O presente blog se propõe a reflexão sobre os Direitos Humanos nas suas mais diversas manifestações e algumas amenidades.


segunda-feira, 21 de junho de 2010

Dunga: O desrespeito como exemplo para torcedores e jogadores brasileiros

O Brasil ganhou gostoso da Costa de Marfim. Do tipo que, no final do jogo, a única coisa que cabia é perguntar: foi bom para você, como foi para mim?

Costa do Marfim pegou pesado, jogou no desespero e tentou prevalecer pela força física.

Nossos jogadores estavam com razão de reclamar da arbitragem.

Mas o que isto tem a ver com meu blog? A injustiça tem tudo a ver.

Ontem, apesar do bom jogo, nunca tinha assistido um Kaká tão exaltado.

Kaká, evangélico e com a reconhecida imagem de “bom moço” era outra pessoa. Xingou, gritou palavrões e até deu uma cotovelada no peito do farsante e agressivo jogador da Costa Marfim, que fez de conta que levou um soco no rosto.

Óbvio que Kaká tinha todos os motivos de ira. Os jogadores da Costa de Marfim, sem dúvida, justificavam sua transparente raiva.

Os comentaristas da Rede Globo, bem antes do incidente que o levou a receber o cartão vermelho, já anunciavam a necessidade premente do Técnico Dunga retirá-lo do jogo, a fim de não levar um cartão. Era um fato já previamente anunciado que isto iria ocorrer, pois o Kaká não controlava mais suas emoções e destemperos. Dunga não enxergou o que os comentaristas profetizavam e Kaká foi expulso com cartão vermelho.


Kaká não tinha mais como se controlar, os jogadores da Costa de Marfim colocaram lenha no fogo e o juiz da partida foi omisso.

Mas vamos combinar que Kaká é um jogador com vastíssima experiência e já foi provocado inúmeras vezes anteriores por outros jogadores adversários. O que mudou?

Acho que a resposta vem de cima, do técnico Dunga.

Tudo bem que na hora do jogo, com ânimos acirrados, diante de evidente injustiça, Dunga chame o juiz literalmente de ladrão, xingue, reclame e fale o que venha pela cabeça. Mas o que assistimos ontem, na entrevista coletiva a imprensa nacional e internacional, foi diferente.

A falta de respeito imperou.



Não há justificativa para a falta de respeito do Dunga que, parece estar se espelhando na arrogância de outro técnico, Maradona, resolveu, sem qualquer temor, sair xingando e ofendendo publicamente um jornalista.

A FIFA já foi questionada e Dunga pode ser punido por xingar árbitro francês Stephane Lannoy e o atacante da Costa do Marfim Didier Drogba, além dos palavrões dirigidos para jornalista. A questão foi levantada por conta da sanção dada pela Fifa a Diego Maradona, técnico da Argentina. Após o jogo diante do Uruguai, ainda pelas eliminatórias da Copa do Mundo, o treinador xingou os jornalistas e recebeu uma pesada punição. Na ocasião, além de ter sido impedido de acompanhar o sorteio dos grupos do Mundial da África do Sul, o Pibe foi suspenso por dois meses e obrigado a pagar R$ 42 mil de multa.

Aliás, farei um parênteses aqui para falar de Maradona. Tenho nojo do Maradona quando ele solta arrogantemente piadinhas desrespeitosas contra outros técnicos e jogadores que não são argentinos, em especial contra brasileiros. O time da Argentina possui excelentes jogadores e até, afirmam, um dos melhores jogadores desta Copa. Mas Maradona como técnico é, por unanimidade, uma lástima, no máximo medíocre, segundo comentários daqueles que realmente entendem de técnica e tática de jogo. A sorte da Argentina são seus jogadores.

Pois então, nosso técnico Dunga, parece que resolveu seguir a trilha de Maradona e 'dar um piti' para câmeras internacionais.

Dunga em entrevista coletiva, sabendo que estava sendo filmado por todos, xingou de cagão, burro e besta o jornalista Alex Escobar e depois o continuou xingando por inúmeros palavrões que sequer foram transcritos. Isto mostra quem é que está dirigindo nossa seleção!

Dunga ainda soltou a pérola: “Tem que ser macho! Tem que falar aqui na minha cara!”

