O presente blog se propõe a reflexão sobre os Direitos Humanos nas suas mais diversas manifestações e algumas amenidades.


quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Um negro LGBT: Malcolm X era bissexual

Apesar dos negros lutarem contra a discriminação, a sexualidade dos heróis negros parece não ser divulgada pelas entidades que lutam pelos direitos dos negros, nem mesmo para ajudar a romper com a homofobia.

Aqui no Brasil, no dia 20 de novembro, comemora-se o dia de Zumbi dos Palmares. Zumbi foi um dos líderes do Quilombo dos Palmares, o mais conhecido núcleo de resistência negra à escravidão em todo o país, tornando-se o ícone do Dia da Consciência Negra.


Um dia, o antropólogo e decano do Movimento LGBT, Luiz Mott, ousou questionar a orientação sexual de Zumbi de Palmares, baseado em dados históricos que o conduziu a suspeita dele ser homossexual. Entre os motivos elencados pelo Mott, estava o fato de inexistir em seu histórico a existência de qualquer esposa (apesar dos direitos que possuía como líder e a poligamia ser usual na sua cultura), receber um apelido manifestamente feminino e ter sido esquartejado, e sua cabeça ter sido levada a Olinda para ser exposta publicamente, com o órgão genital enfiado em sua boca.

A resposta foi imediata, o movimento negro reagiu e até ameaças o Mott sofreu por pessoas que não aceitavam a idéia de relacionar um herói negro a homossexualidade.

Nos Estados Unidos não é diferente. Após a publicação da biografia de Malcolm X, realizada por alguém que o admirava (mas que não se isentou de reproduzir o que foi profundamente pesquisado), tornando pública a bissexualidade do Malcolm, o movimento negro americano também se rebelou.


Embora a reação tenha sido semelhante, a diferença entre lá é cá se dá em relação à prova dos fatos. Luiz Mott não pode provar nada, se baseou em indícios, já que a passagem histórica de Zumbi dos Palmares se deu no século 17. Bruce Perry teve mais sorte, já que suas afirmativas se deram com base em provas irrefutáveis, através de inúmeras entrevistas com pessoas ainda contemporâneas, que vivenciaram o período de vida do Malcolm, compreendido entre 1925 até 1965.


É importante para os negros homossexuais possuírem referências de orgulho que contribua no combate a homofobia. Em resgate e celebração a sexualidade dos heróis negros LGBTs, sem medo de errar, pode-se dizer que MALCOLM X era BISSEXUAL.


Se o negro traz em sua história a dor da discriminação sofrida e os LGBTs lutam por idêntico reconhecimento de direito a igualdade e dignidade, destacar hoje MALCOLM X, um negro de suma importância na história do movimento negro, o qual pertence a letra “B” de bissexuais dos LGBTs (muitas vezes não aceitos e até considerados inexistentes tanto por heterossexuais quanto homossexuais), significa celebrar um líder negro, reconhecidamente LGBT, dos tempos atuais.



Malcolm Little passou para a história como um dos grandes líderes dos negros norte-americanos com o nome de Malcolm X.


Aos seis anos de idade perdeu o pai, um pastor, que foi assassinado pela Klu Klux Klan, mais tarde sua mãe foi internada numa clínica psiquiátrica, fazendo com que ele e seus irmãos fossem para um orfanato.


Na adolescência, quando Malcolm já havia saído do orfanato, trabalhou como engraxate, e em seguida, para não prestar o serviço militar fingiu-se de louco. No Harlem, Malcolm também morou na casa de Sammy, um amigo Cafetão, e entrou para a vida do crime. Tornou-se traficante. Com mais três amigos, todos muito pobres, passou uma assaltar residências, até que acabou sendo preso, em 1946. Na prisão, passou a estudar o islamismo, convertendo-se aos ensinamentos de Elijah Muhammed, líder da "Nação do Islã", organização que congregava os negros muçulmanos dos Estados Unidos. Ao sair da cadeia, em 1952, Malcolm X transformou-se em um dos líderes negros de seu país.


Malcolm X defendia a separação das raças, a independência econômica e a criação de um Estado autônomo para os negros.


Foi Malcolm que fundou uma Organização Para a Unidade Afro-Americana, de inspiração socialista. Malcolm X Conduziu uma parte do movimento negro nas década de 50 e 60 à Fundamentais três pontos: 1) O islamismo, 2) a violência como método para auto-defesa e 3) o socialismo.

