O presente blog se propõe a reflexão sobre os Direitos Humanos nas suas mais diversas manifestações e algumas amenidades.


terça-feira, 4 de maio de 2010

A adoção por homossexuais e as novas estruturas familiares


Após constatar que em pleno século XXI algumas pessoas se insurgirem contra a adoção de crianças por casais homossexuais, mesmo ciente que a motivação se baseava, principalmente, pela rejeição a homossexualidade (homofobia) em decorrência preceitos religiosos, entendi que a questão merecia reflexão e orientação junto a quem de direito, um expert.

Afinal, querendo ou não, em regra, cada indivíduo adveio de um casal, homem e mulher, sendo que todos nós, direta ou indiretamente, já lemos ou ouvimos falar acerca da importância dos papeis que possuem a figura paterna e materna para a formação de uma criança. Certo ou errado isto é um fato, sendo assim, não há como fugir ao debate imposto pelos xiitas homofóbicos, ainda que nos pareça que a real preocupação destas figuras não são as crianças.

De plano, as pessoas que não concordam com a adoção por casais homossexuais, sob fundamento da necessidade da figura do pai e mãe, deveriam se despir da desonestidade e serem fidedignas à realidade.

Ora, as crianças aptas a adoção possuem a figura do pai e da mãe? Para tais críticos, em situações assim, é tolerável que essas crianças sofram a angústia de não possuirem a figura paterna e nem a materna?

No orfanato ou similiar, onde estão esses menores em situação irregular, existem tais modelos exigidos pelos conservadores?

Não existem!

Evidente que toda criança que possui um pai e mãe deve com eles permanecerem. É o ideal. Mas infelizmente nem toda criança possui essa sorte. Na realidade, esses menores estão num abrigo porque se encontram em situação anômola, abandona ou até retirada do lar destes pais, para sua própria proteção.

A população de crianças abandonas é infinitamente maior que aqueles que desejam adotar. O que esses tradicionalistas pretendem que se faça com as crianças? Eliminá-las ou que permaneçam reféns do abrigo até a maioridade, sem pai e sem mãe?

Religiosos homofóbicos e hipócritas! Porque ao invés de empregarem tantos esforços contra a adoção por casais homossexuais não fazem campanha para que seus fiéis submissos dizimistas adotem as crianças abandonadas?

E o que dizer das famílias religiosas com pais separados, mães solteiras, pais viúvos, quiçá qualquer deles pervertidos? Porque motivo também não questionam a capacidade do adotante solteiro, o qual não preenche igualmente o requisito do modelo exigido?

Portanto, nem mesmo parando para pensar, com um pouco mais de cuidado, não se sustentam esses argumentos meramente homofóbicos. São homofóbicos sim senhores, não adianta dizer que não. Esse papo que "amam" os homossexuais, mas são contrários a homossexualidade é hipocrisia barata e ofende a inteligência de quem ouve. Homofóbicos no dicionário não faz essa distinção, no Houaiss significa, pura e simplesmente, "rejeição ou aversão a homossexual e à homossexualidade". Vocês rejeitam ou não a homossexualidade? HOMOFÓBICOS!

Sei que estou prolixo, afinal comecei o post afirmando que necessitava de um expert, e até agora não o mencionei. Acabei me empolgando um pouco além do devido.

Para falar da psiquê de uma criança e os reflexos da sua formação através da criação de um casal homossexual, nada melhor que um psicanalista e sexológo. E porque não O MELHOR deles?

O currículo mostra isto:
Dr. Paulo Roberto Ceccarelli, Psicólogo; psicanalista; Doutor em Psicopatologia Fundamental e Psicanálise pela Universidade de Paris VII; Membro da Associação Universitária de Pesquisa em Psicopatologia Fundamental; Membro da “Société de Psychanalyse Freudienne”, Paris, França; Consultor científico (Editorial Reader) do “International Forum of Psychoanalysis”; Membro do Conselho Científico da Revista Psychê; Membro do Conselho Científico da Revista Latinoamericana de Psicopatologia Fundamental; Membro Fundador da ONG TVer; Vice-presidente do TVer-MG; Professor Adjunto III no Departamento de Psicologia da PUC-MG; Conselheiro Efetivo do X Plenário do Conselho Regional de Psicologia da Quarta Região (CRP/O4).
A douta opinião do Dr. Paulo Roberto Ceccarelli não é baseada na defesa dos direitos LGBTs e tampouco nas Escrituras Sagradas, por conseguinte, isenta e imparcial, acrescida de sua informação baseada em pesquisa técnica e inteligência inquestionável.

Ceccareli escreveu sobre o assunto em " Violência simbólica e organizações familiares. In Família e casal: efeitos da contemporaneidade, Féres-Carneiro, T; (org.) Rio de Janeiro, Editora PUC-Rio, p. 266-277, 2005". Disponível em também no site:
"Paulo Roberto Ceccarelli defende que cada modelo de filiação, seja homopaternidade, adoção, monopaternidade, famílias tradicionais, famílias separadas, os genitores falecidos ou não, terá a sua própria configuração de angústia. Mas, para a construção do psiquismo, não se pode dizer que um modelo é mais ou menos patogênico.

Com isso, o autor, entende que os novos arranjos familiares não trouxeram nenhuma novidade, pois, os processos de constituição do sujeito organizam-se sem levar em conta o sexo anatômico de quem cumpre a função materna-paterna. As novas famílias atestam a força do simbolismo ao invés de provocar a desestruturação familiar."
Enfim, Paulo Ceccarelli esclarece que todas as formas de filiação modernas, que excluam o modelo ideal, provocam alguma espécie de carência, mas não se pode classificar NENHUM MODELO DE FILIAÇÃO em mais ou menos patogênico.

Na leitura do segundo parágrafo a questão é enfrentada sem contornos, e o doutor psicanilista é categórico em afirmar que a formação da criança organiza-se sem levar em conta se os pais possuem orgão genital masculino ou feninimo, sendo determinante apenas as funções que podem ser assumidas indendente do gênero. Conclui que não há desustruração familiar, pois o simbolismo é cumprido fielmente pelos pais homossexuais.

Para os arcaicos homofóbicos as palavras do Ciccarellii provavelmente serão como pérolas aos porcos, mas suas informações são importantes para nós LGBTs e principalmente para casais homossexuais que pensam em adotar e, de alguma maneira, possuem alguma preocupação.

Casais homossexuais, as crianças necessitam do amor e dos cuidados de vocês tanto quanto vocês fazem jus ao amor delas. "O aconchego de uma família é algo insubstituível!". Divida esse seu direito de adotar ao direito da criança ser adotada por vocês.
/
Família é aquela que existe um elo de amor, zelo e generosidade, vivendo em comunhão. Elementos fartos numa família homoafetiva, até mesmo pela sua auto designação.

fontes:
imagem:

2 comentários:

Sergio Paiva disse...

Parabéns pelo belissimo trabalho, serviu de fonte de consulta para muitos outros, inclusive para o meu trabalho também.

Parabéns!

Carlos Alexandre Neves Lima disse...

Sérgio,

Obrigado!
Abs

Carlos Alexandre

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