O presente blog se propõe a reflexão sobre os Direitos Humanos nas suas mais diversas manifestações e algumas amenidades.


terça-feira, 8 de junho de 2010

Reynaldo Gianecchini é vítima de aparente golpe ou pior, possíveis injúria e ingratidão, onde a orientação sexual é instrumento do jogo


Quem é Daniel Ferreira Mattos? Alguém já ouviu falar dele ou o viu? E quem é Reynaldo Gianecchini?

A resposta para fofoca, envolvendo os dois nomes e um imóvel, se encontra na própria pergunta.

Fuxicos, fofocas e a invasão de privacidade é um prato cheio para revistas do gênero ganharem dinheiro as custas dos outros.

Reynaldo Gianecchini é gay, bissexual ou heterossexual? Afinal, que diferença isto faz?

Na verdade faz ou pelo menos fez para Daniel Ferreira Martins, um ilustre desconhecido do público que, segundo consta nos noticiários, está tentando lucrar encima da orientação sexual do Gianecchini.

Estou muito feliz com a conduta do Reynaldo Gianecchini que foi MACHO suficiente para não se acovardar diante das ameaças de seu ex-empresário ao alegar que era seu amante, para justificar que é sua a propriedade de uma cobertura na Barra, o qual teria sido doado Gianecchini por conta de uma relação amorosa.

Ninguém dá uma propriedade como PAGAMENTO de uma relação amorosa. Doação é uma coisa e Programa de luxo outro. Dificil acreditar que Giane precise pagar para este tipo de serviço. Não faço nem uma e nem outra afirmativa. Não sei se foi doado ou dado como pagamento por serviços prestados.
/
Não faço defesa pessoal. Conheço Gianecchini como todo mundo, pela televisão, cinema e revistas, no máximo, um pouco mais, por esbarrar com certa frequência pela Gávea. A realidade é que esta história está muito mal contada, isto está.

O que corre na imprensa é que Gianecchini teria comprado um imóvel e passado para o nome de seu ex-empresário, que trabalhava com a imagem comercial do ator e muito provavelmente seu dinheiro e, portanto, se tratava de alguém em quem confiava. As revistas já fizeram mil piadinhas a respeito da compra em nome de terceiro, mas digo, sem ter medo, enquanto advogado, que não se trata de nada extraordinário ou estranho este tipo de ato, basta que exista uma grande confiança comercial e adicionar a esta a lógica de transações comerciais, fiscais e etc.

O que me deixou verdadeiramente incomodado e muito desconfiado foi ler nas matérias sobre o tema que após o Reynaldo Gianecchini ingressar com protesto judicial em face de Daniel Ferreira Mattos, por motivos profissionais e de confiança e, envolvendo no litígio a briga pela cobertura na Barra da Tijuca, que o empresário Daniel, em contrapartida, teria dito que contaria alguns “podres” de Reynaldo para a imprensa, entre os “podres” o seu relacionamento amoroso com o mesmo. Se existiu um relacionamente, este era “podre”, disto agora ninguém mais teria dúvida, até porque assim o designou o próprio Daniel.

Essa ameaça de Daniel Ferreira Mattos de falar podres para imprensa tem uma aparência de chantagem IMENSA!

Se Reynaldo Gianecchini é gay ou não, pouco importa. Mas jamais sustentaria ser esta sua orientação sexual com base nos argumentos desta briga judicial, onde o questionamento de sua sexualidade parece ter sido utilizado apenas com a finalidade de ameçá-lo a aceitar uma imposição de acordo com perda patrimonial, não pelo que Gianecchini fez ou deixou de fazer em sua cama, mas para evitar um escândalo. Enfim, Daniel desvirtuou totalmente a discussão da briga (doação, compra, presente, golpe de empresário ou mera prestação de contas) para outro foco, a sexualidade num palco do escândalo barato.

Gostei e daqui mando meus aplausos para o Reynaldo Gianecchini que, repito, foi macho bastante de não aceitar a ameaça e enfrentar muito mais que as barras do tribunal, a imprensa sensacionalista com sede de escândalos, sejam estes verdadeiros ou falsos.

Meu sexto sentido e experiência em litígios civis me induzem a crer que Reynaldo Gianecchini está sendo vítima de seu ex-empresário, após ser constatado alguma coisa bastante incorreta nas prestações de serviços comerciais. Gianecchini não será o primeiro e nem o último a sofrer coisas assim.

Quantos já não sofreram nas mãos de contadores ou advogados inescrupulosos? Só que Gianecchini é Gianecchini, então seu adversário parece ter acreditado que poderia resolver suas diferenças de maneira, digamos, política (no pior dos sentidos) e mais fácil.

