O presente blog se propõe a reflexão sobre os Direitos Humanos nas suas mais diversas manifestações e algumas amenidades.


segunda-feira, 12 de abril de 2010

O Fim da "Coluna GLS" da Revista da Folha, do jornal Folha de S. Paulo

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Rita Colaço e Ricardo Aguieiras fizeram muito mais que comentários ao Breve Histórico da Imprensa Homossexual Brasileira. Deram depoimentos que merecem atenção.

Rita resgata a importância de Leila Míccolis, a primeira pessoa a fazer um levantamento da imprensa homossexual.

Por sua vez, Ricardo Aguieiras, traz a lembrança não só as revistas que tiveram um papel muito importante na cultura LGBT (algumas desprezadas por puro preconceito, já que possuiam também caráter pornográfico), como nos remete a uma questão que hoje, particularmente, pulsa forte: a "Coluna GLS" da Revista da Folha, do jornal Folha de S. Paulo encerrou suas atividades, sem uma explicação convincente.

Absolutamente correto e pontual Ricardo Aguieiras. É fundamental que exista acesso de massa as questões LGBTs e que estas não se restrinjam as revistas, sites e blogs exclusivamente direcionadas ao público LGBTs.

É imprescindível que jornais de grande circulação como a Folha de São Paulo, O Globo, Correio Braziliense, O Dia, e tantos outros existentes tragam em seu bojo conteúdo das problemáticas LGBTs, pois só assim o cidadão heterossexual ou LGBT terá ciência daquilo que ocorre e poderá aderir, ou não, a questão que é, antes de tudo, de direitos humanos.

Por estes motivos, para que não passe batido e tenha a importância que merecem, passo a transcrever aqui, na íntegra, os mencionados comentários dos dois colegas ativistas do MGLBT:


Rita Colaço - Blog Comer de Matula e Memória MHB


"A primeira pessoa a fazer um levantamento da imprensa homossexual foi Leila Míccolis - um artigo no Lampião e, anos depois, um Catálogo da Imprensa Independente. Porém, em razão muito provavelmente ao preconceito da academia por trabalhos realizados fora de seus muros, sempre ignorado - o que inclusive possibilita sejam clonados."

Ricardo Aguieira - Blog Dividindo a Tubaina


"Por incrível que pareça, sinto saudades da "Rose" e da "Alone Gay", que eram vendidas plastificadas e meio escondidas, ainda no resto de ditadura em que vivíamos. Sabe por que sinto saudade delas? por que ninguém se preocupou com o resgate das mesmas, como teve o Lampião; denotando moralismo, já que eram, também, pornográficas. Talvez por eu ter vivido tanto o Lampião, pela militância no Somos, que sinto mais saudades dessas que vieram depois e tentaram sobreviver com os leitores morrendo aos montes, de aids.

E penso que também a Sui Generis merecia ter suas edições digitalizadas, todos os números, lá o Trevisan teve um espaço bárbaro, muitas vezes 4 páginas para ele falar tudo, sempre tão divinamente. Nunca mais, nem mesmo nos melhores dias da G Magazine, ele teve tanto espaço... Aliás, a G está numa crise ferrenha e pode fechar definitivamente, também encerrando algo que ainda não percebo bem o que é...

Sei que é muito difícil a gente ter a dimensão do momento atual, presente, em que vivemos, mas hoje, 11 de Abril de 2010 encerrou-se mais um marco de nossa imprensa e isso merece uma discussão maior, por que o motivo não foi explicado: a "Coluna GLS" da Revista da Folha, do jornal Folha de S. Paulo. Eu gostaria muito de saber o por que. Hoje teve a despedida final de Vange Leonel e Vitor Angelo, que se revesavam quinzenalmente... As explicações que eles deram não me convenceram em nada e são meia que superficiais e absurdas. Argumentam que "como tudo cresceu esse diluiu, não há mais a necessidade de uma coluna específica para a homossexualidade". Só falaram isso e eu não sei se isso é uma verdade universal, paramim, essa coluna por onde passaram tanta gente, do André Fischer ao fútil Duílio Ferronato, Vitor Angelo que fazia um bom trabalho e ótimos questionamentos e tudo o que a Vange escreveu, importante demais. Briguei com todos... risos.... mas não perdi uma única que fosse... Na verdade, não explicam o por que do fim.

Me dói muito quando as coisas acabam assim, roubando nossos referenciais, foram mais de l0 anos de uma coluna que já tinha virado uma "amiga" e que fazia pensar..."

A despedida da coluna GLS na Revista da Folha de São Paulo:
"Hasta la vista
por Vange Leonel


Não gosto de despedidas. Ainda que me alivie pensar que os ciclos se fecham, e realmente desejo e espero que seja assim, despedidas formais me deixam constrangida. Adoraria escrever um texto de encerramento como se fosse uma simples coluna de meio de temporada. Mas é impossível: tenho que fechar o ciclo.

Comecei a assinar a parte feminina da coluna GLS, na Revista, há nove anos. Desde o início, me empenhei em construir pontes entre héteros e homossexuais, tentando apontar para o que nos é comum. Nunca acreditei que gays e lésbicas fossem excepcionais ou merecessem direitos especiais. Neste espaço pedi apenas o justo: os mesmos direitos já assegurados aos heterossexuais. Mas não foi só sobre direitos devidos que tratei.

Houve tempo e pretexto para os mais variados assuntos: de macacas bonobos a video games, darwinismo e feminismo, tolices e tragédias.

Foi uma delícia escrever nesta seção plural e pioneira. Raros são os jornais com uma coluna de opinião focada na homossexualidade. De minha parte, degustei e abusei: nunca antes neste país a palavra lésbica foi escrita e reescrita por uma lésbica tantas e repetidas vezes.

No fundo, torço para que não precisemos mais de guetos ou espaços exclusivos e excludentes. Percebo o assunto migrar com naturalidade para outras áreas do jornal. Migrarei também para onde haja um novo começo."

Discordo de Vange Leonel que dá a entender, em seu último parágrafo que a coluna era um espaço exclusivo e excludente. Não era. Estava a vista de todos, para todos, sem ser exclusivo ou excluindo ninguém. Uma perda inaceitável esse assassinato da coluna!

Um comentário:

Rita Colaço Brasil disse...

Ih, meu comentário ficou no faceboook.

Queria lhe fazer um pedido; melhor, dois (rs): faz a lista dos tópicos (tags) e coloca mais postagens na página (atualmente tem apenas uma). Tá dando uma trabalheira pra localizar seus textos anteriores, nem precisa ser os mais antigos.

No mais: super parabens (de novo).

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