O presente blog se propõe a reflexão sobre os Direitos Humanos nas suas mais diversas manifestações e algumas amenidades.


quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Humor tem limite e o limite é o mínimo de respeito!


'Ridendo castigat mores', como diziam os romanos; ou seja, rindo, corrigem-se os costumes. Os humoristas apontam incessantemente os equívocos da vida social por meio da sátira. Portanto, em regra, humor é saudável e faz bem.

Terça-feira, 10, seis novos e famosos comediantes, Bruno Mazzeo, Leandro Hassum, Marcelo Adnet, Flávia Garrafa, Dadá Coelho e Dani Calabresa fizeram um debate no Programa do Jô, em comemoração a 10 anos do programa na rede globo. E logo de cara, servindo-se do filme Bruno como exemplo, foram quase unânimes no sentido de afirmarem que HUMOR TEM LIMITE.

Tem limite sim, e alguns comediantes apelativos e decadentes deveriam ser mais que advertidos deste limite.

No mesmo dia que do debate dos humoristas no Programa do Jô Soares foi ao ar, na mesma emissora, poucas horas antes, o Programa Casseta e Planeta - Urgente, a título de comédia, apresentou um quadro "Plantão Casseta e Planeta" se referindo AO PRIMEIRO CASAMENTO GAY NA ARGENTINA. Além da personificação afetada dos dois personagens, o casal de homens que adotou um filho se autodenomina como “madre” (mães). O filho no berço era um homem adulto e quando indagado se não estaria grande demais para dar banho à resposta que não é grande, mas enorme, sugerindo se referirem ao órgão genital. Por fim, por conta disto, os dois homens gays, casados e adotantes, demonstram entusiasmo e querem dar um novo banho no filho, insinuando uma fantasia sexual.

Piada” escrota. Qual a crítica social construtiva e risível na pseudo piada?

Diante da grande luta e desafio herculano no Brasil de gays obterem o direito a união civil, assim como para casais homossexuais que desejam adotar crianças esse tipo de piada do Casseta e Planeta só faz constranger e desrespeitar todos os lgbts, inspirando-lhes a pecha de abusadores sexuais portadores de uma certidão de casamento.

Qual a graça? Qual a crítica social? Que gays não podem se casar e nem adotar crianças? Enfim, estão querendo dizer que pela lei os gays não deveriam ser tratados com igualdade? Que homossexuais não têm direito a honra e dignidade e que deles não só se pode, mas se deve rir? Fiquei mais que irritado, na verdade, me senti ofendido com a graça pretendida.

Sabemos que esse triste privilégio não pertence apenas ao Casseta e Planeta. Outro dia li no noticiário que Miguel Falabella ficou indignado com a humorista Vanessa Barzan “Pânico na TV”, conhecida como “Mulher arroto”, ter tentado aplicar a pegadinha do arroto na atriz Laura Cardoso, de 82 anos, no lançamento da biografia de Gloria Pires. Miguel Falabella afirmou que “O Brasil precisa mostrar repúdio a esse tipo de coisa. Tudo tem limite”. Ele.tem toda razão, que coisa grotesca e desrespeitosa!

Não se pode permitir, por ser intolerável, este humorismo deselegante, ofensivo e vulgarizante que, mesmo nem sempre atentando contra a honra, diretamente, ofende a dignidade das pessoas, causando constrangimento, sofrimento e dor.

Sei que acabo me repetindo, mas não dá para deixar de lembrar que não se constata nestes mesmos programas dito humorísticos A RIDICULARIZAÇÃO de indivíduos negros, por serem negros, ou judeus, apenas por serem judeus. Faça esse tipo de “piada” expondo uma violência a uma criança, apenas com intuito de fazer graça e veja o que resultaria... O tratamento deste tipo de piadista é diferente com os homossexuais, não há o mínimo de respeito. Eles sequer se preocupam se ofende, e a razão disto é simples, o Poder Público que fiscaliza as concessões televisivas também não.

Apesar disto, é direito fundamental dos homossexuais, enquanto cidadãos, o mesmo direito de todos os demais cidadãos brasileiros. O direito a honra e a dignidade são princípios basilares da constituição federal que são priorizados, inclusive, ao direito a livre expressão.

A Carta Política recepcionou expressamente a idéia da responsabilidade civil por danos morais. Ademais, em seu art.5º, inciso X, dispõe de forma inequívoca que "são invioláveis a intimidade, a vida privada, a honra e a imagem das pessoas, assegurando o direito a indenização pelo dano material ou moral decorrente de sua violação." O animus narrandi, a liberdade de expressão, de informação e de criação, consagrados no texto constitucional (art.5º, IX e 220), não se prestam a proteger vinculações ofensivas à honra, à imagem e à boa conduta das pessoas.

E quando a piada deixa de ser uma crítica social através do riso e se transforma numa violenta arma dirigida contra os direitos humanos.

Um comentário:

Rick & Jack disse...

Eu que não caio nesses programas que a globo faz que nem o profissão reporter sobre homossexuais ou uma veja com gays brancos e de classe media-alta felizes na capa. (foi na mesma semana até)

Os meios de comunicação são um desserviço aos homossexuais.

Falta fiscalização para essas concessões públicas sim. Mas ninguém tem coragem de mexer nesse vespeiro.

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