Mas, ainda que a realidade fosse outra, Gianecchini realmente tivesse se relacionado afetivamente com o ex-empresário, e o presenteado com a doação de tal imóvel, a esta altura do campeonato este imóvel, ou o valor equivalente, jamais poderia continuar com o ex-empresário, face a constatação de injúria e ingratidão. No nosso direito civil o beneficiário de uma doação não pode ser ingrato ao doador, sob pena de tal ingratidão se reverter numa nulidade do ato.

É que a doação se trata de ato de liberalidade do doador, seja ela pura ou onerosa; essa revogação dá-se nos casos em que o donatário deixe de se mostrar merecedor do benefício a ele concedido, e que, ao contrário, venha praticar ato que possa prejudicar a quem contribuiu para aumentar o seu patrimônio; nesses casos, em que se configurar a ingratidão, o doador terá o respaldo do art. 557 para proceder à revogação do seu ato de liberalidade.

Na hipótese, diante das notícias veiculadas, sob qualquer ângulo, depois do ex-empresário faltar com a ética profissional fazendo fofoca da intimidade daquele para quem prestava serviços, quiçá interferindo em seu trabalho, caracterizado estaria a injúria e ingratidão, suficientes para anular o “presente” dado, se realmente se tratar de um, impondo-se, se não o imóvel de volta a verba que represente o mesmo, porque quando fatos assim ocorrem, em regra, são logo vendidos para terceiros de boa-fé.

Sob ótica de uma pretensa relação afetiva, ainda mais grave. A ingratidão seria ainda mais evidente, pois se valeu do presente dado para tentar prejudicar aquele que havia sido generoso com o mesmo. Anula-se também a doação.

Há alguns anos atrás, num caso em que se tratava indiscutivelmente de uma relação homoafetiva, atuei num processo para uma pessoa que havia presenteado seu companheiro com um veículo de alto valor no mercado. Tal companheiro, ganancioso e insatisfeito, quis mais e para tanto, articulou um plano com seus comparsas para extorquir os dólares que o mesmo possuía em casa. O caso foi desmascarado pela polícia federal e o companheiro foi acusado de cúmplice. No papel de advogado da vítima, apesar do cliente realmente ter dado o veículo de luxo para o namorado, consegui através de uma ação própria anular aquela doação, reintegrando o veículo ao cliente. Seria um absurdo deixar que a aquela pessoa que foi enganada tivesse a perda do bem dado, enquanto o algoz, marginal, querendo se dar bem, ainda se regozijasse na praça com o veículo que conseguiu obter, com base numa relação baseada no interesse.

Tudo é extremamente lamentável, pois se Gianecchini jamais tenha se relacionado com se ex-empresário, o fato é que ele confiava neste, e essa confiança foi quebrada em todos segmentos, amizade e profissional.

E se Gianecchini realmente se tratar de bissexual ou homossexual, a história ainda é mais deplorável, pois além de quererem tirar ele do armário a força e publicamente, isto foi usado como uma ameaça grotesca e inaceitável, como tentativa de suposta extorsão.

E, nesta última hipótese, espero que homossexuais se sensibilizem com o episódio, uma vez que muitos gays já sofreram, em algum momento de suas vidas, chantagens parecidas ou alguém querendo tirar vantagem pelo simples fato de sua orientação sexual.

Dado ou não o presente, a verdade é que neste caso, Gianecchini está sendo vítima de sua própria fama, mas para isto estão usando algo que bate em todos nós, a orientação sexual que todos politicamente corretos fingem aceitar, mas muitos sequer admitem escutar, por puro preconceito, em especial quando se trata de um galã de novela.

Se o ex-empresário possui razão na contenda jurídica a Justiça dirá, mas não tem nenhuma razão ao fazer exposição pública de seu ex-cliente com intuito de acuá-lo para benefício próprio.


foto: Sua Excelência, o Candidato

15 comentários:

Anônimo disse...

Querido Alexandre,

Excelente post como sempre! Que picareta esse ex empresário do RG...
Ele tenta chantagear a orientação sexual do RG como se ser gay fosse algo podre, falha de caráter, doença! Esse Daniel é um tremendo de um homofóbico e pilantra, isso sim. O dia que a homofobia e a discriminação por orientação sexual der cadeia, esse tipo de chantagem vai acabar!
Beijos,

Cristina Martins

Alves disse...