Dunga se acha macho, certamente. Atrás dessa afirmativa está uma cultura de desprezo e francamente violenta.

Imputo a surpreendente conduta destemperada de Kaká, que acabou levando cartão vermelho, de responsabilidade do técnico Dunda. Seja por modelo ou por se tratar de lição dada pelo técnico desequilibrado emocionalmente.

Dunga colocou as fichas em Kaká e este acabou refletindo a postura de Dunga em campo.

Quem perde somos nós. A expulsão de Kaká e a impossibilidade de jogar contra Portugal fará diferença para a seleção brasileira. Portugal 7 x 0 contra Coreia do Norte, quando nós fizemos sofríveis 2 x 1.

Como disse Sidney Rezende, “o equilíbrio emocional é tudo o que nossos jogadores precisam nesta fase que virá”. Será possível este equilíbrio com um técnico que mostra sua cara publicamente para o mundo ofendendo e xingando palavrões, de forma absolutamente vil, um jornalista em entrevista coletiva?

Se age assim publicamente, como será o direcionamento deste técnico entre quatro paredes para os jogadores. Acho que a conduta inesperada de Kaká, mesmo que motivada, é puro reflexo do Técnico que temos.

Não consigo deixar de lembrar algumas das motivações de Dunga para não convocar alguns dos nossos melhores jogadores: disciplina e respeito. Que autoridade tem Dunga para falar em disciplina e respeito? O que é bom para ele deveria ser para todos.

Torço para que o jornalista Alex Escobar, após a Copa, faça o que qualquer cidadão em caso idêntico teria direito, ingresse com ação criminal e cível por danos morais contra esse técnico que parece sofrer de séria instabilidade emocional e que também nos envergonhou publicamente na coletiva.

Dunga, com sua atitude francamente desrespeitosa, sem qualquer temor de praticá-la, mostrou o exemplo de todo o desrespeito que sofremos por pessoas semelhantes a ele e ainda serviu de modelo para quem não costuma adotar esse comportamento, contaminando pessoas como o jogador Kaká.

Enquanto não houver consciência pública e coletiva do dever de respeitar o outro, não conseguiremos nunca fazer que todos os cidadãos e políticos entendam sobre aquilo que tanto reclamamos. Um fato como este público, não deveria jamais ser amenizado, como se nada houvesse ocorrido.

Torço para que os brasileiros se rebelem contra toda agressão e desrespeito. Só assim terei real esperança que a insistente súplica de respeito pelos LGBTs seja entendida e finalmente reconhecida.

Fotos: site Globo

5 comentários:

Junnior disse...

O destempero de Dunga é fato, mas é proporcional à prepotência de jornalistas da Globo acostumados aos privilégios e aos tratamentos diferenciados. O próprio Tadeu Schmidt, do Fantástico, confessou que o jornalista - o que teria irritado o Dunga - estava falando ao telefone com ele no momento em que levou a rata do Dunga. Vamos combinar que falar ao telefone na sala de imprensa, durante a entrevista e na cara do entrevistado é também um ato de desrespeito. Ainda mais partindo de um jornalista experiente, como o é o Sr. Escobar. Que saísse da sala, como qualquer pessoa educada teria feito.
O Dunga está nervoso e poderia ser mais paciente, sim, mas está vivendo momentos tensos e cruciais para a sua carreira e para o futebol brasileiro. A Globo sabe da influência que exerce sobre o público e está usando isto para desestruturá-lo. Uma vingança inconsequente que pode surtir efeito, mas que, para ela, Globo, não faz diferença, já que não está conseguindo exclusividades. Poderia pelo menos, se fosse respeitosa e coerente, aguardar o final da Copa ou o Brasil perder (tomara que não) para fazer isto.

Carlos Alexandre Neves Lima disse...

Querido Junnior.

Respeitosamente, discordo absolutamente de você, por vários motivos.

A primeira delas diz respeito ao que você chama de destempero e eu de ofensa e desrespeito. Possuem proporções muito diferentes.

Falta de educação (se fosse o caso, e não é), em hipótese alguma pode ser entendida como proporcional ao que você designou como prepotência e eu como xingamento e desrespeito pessoal. Se a Globo ou o jornalista agredido é prepotente, não muda absolutamente nada e não dá direito a xingar e ofender pessoalmente ninguém.

