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sábado, 5 de junho de 2010

O Golpista do Ano: I Love You Phillip Morris


Hoje fui assistir ao filme “I Love You Phillip Morris”. Phillip Morris é o segundo papel principal do filme, interpretado por Ewan McGregor, por quem o personagem principal vivido por Jim Carrey se apaixona. Como no Brasil provavelmente querem dar destaque para o ator Rodrigo Santoro, que possui uma participação importante no filme, preferiram retirar o foco dado ao segundo personagem principal e trocar o título para “O Golpista do Ano”, o que até faz sentido...

É que o filme é baseado em uma história real, na vida do vigarista Steven Jay Russell (no filme, Jim Carrey), que era um policial, casado com uma linda esposa, com quem tinha uma filha que, depois de um grave acidente de automóvel, resolveu se assumir e viver uma vida literalmente gay. O problema é que ele descobre que ser um gay fashion é muito caro e resolve viver de golpes, até ser preso e lá no presídio descobrir a sua verdadeira paixão, o tal Phillip Morris. A história, assim contada, me parece bem mais interessante que aquilo que o filme me apresentou.

No filme há uma certa apelação a inteligência de quem assiste. Quando ele sofre o acidente gravíssimo e é socorrido sai falando e gritando para os médicos que o socorrem que ele agora é bicha. Tipo, Jim Carrey de ser: “Eu sou bicha!” “Eu sou bicha!”

Antes desta cena, tem aquelas armadilhas cômicas, bem pastelão, onde começa com o personagem dando um beijo intenso e apaixonado na esposa, na frente de uma roda de amigos, com a continuação imediata de cena para um close de sexo, onde só aparece da cintura para cima o Jim Carrey na cama, transando de forma prazerosa e de repente aparece um cara careca e barbudo, de quatro, dizendo frases sexuais apelativas, nada convincentes e o Carrey dando tapinhas na bunda dele, com aquela cara de Jim Carrey. É quando o personagem que narra o filme, lembra de avisar ao público que ele é gay.

Jim Carrey não faz um personagem gay caricato, mas induz ao público que seu personagem é o "gay ativo". Isto por si só, já me pareceu certo rótulo. Por conseguinte, os personagens que se envolvem com ele, são os "gays passivos". Rodrigo Santoro aparece nesta primeira fase do filme, andando na rua de forma afetada e o personagem título é a bichinha boa, sensível, delicada e boqueteira, por quem ele se apaixona.

Além disto, no filme há um divisor de águas, com grande enfoque, a transformação do heterossexual, marido e pai de família responsável, policial texano que, de repente, com o acidente, se transforma no gayzão, que adora grifes, pegador e que, para se manter bem na “nova orientação sexual”, se revela um marginal sociopata.

Vive de dar golpes na praça, golpe de cartão de crédito, golpe de seguros, golpes se passando por advogado e diretor financeiro. E não para mais, uma série de outros golpes vão surgindo. O número de falcatruas é grande e passada tão próxima uma da outra e acelerada que não persuade. Os primeiros golpes são para dar vida boa para ao personagem de Rodrigo Santoro e depois, todos os demais justificados em nome de seu amor homoerótico por Phillip Morris.

As pessoas que assistiram comigo gostaram muito do filme, acharam divertido e romântico.

Não foi assim que saí com a sensação do mesmo filme. Para mim, os produtores enxergaram dois fatores interessantes, o fato de a história ser baseada em fatos reais e que decorre de um homem sociopata e gay. Tentaram fazer uma comédia romântica valendo-se dessas duas premissas e, para isto, não se acanharam de tingir com cores nada convincentes para obterem o lucro pretendido. Não sei indentificar se o problema seria da adaptação ou da direção, de qualquer forma, os responsáveis são os mesmos, Glenn Ficarra e John Requa.

Ninguém vira sociopata por ser gay, mas no filme é assim que é conduzida a história. Ninguém que resolve sair do armário sai literalmente gritando que é "bicha", mas no filme também é assim que funciona. Enfim, meus olhos impiedosos e críticos, impediram de me entregar ao filme sem um certo incômodo.

Na parte que toca os gays, porque o filme não é só isto, considerei o I Love You Phillip Morris clichê e insatisfatório, não possui nenhuma representatividade de filmes como “O Segredo de Brokeback Mountain”, "Milk", “Filadélfia” ou, considerando comédia, um "O Closet", "Será Que Ele É?", "Priscilla, a Rainha do Deserto" e etc. Uma das únicas partes que me pareceu convincente no filme é o anúncio, ao final, que ele é baseado em fatos reais, sabendo que foi adaptado.
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Jim Carrey, apesar de algumas caretas, faz muito bem o personagem de um personagem, que é isso que é o dono da história, assim como os atores coadjuvantes, Ewan McGregor, que consegue passar um gay bem "catito", emocional e Rodrigo Santoro, cumprem bem os seus papéis. A "culpa" não foi deles, que sustentaram o filme até o final.

Mas insisto, a maioria que assistiu, gostou. Portanto, recomendo que assista e tenha a sua própria opinião.
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Eu achei que "I Love You Phillip Morris" foi mesmo "O Golpista do Ano".

Um comentário:

Cezar disse...

Olá!

Não vi tantos pontos negativos e preconceituosos no filme...acho que a mudança dele se deu por um traço de personalidade e não por ser gay.

Ele já era sociopata antes de ser gay...

No que diz respeito ao fato de ele transparecer ser ativo no filme é porque existem gay´s ativos!!

Os gay´s passivos até podem ser esteriotipados nos filmes, mas na vida real a coisa é bem diferente.

De qualquer forma, eu achei o filme bastante interessante. Com algumas falhas, é claro, mas que representa algo interessante na sociedade, independentemente da orientação sexual.

Não penso que o filme represente uma comédia romântica, mas uma comédia atual.

Abs!!

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