O presente blog se propõe a reflexão sobre os Direitos Humanos nas suas mais diversas manifestações e algumas amenidades.


domingo, 25 de julho de 2010

"A briga pelo voto evangélico"

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Dilma Rousseff em encontro neste sábado em Brasília.
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Hoje irei postar - nada menos - que o inteiro teor de uma postagem de um blog evangélico: “Blog Casa de Levi”.

Infelizmente, nele vemos relatado uma triste e indecente realidade. A briga dos candidatos não é pelo voto LGBT, mas sim pelo voto evangélico.

Nesta briga, para os candidatos conquistarem o que desejam, os votos evangélicos, fazem um velho sinal conhecido por todos que se traduz, educadamente, num “danem-se” os lgbts.
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Até o Presidente Lula é mencionado, no caso, intervindo pela Dilma para conquistar a Igreja Católica. "Nomeou seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, um ex-seminarista, para aproximar a petista da Igreja Católica."

Segue a matéria do referido blog, que nos dá a dimensão da realidade que vivemos neste período pré-eleitoral:
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"A briga pelo voto evangélico
Por Mariana Dias e Adriana Caitano

Os candidatos à Presidência estão de olho no voto dos evangélicos. Não por acaso. Juntos, os evangélicos representam cerca de 25% do eleitorado brasileiro, que é de 135 milhões de pessoas. Ou seja, uma massa de 33 milhões de eleitores.

Na corrida por essa encorpada fatia do eleitorado, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) estão na frente. Eles brigam ferozmente pelo apoio das gigantes Assembleia de Deus e Igreja Universal. Ironicamente, a candidata do PV, Marina Silva, única evangélica da disputa, é quem tem mais dificuldades para costurar apoios com uma das frentes religiosas.

O maior imbróglio está na Assembleia de Deus. A igreja é dividida em duas partes – a Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil (Ministério de Madureira) e a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB). No total, a instituição conta com 16 milhões de seguidores, sendo que a corrente majoritária, a CGABD, liderada pelo pastor José Wellington Bezerra da Costa, conta com 10 milhões. Neste campo, é o tucano José Serra quem tem vantagem, já que é amigo do pastor e contou com seu apoio no segundo turno das eleições de 2002.

De acordo com o presidente do Conselho de Comunicação da CGADB, pastor Mesquita, a Assembleia de Deus “não apoia nenhum candidato oficialmente”. Ele afirma que a ala majoritária “demonstra apoio a José Serra e proximidade com ele”. “Há uma resistência da CGADB a Dilma Rousseff, que é muito progressista e liberal em assuntos como aborto e casamento gay. Não negamos direitos a niguém. Eles [os homossexuais] têm direito de fazer o que quiserem, mas não absorvemos essas ideias e somos totalmente contrários a elas”.

A outra ala da Assembleia de Deus, conhecida como Ministério Madureira, conta com 6 milhões de seguidores e está com Dilma. Neste sábado, o deputado federal Pastor Manoel Ferreira (PR-RJ), líder da convenção nacional, organizou um evento em Brasília com fieis de diversas igrejas evangélicas para apoiar a petista, como Assembleia de Deus, Sara Nossa Terra e Igreja Universal do Reino de Deus. Segundo o deputado-pastor, o apoio à ex-ministra foi negociado e eles teriam recebido a promessa de Dilma de que um eventual governo petista deixaria questões polêmicas como a legalização do aborto e a união civil entre homossexuais para serem discutidas apenas pelo Congresso.

A escolha de Marina – Enquanto isso, a candidata do PV à Presidência, Marina Silva, não encontra apoio oficial nem mesmo na igreja à qual pertence. A verde é da Assembleia de Deus desde 1997 e, segundo a CGADB, “a igreja deveria ter amadurecimento para anunciar um apoio oficial a Marina”. Segundo representantes da convenção, a igreja poderia exigir dela um governo norteado pelos “ensinamentos cristãos”. Mas não foi isso que aconteceu.