Se erro existir da parte do jornalista ou quem quer que seja, JAMAIS isto justificará outro erro.

Não me interessa a Globo ou qualquer outro veículo de informação. Não é por ela que falo, mas da conduta ofensiva do Técnico.

Diferente do que você afirma, Tadeu Schmidt, do Fantástico, não confessou que a irritação do Dunga ocorreu por causa da ligação telefônica. Na realidade ele afirmou no Fantástico (que não assisti e recorri ao site para confirmar), que a reação do Dunga ocorreu quando o tal jornalista que falava ao telefone com o Tadeu balançou a cabeça por discordar da frase do Dunga que acusava os jornalistas de terem pedido que Luis Fabiano fosse do time depois do primeiro jogo da Copa, após o jogo com a Coréia do Norte.

A questão telefone na entrevista coletiva passa longe. Não reflete a realidade. Aliás, beira ao burlesco isto. É extremamente comum jornalistas realizarem matérias ao vivo para jornais e rádios durante entrevistas e até sessões realmente solenes, como Congresso, Presidente da Republica e etc. Aqui no Brasil e em qualquer lugar do mundo. Fazer uma matéria com jornalistas falando em situações assim é notório. De qualquer forma, não há uma linha sequer que confirme ter sido esta a razão do “destempero” do Dunga, nem por ele e nem pela mídia.

Na realidade, o problema de Dunga com jornalistas é mais antigo que, talvez, você possa imaginar, vem desde 90, quando quase toda a imprensa falava mal dele, rotulando uma fase negra da seleção como “era Dunga”. Ele é reconhecidamente um grosso em relação a mídia e só se manifesta para ela porque é obrigado pela FIFA, antes e depois de cada jogo. Embora não goste, está obrigado a fazer, e seu destempero, por não gostar da imprensa, não se dirige para a FIFA, quem o obriga, mas para os jornalistas. Ele escolhe com quem quer ser “macho”, para utilizar os termos deles.

Mas o que realmente lamento é exatamente assistir a cultura da aceitação à ofensa e desrespeito, realizada de forma pública, e enxergar as tentativas de justificativas minimizando fatos e gravidade. Esta é a linha adotada por aqueles que acham não ser nada tão grave xingamentos e ofensas a outros cidadãos, inclusive, LGBTs. Atrás da negativa de criminalização a discriminação aos LGBTs existe essa nefasta cultura. Tolera-se, aceita-se e as vezes, até se aplaude.

Junnior disse...

Carlos, da mesma forma respeitosa usada por você, eu discordo de suas colocações, porém, o intuito absolutamente não é combatê-las, mas apenas mostrar o que penso.
De verdade, resolvi responder para esclarecer um ponto específico. Eu não afirmei, no meu comentário anterior, que o Dunga tivesse se irritado com o Sr. Escobar pelo fato de ele falar ao telefone com o Tadeu Schimdit no momento da entrevista. Sequer induzi isto.Veja de novo:
"...Tadeu Schmidt, do Fantástico, confessou que o jornalista - o que teria irritado o Dunga - estava falando ao telefone com ele no momento em que levou a rata do Dunga."
O que está transcrito acima foi, sim, o que o Sr. Schmidt confessou no programa. Fato.
A partir daí, o comentário termina com a minha opinião, sobre a qual tenho convicção, assim como tenho respeito e admiração pelas suas.
Abraços.
Junior.

Carlos Alexandre Neves Lima disse...

Junnior,

É tão simples respeitar a opinião alheia sem ofender, não é mesmo?
Nós dois temos posições diferentes e nem por isso, nenhum dos dois se sente no direito de agredir o outro! òbvio!!!
Como o conhecido adágio diz: "a unanimidade é burra" e, evidente, não acrescenta nada!
Fico feliz de ter aqui você para discordar também. Acho extremamente saudável. Obrigado.
Abs,
Carlos Alexandre

Anônimo disse...

Querido,
juro que não vou entrar nesta discução, mas que o PARREIRA dá um show de elegância e civilidade... Ah! Isso dá! Muito diferente do Dunga que além de tudo tem cara de quem tem mau hálito!
Ui!
Beijos
BR

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