Parabéns pela brilhante lucidez e verdadeiro senso pleno de justiça imparcial e em 360°.
Esta exposição coercitiva é um golpe pior do que o "roubo da cobertura". É simplesmente Maquiavélica!!!
Qualquer gay daria "qualquer coisa" para ter o Reynaldo em sua cama. Imagine se esta cama ficasse em uma maravilhosa cobertura no Rio, e dada como presente pelo próprio Reynaldo, este seria em muito o gay mais feliz do mundo, e nunca, jamais teria do que reclamar.
Este cara é um verdadeiro manipulador de mentes humanas que além de enganar o Reynaldo com o golpe da transferência para uma suposta venda em anonimato, esta agora tentando manipular a mente de todos contra o Reynaldo, que alias como qualquer outro ser humano tem o direito de fazer suas próprias escolhas e não tem a menor necessidade de viver em um mundo de mentiras e que se quisesse "manter as aparências" vivendo uma vida dupla não teria a menor dificuldade em obter candidatas para isto.
Confesso que passei a admirar profundamente a pessoa do Reynaldo por este ato raro de genuína bravura e coragem, que é o único caminho para moralizamos este pais em que vivemos.
Espero que nosso judiciário mostre toda sua competência e perspicácia também neste caso, como bem o tem feito em tantos outros crimes hediondos.

Anônimo disse...

Querido,
perfeito o teu post! Como sempre.
O Reynaldo está se vendo na mão de SAFADO. Sei bem o que é isso!
E tu sabe que eu sei!
E quanto a sexualidade do homem... a quem deveria importar?
Francamente!
Parabéns!
Cristina BR

Carlos Alexandre Neves Lima disse...

Cristina Brasil,

Obrigado pelo comentário, mas quem deve agredecer sou eu, afinal foi você que me encaminhou esta notícia que cheira tão mal.


Alves,
Os LGBTs sofrem muitas injustiças e chantagens por conta da sua orientação sexual. Por conta disto, também a maioria dos LGBTs, independente da orientação sexual da pessoa que venha sofrer idênticas injustiças e aparente chantagens, se solidarizam ao saber de fatos como este. Até porque alguém que faz esse tipo de ameaça está considerando um gay como alguém pior, que deve se esconder. Lastimável, em todos os sentidos que usem algo do gênero para tentar alguma vantagem.
Como advogado, tenho por obrigação de acreditar na justiça.


Cristina Martins,
Finalmente um comentário seu!!!
E perfeito, evidente. Faço minhas as suas palavras: "Ele tenta chantagear a orientação sexual do RG como se ser gay fosse algo podre, falha de caráter, doença!"
Duplamente podre!

beijos e abraços
Carlos Alexandre

Anônimo disse...

CARA PARABENS PELO COMENTARIO... PRECISAMOS DE PENSAMENTOS ASSIM NO BRASIL! ATE O MOMENTO SO LI COISAS GROSSEIRAS SOBRE ESTE CASO, MAS PARECE QUE ESSA FOI A UNICA DEFESA LUCIDA ATE AGORA. PARABENS CARA ABRACO

Moderador disse...

Carlos,

Li esse seu texto analisando o caso (juridicamente falando...) do Reinaldo Gianechini versus o seu ex-empresário, e achei muito interessante essa história de anulamento de doação. Muito bom o seu artigo, muito bem escrito (mostra claramente quem é o safado nessa história...).

Sou evangélico, e apesar de nossas diferenças de ponto de vista, também desejo sempre que a justiça seja feita, ainda mais nesse caso envolvendo chantagem de uma pessoa pública e querida por todos.

Segundo minhas crenças, aqui no mundo todos devem ser cumpridores da lei, mas sei que um dia seremos todos levados a um outro lugar, e lá seremos julgados num outro tribunal, numa instância muito superior às que conhecemos atualmente.

Nessa instância definitiva, a sentença será baseada em apenas uma lei, dividida em dois artigos:

- No primeiro artigo, que é o mais importante, diz o seguinte:
"Amarás ao Senhor teu Deus de TODO o teu coração, de TODA a tua alma, de TODO o teu entendimento e de TODAS as tuas forças."

Um pouco abaixo dele está o segundo artigo:
"Amarás o teu próximo, como a ti mesmo - exceto nos casos em que tal amor contrarie o entendimento do primeiro artigo."

Então, no dia desse julgamento, confio que meu advogado estará lá, presente, pra me defender e se possível, me livrar da condenação, pois sei que eu, assim como muitos outros, já estive em situações que acabaram me levando a quebrar essas duas leis...