A assessoria de Marina Silva, por sua vez, afirma que a candidata defende um estado laico e não discrimina a fé. “Marina reconhece que os evangélicos são um público a quem ela deve atenção por fazer parte dele, mas não faz um direcionamento específico para nenhum grupo religioso”.

Universal e a confusão de Dilma – A ex-ministra ganhou – mais uma vez – uma herança do governo Lula: o apoio da Igreja Universal. Com 13 milhões de fieis, a instituição apoiou Lula em 2002 e 2006. Um dos elos de Dilma com a igreja é o senador Marcelo Crivella (PRB-RJ) que, de acordo com sua assessoria, tem uma amizade “antiga e pública” com o presidente Lula. Além disso, quando defende a ideia de que o aborto deve ser tratado como questão de saúde pública, e não rejeitado por princípio, a candidata petista não se choca frontalmente com os preceitos do líder da Universal, o pastor Edir Macedo, que se diz favorável à prática em diversas situações.

Essa não é, obviamente, a posição da Igreja Católica. Nesta semana, o bispo de Guarulhos (SP), dom Luiz Gonzaga Bergonzini, defendeu o boicote à candidatura de Dilma por considerar que o PT é a favor da interrupção da gravidez. Para tentar resolver esse impasse, Lula interveio: nomeou seu chefe de gabinete, Gilberto Carvalho, um ex-seminarista, para aproximar a petista da Igreja Católica."
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Fonte:
Foto: Roberto Stuckert

6 comentários:

Papai Gay disse...

Ou seja, estmaos fudidos por todos os lados. TRISTE!

Carlos Alexandre Neves Lima disse...

Papai Gay,

Por enquanto, sim.

Digo por enquanto porque espero que o Movimento LGBT reaja de forma revolucionária, ou seja, estabeleça pontualmente um movimento de revolta contra este poder estabelecido, visando a promover mudanças profundas nestas instituições políticas, que denigrem seus princípios e, principalmente, não têm receio de negar os direitos de lgbts e nem de agirem contra a Constituição Federal do Brasil.

Abraço
Carlos Alexandre

Fabrício disse...

o jogo politico é nojento mas estrategico, pois se houvesse o minimo de união lgbt, vamos supor que conseguissemos 4% do eleitorado geral, teriamos força para exigir os nossos direitos, da mesma forma que os evangelicos fazem.
abraços

Carlos Alexandre Neves Lima disse...

Fabrício,

Concordo contigo. Aí reside a minha esperança.

O que falta aos lgbts é exatamente INFORMAÇÃO e CONSCIENTIZAÇÃO.

Quando todos estiverem realmente informados e cientes daquilo que podem fazer, quando a Parada Gay não for apenas um rave ao ar livre e nem mero dia de pegação, tudo poderá mudar.

Lembro que na Argentina os católicos e evangélicos organizaram um evento no dia da votação no Senado e quem compareceu em massa foram os LGBTs argentinos, ficando lá no gelo que endurecia os dedos até o final da sessão, quando foi aprovado o casamento gay. Eles colocaram os religiosos para correr.

Falta isto aqui.
Abs,
Carlos Alexandre

Sil disse...

o movimento gay é desorganizado aqui. Não temos número para eleger, mas podemos ser o voto decisivo em uma eleição apertada. Mas teríamos que nos posicionar e fazer pressão como gente grande. E nos unir também. Os evangélicos vivem fazendo demonstração de força e eu duvido muito desses números que eles apresentam. Creio que são, como todo o resto que essa gente diz, pura mentira. Mas enfim, são o voto disputado porque de cabresto.
Por enquanto, vou, infelizmente e pela primeira vez, anulando meu voto.

James Figueiredo disse...

É, sou obrigado a concordar com o Papai Gay - Mas acho que, dado o cenário atual, o nosso melhor caminho em direção à conquista dos nossos direitos civis é votar MUITO conscientemente nos deputados e senadores que serão, em última análise, os responsáveis pelos avanços no Congresso.

E, sim, noss público LGBT é muito disperso e desorganizado, e sofre, num grau ainda mais elevado, daquele mal comum ao brasileiro, de achar que política não tem nada a ver com ele.

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