de cadastramento de associados e que novas eleições ocorressem em seis meses, período mínimo exigido pelo estatuto da organização para que um associado tenha direito a voto. A partir daí estabeleceu-se uma acirrada disputa.
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O lado non sense do encontro ficou por conta do microfone usado por todos a cada fala. O detalhe é que o microfone não estava ligado a qualquer aparato de som, e não servia para que os que não conseguiram entrar na sala ouvissem o que estava sendo dito. Era apenas para captação pela câmera que estaria documentando o encontro- vídeo encomendado pelo empresário Douglas Drumond. Apesar da bizarria da cena, de uma certa maneira serviu para dar ordem ao encontro, que prometia barraco em seu início.
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Douglas, que anunciou candidatura à presidência da APOGLBT, sugeriu que todos os presentes votassem, sendo associados ou não. Foi colocada a impossibilidade legal desta via.Julian Rodrigues, também do Corsa, chegou a propor que o mercado se mantivesse fora da Parada, que ela fosse exclusiva da militância, sugerindo que empresas do segmento devessem ser excluídas definitivamente do movimento.Vinte e quatro falas e duas horas depois do começo da reunião chegou-se ao consenso de que o conselho de fundadores da associação deveria se reunir. O conselho de fundadores da Associação é formado por 11 pessoas, sendo que Beto de Jesus, por estar sendo processado pela Associação, não pode votar. Apenas quatro estavam presentes. E são esses fundadores que se reunirão nos próximos 15 dias para formar um comitê eleitoral e convocar novas eleições 30 dias depois. Estima-se que as novas eleições devam acontecer até final de setembro, logo após a prestação de contas da atual diretoria.
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Até lá permanece a atual diretoria.
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‘Momento histórico’ foi termo usado por diversos participantes, já que abre a possibilidade de uma reestruturação mais do que necessária na APOGLBT, que tem sofrido de falta de uma crônica falta de representatividade e se afastado cada vez mais da comunidade lgbt de São Paulo.
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*Eu, que tentei várias vezes me associar e nunca consegui, descobri apenas durante a reunião que já sou associado e que serei anistiado pela inadimplência (mesmo tendo tentado pagar algumas vezes), portanto terei direito a voto.
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É fundamental que quem se interessa pela questões da equiparação de direitos, acredita que a Parada pertença à comunidade lgbt e que ela vem perdendo sua importância devido à gestão equivocada do pequeno grupo que se encastelou na sua direção, participe.
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Associe-se, participe das reuniões. Mesmo que as mudanças não aconteçam agora, precisamos reverter esse quadro e construir uma Associação da Parada que possa ser o grupo de militância lgbt representativo que Sâo Paulo, que tem a maior Parada Gay do mundo, até hoje não teve."
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A melhor mensagem fica por conta das últimas palavras do André Fischer, em seu blog, que reitero e insisto aqui para cariocas e paulistas: "Associe-se, participe das reuniões. Mesmo que as mudanças não aconteçam agora, precisamos reverter esse quadro e construir uma Associação ... que possa ser um grupo de militância lgbt representativo" , que até hoje não somos.
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Fonte:

3 comentários:

Marcos Lúcio disse...

Prezado Carlos Alexandre...sou um dos assinantes deste manifesto e gostaria que você entrasse em contato comigo para esclarecer algo que está gerando problema agora...não exatamente comigo.Por gentileza,marquei meu e-mail para você utililizá-lo enviando o seu endereço para que eu possa explicar melhor a questão. Agradeço sua atenção e aguardo retorno o mais breve possível.Obrigado.Abraço do Marcos Lúcio

Theo Lima disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Theo Lima disse...

Prezado Carlos Alexandre Neves Lima:
Venho esclarecer, que eu: Theobaldo Nonato Pereira Lima, jamais fui fundador do grupo Arco-Íris e meu nome consta nessa lista por puro equívoco. Pois pensei estar assinando uma manifestação de apoio a uma minoria. NUNCA FUI IDEALIZADOR NEM FUNDADOR DE NENHUM GRUPO GAY OU GLSBT. "Sou simpático e respeitador de todas as minorias sem exceção. Sou a favor da liberdade e do direito de cada um buscar sua felicidade e uma vida digna no exercício pleno da sua cidadania com seus direitos e deveres". Fui a algumas raras reuniões e ponto. Volto a deixar claro que jamais fundei ou participei da fundação de nenhum grupo Arco-Íris. E muito feliz eu ficaria se meu nome fosse retirado dessa lista que tem me trazido problemas injustamente.
Desde já, agradeço profundamente sua atenção.
Theobaldo Nonato Pereira Lima

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