Dá uma olhada no link abaixo, e descubra quem eu escolhi para ser o meu advogado:
http://bit.ly/aaGFqN

Esse eu recomendo!
;-)

Até +!

Guilherme

Carlos Alexandre Neves Lima disse...

Anônimo,

Obrigado. Minha idéia não foi apresentar uma defesa pessoal a vítima, mas uma defesa a decência, justiça e, especialmente, que não seja utilizada o orientação sexual (seja qual for) como arma contra ninguém.


Prezado Guilherme,

Foi prazeroso ler sua mensagem, principalmente pelo fato de ser evangélico, reconhecer nossas diferenças de idéias, mas encontrar aqui algo em comum: senso de justiça.

O mundo seria muito melhor se todos enfatizassem o respeito e ao amor ao próximo, de verdade, ainda que se reconheçam as diferenças.

Todo meu respeito a você.

Carlos Alexandre

Anônimo disse...

caro alexandre, sem entrar no aspectos da opcao sexual, registrar imoveis em nome de outros caracreriza no minimo irregularidade que nao deve ser apoiada de forma alguma por um advogado

Anônimo disse...

caro alexandre, sem entrar no aspectos da opcao sexual, registrar imoveis em nome de outros caracreriza no minimo irregularidade que nao deve ser apoiada de forma alguma por um advogado

Carlos Alexandre Neves Lima disse...

Prezado Anonimo,

Não emiti juízo de valor quanto ao pretenso fato "de ter sido registrado imóvel em nome de terceiros", mas emitirei.

Considero que a Constituição Federal garante o dreito de propriedade e quem o adquire tem o direito de dispor do imóvel como lhe convier. Pode comprar, vender, doar ou qualquer outra figura jurídica cabível, desde que não configure uma fraude. O proprietário possui sim todo meu apoio neste sentido.

O que ocorre, naturalmente, é quem passa o imóvel para o nome de terceiro (sem a intenção de fraude) responderá pelas consequencias deste ato. E daí se estiver consciente dos riscos assumidos, como foi o caso do tema abordado?

Carlos Alexandre

Anônimo disse...

Estou do lado de RG e além do mais ele ñ precisa pagar a ninguém pra tranzar com ele por que ele é muito gostoso e desejado
xau e um bj para RG!

Anônimo disse...

Eu ja comi ele varias vezes e ele é viado mesmo e dos safado... kkkkkkkkkkkk

Anônimo disse...

É muita crueldade isso sim, quem dera eu ao menos estar perto desse lindo, maravilhoso, gostoso, tudo de boooooom...Ele foi muito idiota alem de ridiculo, e eu acho que ele sendo ou nao isso é um direito dele expor a vida publica do gianezinhoo...Sortuda foi a Gaby, ou o filho dela isso sim...O que posso ter no memento é muita inveja isso sim, principalmente adimiraçao, por ele estar lutando pela vida e pela sua reputação, ele nao deve nada a ninguem, e nao é obrigado a dar nenhum tipo de explicação...Mas que eu torço, torço pra ele ser gay viu, tentaçaaao, deus grego...sonho com ele todos os dias...Quem dera receber um selinho que seja dele...

Gianezinhoooo...te amooooo...

Anônimo disse...

É muita crueldade isso sim, quem dera eu ao menos estar perto desse lindo, maravilhoso, gostoso, tudo de boooooom...Ele foi muito idiota alem de ridiculo, e eu acho que ele sendo ou nao isso é um direito dele expor a vida publica do gianezinhoo...Sortuda foi a Gaby, ou o filho dela isso sim...O que posso ter no memento é muita inveja isso sim, principalmente adimiraçao, por ele estar lutando pela vida e pela sua reputação, ele nao deve nada a ninguem, e nao é obrigado a dar nenhum tipo de explicação...Mas que eu torço, torço pra ele ser gay viu, tentaçaaao, deus grego...sonho com ele todos os dias...Quem dera receber um selinho que seja dele...

Gianezinhoooo...te amooooo...

Anônimo disse...

Opinião coerente pela via legal mas destacando a subjetivação. texto enxuto. qualidade acima de qualquer suspeita. se eu fosse o Giane (quem me dera - kkkk homo, bi ou hetero eu toparia sê-lo...kkkk) eu usaria esse artigo como defesa, na defesa... ou te contrataria para a equipe dele... parabéns.. e mais, o autor é engajado politicamente, o que é não tão comum entre advogados (refiro-me ao final, a mensagem para os gays)... sugestão: transforme esse artigo em científico; muito bom - Hiran Pinel, doutor em psicologia pelo IP/USP.

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