A religião foi a porta de entrada, mas em seguida ele entendeu que os problemas dos negros era uma questão a ser resolvida na esfera política, econômica e civil.



A proposta era de violência, no sentido revolucionário, portanto, uma metodologia de transformação e não uma barbárie gratuíta.


Já a concepção de socialismo de Malcolm foi consequência da evolução de seu pensamento, após ser traído por membros da Mesquita Templo Número Dois, gradativamente ele percebeu que a questão do negro passava pela estrutura do capitalismo. Desta nova forma de pensar surgiu uma Organização da Unidade Afro-Americana, um grupo religioso não e não sectário, focada nos problemas sociais das minorias sociais na sociedade capitalista americana. A sua opção pela violência e pelo socialismo foi de vital Importância para os rumos que os movimentos negros tomaram ao fim da década de 60, tal como os "Panteras Negras", também partidários da violência enquanto método e do socialismo enquanto ideologia política.


A importância de Malcolm X é inegável, seus atos históricos e sua vida privada se misturam, pois aqueles foram reflexos de tudo aquilo que vivenciou. No entanto, a sexualidade de Malcolm X restou velada, e jamais foi o foco de sua imagem.

No “The Guardian”, Peter Tatchell, em 20 de outubro de 2009, fez reverberar em seu artigo una importante revelação: MALCOLM X era bissexual, conforme foi constatado por aquele que realizou a sua biografia, Bruce Perry.

A complexa mudança da sexualidade de Malcolm nunca foi parte da narrativa de sua vida até a publicação da aclamada biografia de Bruce Perry, Malcolm - A Vida de um homem que mudou a América Negra. Perry é um grande admirador e defensor de Malcolm X, mas não é um crítico. Ele escreveu os fatos, baseado em entrevistas com mais de 420 pessoas que conheceram pessoalmente Malcolm em várias fases da sua vida, desde a infância até o seu trágico assassinato em 1965. Seu livro não é uma crítica destrutiva, como alguns críticos negros afirmam, é exatamente o oposto. Perry apresenta uma história, honesta da vida de Malcolm.


Baseado em entrevistas com amigos adultos e de infância de Malcolm, Perry sugere que o líder da libertação dos negros nos E.U.A. não era tão solidamente heterossexual como seus colegas negros da Nation of Islam sempre afirmaram. Apesar de Perry não se prender a sexualidade de Malcolm em sua biografia, ele não deixou de escrever sobre o que ouviu em suas inúmeras entrevistas realizadas.


Seu colega de infância, Bob Bebee, recorda o dia em que de Malcolm tropeçou em um garoto se masturbando no mato. Malcolm ordenou ao jovem a masturbá-lo e, posteriormente, vangloriou-se que tinha recebido sexo oral.


Mais tarde, a partir da idade de 20, Malcolm fez programas, sexo com homens por dinheiro e teve pelo menos uma ligação sustentada por sexo gay.


Mas nem sempre os atos de Malcolm se deram por razões pecuniárias, enquanto vivia em Flint, Michigan, seu companheiro de quarto declarou que Malcolm costumava ir ao fundo do corredor, furtivamente, para passar a noite com Willie Mae Jones.


Em Nova York, dois amigos de Malcolm também provenientes de Michigan, lembram que Malcolm vangloriava-se que havia ganhado ajuda financeira de "bichas", que jocosamente ele também se referia como "meninas". Mais tarde, Malcolm trabalhou como mordomo "para um solteirão rico Boston, William Paul Lennon”, para quem também se encarregava de conceder prazeres sexuais.


Perry, o biógrafo, documenta também uma relação de Malcolm com uma pessoa do mesmo sexo que teria durado, pelo menos, o período de 10 anos.



Ainda que Malcolm tenha se casado mais tarde (após adotar a religião muçulmana) e, tanto quanto se sabe, tenha abandonado o sexo com homens e travestis, suas relações sexuais quando novo sugerem que ele era bissexual e não heterossexual. O fato de abster-se de sexo gay depois do casamento não muda os fundamentos da sua orientação sexual.


Para Perry, autor da biografia de Malcolm, ficaram evidentes as inseguranças masculinas e ambivalência em relação às mulheres de Malcolm, indicando o arquétipo de um homem gay reprimido, que apontava para uma homossexualidade latente.


Se não podemos celebrar a sexualidade e a representatividade lgbt que teria Zumbi de Palmares no dia da conscientização negra, ao menos nos resta Malcolm X, um revolucionário negro bissexual.

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